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Crônicas e
Artigos
Profª Augusta Schimidt
PÁGINA 1 |
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A Natureza Humana? Vai muito bem obrigado
Profª Augusta Schimidt
Nada como uma boa
reflexão...
“Espelho, espelho meu... Há alguém neste mundo melhor
que eu?”
Viver é uma arte que
nem todos sabem cultivar. Há muita gente que pensa que
vive, mas não vive, vegeta, ou pior ainda, não tem noção
alguma do que seja viver.
A vida se tornaria bem mais suave e amena se todos
procurassem dar trabalho à inteligência, sabendo
aproveitar o tempo. Que as feras se digladiem umas com
as outras se admite, mas que as criaturas humanas se
digladiem, abusando da inteligência é inconcebível...
Lamentável...
Que bom seria se todas as sementes lançadas ao chão
caíssem em terreno fértil. Infelizmente há aquelas que
não germinam e assim é a mente de certas pessoas.
Quantas vivem por viver, sem pesar nem medir as
conseqüências dos seus atos, caminham neste mundo,
inconscientes e inconseqüentes sem saber o que fazem.
Vivem sob o poder da imaginação, mas da imaginação
doentia que é inimiga do raciocínio. Há criaturas que
imaginam coisas de tal forma nítidas, que passam a ser,
para elas uma realidade.
Faz parte da boa educação e da formação do caráter saber
exercer domínio sobre o "eu". Se todos soubessem o valor
de saberem se dominar, conter os seus ímpetos, os seus
maus hábitos, reconheceriam as suas imperfeições para
corrigi-las. Um grande ato de dignidade eu diria.
Infelizmente, nos deparamos corriqueiramente com pessoas
de personalidade duvidosa, mascarada, cuja personalidade
expressa a vontade do “eu” através da mente. E a mente,
por sua vez, usa a memória para fixar os seus
preconceitos.
Não escolhas para amigo o homem de mau caráter.” Diz o
provérbio chinês”.
Cada dia que passa, fico mais convencida de que a
afirmativa da sabedoria oriental está repleta de razão.
Acredito que um dia o bem vencerá o mal embora hoje
esteja convencida de que a ambição e a prepotência
estejam superando a dignidade, o respeito e o amor ao
próximo.
Os maledicentes um dia vão quebrar a cara, muito embora,
os valores do bem sejam complicados e extremamente
difíceis de encontrar abrigo neste mundo de cães
farejadores.
Assim, desconfie da pessoa que demonstra ser seu amigo
apenas pela retórica. Dizer eu te amo é muito fácil e
hoje no mudo virtual ficou banal. Aprenda que a
generosidade e a doação valem muito mais do que a
palavra.
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Amar ao próximo como a si mesmo
Augusta Schimidt
O amor, sol interior que condensa e reúne em seu ardente
foco todas as aspirações e todas as revelações
sobre-humanas, rege a lei que substitui a personalidade
pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais. O
amor é uma reunião de sentimentos e desejos que
estruturam o pensando liberando energias boas.
Dentro de uma sociedade competitiva ditoso é aquele que,
ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor o seu
próximo. Aquele que ama, não conhece a miséria da alma,
nem a do corpo. Amar o próximo como a si mesmo é fazer
pelos outros o que gostaríamos que os outros fizessem
por nós, é a expressão mais completa da caridade, porque
resume todos os deveres do homem para com o outro. Não
podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que
tomar para padrão, do que devemos fazer aos outros,
aquilo que para nós desejamos. Com que direito
exigiríamos do nosso semelhante melhor proceder, mais
indulgência, mais benevolência e devotamento para
conosco, do que os temos para com eles? A prática dessas
atitudes tende à destruição do egoísmo. Quando as
adotamos para regra de conduta, os homens poderão
compreender a verdadeira fraternidade e farão com que
entre eles reine a paz e a justiça. Não mais haverá
ódios, mas, tão somente, união, concórdia e respeito
mutuo.
Amar ao próximo não pode ser utopia, nem frase de
efeito. É ir em busca do amor pleno.
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Respeito Virtual... Será possível?
Por Augusta Schimidt
Começo dizendo que construir é possível... Respeitar é
dever...
“O homem é o lobo do homem", dizia o poeta romano
Plauto. Tal visão negativa e realista da natureza humana
parece ter sido confirmada, em seus detalhes, pela
sociedade moderna.
