MITOLOGIA GREGA
(Deuses, Guerreiros e Lendas)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

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AFRODITE


Deusa do Amor e da Sedução, na mitologia grega. Nascida num turbilhão do mar – daí o seu nome de Afrodite Anadiomene – no sítio onde caíram o sangue e os órgãos genitais de Urano, é a esposa infiel de Hefesto, o deus coxo, e a mãe de Eros e de Anteros. Foi por ela, na sequência do julgamento de Páris – onde ela triunfa sobre Hera e Atena, concedendo a este a mão de Helena – que se desencadeou a Guerra de Tróia.
Mais tarde, foi adotada pelos Romanos com o nome de Vénus.

 

Afrodite e Adónis

 (1650)

 de Backer, Jacob


A Lenda de Afrodite


Na lenda escrita por Homero, ela é dita como sendo a filha de Zeus e Dione, uma de suas consortes, mas na Teogonia de Hesíodo, ela é descrita como nascida da espuma do mar a partir do falo de Urano lançado no oceano e, etimologicamente, seu nome quer dizer "erguida da espuma." De acordo com Homero, Afrodite é a esposa de Hefaístos, o deus das artes manuais. Seus amantes incluem Ares, deus da guerra, que posteriormente foi representado como seu marido. Era a rival de Perséfone, rainha do mundo subterrâneo, pelo amor do belo jovem Adónis. Talvez a lenda mais famosa sobre Afrodite diga respeito à causa da Guerra de Tróia. Eris, a personificação da discórdia - a única deusa que não foi convidada ao casamento de Peleu e da ninfa Tétis - ressentida com os deuses, arremessou uma maçã dourada no corredor onde se realizava o banquete, sendo que na fruta estavam gravadas as palavras "à mais bela." Quando Zeus se recusou a julgar entre Hera, Atena, e Afrodite, as três deusas que reivindicaram a maçã, elas pediram a Páris, príncipe de Tróia, para fazer um concurso. Cada deusa ofereceu a Páris um suborno: Hera, prometeu-lhe que seria um poderoso governante; Atena, que ele alcançaria grande fama militar; e Afrodite, que ele teria a mulher humana mais linda do mundo. Páris declarou Afrodite como a mais bela e escolheu como prémio Helena, a esposa do rei grego Menelau. O rapto de Helena por Páris foi a causa da Guerra de Tróia.

 

AGAMÉMNON

(máscara)


Rei lendário de Micenas e de Argos que chefiou os Gregos na Guerra de Tróia. Filho de Atreu e irmão de Menelau, desposou Clitemnestra, irmã de Helena, de quem teve três filhos: Ifigénia, Electra e Orestes. Para paziguar a hostilidade de Ártemis em relação a ele, aceitou sacrificar a sua filha Ifigénia.
Quando regressou a casa, no fim da guerra, foi assassinado por Clitemnestra e seu amante Egisto

 

Crises tentando pagar o resgate de sua filha, Criseide, a Agamémnon. Cratera em cerâmica vermelha da Apúlia, de autoria do "Pintor de Atenas 1714" (c. 360-350 a.C.) - Museu do Louvre, Paris


Lenda
de Agamémnon

Agamémnon, filho de Atreu e Aérope, foi rei de Micenas ou Argos no chamado período heróico da história grega. Ele e seu irmão Menelau esposaram as filhas do rei de Esparta, Clitemnestra e Helena. Quando Páris, filho do rei de Tróia, raptou Helena, Agamémnon recorreu aos príncipes da Grécia para formar uma expedição de vingança contra os troianos, o tema da Ilíada. No porto de Áulis (Áulide), sob a chefia suprema de Agamémnon, reuniu-se uma frota de mais de mil navios com enorme exército. No momento de partir, porém, foram impedidos por uma calmaria. Isso se devia à interferência de Ártemis, deusa da caça, enfurecida por Agamémnon ter abatido um cervo em um de seus bosques sagrados. A deusa só se aplacaria com o sacrifício de Ifigénia, uma das filhas do violador. Durante o rito, Ártemis aplacou-se e substituiu-a por uma corça, mas levou Ifigénia consigo. A frota partiu e durante nove anos os gregos sitiaram Tróia, tendo sofrido pesadas baixas. No décimo ano, Agamémnon despertou a cólera de Aquiles, rei dos Mirmidões, ao tomar-lhe a escrava Briseida. Aquiles retirou-se com seus soldados e, só quando os troianos mataram seu amigo Pátroclo, consentiu em voltar à luta, o que resultou na queda de Tróia. Cassandra, irmã de Páris, que coube a Agamémnon como presa de guerra, em vão alertou-o para não retornar à Grécia. Em sua ausência, Clitemnestra, inconformada com a perda da filha, tramara a sua morte com o amante Egisto. Quando o marido saía do banho, atirou-lhe um manto sobre a cabeça e Egisto assassinou-o. Ambos mataram também seus companheiros e Cassandra. Orestes, filho mais velho de Agamémnon, com a ajuda da irmã, Electra, vingou o crime, matando a mãe e Egisto.

