Sebo - Ana Isabel Rosa

SEBO LITERÁRIO

autor

 

Ana Isabel Rosa

página 2

 

 

 Fernando Pessoa
Poeta de Luz

 


És o orgulho de uma nação
Que aclama de peito aberto
Toda a ostentação
Da tua herança ser um império

Nação privilegiada este Portugal
Por te ter tido a compor
Fizeste o principal
Para guardar o verdadeiro valor

Nas divergentes opiniões
Que faziam parte do teu presente
Viveste na ilusão
Com a companhia do desalento

Na alma nunca encontraste
O aparecimento para a sua cura
Libertaste-te do desassossego
Quando baixaste na tua sepultura

A ti, poeta de luz
Que ofuscas com a tua claridade
Que tanto me seduz
Nesta minha realidade

Nesta realidade em que vivo
Entendendo a tua sapiência
Sei que querias ser reconhecido
E fazia parte da tua consciência

As tuas poesias são uma fortaleza
Que completam uma biografia
Aplicando na mente a firmeza
Que exibem a tua fotografia

Na imensidade da tua capacidade
Viveste uma existência escondida
Que agasalhaste dentro da tua pessoalidade
Deixando a alma confundida

Tudo o que escrevias
Era uma verdade sentida
Eram sentimentos e fantasias
Onde a tua alma sentia-se esquecida

Numa existência apartada
Com uma intuição persistente
Com a sensação dissimulada
Numa presença carente

Vivias na escuridão da tua intuição
Com um conhecimento colossal
Sempre com a solidão no coração
Sem a perceção do quanto, eras especial

Desassossego arremessado
Sentimentos sentidos
Sentias-te asfixiado
Pelos momentos vividos

Na imensidão da infelicidade
Viveste num mundo sem ternura
Fazendo com que a tua realidade
Se abriga-se numa alma sem cura

Na tua vida isolada
Tinhas a grande noção
Que a morte te atormentava
Sendo esta a tua perceção

Na ausência de ternura
Pelejavas num mundo recurvado
Levando na alma a tortura
Pelo sentimento passado

Deixaste algo tão importante
Que nunca poderei olvidar
O teu empenho foi grande
Em deixar uma meta para abraçar

Grande no espírito
Com um pensamento abrangente
Fica a certeza do vivido
Na mente da gente

Descreveste toda a paixão
De forma a abranger
A alma e o coração
Onde as poesias espelham o teu ser

Tão descrente de firmeza
Viveste na tristeza de alcançar
Momentos de beleza
Que o pensamento queria abraçar

Fernando Pessoa queria
Que vários heterónimos irrompessem
Para ver o que seria
Se outros nomes aparecessem

Álvaro de Campos natural de Tavira
Com uma educação vulgar
Dedicou-se à literatura
Estudou engenharia mecânica, e depois naval

O aparecimento de Alberto Caeiro
Foi uma forma de evasão
Sendo uma figura inteira
Que na poesia se encaixa na perfeição

Ricardo Reis discípulo de Caeiro
Apreciador da serenidade
Através da autodisciplina grega
Procurou obter estabilidade

Acreditavas que havia só duas datas evidentes
A do teu nascimento e da tua morte
Esta verdade nunca será convincente
Porque os dias que falham serão da gente

Quem aprecia Fernando Pessoa
Sabe que tinha a alma abatida
Reconhecendo a fiel pessoa
Que existia numa vida perdida

O teu amor foi Ofélia
Foi um amor que não deu certo
Mas fazia parte da ideia
Ser bem-aventurado com ela

As cartas de amor destinadas
Foram na busca da felicidade
Tornando a vida diligenciada
Para alcançar uma realidade

Esta mulher que tanto querias
Ficou com o conhecimento
Que nos momentos em que sofrias
Testemunhava o teu abatimento

Havia a impressão
Que nada de claro o futuro traçava
Mas sustentavas a determinação
Que o espírito experimentava

A falta de amigos desenvolvia
A certeza em suportar
A falta de um ombro protetor
Para as tristezas enumerar

Tenho consideração
Por alguém que vivia no tormento
Que não sentia a ostentação
Somente os seus pressentimentos

