Deusa do Amor e da
Sedução, na mitologia grega. Nascida num turbilhão do
mar – daí o seu nome de Afrodite Anadiomene – no sítio
onde caíram o sangue e os órgãos genitais de Urano, é a
esposa infiel de Hefesto, o deus coxo, e a mãe de Eros e
de Anteros. Foi por ela, na sequência do julgamento de
Páris – onde ela triunfa sobre Hera e Atena, concedendo
a este a mão de Helena – que se desencadeou a Guerra de
Tróia.
Mais tarde, foi adotada pelos Romanos com o nome de
Vénus.
Afrodite e
Adónis
(1650)
de
Backer, Jacob
A Lenda de
Afrodite
Na lenda escrita
por Homero, ela é dita como sendo a filha de Zeus e
Dione, uma de suas consortes, mas na Teogonia de
Hesíodo, ela é descrita como nascida da espuma do mar a
partir do falo de Urano lançado no oceano e,
etimologicamente, seu nome quer dizer "erguida da
espuma." De acordo com Homero, Afrodite é a esposa de
Hefaístos, o deus das artes manuais. Seus amantes
incluem Ares, deus da guerra, que posteriormente foi
representado como seu marido. Era a rival de Perséfone,
rainha do mundo subterrâneo, pelo amor do belo jovem
Adónis. Talvez a lenda mais famosa sobre Afrodite diga
respeito à causa da Guerra de Tróia. Eris, a
personificação da discórdia - a única deusa que não foi
convidada ao casamento de Peleu e da ninfa Tétis -
ressentida com os deuses, arremessou uma maçã dourada no
corredor onde se realizava o banquete, sendo que na
fruta estavam gravadas as palavras "à mais bela." Quando
Zeus se recusou a julgar entre Hera, Atena, e Afrodite,
as três deusas que reivindicaram a maçã, elas pediram a
Páris, príncipe de Tróia, para fazer um concurso. Cada
deusa ofereceu a Páris um suborno: Hera, prometeu-lhe
que seria um poderoso governante; Atena, que ele
alcançaria grande fama militar; e Afrodite, que ele
teria a mulher humana mais linda do mundo. Páris
declarou Afrodite como a mais bela e escolheu como
prémio Helena, a esposa do rei grego Menelau. O rapto de
Helena por Páris foi a causa da Guerra de Tróia.
AGAMÉMNON
(máscara)
Rei
lendário de Micenas e de Argos que chefiou os Gregos na
Guerra de Tróia. Filho de Atreu e irmão de Menelau,
desposou Clitemnestra, irmã de Helena, de quem teve três
filhos: Ifigénia, Electra e Orestes. Para paziguar a
hostilidade de Ártemis em relação a ele, aceitou
sacrificar a sua filha Ifigénia.
Quando regressou a casa, no fim da guerra, foi
assassinado por Clitemnestra e seu amante Egisto
Crises
tentando pagar o resgate de sua filha,
Criseide, a Agamémnon. Cratera em cerâmica
vermelha da Apúlia, de autoria do "Pintor de
Atenas 1714" (c. 360-350 a.C.) - Museu do
Louvre, Paris
Lenda
de
Agamémnon
Agamémnon, filho de Atreu e Aérope, foi rei de Micenas
ou Argos no chamado período heróico da história grega.
Ele e seu irmão Menelau esposaram as filhas do rei de
Esparta, Clitemnestra e Helena. Quando Páris, filho do
rei de Tróia, raptou Helena, Agamémnon recorreu aos
príncipes da Grécia para formar uma expedição de
vingança contra os troianos, o tema da Ilíada. No porto
de Áulis (Áulide), sob a chefia suprema de Agamémnon,
reuniu-se uma frota de mais de mil navios com enorme
exército. No momento de partir, porém, foram impedidos
por uma calmaria. Isso se devia à interferência de
Ártemis, deusa da caça, enfurecida por Agamémnon ter
abatido um cervo em um de seus bosques sagrados. A deusa
só se aplacaria com o sacrifício de Ifigénia, uma das
filhas do violador. Durante o rito, Ártemis aplacou-se e
substituiu-a por uma corça, mas levou Ifigénia consigo.
A frota partiu e durante nove anos os gregos sitiaram
Tróia, tendo sofrido pesadas baixas. No décimo ano,
Agamémnon despertou a cólera de Aquiles, rei dos
Mirmidões, ao tomar-lhe a escrava Briseida. Aquiles
retirou-se com seus soldados e, só quando os troianos
mataram seu amigo Pátroclo, consentiu em voltar à luta,
o que resultou na queda de Tróia. Cassandra, irmã de
Páris, que coube a Agamémnon como presa de guerra, em
vão alertou-o para não retornar à Grécia. Em sua
ausência, Clitemnestra, inconformada com a perda da
filha, tramara a sua morte com o amante Egisto. Quando o
marido saía do banho, atirou-lhe um manto sobre a cabeça
e Egisto assassinou-o. Ambos mataram também seus
companheiros e Cassandra. Orestes, filho mais velho de
Agamémnon, com a ajuda da irmã, Electra, vingou o crime,
matando a mãe e Egisto.