Observando com cautela o comportamento das pessoas e
suas atitudes no mundo virtual, preocupa-me a
instabilidade, a ausência de propósitos, a fragilidade
das personalidades, ante questões diversas que lhes são
impostas. As pessoas parecem tomadas por um senso de
urgência, um imediatismo subserviente, através dos quais
manifestam-se em defesa de interesses de curto prazo,
pontuados isoladamente e localmente, como se estivessem
desconectadas do mundo.
Há uma inversão de valores, de ética, de moral, de
caráter. As pessoas deixam de Ser o que sempre foram e
passam a Estar o que lhes convém.
Caráter é aquilo que fazemos quando ninguém está
olhando. É nossa particularidade, nossa maior
intimidade, nosso segredo mais bem guardado. É nosso
maior companheiro, nossa maior paixão e, às vezes, nosso
maior fantasma.
O caráter testa-se em pequenas coisas. Num olhar, num
gesto, numa palavra.
As realidades sociais são compostas por regras, que se
estenderam também ao convívio virtual. Ao menos assim
deveria ser.
Entende-se por estas regras os Direitos e os Deveres
É muito fácil sem duvida, nos dias de hoje, conhecermos
nossos direitos, pois estão a um clique de nossos olhos
já que o mundo se informatizou.
E conhecedores de nossos direitos, acobertados pela
“democracia”, acabamos entrando nas vidas de nossos
companheiros virtuais, nos esquecendo de que temos
também Deveres e que estes é que asseguram ao outro o
direito de ter Direitos.
Acredito que as adversidades além de fortalecerem o
caráter, também o revelam.
Somos responsáveis por aquilo que fazemos o que não
fazemos e o que impedimos de fazer.
Atitudes insensatas são freqüentes no mundo virtual.
Julgamentos, atitudes de poder e posse, paixões,
rancores. Estas não mais me surpreendem.
Surpresa fico quando encontro pessoas elegantes,
sensíveis, carinhosas e ternas, que exatamente estão no
lugar certo, na hora certa, para com uma mensagem, uma
poesia, uma palavra amiga, nos aliviar o coração das
tensões do dia a dia.
Haveria sim o respeito virtual se fossemos todos
solidários, se nossas idéias e opiniões pudessem ser
divulgadas ajudando as pessoas a refletirem e escolher o
que mais lhe convém.
Haveria sim o respeito virtual se fossemos capazes de
criar opções que nos levassem à satisfação, mas sempre
tendo consciência da importância dos desejos das pessoas
que estão a nossa volta.
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Educação... Da glória ao caos
Augusta Schimidt
Acabo de receber uma antologia poética intitulada “Com a
palavra os professores do Brasil”.
E num momento critico como os que estamos vivendo, me
emocionam ao ler no prefácio,
“Todas as palavras e todos os aplausos serão poucos para
homenagear nossos professores, nossos grandes mestres de
todas as letras, personagens inesquecíveis de nossas
vidas...”
Já houve o tempo de glória dos professores, tempo este
que ser professor era aguardar o renovar de cada ano,
era entender que por trás da mão que segura o lápis, dos
olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança
que pensa e essa criança que pensa quando respeitada e
valorizada adquire autonomia e confiança aprendendo a
desenvolver o sentimento de autovalorização estando
assim pronta para enfrentar as dificuldades.
Sempre que pensamos num mundo melhor, acreditamos que
vamos colher os frutos cujas sementes plantamos ao longo
da vida.
Por vezes nos deparamos com situações que melhor seria
desaprendermos, ou seja: que o dinheiro é fundamental,
que um grande posto na carreira significa sucesso e que
mudar a forma de pensar é crucial. Para tais situações o
pensar não basta, requerem uma ação verdadeira. Uma
mudança efetiva.
Infelizmente a situação mudou, mas para muito pior...
Hoje, temos como ferramenta de trabalho, salas frias,
professores distantes, ensino obrigatório de projetos
feitos de acordo com as regras e normas dos PCNs.
Mas e quando é que alguém vai avisar aos professores
"projetistas" que só o amor salvará nossas crianças?
De que adianta mantermos escolas equipadas se não temos
nela o essencial que é o calor humano?
Nossas crianças saem de favelas, ruelas, vielas, sem
roupas, sem alimentos, sem carinho, sem amor e chegam
nas "escolas equipadas" e não sabem o que fazer!
Certos professores, e diretores também, jamais se
aproximam de alunos sujinhos, jamais permitem que essas
crianças lhes toquem, pois "tem muito medo de pegar
piolho". Colocam essas crianças dentro da sala de aula,
mandam-lhes a primeira cópia do dia e já tem na ponta da
língua o repertório de adjetivos usados para dominar a
famigerada indisciplina das feras indomadas, marginais
mirins, antas da cidade etc, etc. Não gosto nem de
pensar...
