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UM CAUSO NA NOSSA LUA DE
MEL
Luíza
Soares Benício Moraes
Hora, faz tanto
tempo, mas hoje no
repórter de meio
dia, falavam de
noivas e festa de
casamentos... Aí
meu marido com suas
brincadeiras
lembrou-se da nossa
aventura, pós saída
da Igreja, no dia do
nosso casamento.
Casamos pela manhã
pois tínhamos de
viajar para uma
colônia de férias do
SESC em Garanhuns -PE.
Para quem não sabe,
fica a uns l80km do
Recife e só saímos
depois do almoço é
claro, depois da
comemoração na
Igreja com um bolo e
despedidas.
O marido
está lembrando dois
causos antes disso:
o primeiro foi o
atraso da noiva,
pois meu irmão que
ia entrar comigo,
não teve licença
logo para sair do
quartel, CPOR onde
prestava serviço
militar. Claro que o
certo, era entrar
com meu pai, mas ele
não mostrou boa
vontade e aí já
resolvemos desta
maneira . O noivo
foi na minha casa
ver o que estava
acontecendo, se
havia desistido de
casar... e me viu
vestida de noiva o
que
contrariou o pessoal
que estava ainda em
casa...
Ele tinha
uma komby e serviu
bem para fazer
várias viagens
levando os
familiares seus e
meus. Até sua
cachorrinha Chule,
teve que ir porque
fez um alvoroço para
não ficar lá na casa
dele sozinha. E, o
interessante que,
por ser bonitinha e
pequena o padrinho
foi pôr a mão nela
dentro do carro e
ela o mordeu...
Mas, vamos
continuar a história!
Viajamos os
l80km com muita
chuva e estradas
ruins até chegarmos
de noite. Perdemos o
jantar. Colocamos
nossas malas no
aposento reservado e
fomos jantar num
restaurante simples
da praça principal
da cidade. O frio
era demais e meu já
marido estava com
uma camisa de linho,
daquela de manga
curta. Mês de julho
em Garanhuns é frio
europeu mesmo!
Ficamos os dois
tiritando de frio e
tínhamos vindo
andando, e voltamos
andando a pés de
novo pois naquela
época acho que nem
havia táxis lá. Isso
foi em 1965.
Outro “causo”
foi a nossa volta
para casa, não
podíamos voltar no
ônibus de excursão
do SESC porque
tínhamos de voltar
na Komby e lá vai
sofrimento de novo.
A estrada estava
pior e aconteceu o
que estávamos
prevendo. A kombi
iria quebrar. E
quebrou-se mesmo.
Foi um problemão, e,
não podíamos pedir
nem ajuda pois não
havia nada, só cana
na estrada, dos dois
lados. Fechamos o
carro e fomos
procurar alguém. Lá
em cima da barreira
vimos um casebre de
canavieiro. Fomos
lá. A casa estava
vazia. Aliás, não
estava, o pessoal da
casa estava
escondido. Chamamos
muito, “Oi de casa!”
e nada... até que
avistamos um menino
que aparentava uns 4
anos que vinha
manquejando com uma
ferida muito feia na
perna, e ao ver-nos
voltou como se
estivesse com medo.
Perguntamos de longe
se havia alguém por
perto, que estávamos
com o carro quebrado
etc. até que
apareceu uma mulher
e sem olhar para nós
direito respondeu:
estamos aqui de
passagem e , tomem,
agente não mora
aqui ... não sinhô,
em fim, deixou-nos
entrar. Tínhamos
comprado uma feira
completa para nos
abastecer e outras
coisinhas .... para
concluir a história,
vimos a miséria tão
grande daqueles
pobres que em troca
de eu ficar lá com
eles enquanto meu
marido ia conseguir
telefonar para
alguém ou procurar
socorro,
presenteamos aquela
família. O garotinho
teve sorte de eu ter
uma caixinha de
primeiros socorros e
pedi para ferver
água, lavei o
ferimento horroroso
que tinha sido
ocasionado por uma
corda que cortou-o
quando segurava um
cabrito. Ainda hoje
fico pensando se o
meu curativo salvou
aquela criança de um
tétano. Senti até
mau cheiro... estava
horrível!
Depois de
algum tempo,
passamos no local e
não há mais o
casebre e nem a
barreira pois a
estrada foi
alargada.
Já me
perguntaram o porque
das pessoinhas
medrosas em
atender-nos. Temos
duas alternativas:
uma é a de que
seriam gente medrosa
mesmo que tem medo
de pessoa
estranha... mas,
depois soubemos que
havia muito camponês
se escondendo por
causa da perseguição
no campo.

Recebi
a minutos atrás da amiga
Luiza Benício, Nordestina
como eu, e
não
poderia deixar passar esta
data, sem dar-lhe os meus
sinceros
parabéns,
desejando
ao casal, que esta data se
repita por
mais
dezenas de anos DE AMOR,
HARMONIA, FELICIDADE,
SAÚDE
E MUITA
PAZ.
Iara Melo

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Índice
Criação e
Arte Final:
Iara Melo

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