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SEBO LITERÁRIO
VERSO E PROSA
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Galileu
Ariovaldo
Cavarzan
Das
fímbrias
do
meu
viver,
recolho
ecos
de
instantes
idos,
feito
sortilégios
lançados
e
perdidos,
no
léu
das
coisas
que
não
conseguiram
ser.
Por
testemunhas,
simples
gravetos,
por
recompensa,
marcas
n’alma
restadas,
ecoando
saudades,
de
ilusões
enfeitadas,
demarcando
caminhos
de
abetos.
Guardo
tão
só a
vida
que
tenho,
agarrado
ao
quanto
me
restou,
buscando
entender
quem
eu
sou,
para
onde
vou,
de
onde
venho.
Quantos
anos
tenho?
Tenho
restantes
sobras
de
tempo,
não
os
anos
deixados
ao
vento.
A
galileana
e
funda
lição
me
faz,
enfim,
rendido,
eis
que
os
anos
por
mim
já
vividos,
meus
não
mais
o
são.
Campinas,
11/06/2011
Ariovaldo
Cavarzan |
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Restos
Ariovaldo
Cavarzan
Há
restos
juntados
em
refolhos
de
coração,
pedaços
de
lida
espalhados,
esvoaçantes,
sem
ordem,
sem
vida
e
sem
emoção.
Imperioso
tentar
compor
um
painel
de
saudade,
garimpando
fragmentos,
feito
artesão
de
coisas
do
amor,
que
junta
respingos
de
euforia
e
dor.
Lembranças
é o
que
ficou,
de
um
passado
de
sonhos,
que
se
acabou.
Há
marcas
pelo
chão,
pegadas
de
tempos
idos,
ora
seguindo
em
frente
e
ora
voltando,
às
vezes
leves,
outras
mais
profundas,
como
se
calcadas
por
pés
estancados,
talvez
indecisos,
ou,
quem
sabe,
cansados
de
caminhar.
Juras
de
eterna
lembrança,
convertidas
em
nunca
mais.
Momentos
marcados,
em
pedaços
guardados
no
fundo
do
coração.
Metamorfose
de
alegria
em
dor,
de
ilusões
em
tristeza,
feito
espinho
que
rasga
a
pele,
ou
navalha
pisada
ao
acaso,
em
cansado
caminho.
Folhas
mortas
dançam
a
esmo
um
balé
de
borboletas,
ciciando
segredos
ao
sopro
uivante
do
vento,
em
rodopios
de
fragmentos
desgarrados
de
um
todo,
que
não
mais
se
sustém.
Há
presságios
no
ar,
indícios
de
tudo
acabado.
A
calma
e
escura
noite
se
apronta
para
envolver
em
seu
manto
o
confuso
painel
de
lembranças,
transmudado
em
amontoado
de
restos
molhados
em
lágrimas.
Apenas
restos.
Nada
mais.
02/12/2009
Ariovaldo
Cavarzan |
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O
Rito
do
Clarão
Ariovaldo
Cavarzan
O
tempo
das
lágrimas
se
foi,
exaurido
em
lidas
de
afetos,
em
adereços
de
calmaria
e
dor
e em
enredos
de
sonhos
concretos.
Caravana
de
arautos
e
suas
trombetas,
proclama
o
esperado
fim
e a
mansa
chegada
da
paz.
À
ansiosa
quietude
de
agora,
sobrevém
suave
vibração,
recompondo
lembranças
de
outrora.
Canoro
é o
canto
das
aves
que
levam
para
longe
derradeiros
resquícios
de
amor,
guardados
em
corações
combalidos,
desvestidos
de
fantasias
e
ilusões.
Diáfanos
vultos
se
desenham
no
ar,
moldando
filetes
de
fumaça,
que
bailam
ao
sopro
da
aragem,
ordenando
o
caos
e
outorgando
formas
nervosas
a
imagens
de
tempos
idos,
coreografando
um
rito
de
conclusão.
Descompassadas
batidas
ainda
fazem
pulsar
corações,
em
estertores
de
hora
fatal.
Não
se
chorem
agora
os
mitos
do
amor.
O
ensejo
das
lágrimas
passou,
e é
chegado
o
instante
da
ansiada
inércia,
na
mansa
paz
dos
vividos
na
dor.
Silhuetas
enfumaçadas
flutuam
no
ar.
Vem
chegando
o
cortejo
de
arautos
e
suas
trombetas,
proclamando
o
final.
As
aves
canoras
já
foram
embora
e um
clarão
no
horizonte
anuncia
a
chegada
da
hora
de
descansar.
25/09/2009
Ariovaldo
Cavarzan |
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Parábola
dos
degraus
Ariovaldo
Cavarzan
Ao
galgar
uma
escada,
movimenta-se
um
pé
enquanto
o
outro
se
solta
do
degrau
já
pisado.