APOLO
Apolo
e as Ninfas,
de François Girardon (1666-73), na Gruta de
Apolo, em Versalhes
Deus
grego da Beleza, da Luz e das Artes. Filho de Zeus e de
Latona, irmão de Ártemis, nasceu em Delos. Depois de ter
permanecido entre os Hiperbóreos, estabeleceu-se em
Delfos, onde matou o dragão Piton. A partir de então
ergueu-se sobre estes lugares o seu santuário, onde eram
proferidos os seus oráculos pela sacerdotisa. A Pítia,
colocada em cima de uma trípode. Procurou seduzir ora
uma das Musas – ele é, aliás, o chefe do seu coro - ora
uma ninfa, como Dafne, que, para fugir dele, se
metamorfoseou em loureiro, a árvore consagrada a este
deus da Sedução. Com a musa Tália, gerou os Coribantes;
com Urânia, os músicos Lino e Orfeu. Deus da Música e da
Poesia, deus solar – os Romanos chamaram-lhe Febo, o
Brilhante - protetor dos rebanhos, amigo das festas e
dos coros, Apolo é uma personalidade múltipla, como se,
por uma espécie de sincretismo, nele se fundissem muitas
divindades.
Apolo
e Dafne
John
William Waterhouse (1908)
Lenda de Apolo
Apolo
era um deus filho de Zeus e Leto, e irmão gémeo da deusa
Ártemis, da caça. Em época mais tardia foi identificado
com Hélios, deus do sol, pois era antes o deus da luz, e
por arrastamento, a sua irmã foi identificada com Selene,
deusa da lua. Mais tarde ainda, foi conhecido
primordialmente como uma divindade solar. Na mitologia
etrusca, foi conhecido como Aplu. Ao seu nome
acrescentam-se, por vezes, epítetos relacionados com os
locais onde era venerado, como o título de "Abeu" como
era conhecido em Chipre. Mas o seu culto estendia-se
muito para além do culto solar. Apolo é também o deus da
cura e das doenças, pai de Asclépio, ou Esculápio,
venerado junto com este em grandes templos-hospitais,
onde se curavam várias doenças, sobretudo através do
sono. É ainda o deus da profecia. Inúmeros oráculos
eram-lhe atribuídos, sendo o mais famoso o oráculo de
Delfos, o mais importante da antiguidade que era
visitado por inúmeros visitantes, alguns dos quais nem
eram gregos. Como deus da música, Apolo era representado
tocando a sua lira, e é o corifeu das musas.
Zeus, seu pai, presenteou-o com arco e flechas de ouro,
além de uma lira do mesmo material (sua irmã Ártemis
ganhou os mesmos presentes, porém de prata). Todos eram
obra de Hefesto, o Deus do fogo e das forjas. Algumas
versões dizem que Apolo ganhou a lira como um presente
de Hermes. Outra faceta deste deus é a sua parte mais
violenta, quando ele usa o arco para disparar dardos
letais que matam os homens com doenças ou mortes
súbitas. Ainda assumindo este lado mais negro, Apolo é o
deus das pragas de ratos e dos lobos, que atormentavam
muitas vezes os gregos.
Finalmente, Apolo é o deus dos jovens rapazes, ajudando
na transição para a idade adulta. Assim, ele é sempre
representado como um jovem, frequentemente nu, para
simbolizar a pureza e a perfeição, já que ele é também o
deus destes dois atributos.
Apolo participa em diversos mitos, incluindo a famosa
guerra de Tróia, onde esteve do lado troiano, dizimando
os Aqueus com praga quando estes ofenderam o seu
sacerdote troiano, e acabando por matar Aquiles. A
maioria dos mitos que dizem respeito a Apolo falam dos
seus inúmeros amores, sendo os mais famosos: Dafne, uma
ninfa que foi transformada em loureiro - daí a
sacralidade da árvore para Apolo - Jacinto, que se
transformou na flor com o mesmo nome, e Ciparisso, o
qual se transformou em Cipreste. Nestes mitos amorosos,
Apolo nunca tem sorte, e existe um mito que conta que
isto se deve ao facto de ele se gabar de ser o melhor
arqueiro entre os deuses, o que faz com que Eros, deus
do amor, sinta inveja.
AJAX
Herói grego, participou na Guerra de Tróia. Filho de
Télamon (rei de Salamina) e de Peribéa, foi dos mais
intrépidos e valentes guerreiros; bateu-se um dia
inteiro com Heitor, sem ser subjugado; e, vencido por
Ulisses, na disputa das armas de Aquiles, sentiu-se
ferido em seu amor próprio, enlouqueceu de desgosto, e
degolou o rebanho dos gregos, certo de que enfrentava os
adversários; ao tornar a si desse delírio, tendo
conhecimento do que fizera, voltou contra o peito a
espada, e se matou. Conta-se que, mais tarde, tendo
Ulisses perdido, no mar, as armas de Aquiles, as ondas
arremessaram-nas ao pé do túmulo de Ajax, como homenagem
póstuma dos deuses. Homero descreveu Ájax como uma
muralha, muito mais alto do que os outros homens, com um
escudo na forma de torre e uma lança comprida. Utilizava
pedras colossais para combater seus oponentes. Quando
Aquiles se retirou da luta, Ájax enfrentou Heitor em um
único combate. Os dois heróis lutaram o dia inteiro e só
Heitor sofreu pequenos ferimentos. Após a morte de
Aquiles, Ájax disputou com Odisseu a armadura do herói
morto. Odisseu provou ser melhor orador e ganhou o
prémio. Num acesso de loucura, ele degolou os animais
dos rebanhos dos gregos, certo de que matava os
adversários. Ao reconhecer o erro, suicidou-se. A
loucura de Ájax inspirou a Sófocles a tragédia Ájax
Furioso.