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PÉTALAS
(MENINICES EM CERQUILHO)
Trago em mim uma saudade:
Um vazio palpável que me persegue...
Saudade de tuas casas hoje em demolição
Das fotos desbotadas e das ovelhas
coloridas...
Das charretes... Dos trens de tua
estação...
De tantas chegadas... E outras tantas
partidas.
Saudade é uma ausência
que um dia do passado rompe...
Saudade de meus tombos dos galhos de
tuas goiabeiras...
Do céu de pipas... Do içá em teu
vermelho chão
Saudade até daquelas velhas benzedeiras
Curando o quebranto com palito e carvão.
Saudade é uma chama que queima o peito e
nada aquece...
Saudade do bebedouro de cavalos de tua
extensa avenida
E a falta (tanta) daquela tua paineira
em flor...
Saudade da cancela e de tua antiga
rodoviária
De nossa meninice...De nosso certo
“interior”.
Saudade ao contrário do tempo é uma
coisa que dá
e não passa...
Saudade das ruas e até de meu joelho
ralado
De cada professora... Daquela nossa
pouca idade
Saudade dos meus pés descalços naquele
meu “cercado”
Que de concreto... Só me deixou a
saudade.
Na memória resguardo cada uma de tuas
rosas que desvaneceram
Mas ainda confiante em tuas sementes...
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