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Viajando no tempo
Augusta Schimidt
Eu tive uma infância feliz. Tanto é que hoje, tarde de
chuva gostosa, resolvi sentar ao lado de Loirinho, meu passarinho e
viajar ao passado embalada pelo seu canto.
Que tempo feliz lá no sítio Santa Rita, onde tudo era
plena harmonia...
A casa, grande e arejada era rodeada por uma varanda
branca onde por todas as janelas se via o sol entrar.
O Chapéu de Sol, lindo e frondoso, como sempre florido ,
fornecendo a sua sombra acolhedora.
A cerca viva de trepadeiras e hibiscos dava um tom de
alegria, e as borboletas e abelhinhas dançando por toda parte
demonstravam felicidade.
Atrás da casa grande, o pomar repleto de mangueiras e
jabuticabeiras, laranjeiras e sabiás formava um cenário perfeito para
horas de brincadeiras.
Eu me lembro de um canto especial... Era uma grande e
velha mangueira de manga espada, que eu adorava subir. Tinha até entre
seus galhos, uma poltrona de rainha, feita de pedaços de pinho que meu
pai colocou lá com todo o cuidado para que eu pudesse dali conversar com
os pássaros e ver o mundo azul.
A lagoa dos patos ficava dentro da horta, cercada por
uma tela fina. Dali saiam as alfaces mais lindas que já vi.
O caminho para o curral era uma estradinha estreita
margeada por galinheiros repletos de galinhas cantoras. Como eram
barulhentas!!!
Quando amanhecia, cantavam para dar bom dia ao sol. À
tarde, cantavam para alegrar as árvores e o gado que por ali pastava e à
noitinha, cantavam para saudar a lua que estava chegando.
O leite era tirado bem cedinho. Eu ia junto com o Tide,
caboclo forte e cuidadoso. Enquanto ele ordenhava, eu ficava sentada na
porteira...bom, ficava mesmo era pendurada na porteira, equilibrando o
copo na mão esperando a minha vez.
Que delicia!... e quanta saudade...
Mas bom mesmo era quando saia para passear a cavalo. O
Baio era um cavalo negro, de pelo escovado e tinha uma franja especial.
Era tão arrumadinho que parecia ter saído do melhor salão de beleza da
cidade grande.
Quando o Tide trazia o Baio, prontinho para o passeio, o
Rex, um vira-lata especial, inteligente como ele só, já esperava do lado
de fora para nos acompanhar. E lá íamos nós. O trajeto permitido era o
caminho que os colonos faziam para chegar no cafezal. Do lado esquerdo,
havia um bosque lindo, mas só permitido quando tia Maria estivesse
junto.
Do lado direito, havia um pomar imenso de laranjas
docinhas e uma enorme figueira dobrada que parecia estar reverenciando
quem por ali passava. E quando já dava para avistar o cafezal, era a
hora de voltar.
Que tempo bom! Quantas lembranças boas...
Nem me dei conta de que a chuva passou. Mas o bom dessas
lembranças que estão sempre muito vivas dentro de mim é que me dão a
certeza de ter vivido uma infância feliz e cheia de amor.
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Em nome da paz
Augusta Schimidt
O nome da rua é Aviador Jean Mermoz, o número não digo
por que não sei, mas a verdade é que as lembranças que ali tive, jamais
esquecerei.
A casa é pequena, rústica, com jeito de casa de boneca
no meio de um bosque de fadas e duendes, toda cercada de hibiscos e
coroas de cristo, palmeiras, beija-flores dançarinos e sabiás cantores.
A lembrança que tive ao chegar levou-me de volta ao
passado, doce saudade dos meus dez, doze anos quando passávamos férias
no sítio Santa Rita.
Tempo bom aquele... o coração não sentia as aflições que
hoje sente e a razão não tinha que resolver problemas como esse, motivo
da minha visita.
Na verdade não fui resolver, fui dividir com minha irmã
o peso de uma realidade dura e quase sem solução. O tempo agora é quase
nosso inimigo, pois passa rápido e não nos dá muita chance de pensar.