A tua tristeza marcou
Uma época de casos
Mas o teu talento perdurou
É esta a certeza que trago

Ó poeta descrente
Que aplicaste o desalento
Na vida que sustentavas
E era sempre o teu presente

Adoças a boca de quem gosta
De pronunciar as tuas palavras
Como se a tua escrita fosse composta
Das verdades mais claras

A ti, poeta estimado
Que me deixas atónita
Perante o teu passado
Que no meu presente se torna

Ana Isabel Rosa

 

Portugal
Sombras de uma Nação

 

Povo descobridor e ousado
Que lançou a coragem e desembaraço
Perante um mar temerário
Carregando a reflexão no seu regaço

Povo valente e aventureiro
Que no abismo encontrou o certeiro
Sentimento de obrigação
Levando a coragem no coração

Barcas aventuradas num mar
Na incerteza do desconhecido
Mas que trouxe a Portugal
O sentido cumprido

A certeza do momento vivido
Trouxe a um povo a exactidão
De que na alma lusitana
Prevalece a dedicação

A lenda que conduzimos pelo mundo
Deste povo valente e descobridor
Deveria ser um orgulho
Que cada um levaria no interior

Agora somos silhuetas
Abafadas e sentidas
Numa realidade auxiliada
Que na prática não faz sentido

Sombras de uma nação
Que bafejam as falsidades
Que alagam o coração
Tirando ao povo a realidade

Onde os sonhos de uma população
Guiou na mente um desejo
Mas que se tornou numa ilusão
É a realidade que vejo

Neste país de disputa pelo poder
Que parece não ter afinco em lutar
Fica a certeza de perceber
Que um ciclo é necessário encerrar

Viver na aflição
É uma verdadeira valentia
Mas temos que ter a noção
Que a verdade por vezes é uma mentira

Resta viver com resistência
Para o momento ultrapassar
Que o povo diga não à desistência
De um país querer mudar

Quem tem a Pátria assinalada
Que se abre a disputar a veneração
Sabe que é preciso ter coragem
Pois as conquistas crescem com dedicação

É necessário lutar
Perante esta situação prejudicial
Nem que seja preciso gritar
Para defesa de Portugal

A nação e a sua perseverança
Encontram-se na sua solidez
De alcançar a esperança
De ser um país que detenha honradez

Acorrentado na Existência

Acorrentado numa existência
Convivendo com o desprazer
Render-se a uma toxicodependência
Que tira o desejo de viver

O refúgio que abafa
Sem a verdadeira luz
Onde o entusiasmo estaca
Com toda a tristeza que produz

A vontade que não chega
Traz na alma o pesar
De viver toda a tristeza
De sentir o azar

Quando se desiste do que se gosta
Escasseia a determinação
Tornando a vida desgostosa
Querendo transpor esta situação

A mágoa que existe
E que atua interiormente
É a certeza que persiste
Na verdade que se sente

Vontade enfraquecida
Sentindo-se uma banalidade
Vivendo numa fantasia
Que acorrenta a liberdade

Permanecendo prendido
Perante o desprazer
Gera um silêncio suprido
Com o afastamento de viver

Ana Isabel Rosa

Memórias

 

Memorias envelhecidas
Refletidas num presente
Que revivem as alternativas
Quando do passado se lembra

Memória ausente
De uma vida passada
Que abriga na mente
A ideia da alma assolada

São memórias da ocasião
Que poderão ser lembradas
Sempre com a compreensão
De serem memórias acomodadas

Trazem consigo a lembrança
Do ontem já acontecido
Que faz parte da segurança
Por serem momentos já vividos

As memórias fiam no pensamento
Do passado e presente que se tem
Revivem os sentimentos
É a certeza que se obtém

Ana Isabel Rosa

Universo Libertino

 

Nos nossos dias, vive-se cada vez mais uma vida sobrevalorizada…
Onde as ideias, são formadas com uma finalidade cobiçada…
A vontade de ser mais, de abarcar mais…
Tornou-se num vício, que domina o mundo!
Vive-se, no eu quero, eu posso, eu mando,
E onde fica, eu também sou humano!
Permanece o preconceito, a indiferença e a imperfeição…
Num emaranhado de emoções que trazem a agitação
A humanidade desenvolveu seres fugazes…
Alimentou o desânimo, mas é preciso ter segurança
Nos desejos concretos e não vulgares
Haja vivacidade suficiente para alcançar a consistência
Que se encontra desgastada nesta existência!