Não
se
consegue
ascender,
sem
liberar-se
de
sítio
já
palmilhado.
Impossível
chegar
ao
topo,
sem
se
mover,
nem
ofegar,
sem
transpirar
e às
vezes
até
chorar,
eis
que
escadas
são
desafios
a
enfrentar.
Há
escaladas
em
degraus
de
cimento,
de
pedra,
corda,
metal,
ou
madeira,
eis
que
são
vias
de
crescimento,
a
nos
servir
pela
vida
inteira.
Podem
ser
escaleiras
seguras,
ou
rústicas,
mal
ajambradas,
tortuosas,
envelhecidas,
em
forma
de
caracol,
ou
quebradas,
escorregadias,
esburacadas,
abandonadas,
frias,
altas,
baixas,
espaçosas,
estreitas,
estiradas,
ou
sem
qualquer
proteção,
sem
sequer
um
apoio,
que
se
possa
agarrar
com
a
mão.
Às
vezes,
abandonadas
ao
relento,
sem
qualquer
compaixão,
expostas
à
chuva
e ao
vento,
ou
esquecidas
num
canto,
embora
ao
alcance
da
mão.
Se
em
jardins
repousadas,
ao
lado
de
trepadeiras,
se
vestem
de
flores,
até
o
derradeiro
degrau,
para
ensinar
que
de
dores
e
amores,
se
fazem
o
bem
ou o
mal.
Degraus
são
intermédios
de
alcance,
do
que
do
mais
alto
nos
faz
almejar.
Ascenção
é
desafio
difícil,
pressupõe
esforço,
progressão,
abandono
de
etapas
idas,
deixadas
em
degraus
palmilhados
mais
perto
do
rés-do-chão.
As
seguras
escadas
rolantes,
ensejam
calmas
subidas,
de
pés
colados
ao
chão,
sem
riscos
de
enganos
de
lidas,
sem
esforços,
sem
luta,
nem
emoção.
Vida
é
feito
escada
comum,
trilha
escarpada
a se
escalar,
reclamando
esforçada
subida,
eis
que
em
seu
patamar
se
deixam
cair
respingos
de
dor
e
fadiga.
Que
se
libertem
os
pés
de
degraus
já
pisados,
para
que
não
se
frustrem
chegadas,
em
retas
finais
de
caminhos
ainda
não
completados.
Importa
alcançar,
ao
final
da
escalada,
um
templo,
um
pódio,
um
monumento,
um
recanto
de
calmaria
e
luz;
e
não
um
sótão,
recheado
de
empoeiradas
velharias,
eis
que
é
troféu
reservado
àqueles
que
não
se
vergam
ao
peso
da
cruz,
nas
lutas
de
cada
dia.
Em
gradações
se
constrói
o
saber,
em
escalas,
melodias,
em
ascenção
se
enriquecem
jornadas,
em
evolução
se
erigem
vidas,
e em
degraus
se
fazem
subidas.
10/10/2009
Ariovaldo
Cavarzan |
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És
Mulher
Ariovaldo
Cavarzan
És
carinho
infindo,
insondável
vontade,
esperança,
ânimo,
saudade,
afeto
verdadeiro
e
lindo.
És o
claro-escuro
que
me
vem
despertar
de
sonhos,
a
cada
manhã.
És
espiritualidade
e
matéria,
és
felicidade,
és
dor,
és
eterna
vontade,
és
amor.
És
sombra
benfazeja,
fruta
doce,
luz
que
se
irradia,
és
água
fresca
que
sacia...
És o
cantar
alegre
de
pássaros,
no
arrebol,
e és
estrela
cadente
despencada,
em
noites
caídas
depois
do
sol.
És o
pulsar
dentro
do
peito,
és
água,
fogo,
ar,
és
amor
que
não
tem
jeito,
és o
sossego
e a
calma,
depois
do
chorar.
És o
riso
escancarado
de
claras
manhãs,
és
brisa
fresca
que
suavisa
cotidianas
jornadas,
és
rumo,
norte,
sorte,
és
futuro
ainda
sonhado.
És
presença
que
faz
falta,
ternura
de
hora
certa,
mão
que
afaga,
abraço
que
conforta,
carinho
que
liberta,
és
esperança,
porta,
estrada,
jeito
de
fazer
novo
cada
novo
amanhecer.
És
companheira,
amiga,
amante,
confidente,
és
paixão
verdadeira,
és
tudo
o
que
quiser,
eis
que,
realmente,
és
anjo
de
Deus,
és
Mulher...
06/03/2009
Ariovaldo
Cavarzan |
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Para
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