O que precisamos fazer por nossas crianças é dar-lhes
segurança e fazê-los entender que mesmo no mundo deles
existem formas de se ver um mundo melhor, que tudo nesta
vida pode ser transformado. Basta querer.
Ao invés de sermos professores robôs, meros seres de
lata, temos que ser criativos e tirar da Terra a semente
que Deus nos deu. O amor.
Se tivermos amor por aquilo que fazemos, teremos a
certeza, um dia, do dever cumprido e teremos dado a
nossa parcela de contribuição para salvarmos as crianças
desse nosso imenso Brasil.
O respeito pelos outros nasce do respeito por si mesmo.
Construir é possível, respeitar é um dever...
Cidadania é uma atitude muito requisitada hoje em dia,
mas possível apenas para poucos.
Para um povo sem memória, é muito difícil construir um
futuro e mais difícil ainda é compreender o presente.
Sem memória e sem cultura, a experiência humana torna-se
pobre e amarga, deixando cada vez mais para trás a tão
sonhada cidadania.
Algumas pessoas definem cultura como um modo de ser, de
fazer e de pensar. Para outras, cultura significa ter
contato com artes, universidades, informações que a
própria sociedade onde vivem lhes proporciona.
Eu vivo dizendo que a escola pública tem jeito. E digo
isto com convicção, pois acredito que cada vitória é uma
conquista e que a esperança move a vontade de continuar.
É certo que a estrada da educação e do saber é tortuosa
e quanto mais o tempo passa mais pedras aparecem no
caminho.
Mas meu combustível é a esperança, portanto continuo a
caminhada.
E é por pensar assim que agradeço a Deus todos os dias
por ter-me tornado uma professora de pequeninos que sei
serão o futuro do meu país...
Obrigado Senhor,
Pelo dom que me concedeu de ensinar
Pela graça de aprender
Pela força de amar
Obrigado Senhor,
Pela sabedoria que posso transmitir
Pelas almas cegas que posso iluminar
Pelos confinados que posso libertar
Pela mão que segura o lápis que eu posso conduzir
Obrigado Senhor,
Por me permitir a batalha diária
Pela vitória de cada dia
E por cada pequenino que cruza o meu caminho
Obrigado Senhor,
Por me permitir pregar a Esperança
E por ser eu a ponte
A levar cada criança
Ao caminho do Saber
Obrigado Senhor,
Pelos grandes desafios
Pelos objetivos alcançados
E pelos horizontes desbravados.
Amém |
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A escola pública tem jeito!
Augusta Schimidt
Eu vivo dizendo que a escola pública tem jeito. E digo
isto com convicção, pois acredito que cada vitória é uma
conquista e que a esperança move a vontade de continuar.
É certo que a estrada da educação e do saber é tortuosa
e quanto mais o tempo passa mais pedras aparecem no
caminho.
Mas meu combustível é a esperança, portanto continuo a
caminhada.
Dia desses fui procurar uma certa diretora de uma escola
aqui perto para pedir um socorro. Precisava achar a
ponta da meada dos fios embaraçados pelo sistema, pois
descobri o caos na minha vida profissional.
Fui muito bem recebida e levada a uma sala ampla onde
havia duas mesas e quatro cadeiras. Quando vi a
disposição dos móveis entristeci, pois me veio à memória
a sala dos castigos de certa escola que trabalhei. A
triste lembrança me provocou um nó na garganta, mas para
minha surpresa a diretora puxou uma cadeira junto a
minha e a informalidade me fez sentir em casa. Estávamos
começando a conversar quando uma funcionária
discretamente entrou trazendo dois alunos que no calor
da aborrecencia haviam brigado. Bom, brigado não, eles
haviam mesmo era se estapeado. A menina chorava
compulsivamente e o menino com dois olhos lindos enormes
e indignados não dizia uma palavra, mas esperava a
descompostura que levaria. Os dois entraram e se
sentaram nas cadeiras livres de frente para a diretora.
A cena que se seguiu é digna de ser relatada, um
verdadeiro exemplo de sabedoria, dignidade e amor à
profissão.
A diretora estendeu os braços sobre a mesa e segurando
na mão de cada um iniciou o seguinte diálogo:
_ Meu querido, o que aconteceu? Já não expliquei que
meninos não podem bater em meninas? Acaso se esquece de
que sua força nas mãos pode machucar? E não são as mãos
que falam e sim a boca? Já não te pedi para não arrumar
confusão?
