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ROMPENDO AMARRAS
POESIA LIVRE
por
Carmo
Vasconcelos
PÁG. 5 DE 9 PÁG.

Francisco Masriera y Manovens
Jovem Descansando

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HOJE,
AMOR...
Carmo
Vasconcelos
Hoje,
Amor,
estou
sedenta
de
magia!
Queria
ter o
dom dos
encantadores
de
serpentes
e apenas
com a
minha
voz
poder
trazer
até mim
teus
olhos
vidrados
nos
meus!
Desejava
possuir
a
lâmpada
mágica
de
Aladino
a quem
pediria
um
presente
único
para
ti...
Belezas
que
nenhuns
olhos
viram,
maravilhas
que ser
algum
conhece,
emoções
que
alguém
jamais
sentiu!
Palavras
nunca
ditas,
versos
por
inventar,
melodias
tão
sublimes
que te
transportassem
às
esferas
celestiais
dando-te
a ilusão
de
estares
habitando
as
estrelas!
Já te
disse,
Amor,
hoje
estou
sedenta
de
magia!
Queria
montar
contigo
um
tapete
voador,
sobrevoar
mares
translúcidos
cor de
esmeralda,
desertos
quentes
de seda
e oiro,
jardins
suspensos
de raios
de sol.
Tocar
luas
prateadas
de pele
acetinada,
sóis de
rubi
incandescentes,
gotas
diáfanas
de chuva
ocultas
no útero
prenhe
das
nuvens!
Queria
beber
contigo
dos
néctares
dos
deuses,
partilhar
as suas
orgias
transcendentais
e,
embriagados,
rirmos
adoidados
do teu
rosto
estupefacto,
injectado
de todas
as cores
do
arco-íris!
Por fim,
banhados
de
absoluto,
atingiríamos
os Pólos
de
brancuras
eternas,
vestiríamos
as
túnicas
nupciais
de gelo
e sal,
e
legaríamos
ao mundo
a
escultura
simbólica
do amor
imortal!
Carmo
Vasconcelos |
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INCONSTÂNCIA
Carmo
Vasconcelos
Tudo em
mim
paira
suspenso,
indefinido.
Sou a
teia de
fios
diáfanos,
inconsistentes,
nada me
enleia!
Odeio o
fixo,
o
programado,
sou a
mudança,
a
inconstância,
o
improviso.
Sou a
gaivota
que voa
solta!
Preciso
espaço
pra
espairecer
o meu
cansaço.
E se o
amor
busco e
atraio,
que seja
um raio
que caia
ao lado,
que me
estremeça,
que me
enlouqueça,
sem me
atingir!
Sou o
múltiplo
que não
contém a
unidade.
Só peço
abraços,
não
quero
laços.
Busco
emoções,
não
quero
grilhões!
Sou o
sonho
que não
consente
a
realidade.
Sou um
faminto
que
engole
anseios,
mas...
sem
rodeios,
prefiro
a fome
à
saciedade!
Carmo
Vasconcelos |
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INDIFERENÇA
Carmo
Vasconcelos
Já
não é
tarde
nem
cedo…
É o
tempo
exíguo
de um
suspiro,
da
inquietude
de um
momento.
Já não
me fere
a voz
cruel do
inacessível,
nem o
eco mudo
das
paixões.
É o
tempo
sem
medida
da
memória
que se
apaga…
Na sábia
e Divina
metamorfose
do ser,
retomo o
silêncio
perdido,
visto a
indiferença
pelo
absurdo,
e
caminho,
caminho
para o
esquecimento!
Carmo
Vasconcelos |
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INTERMEZZO
Carmo
Vasconcelos
Fica
comigo,
amor!
Dar-te-ei
risos
de
criança
com
brinquedos,
pintarei
estrelas
na ponta
dos meus
dedos,
e sóis
no céu
da boca
do meu
beijo.
Serão
somente
tuas
minhas
luas de
desejo,
e só
para ti
meus
poemas
que
antevejo
plenos
de
volúpia
e de
carinho.
Amor, tu
estás no
meu
caminho!
Fica
comigo,
amor!
Serei
teu
melhor
fado em
ré
maior,
a prosa
cativante
que te
envolve,
o mar em
que
mergulhas
com
langor;
a onda
que te
leva e
te
devolve
ao meu
corpo de
evasão.