Já na sala, depois de um café bem gostoso, feitinho na
hora, enquanto tentávamos achar um caminho para nosso problema, me
assustei com os barulhos que o vento teimava em fazer. Parecia que ele
estava a lamentar o nosso infortúnio e acompanhava nossa conversa com um
fundo musical, uma toada triste do farfalhar das folhas da grande
palmeira raspando no telhado.
Acho que elas estavam avisando que não estávamos
sozinhas ali.
Em certo momento, Lua e Lana se fizeram presentes numa
sinfonia canina, entre longos uivos e sonoros latidos. O cenário era
perfeito agora nos lembrando de que mesmo numa situação como a nossa o
bom humor poderia se fazer presente. Rimos muito, voltamos juntas ao
passado, lembramos as coisas boas que vivemos e eu me fortaleci de
coragem.
Passeamos pelo jardim, fui visitar Lua no canil enquanto
Lana latia e pulava mostrando a alegria que sentia por estarmos ali tão
próximas. Jamais imaginei que um problema tão sério nos uniria
novamente.
Mas, como eu já disse o tempo passa muito rápido e assim
sendo tivemos que voltar ao nosso assunto. Eu diria até que o tempo voou
naquela manhã de sábado calorento e céu azul.
Não conseguimos resolver o problema, mas chegamos a um
ponto comum e juntas nos fortalecemos e resolvemos abraçar a causa.
Vamos lutar e com os corações cheios de esperança
tentaremos com amor e dedicação suavizar os dias de nosso pai.
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Dia de Nossa Senhora da Conceição
Augusta Schimidt
Foi nas cortes celebradas em Lisboa, no ano de 1646, que
D. João IV, El Rei, declarou a Virgem da Conceição, Padroeira de
Portugal.
Em todo território lusitano, assim como em suas
colônias, a festa da Virgem Conceição, tornou-se oficial e obrigatória.
No Brasil, a historia da Virgem Imaculada da Conceição,
teve origem em meados de 1717, quando chegou a Guaratinguetá a notícia
de que o conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, governador da
então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, iria passar pela povoação
a caminho de Vila Rica (atual cidade de Ouro Preto), em Minas
Gerais.Desejosos de obsequiá-lo com o melhor pescado que obtivessem, os
pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves lançaram as suas
redes no rio Paraíba do Sul. Depois de muitas tentativas infrutíferas,
descendo o curso do rio chegaram ao Porto Itaguaçu, a 12 de outubro. Já
sem esperança, João Alves lançou a sua rede nas águas e apanhou o corpo
de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Em nova
tentativa apanhou a cabeça da imagem.A imagem retirada das águas do rio
Paraíba em 1717, é de terracota e mede quarenta centímetros de altura.
Em estilo seiscentista, como atestado por diversos especialistas que a
analisaram (Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos do
Mosteiro de São Salvador, na Bahia, Dom Clemente da Silva-Nigra e Dom
Paulo Lachenmayer), acredita-se que originalmente apresentaria uma
policromia, como era costume à época. A cor de canela com que se
apresenta hoje deve-se à exposição secular à fuligem produzida pelas
chamas das velas, lamparinas e candeeiros, acesas pelos seus devotos.
Nota: A Catedral Metropolitana de Campinas, inaugurada
em 1883, localiza-se na Praça José Bonifácio - popularmente conhecida
como Largo da Catedral, no centro da cidade de Campinas, no interior do
estado de São Paulo, Brasil. É dedicada a Nossa Senhora da Conceição e
foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,
Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) e pelo Conselho de
Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC). O edifício é tido
como o maior no mundo construído em taipa de pilão, com seus 4.000 m², e
também um dos mais altos.
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Doação
Augusta Schimidt
Há de chegar o dia em que meu corpo estará inerte e
alguém dirá: “a vida acabou...”
E quando isto acontecer, não chame a minha cama de leito
de morte, mas de leito de vida, pois viverei na eternidade e através
daqueles que puderem ficar com meus órgãos.
Doe minha visão para aquele que nunca viu o sol se pôr,
ou o sorriso de uma criança. Quero que meus olhos o façam vibrar de
emoção ao ver o amor nos olhos de uma mulher.
Doe meu coração a alguém, cujo próprio coração esteja
cansado e seja insuficiente para expressar o amor que o habita.
Doe meus pulmões a quem precisa de ar para realizar seus
sonhos.
