SEBO LITERÁRIO

 

Antônio Paiva Rodrigues

 

Crônicas

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Escrito por Antonio Paiva Rodrigues - Aluno do Curso de Pós-graduação em Psicopedagogia da Faculdade Vale do Jaguaribe (FVJ)

 

Tendo abraçado a profissão de jornalista e não ter conseguido a pós-graduação na área específica, pela dificuldade de algumas faculdades em formar turmas, resolvi optar de coração pela psicopedagogia, pois sempre gostei de lidar com crianças, bem como conhecer através do ensinamento em sala de aula, o mister da aplicação da psicologia experimental à pedagogia. A escolha se imantou na ideia do homem que plantou uma rosa e passou a regá-la corretamente, mesmo antes que ela desabrochasse. Ao ver o botão crescer, notou que ele continha espinhos sobre o talo surgindo em seu pensamento uma visão opaca, mas com uma compreensão alvissareira. Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados. Indagou? Não devemos temer os espinhos da vida, pois eles serão combatidos com a força do pensamento, tendo como viés imponente a sabedoria. A psicopedagogia nos repassa muitas nuanças dessa sabedoria.
Resolvi então buscar dentro da minha alma as qualidades dadas por Deus. Dentro da alma de cada ser humano existe uma rosa que se gera através de um botão. Fui buscar entre os espinhos a rosa deificante para a minha matéria. Ao compasso, e seguindo um azimute benfeitor escolhi a Educação Infantil, problema que atinge muitas crianças nos mais longínquos rincões de nossa pátria. Um dos maiores dons que um profissional de ensino pode de ter é o de compartilhar a sua sabedoria e ser capaz de passar pelos espinhos sem se ferir encontrando a tão almejada rosa dentro de outras pessoas, como também nos pequenos corações das criancinhas brasileiras.
Educando as crianças no presente não será preciso punir o homem no futuro. A educação é direito inalienável de todos, é o progresso do espírito humano. A educação faz parte da Lei Universal. O nosso governo tem o dever supremo de investir pesadamente na educação com planejamento estratégico bem feito e ordenado, não excluindo a responsabilidade dos estados e municípios nessa feérica responsabilidade, aliando-se com envergadura aos setores que lidam com os pequenos notáveis, as crianças brasileiras. O governo além de prezar deve ter a obrigação eminente de extinguir ou amainar a violência reinante no écran brasileiro. Devemos repudiar, reprochar as atitudes insensatas dos maus políticos, enaltecendo aqueles que têm na operância legislativa a visão ubertosa (úbere) no investimento maciço em escolas, faculdades, universidades, bibliotecas, hemerotecas, hospitais e centros de recuperação de menores e adolescentes. Através dessa ação relevante não haveria necessidade da construção de mais presídios, casas de detenção e xadrezes. A missão passaria na educação dos irmãos infratores como ressonas tirando-os do ócio e ensinando-os uma profissão digna para quando do cumprimento da pena não voltasse a delinquir novamente.
Não que as cadeias públicas e os presídios sejam descartados, mas através de uma educação de qualidade estaremos instruindo crianças, adolescentes e adultos dentro dos parâmetros educacionais e por consequência diminuindo o número de meliantes no “teatro de operações” das grandes capitais e estados brasileiros. O que fará “que quiser”, é um justo e claro conceito, vinculado ao livre-arbítrio, é a Lei de Causa e Efeito. A criança necessita de estudo e entretenimento. Estudar e brincar seriam as atitudes mais corretas e precisas em prol da gurizada. Começando pelas boas amizades, passando horas felizes, através de uma convivência saudável com os amiguinhos que não seus familiares, com responsabilidade e respeito mútuo. “A educação é a higiene do espírito, assim como a higiene é uma verdadeira educação do corpo”.(Paolo Mantegazza)
Afirmam os estudiosos que até os seis ou sete anos de idade as crianças viverão uma das mais complexas fases do desenvolvimento humano, nos aspectos intelectual, emocional, social e motor. Essa fase será mais rica, quanto mais qualificada forem às condições oferecidas pelo ambiente e pelos adultos que lidam com os pequeninos. Uma escola precisa irremediavelmente ser mais do que uma piscosfera estimulante, educativa, segura, afetiva com professores bem preparados para acompanhá-las nesse processo intensivo e cotidiano de descobertas e de crescimento. Existe necessidade de uma base sólida para influenciar no desenvolvimento futuro da criançada. Salvem nossas crianças. Milagres não existem. Devemos semear para colhermos. Temos que investir para que haja progresso. Somente a educação de qualidade ensina a ordenar corretamente o pensamento no respeito à liberdade de cada um, mostrando o caminho correto a seguir.
Acabando-se com as guerras e os investimentos em armas pesadas e atômicas, aplicando-se mais verbas na educação, através da canalização de recursos financeiros poderemos proporcionar uma reciclagem permanente e constante na finalidade mor e excelsa educacional do ser humano. Um clima de tranquilidade com certeza proporcionará mais tranquilidade e satisfação a todos, e ninguém assimilará o ócio pernicioso e coletivo. Os governos estadual e municipal já deveriam ter estruturado um projeto diferenciado para a Educação Infantil, sem abrirem mão de um espaço saudável para o livre brincar altamente afetivo. Os benefícios para as escolas municipais e estaduais seriam de grandes proporções. Um cotidiano rico e diversificado em situações de aprendizagem planejadas para o desenvolvimento das linguagens e emoções estabelecendo pilares ou pilotis para o pensamento autônomo.
Toda escola de Educação Infantil precisa ter certeza do que quer desenvolver na criança e não estimular a criança a frequentar a escola somente pelo oferecimento da merenda escolar para saciar sua fome. Se possível tempo integral para todas, isso evitaria que a criança ao sair do ambiente de ensino voltasse às ruas para aprender o que não deve. Com o tempo preenchido ela seguiria para casa e pelo cansaço natural iria descansar e dormir. Assim, para formar crianças saudáveis e desenvolver capacidades de aprendizagem de pensar e estabelecer bases para formação de um ser humano ético, capaz de conviver num ambiente harmônico e democrático, o estado e o município deveriam propor atividades que desenvolvessem um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores adequados a cada faixa etária, incluindo-se leitura, escrita, artes-plásticas, música, filosofia, sociologia, uma língua estrangeira, e estudos sociais e políticos do Brasil(OSPB).
Além do mais, conhecimento da natureza, da sociedade, educação do movimento em todas as atividades do aluno, evitando que o mesmo passasse a condição de passivo da educação tradicional. “Um aluno participativo, ativo será o ponto alto no processo de construção do conhecimento.” “Pra que usar de tanta educação pra destilar terceiras intenções, desperdiçando o meu mel devagarzinho , flor em flor, entre os meus inimigos, beija –flor”.(Cazuza). Em todas as áreas os alunos têm a possibilidade de utilizar recursos como a informática e vivenciar experiências ricas, como aulas de culinária. Conhecer um pouco do cotidiano de nossas crianças é obrigação. Devemos acompanhar as atividades delas não esquecendo que os pais ou responsáveis estão inseridos nesse rol de atividades, afinal não se coloca criança no mundo sem o planejamento familiar, se os pais são neófitos nessa educação devemos educá-los também. Com esses procedimentos o País seria mais humano e menos violento com certeza.

Antônio Paiva Rodrigues*

Livro de Visitas

       

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