Ana Isabel Rosa

 

Energias Únicas

 

Almas Santas e Benditas
Que carecem de oração
Transportam a alma desmedida
Para a sua ascensão

À espera da ocasião
Desejam quem lhes possam dar
As Preces e devoção
Para a sua alegria chegar

São Almas Santas e Benditas
Que trazem ânimo ao coração
Reprovam a desdita
Levando a compaixão

Prevenidas de alento
Para quem as procuram
Permanece no conhecimento
Que nunca se descuram

São Almas Santas e Benditas
Autênticas roseiras glorificadas
Creem que a altura verdadeira
Desfrutará com uma colheita considerada

Carregam com o entusiasmo essencial
Para o alívio de quem delas carecem
Relembrando que o fundamental
É não olvidar, que sem as orações padecem!
Voar nas asas do sonho

Voar nas asas do sonho
É soltar a fantasia
Iluminar a nossa existência
Ter a certeza de uma vontade
E conservá-la na consciência

É ser livre, persistente
Transportando uma brisa valente
Embalando uma ambição
Ter na mente uma idealidade
É acreditar com o coração

É viver a realidade
Conduzir uma decisão
Saber dizer que não
Sempre que o sim
Não seja a melhor opção

É sonhar com o devir
Ficar embriagada com o desconhecido
Sofrer, sem estar triste
E aceitar o que está previsto

É deixar-se arrastar no sopro do vento
Trazer na mente a conquista
Acreditar no seu advento
E ter a alma desprendida

É rejeitar a negação
Ser desmedida e ousada
Aceitar a exatidão
Dentro e fora da verdade

É incendiar uma reflexão
Que faz parte do envelhecido
Tendo a coragem na mão
Onde este pensamento está refletido

É combater a intolerância
Dividindo-a em dois fragmentos
Um será a confiança
E o outro o entendimento

É ouvir a melódica alegre
Que grita toda a sorte
Que conduz a certeza existente
Para que a idealidade seja forte

Voar nas asas do sonho
É Ser EU neste momento
Aceitando esta verdade
É Ser EU neste presente
Onde estou encantada

Caminhada Incerta

A vida é uma caminhada incerta
Por isso vive-se na insistência
Que transporta a confiança
Com a dose certa de esperança

Que suspira por cada instante
Que a vida nos presenteia
Com cada oportunidade
Que cede como veracidade

A ocasião vivida
O momento sentido
Acarreta a experiência
E agrega-se à consciência

Na alegria de ter
Na mente este saber
Que a idealidade
Faz parte da nossa realidade

E quando a determinação
Toma conta do coração
A certeza em debater
Cede lugar à palavra

Evidente e verdadeira
Sem fronteiras, nem barreiras
Onde se expõe a paixão
Com muita dedicação

São fragmentos de uma vida
Associados ao dia a dia
Onde se espelha a reflexão
Expressa em cada ocasião

Conduzindo ao limite
Toda a emoção
Que traça uma mudança objetiva
Em que não há espaço para a mentira

Com a garantia de permanecer
E aconchegar todo o meu ser
E apregoar para a humanidade
Que a felicidade se esboça na verdade

Ana Isabel Rosa

A Vida no Tempo

 

A vida no tempo
Tem um único fundamento
O aperfeiçoamento do presente
Onde o ontem já cessou
E o hoje acontece
Assim a página da vida permanece

A vida no tempo
Lembra a importância de viver intensamente
Ter na mente uma finalidade
Sem abandonar a identidade
Com a firmeza na realização de objetivos
Sem medo de recomeçar, sempre que seja preciso

A vida no tempo
Recorda que a hora intensifica
A verdade que por vezes se avista
Ao experimentar momentos de opressão
Quando o fio da vida, agasalha a extinção