Os meus rins doe para aquela mulher que depende da
máquina para viver e que deseja ardentemente envelhecer ao lado do
marido amado.
Doe tudo que for possível, transforme em esperança e
vida o sofrimento dos seres humanos.
O que sobrar de mim, que não puder ser doado, queime e
deite as cinzas no mar para que elas possam encontrar as mais belas
rosas amarelas, símbolo de um grande amor.
Mas se houver alguma coisa para enterrar, que sejam as
palavras mal ditas ou os erros que por alguma razão não corrigi.
E quando quiser se lembrar de mim, sorria, faça um gesto
de carinho, olhe para um pequenino e lembre-se do quanto eu os amei.
Se assim for, acredite, estarei feliz e viverei pra todo
o sempre.
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As aventuras de PE
Augusta Schimidt
Pe que pode vir de Pereira, Pedrito, peralta ou sei lá o
que...Só sei que Pe existe. Veio lá do agreste, onde
bebeu da água do riacho da Inspiração pra um dia poder
virar poesia. E virou...
Certo dia ao amanhecer, Pe abriu a janela de seu quarto
e se deparou com um sabiá, que deveria ser cantor, mas
era mesmo um sabiá falador... Falava poesias das terras
de Pe, cantava alegria...E Pe se encantou. Logo ficaram
amigos e decidiram correr o mundo só pra falar de poesia
e encantar alegria nos corações de quem vive a vida.
Mas antes de partir em viagem, o sabiá quis saber quem
era exatamente o novo amigo e Pe lhe respondeu...
“Sou o que se alimenta de verso, que vagueia nas ondas
do vento e se desencontra no carrossel do tempo. Sou o
que cavalga em ondas de sonhos e que viaja à procura do
encanto do mundo.”
Encantado o sabiá então se ofereceu pra levar Pe em suas
asas, num vôo ao eterno. Sim, pois a poesia é eterna,
ela nunca morre nos corações de quem ama. E saíram os
dois...
Voaram terra, voaram mares, conheceram pessoas, uns
poetas, outros nem tanto, até que encontraram uma menina
que adorava o azul, adorava poesia, mas não sabia
poetar... E encantada com Pe, pediu que lhe trouxesse
poemas do mundo pra lhe cobrir a alma de sonhos azuis.
Pe e o sabiá, saíram então em busca de poemas para
atender o pedido da menina, que enquanto esperava,
sonhava ...
E nessa busca, Pe e o sabiá encontraram num Porto
Seguro, um beija-flor que declamava um poema a uma linda
flor...
“Eu te amo, você já sabe...
Então vamos fazer um pacto
Quando sentir saudades
Receba-me como a terra recebe a chuva
Que eu te receberei como a lua recebe a noite
E te amarei como o sol ama o dia
E te proponho
Cruzarmos o oceano nas asas do vento
Só para ganharmos o horizonte
E finalmente no fim da linha
Eternizarmos nosso amor” |
Encantado Pe procura a sombra de uma árvore, uma
daquelas que ele nunca viu, pra pensar no que nunca
sentiu, pra viver o que nunca viveu...
E pensa na menina do azul...
Neste momento, numa rajada de vento, os pensamentos de
Pe e da menina se encontram e ele lhe diz...
“ Um poema é quando a gente encontra o céu na boca,
É quando a gente escuta bater o coração das pedras,
É quando as palavras batem asas e viram canção,
É quando o mundo vira de ponta cabeça e o azul se
transforma em céu e chão...
Um poema é quando a gente costura alegria com magia , é
quando a gente encontra uma flor que costura no jardim
da vida, historia...
Um poema é o sol de primavera que ilumina uma nova
era...
É ternura, é bordado de esperança onde o sonho é o
acabamento de uma costura chamada vida.
Esta prosa é dedicada a um amigo muito querido que de
mansinho entrou no livro da minha vida e agora faz parte
da minha historia...
Obrigada Pe!
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Conexão Poesia
Augusta Schimidt
Debaixo do céu, morada das estrelas, em cada canto há o
encanto de um poeta que conectado com a inspiração, faz
versos...