 

APOLO

Apolo e as Ninfas, de François Girardon (1666-73), na Gruta de Apolo, em Versalhes


Deus grego da Beleza, da Luz e das Artes. Filho de Zeus e de Latona, irmão de Ártemis, nasceu em Delos. Depois de ter permanecido entre os Hiperbóreos, estabeleceu-se em Delfos, onde matou o dragão Piton. A partir de então ergueu-se sobre estes lugares o seu santuário, onde eram proferidos os seus oráculos pela sacerdotisa. A Pítia, colocada em cima de uma trípode. Procurou seduzir ora uma das Musas – ele é, aliás, o chefe do seu coro - ora uma ninfa, como Dafne, que, para fugir dele, se metamorfoseou em loureiro, a árvore consagrada a este deus da Sedução. Com a musa Tália, gerou os Coribantes; com Urânia, os músicos Lino e Orfeu. Deus da Música e da Poesia, deus solar – os Romanos chamaram-lhe Febo, o Brilhante - protetor dos rebanhos, amigo das festas e dos coros, Apolo é uma personalidade múltipla, como se, por uma espécie de sincretismo, nele se fundissem muitas divindades.
 

 Apolo e Dafne

John William Waterhouse (1908)


Lenda de Apolo


Apolo era um deus filho de Zeus e Leto, e irmão gémeo da deusa Ártemis, da caça. Em época mais tardia foi identificado com Hélios, deus do sol, pois era antes o deus da luz, e por arrastamento, a sua irmã foi identificada com Selene, deusa da lua. Mais tarde ainda, foi conhecido primordialmente como uma divindade solar. Na mitologia etrusca, foi conhecido como Aplu. Ao seu nome acrescentam-se, por vezes, epítetos relacionados com os locais onde era venerado, como o título de "Abeu" como era conhecido em Chipre. Mas o seu culto estendia-se muito para além do culto solar. Apolo é também o deus da cura e das doenças, pai de Asclépio, ou Esculápio, venerado junto com este em grandes templos-hospitais, onde se curavam várias doenças, sobretudo através do sono. É ainda o deus da profecia. Inúmeros oráculos eram-lhe atribuídos, sendo o mais famoso o oráculo de Delfos, o mais importante da antiguidade que era visitado por inúmeros visitantes, alguns dos quais nem eram gregos. Como deus da música, Apolo era representado tocando a sua lira, e é o corifeu das musas.
Zeus, seu pai, presenteou-o com arco e flechas de ouro, além de uma lira do mesmo material (sua irmã Ártemis ganhou os mesmos presentes, porém de prata). Todos eram obra de Hefesto, o Deus do fogo e das forjas. Algumas versões dizem que Apolo ganhou a lira como um presente de Hermes. Outra faceta deste deus é a sua parte mais violenta, quando ele usa o arco para disparar dardos letais que matam os homens com doenças ou mortes súbitas. Ainda assumindo este lado mais negro, Apolo é o deus das pragas de ratos e dos lobos, que atormentavam muitas vezes os gregos.
Finalmente, Apolo é o deus dos jovens rapazes, ajudando na transição para a idade adulta. Assim, ele é sempre representado como um jovem, frequentemente nu, para simbolizar a pureza e a perfeição, já que ele é também o deus destes dois atributos.
Apolo participa em diversos mitos, incluindo a famosa guerra de Tróia, onde esteve do lado troiano, dizimando os Aqueus com praga quando estes ofenderam o seu sacerdote troiano, e acabando por matar Aquiles. A maioria dos mitos que dizem respeito a Apolo falam dos seus inúmeros amores, sendo os mais famosos: Dafne, uma ninfa que foi transformada em loureiro - daí a sacralidade da árvore para Apolo - Jacinto, que se transformou na flor com o mesmo nome, e Ciparisso, o qual se transformou em Cipreste. Nestes mitos amorosos, Apolo nunca tem sorte, e existe um mito que conta que isto se deve ao facto de ele se gabar de ser o melhor arqueiro entre os deuses, o que faz com que Eros, deus do amor, sinta inveja.

AJAX

 
Herói grego, participou na Guerra de Tróia. Filho de Télamon (rei de Salamina) e de Peribéa, foi dos mais intrépidos e valentes guerreiros; bateu-se um dia inteiro com Heitor, sem ser subjugado; e, vencido por Ulisses, na disputa das armas de Aquiles, sentiu-se ferido em seu amor próprio, enlouqueceu de desgosto, e degolou o rebanho dos gregos, certo de que enfrentava os adversários; ao tornar a si desse delírio, tendo conhecimento do que fizera, voltou contra o peito a espada, e se matou. Conta-se que, mais tarde, tendo Ulisses perdido, no mar, as armas de Aquiles, as ondas arremessaram-nas ao pé do túmulo de Ajax, como homenagem póstuma dos deuses. Homero descreveu Ájax como uma muralha, muito mais alto do que os outros homens, com um escudo na forma de torre e uma lança comprida. Utilizava pedras colossais para combater seus oponentes. Quando Aquiles se retirou da luta, Ájax enfrentou Heitor em um único combate. Os dois heróis lutaram o dia inteiro e só Heitor sofreu pequenos ferimentos. Após a morte de Aquiles, Ájax disputou com Odisseu a armadura do herói morto. Odisseu provou ser melhor orador e ganhou o prémio. Num acesso de loucura, ele degolou os animais dos rebanhos dos gregos, certo de que matava os adversários. Ao reconhecer o erro, suicidou-se. A loucura de Ájax inspirou a Sófocles a tragédia Ájax Furioso.

 

 Ajax e Aquiles  jogando dados

Sec 6 AC

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