SEBO LITERÁRIO

 

 

Ariovaldo Cavarzan
 

 

 
 
VERSO E PROSA
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Eterno Tempo
Ariovaldo Cavarzan


Eterno tempo,
pano de fundo,
colcha e retalho,
encosta escarpada
e planície de flor,
precipício e firme chão,
sonho e realidade,
paz e ansiedade,
a embalar nosso amor
no instante que passa
e na imemorial eternidade.

Eterno tempo,
água que escorre,
imperturbável,
a esculpir desvario,
em sinuoso caminho de rio.

Eterno tempo,
vertigem engolfando
marcas de solidão,
tatuagens de carinho
e cicatrizes deixadas
em quase-abismos de perdão.

Eterno tempo,
a um tempo carinho
e a outro vibração,
lânguida lingua de mar,
a apagar da areia
vestígios de desilusão.

Tempo-remédio,
tempo-vontade,
tempo-paixão,
tempo-saudade;
a um tempo desejo
e a outro saciedade,
permeando a inteira emoção,
de nos sentirmos um só,
na eternal compulsão,
para sempre guardada
no fundo do meu coração.

27/08/2010
Ariovaldo Cavarzan

 

Juras
Ariovaldo Cavarzan


O que me separa
do frio lá de fora,
é o vapor de suspiros,
feito orvalho,
grudado em vidraça,
de onde não se vê.

Vem espiar-me,
tão só,
um filtrado luar,
envolto em colcha de estrelas,
para compartilhar soluços,
e fazer liberar lágrimas,
que escorrem ao chão.

Ao longe,
inaudíveis e derradeiros gemidos
ditam compassos de saudades,
em solidões indigentes
de sonhos idos,
deserdados de amor.

Onde foram parar as juras
nascidas eternas,
porém esvaídas, etéreas,
deixando apenas rastros
de promessas e ilusões?

Onde, o portal de esperança,
que alegrou corações?

Que agentes do mal
ousaram apartar
sonhos e realidades,
semeando apenas saudades?

Desenho janelas
na superfície do vidro
que me separa do frio,
tentando entrever, lá fora,
revelados à luz do luar,
vultos que me acodem
nesta aflição,
de entender a utopia
de preservar unidos
o amor e a dor.

13/05/2009
Ariovaldo Cavarzan

 

No calor dos teus braços
Ariovaldo Cavarzan


No calor dos teus braços,
afago os teus cabelos,
corpo e alma feitos laço,
carente de afeto
e em ânsias de amar,
em loucuras de abraços,
até outra vez me aquietar,
em desmaios,
lasso.

Campinas (SP), 14/07/2012
Ariovaldo Cavarzan

 

O  Não
Ariovaldo Cavarzan


Em vez do abraço,
fechando a corrente do afeto,
a indiferença,
o bocejo,
o olhar perdido no teto.

Em vez da entrega,
da parceria generosa,
da sinergia de corpos
e instintos,
fazendo brotar o suor,
a adrenalina e o arrepio,
a indiferença,
a ausência,
a irremediável resistência,
sonegando a viagem do amor.

Em vez do beijo,
generoso e escancarado,
da simbiose de fluídos
e vontades,
prenunciando a explosão
e o êxtase,
o egoísmo do canto da boca,
o sorriso amarelo,
o constrangimento,
a discreta recusa,
a rejeição.

Em vez do carinho,
do aconchego,
do bem querer,
da cumplicidade
e da doação,
o não...
Ariovaldo Cavarzan

 

O Veleiro
Ariovaldo Cavarzan


Sopra calmo o vento,
fazendo estofar a vela
do destemido veleiro Esperança,
recém-liberto de velhas amarras,
agora flutuando na linha do horizonte,
entre as vagas verdes do mar
e o azul infinito do céu.

A claridade pastel do entardecer
outorga à cena um tom de aquarela,
enquanto marejados olhares
liberam respingos de saudades,
desenhando nas faces
rictos de solidão.

Indiferente, segue o veleiro,
dançando ao suave sopro do vento,
qual asa desgarrada de borboleta,
levitando na fímbria do horizonte,

entre o verde do mar profundo
e o azul do imarcescível céu,
indo ao encontro da noite,
precursora de um novo
amanhecer...

12/02/2009
Ariovaldo Cavarzan

Livro de Visitas

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