Poeta combina com cores; pode ser de arco-íris, de
borboletas e até de bolhas de sabão... E quando está
conectado com o mundo, acorda todos os dias com o
coração cheio de domingo e a sua poesia fica do tamanho
da sua intenção e as cores do seu desejo.
E quando ele cruza o horizonte, sua inspiração cresce do
tamanho da imensidão...
Poeta navega mares, encanta-se... Não se importa com sua
bravura ou se está leve e solto, pois de qualquer
maneira a poesia nasce.
Se você quiser sonhar, basta olhar no espelho dos olhos
de um poeta e logo vai descobrir todos os segredos do
mar da vida.
E quando um poeta atraca seu barco de versos num porto
seguro, a gente sente o vento doce, a brisa de
carrossel, sente o cheiro da cachoeira tocando o hino
das águas...
É então neste momento que ele tira as palavras do
coração e escreve poesia com emoção...
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Considerações de uma bola
Augusta Schimidt
Nasci...
O destino assim quis, e lá vou eu rechonchuda bela e
formosa. E quando uso roupagem nova, não há quem não me
cobice.
Sou feliz, afinal as crianças me olham com ternura,
alguns homens com desejo, quase descomunal... Mas eu até
acho que isso seja normal, pois depois de um dia
exaustivo bem que eu sirvo de paliativo.
O bom mesmo é quando estou na ativa. Sirvo para vários
esportes, minha forma circular me permite rolar de um
lado para o outro, quicar alto, faço pontos, desperto
iras e paixões. Realmente eu mexo com os corações.
E quando bola da seleção, sinto-me orgulhosa, pois logo
viro sensação.
Triste mesmo é quando chega o meu fim.
Geralmente isso acontece quando algum moleque nas
famosas peladas de rua me derruba em algum quintal.
Ah! Isso pra mim é quase sempre fatal...
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A Internet como Ambiente de Pesquisa na Escola
Texto de Augusta Schimidt
O mundo hoje vive em acelerado desenvolvimento onde a
tecnologia está presente direta e indiretamente no nosso
dia a dia.
E essa tecnologia favorece a aplicação de novas
abordagens de ensino-aprendizagem permitindo técnicas
pedagógicas avançadas com a utilização do computador
cuja exploração estende-se em diferentes domínios, sejam
eles sociais econômicos ou educacionais.
Para isso é importante que as escolas estejam conectadas
a uma rede onde os educadores utilizem os recursos
disponíveis para atingir metas educativas específicas:
(texto, vídeos, arquivos de som, documentos e
programas).
A internet, versátil e poderoso instrumento no processo
educativo é excelente recurso pedagógico à disposição do
professor.
Alunos e professores integrados, com a ajuda da
internet, elaboram seus trabalhos com certo esmero e
rigor, pois serão vistos e lidos por outras pessoas sem
contar que as redes telemáticas permitem a
democratização da relação professor-aluno já que o
professor deixa de ser o detentor único do conhecimento
e o aluno deixa de ser o mero receptáculo passivo da
informação fornecida pelo professor.
A internet faz parte da globalização e é uma forma de
comunicação fácil e difundida através do ciberespaço.
É claro que podem surgir alguns problemas com a pesquisa
na internet:
A confusão entre informação e conhecimento é um desses
problemas pois dispomos de muitos dados e o conhecimento
se constrói através da informação.
Muitos alunos se perdem no emaranhado da navegação
muitas vezes indo atrás de interesses pessoais. O
conhecimento se dá a partir do momento que o aluno passa
a filtrar, avaliar, sintetizar, o que é mais
significativo.
Outro problema é que se perde muito tempo na rede ao
observar listas de discussão, dificuldades de se achar
respostas corretas e confiáveis em pouco tempo, sem
precisar abrir todos os sites oferecidos pelos serviços
de busca.
Para resolver esses problemas alguns professores já
indicam bons sites que podem ser usados pelos alunos nas
pesquisas.
A impaciência de alguns alunos por mudar de um endereço
para outro, os leva a aprofundar pouco as possibilidades
que há em cada página encontrada.
E finalmente, conciliar os diferentes tempos dos alunos,
pois uns respondem imediatamente e outros demoram mais.
Geralmente a lentidão pode permitir um maior
aproveitamento assim como na pesquisa individual
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