SEBO LITERÁRIO

 

 

Ariovaldo Cavarzan
 

 

 
 
VERSO E PROSA
Pág. 6 de 13 Pág.
 

 

De Mães e Aquarelas
Ariovaldo Cavarzan


Terno é o balé de trinchas e pincéis,
fazendo restar tons vibrantes e pastéis,
em telas de amor e de candura,
imitando afetos temperados em doçura.

Está composto um ritual de encantamento.

Vultos diáfanos e luminescentes deslizam em cortejo,
levitando por sôbre perfumados canteiros.

Fragrâncias se espalham no ar e tudo ao derredor se encanta,
envolto em emanações que a saudade espanta.

Coloridas partículas flutuam, num balé de delicadezas,
coreografado ao sopro da brisa, fazendo acalmar incertezas.

Aquarelas representam filhos amados,
na intensidade do amor de Mães.

Brilhos são preces colhidas,
em jardins de corações,
depositadas em texturas de emoções.

Vermelho representa amor intenso;
azul, a paz do Céu reproduzida;
verde, em tons fortes ou esmaecidos,
imita afetos, vividos e esquecidos,
sinalizando limiares de esperanças,
em afiados cinzéis nutridas,
e depois em frinchas esvaídas.

Matizes amarelos,
mais claros, ou mais belos,
simbolizam amados filhos especiais,
que, embora jamais esquecidos,
ternos abraços não alcançam mais.

Difícil escolher dentre elas,
aquelas que se tenham por mais belas.

Matizes policrômicos sugerem flores,
num festival de saudades e amores,
transformando virtuais pinturas,
em carinhos de afetos e canduras.

Há serenidade em mais um alvorecer,
e é domingo, o segundo, em Maio,
em que tudo está a acontecer.

Há festa nos corações daquelas,
que o doce mister das Mães sustém.

Há alegria no plano das que se foram,
e das que ficaram também.

Campinas, 13/04/2011
Ariovaldo Cavarzan

 

Encantado Luar
Ariovaldo Cavarzan


Encantadas noites nossas,
De calma, de desvario
E de vontade de preencher
Da alma o vazio.

Tresloucadas noites nossas,
De sonhos, de desejos,
E de apaixonados beijos.

Transgressoras noites nossas,
De lua emprestando
O seu iluminado manto,
De carinho e de paixão,
Envolvendo em acalanto,
Nosso feliz coração.

Sonhadoras noites nossas,
De colos macios,
De envolventes braços,
De arrepios,
E de paixões saciadas,
Em loucuras de abraços.

Alucinadas noites nossas,
De palpitantes paixões,
De apressadas carícias,
De intermináveis vontades,
De impensáveis razões
E de mitigadas saudades.

Incontroláveis noites nossas,
De furtivos sussuros
E de sinceras juras,
De eterno amar.

Adoradas noites nossas,
De silêncio, lá fora,
E de batuque dentro em nós,
De sufocadas lembranças,
De valorizados momentos,
De aflorados carinhos,
De entrega sem saudade
E sem jeito de chorar.

Enluaradas noites nossas,
À espera do amanhecer,
E antes que a lua
Faça derramar
O mel do seu luar,
De bem vinda felicidade,
Em mitigados desejos
De sempre e sempre sonhar.

Inesquecíveis noites nossas,
Calmas e encantadas,
Enlevadas em felicidade e emoções,
Enquanto o amanhã não vem,
De mansinho,
Para nos fazer despertar
Do sonho e do carinho,
Desmanchando a simbiose de momentos,
Que resumem nossas almas
E nosso amor,
No uno pulsar
De nossos corações.

12/09/08
Ariovaldo Cavarzan

 

Esperança
Ariovaldo Cavarzan


Há brilho de esperança,
represado em meu olhar,
cintilando luzes retidas
de mais um passado Natal,
feito faíscas de augúrios
de felicidade e bonança,
para o Novo Ano
que irá começar.

Há trilhas novas a palmilhar,
em planícies e depressões,
em desfiladeiros, colinas, encostas,
em calmarias e temporais,
prenunciando sina nova
a vivenciar.

Hei de seguir sempre atento,
feito bom e aplicado aprendiz,
sem inspirar desalento,
a quem a mim sempre quis,
em meus garimpos de ensejos
de amar e de ser feliz.

Quando a luz em meus olhos,
enfim, se apagar,
restarão relembranças,
de amizades, quereres,
afetos, amores, prazeres,
faiscando fulgores, saudades,
em retinas guardadas
de um acalentado viver,
feito bruxuleio de velas
por fim descansadas,
de tantos passados Natais
e reacesos Novos Anos,
do meu eterno sonhar.


30/12/2011
Ariovaldo Cavarzan

 

A Mulher
Ariovaldo Cavarzan



É um ser a um só tempo
substantivo e plural,
carnal e espiritual,
verdadeiro e irreal,
egoísta e generoso,
capaz de dar a vida
e retirá-la,
quando faz
morrer de paixão
ou de dor
o coração de
um homem...


Ariovaldo Cavarzan

 

Como te amo...
Ariovaldo Cavarzan



Quisera poder desvendar
do coração os segredos,
no tênue espaço
que se insinua
entre o amor e a razão,
entre a saudade e a solidão.

Quisera ver ali vicejar,
sem medos,
as flores do meu sentir
e afinal em teu ser,
conseguir fazer percorrer
o arrepio gostoso
que se irradia
do etéreo instante
do amar...

18/08/2008
Ariovaldo Cavarzan

 

Livro de Visitas

Para pág. 7