O garoto então explicou no mesmo tom manso o motivo da
guerra dando em seguida a oportunidade de defesa da
ofendida.
Neste momento percebi que era hábito ali, os alunos
exercerem seu direito de defesa intermediados pela
diretora mãezona que em nenhum momento deixou de afagar
as mãos dos dois guerreiros.
- Querida, continuou a diretora, tenha calma. Nós
mulheres somos muito sensíveis e essa agressão deixou
você muito chocada. Mas quero que daqui a pouco, quando
estiver melhor, converse com seu amigo e resolvam de vez
essa situação.
Vocês precisam se entender, amigos se amam e se
respeitam...
A menina chorando muito reclamou que estava lhe faltando
o ar. Calmamente a diretora lhe ordenou que fosse ao
pátio, que lavasse o rosto e pediu ao garoto que a
acompanhasse e lhe fizesse companhia.
Os dois se levantaram sem mais um ai e a diretora
sugeriu que se dessem as mãos para que a garota pudesse
se sentir confortável.
Ambos saíram e foi quando percebi que meu coração pulava
aqui dentro de emoção.
Eu sabia que um dia encontraria alguém compromissado com
a educação, com nossas crianças, com o amor. Educação é
puramente amor.
Passados alguns minutinhos, o garoto sorridente apareceu
pedindo permissão para entrar na sala de aula.
A guerra havia acabado e não se ouviu um grito, uma
palavra áspera, uma ameaça sequer.
Senti muito orgulho de estar ali naquele momento, pois
pude ver que na Escola Estadual prof. Luiz Galhardo sob
o comando da mestra-mãe Krica o que rege é o amor e o
respeito. E que ali havia conquistas e vitórias. Uma por
dia, muitas por ano.
Parabéns diretora Krica! Você faz a educação valer a
pena. Você me mostrou que ter esperança me conduz ao
futuro sonhado e você é a prova de que a escola pública
tem jeito.
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Do
cenário da vida, os sonhos...
Augusta Schimidt
Do cenário desta vida, fiz meus sonhos de esperança...
Sonho de poder ver o
mundo irrigado por caudalosos rios de recordações,
escoando preguiçosamente nossos momentos de alegria,
onde as cordilheiras de emoções, não sejam apenas um
marco divisório, mas elos que unem os povos num só
desejo de fraterna convivência.
Neste sonho vejo lagos de águas cristalina, espelhando
os corações dos homens, verdes mares sem turbulências
acolhendo a navegação de nossas esperanças e o azul do
céu induzindo-nos a vivermos com justiça e paz. As
planícies, onde os dourados trigais repousam, são o
alento dos que têm fome.
As alvas flores dos pés de algodão, não são apenas
matéria-prima para as vestes, mas imensas toalhas
brancas para o banquete de nossas ilusões e o solo,
forte potencial de preciosos minerais, provocando a
disputa pela busca da riqueza espiritual e da paz.
Ah! Neste meu sonho, vejo também as cavernas, escuras,
parecidas com grandes prisões e nelas o confinamento dos
nossos demônios, maldades e omissões para que nunca se
espalhem pelo cenário da vida.
Também vejo um sol majestoso como a união corpo e alma,
irradiando calor humano a terra.
Neste meu sonho de vida, nas noites escuras, tropeçamos
nas tristezas e quando esbarramos nas desilusões,
sopramos ao vento para que ele germine o mal na terra
árida do nosso egoísmo e não possa florescer nem se
multiplicar.
Neste meu sonho de vida, reside a Esperança que derrota
a ganância, a fraude, a ambição desenfreada com um
vendaval de alegria, camaradagem e quando aquecida com o
calor do amor transforma isso tudo em ar puro feito os
anjos e reconforta feito uma brisa suave.
Talvez este meu sonho pudesse se tornar realidade se os
homens soubessem amar sem limites...
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Meu Brasil tenho orgulho de você!
Augusta Schimidt
“O futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas um
lugar que estamos criando.
O “caminho para ele não é encontrado, mas construído e o
ato de fazê-lo muda tanto o realizador quanto o
destino”.
(João Scaar)
Brasil, um país pobre de ricos encobertos por uma
cultura, por um modelo econômico e político que permitiu
que o verde se descolorisse transformando-se num cinza
opaco e desesperançado.
Brasil, um país de extremos.
Um país que vai do local ao global, da sensibilidade aos
desencontros, do encantamento ao descrédito, da arte ao
desconstrutivismo anárquico, consumista e elitista. Sim,
um país de elite e de diplomados preconceituosos.