Não
tenho
para ti
as
amarras
da
prisão
nem o
jugo
castrador
da
possessão
que leva
ao
desatino...
Amor, tu
estás no
meu
destino!
Quero-te,
sim!
Como te
quero...
Mas
voando
solto
como a
ave,
o
timoneiro
que
conduz
em
liberdade
a sua
nave,
de olhos
postos
no sonho
e na
cruz.
Fica
comigo,
amor!
Relembremos
a divina
sinfonia
que no
céu foi
escrita
um dia
para
nós...
Celebremos
a vida
que nos
resta
em amor
e poesia
a uma só
voz!
Retomemos
as
harpas e
os
banjos
do tempo
em que
louvávamos,
em
sintonia
com os
anjos,
a
celeste
guarida.
Amor, tu
estás
comigo
nesta
vida!
Fica
comigo,
amor!
Esta é a
prece
que a
Deus
rezo,
em
intermezzo...
Continuemos
a peça
interrompida,
corpo a
corpo,
mão na
mão...
E de
enlevo
as almas
rasas,
voltaremos
a ter
asas,
nem
precisamos
coração!
Carmo
Vasconcelos |
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INTROSPECÇÃO
Carmo
Vasconcelos
Preciso
ficar a
sós
comigo,
tocar
meus
seios,
olhar o
meu
umbigo,
sentir o
pulsar
do
coração…
Atenta,
no
silêncio
escutar
a
mestria
dos
órgãos,
e nas
veias, o
sangue a
alimentar
o ritmo
da vida…
Preciso
medir
meu
campo de
visão,
percepcionar
a mente,
o
raciocínio,
a
sensação,
a
transcendência
dum
orgasmo
a me
tomar…
Mirar no
gesto, a
tela que
pinta a
minha
mão
quando
em labor
ou em
acto de
paixão,
ou
quando,
simplesmente,
posta a
orar…
Sentir o
peso de
meus pés
a
interligar-me
à
terra-mãe,
ao pó,
princípio
e fim.
Em tudo
o que
vibra e
canta ao
meu
ouvido,
em tudo
o que
estremece
o meu
sentido,
entendo
o poder
da
Criação!
Ânima,
sopro
divino,
vibração
e
harmonia,
o clarim
de Deus,
soando
em mim
em
sincronia!
Na
introspecção,
percebo
o
milagre
e a
beleza
do ser
que se
irmana
ao
pulsar
da
Natureza,
e que a
segue, a
par, nas
estações
que se
sucedem…
Os
primaveris
e verdes
anos,
a rubra
e
sensual
pujança
do
verão,
nos
ocres
outonais…
a
rendição;
e na
estação
final… o
branco,
a
invernia
da
planta
envelhecida,
estéril
de cor,
que em
letargia
prepara
a
gravidez
de nova
flor.
Preciso
olhar o
espelho
sem
gesto
que
esmoreça,
sem
sensação
de perda
ou
retrocesso,
e
lúcida,
serena,
apelar
ao siso,
encontrar
o meu
suporte,
vislumbrando
dessa
imagem o
reverso…
Do outro
lado do
espelho
há vida,
há
recomeço,
em prosa
e verso,
em choro
e riso…
Há outro
despertar
pra um
mundo
ainda
imerso
em novas
cores,
novos
rumos,
novos
céus;
e em
mim… de
novo
há-de
soar o
clarim
de Deus!
Soprando
ao meu
ouvido
um
Universo
onde não
há
morte,
onde
nada é
perdido,
tudo é
mutação,
e vida
renovada
em
transição!
Carmo
Vasconcelos |
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MARÉ
NEGRA
Carmo
Vasconcelos
Fustiga-me
o rosto
súbita
nortada,
derruba-me
a vaga
de negra
maré,
atingem-me
raios
granizo,
trovões...
Por
pouco,
sou
nada!
Recorro
assustada
às asas
da fé,
e de
alma
alumbrada,
navego
sem medo
à proa e
à ré...
Enfrento
a
nortada
e rumo
de pé!
Carmo
Vasconcelos |
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MULHER
Carmo
Vasconcelos
Mãos
como
conchas
onde
moram
pérolas
de
afagos...
Seios
como
fontes
que
derramam
o néctar
da
vida...
Olho
ciclópico
no
ventre
a
prometer
maternidades…
Mulher,
és a
seiva do
mundo!
Carmo
Vasconcelos |
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