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AS TIAS
Falam alto e com voz grossa
pra chamar a atenção,
no seu espírito não esboça
recato ou educação!...
Discursam com arrogância
para toda a gente ouvir,
e mesmo a meia distância
é impossível fugir...
E as palavras proferidas
nunca têm relevância,
são ideias repetidas
sem rigor nem substância...
Todos tratam por “você”
mesmo a família chegada,
seu juízo não prevê
chamada diferenciada...
E até os queridos filhos
para o gene honrarem bem
seguem atentos os trilhos:
chamam “tia” à própria mãe!
Aspeto característico
desde a roupa à maquilhagem,
quase que trazem um dístico
que as distingue na paisagem...
Usualmente o cabelo
é comprido e com madeixas,
por muito que esteja belo
dele têm sempre queixas...
Estão sempre muito adornadas
anéis e pulseiras mil,
que tilintam encantadas
numa atitude imbecil…
Habitam em certas áreas
geográficas balizadas,
com migrações temporárias
para zonas demarcadas...
Bem raramente trabalham
pois nada sabem fazer,
mas às vezes desencalham
um emprego de lazer...
São tacanhas de cabeça
nem lêem uma brochura,
mas participam à beça
nos eventos da cultura!...
São cristãs na aparência
cumprem ritos a preceito,
mas a sua vera essência
é de egoísmo e despeito...
Os interesses que as guiam
são dinheiro e posição,
e quando alguém auxiliam
é por pura ostentação...
Têm muitas amizades
que nunca são verdadeiras,
e mútuas rivalidades
entrechocam-se matreiras...
Apesar de detentoras
de sofrível patamar,
têm admiradoras
que as querem sempre imitar!...
Mais haveria a contar
sobre as belas personagens,
mas não quero ultrapassar
do poema as suas margens...
Mas vou registando tudo
destes seres e seus humores,
pois apaixona-me o estudo
de espécies inferiores...
Adelina Velho da Palma
Quadra retirada da versão incluída no Inspiratrix I |