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Transcendência
Mergulho o olhar no fundo do espelho
e me guardo dentro dele,
que eu mesma não me possa divisar.
Cristalizo a minha imagem
deixo pesar essa âncora...
que eu me ausente, mas não deixe o
lugar.
Abro minhas imensas asas,
espano o pó dos pés
e saio de mim,
diluindo-me no tempo e no espaço.
Leve - mais que a pluma,
livre - mais que o ar,
experimento o meu vôo e gosto!
Ensaio um bailado novo sobre minha
sombra fria
e rio-me de sua impotência ante a mudez
dos meus passos.
Fortaleço-me no que quero!
Liberta que estou
das tramas da carne e dos ossos,
tudo alcanço. Tudo posso!
Visualizo teus pensamentos e vou
buscar-te.
Emaranho-me nas espirais dos teus
devaneios
e te arrasto além dos limites da tua
imaginação,
onde o silêncio absoluto é a expressão
mais forte da palavra
e o sentimento mais oculto se extravasa
em comoção!
É quando tu te despes dos teus zelos e
pecados
e te entregas a mim, com toda a nudez do
teu eu eterno.
É quando te descobres SANTO
e eu te reconheço HOMEM!
e me apresso em aparar-te o pranto.
Porque preciso do sal das tuas lágrimas
com que temperar o meu depois.
Depois. Quando emergir do espelho...
Isabel Pakes |

Minha eternidade
Conduze-me ao teu infinito!
Deixa-me romper-te
como o sol rompe a noite.
Eu quero afugentar os teus temores,
teus pesares, tuas dores...
Eu quero iluminar-te em larga aurora
num eterno amanhecer!
Quero-te claro como o dia,
sem segredos, inteiro!
Quero-te na plenitude do teu ser.
Conduze-me ao teu infinito!
Deixa-me lançar-me em tua vida
como uma aeronave no espaço etéreo.
Eu quero desvendar os teus mistérios,
descobrir-te como um novo mundo
e exilar-me em ti, confiar-me a ti,
compor contigo uma unidade,
esquecer-me em teu amor
como se fosse a minha eternidade!
Isabel Pakes |

Só
a brisa...
Pendia a rosa
esvaecida
num cantinho do jardim,
perdeu a cor, a frescura...
que destino passageiro.
Cumpriu seus dias, tão poucos,
mas com tanto amor viveu,
tão intensa e dadivosa
que deu de si toda a glória
toda a sua graça e beleza
ao meio em que nasceu.
Perfumou a brisa,
encantou tantos olhares
inspirou tantos amores...
Tão bela foi e agora,
sem mais o viço e o olor,
ninguém mais olha pra ela,
ninguém com ela se importa,
ficou a rosa esquecida.
Só a brisa... Só a brisa
compassiva, piedosa
passa de leve, mansinha,
da-lhe alento, conforta
e acaricia-lhe as pétalas
mesmo depois de morta.
Isabel Pakes |

Aquieta-te
Aquieta-te, filho
das estrelas, aquieta-te!
O coro ensaia um novo canto para teus
ouvidos.
A mesa, não demora, será posta
fartamente,
mais um pouco e serás saciado.
O alimento por quê anseias já recende.
Redobra o apetite,
antes seja ávido que tíbio.
Aquieta-te, filho das estrelas,
aquieta-te!
Levas na fronte o signo do rebanho,
onde quer que estejas estás reunido.
A luz já é feita em ti conforme os
desígnios,
já soma o resplendor!
As sombras já se escaldam em seu calor.
Aquieta-te, filho das estrelas,
aquieta-te!
Não te intimide o cansaço,
o trabalho é árduo mas não há
desalentar-se.
Quem atribui as tarefas também fomenta a
vontade,
pois o tempo se acelera e vem o dia
determinado no ato - o mesmo - da
criação.
O esperado apraza...
Há que se cumprir a promessa,
há que se preparar a festa da comunhão!
Isabel Pakes
Bel
http://belpakes.blogspot.com/ |
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