A vida no tempo
Apaga o entendimento
E traz à tona o sofrimento
Onde a intuição marca uma posição
Importante e crucial
Para que a perceção da verdade seja real

A vida no tempo
Será sempre uma existência
Com sensações levadas pelo vento
Que planam na brisa do alento
Expondo na consciência
O saber da importância
De viver cada dia
Cada circunstância

A vida no tempo
Comprova que a página da vida
Tem que ser escrita com euforia
E que se tire partido da sabedoria
Nunca apoiando a falsidade
Porque acorrenta a felicidade

Ana Isabel Rosa

Sofrimento Disfarçado

 

Na calçada disfarçada e fria voam
Sentimentos passados e sofridos
De quem por ela passou e sofreu
Sem ao menos dizer, aqui estou eu!

Calçada que trazes sensações do antigo
Onde muita gente por aí passou
Lajes colocadas no caminho
De quem viveu sem o quentinho

Sentiu que só te tinha como assento
Onde te tornaste no único alento
Piso que agasalhou muita gente
Uma realidade que fica na mente

Desde o passado presente e futuro
Esta calçada arrumará o tormento
De quem por ela passa sem a convicção
De viver uma vida cheia de emoção

Com o flagelo disfarçado nesta calçada fria
Vem ao pensamento a vida como seria…
Senão tivesse como segurança no descanso
Esta calçada onde o teu chão é tão manso

Calçada disfarçada e fria
Que aconchegas tanta gente sofrida
Lajes do caminho colocadas em vão
Lembram as figuras que ainda pisarão

A vida coloca muitas pessoas a preencher
Um lugar no mundo que não deviam abranger
Nesta calçada fria presenciamos esta realidade
Onde devia ser dado a todos a mesma oportunidade

Ana Isabel Rosa

Luminosidade

 

Na sincera alma que sente
A alegria fixa na mente
Que honra a possibilidade
Como um beijo de bondade
Que abraça esta impressão
Que invade o coração
Onde a sensação de leveza
É marcada pela firmeza
Analisando o momento
Que fica seguro no pensamento
Guardando este prazer
Que invade todo o meu ser
Em que a experiência
Brinda a existência
Na ocorrência positiva
Em que a alma descansa feliz
Alegra-se diante do acontecido
Com a certeza do prometido
Desejando alcançar o limiar
Da promessa que quer abraçar
O pensamento ambiciona
E o raciocínio acondiciona
A suavidade do sopro de vida
Trazendo a mais delicada brisa
Conduzida pela meditação real
Que a vida é uma passagem desigual
E sempre que se transita numa fantasia
Há que ter a porção certa de ousadia

Ana Isabel Rosa

Pedaço de Mim

 

Em resultado do que me administras
Sou um pedaço de ti
Que reflete quem és
Através da tua luz que espelha energia!
Então, quem sois vós?
Um pedaço de mim
O que pretendeis?
A minha reflexão
Porquê?
Porque mereces todo o meu afeto
Então, quem sou eu?
Um pedaço de ti
Qual a minha pretensão?
A tua vigilância
Quem sois vós, para mim?
A minha redenção
Um pedaço de mim
Que estaciona impoluto
Com a firmeza na perceção
Que deténs o meu coração
Onde abraço a espiritualidade
Lançada na minha individualidade!

Ana Isabel Rosa

Janela Encantada

 

Olhar embevecido através desta janela
Olhar extasiado por ter o pensamento nela
Janela encantada que trazes o alento
Da vida presente que acoita na mente

Fazes com que a certeza do olhar absorvido
Seja a promessa do sinal que se avista
Desta realidade existente e que pugne com o vivido
Para repelir com qualquer momento sofrido

Janela encantada que magia confecionas
De forma que a realidade seja a que componhas
Atuas na imaginação expressando o que se sente
Na sincera alma que assenta o fervor do presente

Neste sol ardente que queima os sentimentos
Depondo unicamente os pressentimentos
De forma a afastar deste momento atual
O que o pensamento considera não ser essencial

Ana Isabel Rosa

 

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