Ser brasileiro significa perguntas, desafios, sonhos,
utopias, exigências colocadas de forma tensa e urgente.
Urgência própria da história em que homens concretos
vivem conquistas e desconquistas. Quantas coisas a
ciência prometeu e quantas não cumpriu.
Quantas perguntas fizeram e não conseguiram respostas.
Filosofia e Sociologia, ciências que cresceram? Para
onde?
Que saídas encontramos para nossas angustias e para a
melhoria de nossas vidas?
Descobrir o Brasil de novo!
Seria a solução?
Quem sonhou com um Brasil diferente, construído a partir
de um modelo econômico que pudesse ser justo e
democrático, se defronta hoje com o conformismo e a
indiferença tendo que assistir bem de perto o
desmoronamento de seus sonhos. A elite não nos permite
sonhar...
Não há respeito, não há cidadania, tão desejada por
muitos, mas possível apenas para poucos.
Ser cidadão é usar seus direitos na medida correta, e
respeitar e ser respeitado. É participar da comunidade e
compartilhar com o próximo.
É ser solidário, é ter idéias e poder divulgá-las a
todos, pois divulgando idéias e opiniões, fazemos com
que as pessoas reflitam e escolham o melhor para a
sociedade. Mas há ai uma grande e assustadora confusão:
há quem ache que exercer a cidadania é falar o que pensa
e bem quer, é denegrir a imagem dos cidadãos que lutaram
para um bem comum e provaram que são capazes. Há quem
pense que apenas os diplomados podem pensar e são
capazes de fazer acontecer.
Ledo engano... Quantas pessoas com diplomas de
universidades famosas andam nos decepcionando mostrando
o quanto são preconceituosas?
O conhecimento que estas pessoas adquiriram ao invés que
libertá-las e torná-las mais abertas às diferenças que
existem em uma sociedade, fez justamente o contrário...
O me faz ter a certeza que o Brasil é um país de
diplomados e não de conhecedores e muito menos de
sábios... Será isto Cidadania?
A propósito...
Honoris causa, abreviado como h.c., é uma locução latina
(em português: "por causa de honra") usada em títulos
honoríficos concedidos por universidades a pessoas
eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de
um diploma universitário mas que se tenham destacado em
determinada área (artes, ciências, filosofia, letras,
promoção da paz, de causas humanitárias, etc), por sua
boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que
transcendam famílias, pessoas ou instituições
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E por falar em Brasil... Augusta Schimidt
“Uma nação não é feita apenas de circunstâncias, embora
elas sejam importantes”. Ao ser proclamada a República no Brasil, o controle do
Estado se transformou no paradigma autoritário reduzindo
ao mínimo a conquista democrática que foi a
transformação, apenas formal, dos brasileiros em
cidadãos e a herança escravista perdurou numa forma
"modernizada" de diferenciar dominantes e dominados. A
pretendida superioridade deslocou-se dos nobres e
senhores para os técnicos: desde o começo do século
formou-se no Brasil a mentalidade de que é mais digno de
ter poder aquele que tem mais saber. Apresentada de
diversas maneiras, esta mentalidade define a fórmula
brasileira de autoritarismo: colocar o progresso
econômico como alternativa excludente da democracia
política, assunto "técnico" do qual o povo é sempre
objeto, direto ou indireto, mas nunca sujeito. Com idas e vindas, o jogo entre um projeto de Nação
fundado na abertura para o novo e a tentativa de manter
privilégios se refez várias vezes no correr do século,
sem nunca se chegar a um equilíbrio. Nos momentos de
domínio da democracia, nunca houve força política para
se romper as estruturas hierárquicas; por outro lado,
nem mesmo ditaduras conseguiram sobreviver sem o
reconhecimento do voto e representantes eleitos. Neste
jogo moldou-se a transformação da sociedade agrária em
país urbano e industrial, com um capitalismo que não
firma idéias de concorrência, um Estado que precisa ser
interventor para manter privilégios, cidadãos que têm
participação formal na vida política, mas não direitos
efetivos, brasileiros que constroem a identidade de um
país aberto nas frestas de um sistema de poder sempre
propenso a ceder à tentação do autoritarismo. Viajando pelo Brasil entre idas e vindas encontramos um
novo desafio: um povo globalizado tentando achar seu
lugar num mundo globalizado, em meio a instituições
ainda marcadas pelo predomínio de interesses
particulares.
Para termos o país que queremos precisamos de educação
de qualidade para todos.
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LIVRO DE
VISITAS

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