SEBO LITERÁRIO

 

 

Ariovaldo Cavarzan
 

 

 
 
VERSO E PROSA
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Pobre Coração...
Ariovaldo Cavarzan



Pobre coração,
que não tem jeito.
Dentro do peito,
parece almofada
de algodão.

Bate ainda,
mas não sangra;
sofre,
mas não sente,
as agulhas
da paixão.

Pobre coração,
espremido
em seu pulsar,
sem notar
o dolorido
dos alfinetes
do sonhar.

Pobre coração,
insensível
aos gemidos
da saudade,
sem fazer afrouxar
os fios apertados,
da dor inexprimível
da solidão.

Pobre coração,
que de amar em compulsão,
mais parece
almofada
de ilusão...

28/08/2008
Ariovaldo Cavarzan

Poetas e suas sinas
Ariovaldo Cavarzan



Em represas de solidão,
chora o Poeta, sangrando
amarguras de coração.

Ao cantar o amor,
quer transformar dor em flor,
em canteiros de silêncio.

Na escura solidão,
carpe a desilusão
da inescapável sina
dos infelizes.

Esculpe, enfim,
rimas de saudade,
preenchendo vazios d'alma,
com enfeites de amores,
vicejados em jardins de ilusões.

Campinas, 21/04/2011
Ariovaldo Cavarzan

Prece
Ariovaldo Cavarzan


Senhor, nosso Deus e Pai,
Criador do universo e de todas as coisas!

Nós Te agradecemos pela dádiva da vida,
soprada no instante de nossa criação.

Agradecemos pelos desafios da caminhada,
trilhada em sendas nem sempre tranquilas,
nem sempre escarpadas.

Agradecemos pela nossa família,
pelo lar que habitamos,
pelos bens materiais que nos destes,
para que os transformemos
em ferramentas de trabalho
e evolução.

Agradecemos pela saúde,
pelos amigos,
pelos entes queridos,
pela paz que sentimos,
pela felicidade e pela alegria
em poder ajudar
a quantos de nós precisem.

Agradecemos pela vida imortal
com que nos aquinhoastes,
ensejando-nos renovadas
oportunidades de
aprendizado e evolução,
em etapas que nos
transformarão em bons.

Agradecemos pelas tantas vidas
quantas forem necessárias
à nossa transformação.

Agradecemos pelas inesquecíveis
lições de Teu filho amado, Jesus,
caídas em nossos corações,
da mangedoura à cruz,
qual bálsamo iluminado,
para ajudar-nos a compreender
o verdadeiro significado
das palavras
perdão,
bondade,
renúncia,
saudade,
humildade,
mansuetude,
caridade,
amor,
e, sobretudo,
dor.

Por tudo isso
e pelo Teu infinito Amor,
Obrigado, Senhor!


Ariovaldo Cavarzan

Sentimentos são recicláveis
Ariovaldo Cavarzan


Às vezes ficamos assustados ante a montanha de detritos que se acumularam no pouco ou muito tempo da relação a dois.
O primeiro pensamento que nos acode é o de nos desfazermos de tudo, empreendendo uma verdadeira faxina, capaz de nos livrar de tamanha incomodação.
Ocorre que, entre as coisas imprestáveis que achamos que precisam ser removidas, encontram-se os nossos sentimentos, aqueles mesmos que nos ajudaram a identificar o outro como sendo a pessoa ideal para junto com ela escrevermos a história de nossas vidas.
Importa reconhecer que, uma relação a dois se faz em sentido de complementaridade, cada um correspondendo a uma parte do todo, com suas especificidades e seus humores, sua espiritualidade e seus valores, sua estrutura e sua herança familiar.
E isso não pode ser modificado.
Cada um traz enraigados consigo conceitos éticos, morais e afetivos, impondo-se como importante, na hora de repensar a relação, saber explorar convenientemente a montanha de coisas imprestáveis que se acumularam em cima daquele sonho idealizado de outrora, por conta dos muitos desafios que as duas partes do todo tiveram que enfrentar no curso da convivência cotidiana.
Com toda a certeza, esse garimpo acabará por identificar os fragmentos de sentimentos, que sempre estiveram presentes, ao longo do tempo que passou, e que foram responsáveis pela permanência das partes, unidas e complementares, até então.
E são justamente esses fragmentos que precisam ser cuidadosamente identificados e separados do entulho comum, representado pelos episódios desimportantes da relação, acontecimentos menores vivenciados ao longo do tempo; contingências pequenas e incapazes de se sobrepor ao desejo sincero e maior, de recomeçar e prosseguir em frente, mesmo sabendo que o outro não é mais aquela pessoa idealizada que ficou no passado.
A vida é um permanente processo de renovação.
E os sentimentos verdadeiros constituem partículas recicláveis que se descolaram do coração e acabaram por se juntar aos detritos desimportantes que se foram amontoando ao longo da vida. Mas, esses pedacinhos bons não podem correr o risco de serem também jogados fora, na faxina que, vez por outra, a vida nos faz empreender, sob pena de não sobrar mais nada aproveitável dentro de nós.
Ao contrário, fragmentos recicláveis de sentimentos devem sempre voltar a compor a camada protetora do coração, exatamente no lugar de onde nunca deveriam ter-se descolado, a fim de que as partes do todo sejam capazes de voltar a empreender com sucesso a mais recente nova etapa de vida para a qual, vez por outra, a vida volta a convocar os amantes verdadeiros.

21/04/2006
Ariovaldo Cavarzan

 

Suspiros
Ariovaldo Cavarzan


Há uma ânsia
a agitar corações,
em descompassos de angústias
e na calma de cada emoção.

Relembranças acodem
feito afiados cinzéis,
demarcando cenários
de torvelinhos cruéis.

Pobres corações,
que ainda não sabem
de quantos soluços
é feita a saudade,
de quantos suspiros
é feita a paixão.

29/03/2012
Ariovaldo Cavarzan

 

Livro de Visitas

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