MITOLOGIA GREGA
(Deuses, Guerreiros e Lendas)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

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BELEROFONTE

-Giovanni Battista Tiepolo-


Herói mitológico grego. Matou as quimeras e venceu as Amazonas, montando Pégaso, o cavalo alado. Belerofonte era um jovem forte e corajoso, e possuía o desejo de realizar um feito grandioso: domar o cavalo alado Pegasus. Após diversas tentativas infrutíferas, ele procurou Polyeidus para ajuda. Seguindo as instruções de Polyeidus, ele passou a noite em um altar dedicado a Atenas. Lá, ele teve um sonho no qual a deusa lhe entregava um arreio dourado. Ele acordou e encontrou o arreio do seu sonho em suas mãos. Então, sacrificou tanto a Atena quanto a Poseidon. Feito isso, ele dirigiu-se ao local onde Pegasus pastava e foi capaz de montar o cavalo sem nenhuma dificuldade. Triunfante em seu sucesso, foi até à presença do rei Pittheus e recebeu a permissão para desposar sua filha Aethra. Contudo, pouco antes do casamento, acidentalmente, matou um homem, possivelmente um dos seus irmãos, e foi banido. Ele foi até o Rei Proetus para ser purificado do seu crime, o que foi feito. Porém, enquanto estava na casa de Proetus, a esposa do rei, Stheneboea, tentou seduzi-lo. Como um homem honrado, Belerofonte rejeitou os seus avanços, mas a enfurecida Stheneboea  acusou-o falsamente de tentar seduzi-la. Tremendamente irritado, Proetus desejava livrar-se de Belerofonte sem precisar acusá-lo publicamente. Estava preocupado também, em não ferir um hóspede da sua casa, pois isso seria uma ofensa aos deuses. Então, ele enviou Belerofonte para entregar uma mensagem ao pai de sua esposa, o Rei Iobates. Chegando sobre o Pegasus, Belerofonte foi calorosamente recebido e aceite na casa do Rei Iobates como hóspede. Iobates reiterou o selo e leu a carta, tomando conhecimento das acusações de Stheneboea contra Belerofonte. Porém ele estava, agora, com o mesmo dilema com relação ao seu hóspede, que estava Proteus. A solução que encontrou foi pedir que Belerofonte realizasse uma série de actos heróicos, porém, altamente perigosos. Mas, a coragem de Belerofonte, sua habilidade como arqueiro, e tendo Pegasus como montaria, fizeram com que tivesse sucesso em todas as tarefas. Além disso, sua origem, seus sacrifícios e seus actos de honra, fizeram-no conquistar a simpatia dos deuses. Sua primeira tarefa era matar a terrível Quimera. Sendo vitorioso, ele foi mandado conquistar os Solymi, uma tribo vizinha, de quem Iobates era inimigo há longa data. Quando ele os derrotou, recebeu a ordem de lutar contra as Amazonas. Novamente, o herói foi o vencedor. Desesperado, o Rei armou uma armadilha contra Belerofonte utilizando toda a sua armada, que foi morta até ao último homem. Nesse instante, Iobates teve a sabedoria de perceber que algo estava errado. Concluiu que os deuses deviam estar favorecendo o herói, e que tal graça não seria concedida a alguém que desonrasse a hospitalidade de um anfitrião. Iobates se redimiu entregando a Belerofonte metade do seu reino, incluindo as melhores plantações e sua filha Philonoe em casamento. Parecia que Belerofonte viveria uma vida feliz após toda essa luta. Seus feitos gloriosos eram cantados em todos os lugares da Grécia. E contraiu um feliz casamento. Philonoe deu à luz dois filhos, Isander and Hippolochus, e duas filhas, Laodameia e Deidameia. Como rei, era amado e louvado por seus súbditos. Tudo isso não parecia ser suficiente para Belerofonte. Em sua arrogância, decidiu que poderia voar com Pegasus ao Monte Olimpo e visitar os deuses. Zeus, rapidamente, pôs um fim à sua viagem, enviando uma vespa para picar Pegasus e derrubar Belerofonte. Ele sobreviveu à queda, mas estava aleijado. E passou o resto de sua vida vagando pela terra, sem que ninguém o ajudasse, devido à sua ofensa aos deuses. Morreu solitário, sem ninguém para compartilhar seu destino.

 

 Belerofonte montando  Pegasus e matando a Quimera

 

CADMO


Herói lendário, que terá sido um dos divulgadores da civilização entre os Gregos. Tendo participado na procura da sua irmã Europa, raptada por Zeus, foi retido em Delfos pelo oráculo, que lhe ordenou que seguisse uma vaca marcada com o sinal da Lua e construísse uma cidade onde ela parasse. Foi assim que Cadmo fundou na Beócia a Cadmeia, primeira fortaleza de Tebas. Quando Europa desapareceu, o rei Agenor ordenou aos filhos, Cadmo, Fénix e Cílix, que saíssem à sua procura e que não voltassem à sua presença sem ela. Durante a longa busca, os irmãos de Europa fundaram diversas cidades e acabaram se instalando definitivamente em outras regiões. Fênix se estabeleceu na Fenícia; Cílix, na Cilícia; e Cadmo, o mais velho, na Grécia. Cadmo viajou acompanhado da mãe, Teléfassa, e dirigiu-se inicialmente para a Trácia (ou Samotrácia), onde viveu algum tempo. Pouco depois da morte da mãe, aconselhado pelo oráculo de Delfos, parou de procurar Europa e fundou a Cadméia, a acrópole fortificada da futura cidade de Tebas. Segundo a tradição, o oráculo havia mandado Cadmo escolher o local seguindo uma vaca até que ela caísse de cansaço. Ao encontrar uma vaca com um sinal diferente, Cadmo seguiu-a até à Beócia e, no local onde ela parou, fundou a cidade. Para obter água de uma fonte próxima, teve de matar à pedrada um dragão, tido por filho de Ares; logo depois, a conselho de Atena, semeou os dentes do dragão morto. Dos dentes nasceram diversos guerreiros, totalmente armados e de aspecto ameaçador. Instado por Atena, Cadmo lançou, sem ser visto, uma pedra sobre eles. A pedra desencadeou uma violenta disputa e, no fim da luta, restaram apenas cinco guerreiros vivos, os espartos (i.e., "os semeados"). Eles auxiliaram Cadmo na fundação da cidade e eram considerados ancestrais das famílias nobres de Tebas. Devido à morte do dragão, Cadmo foi condenado pelos deuses a servir Ares durante 8 anos. No fim do período, Zeus concedeu-lhe a mão de Harmonia, filha de Ares e de Afrodite. Os deuses imortais comparecerem em peso ao casamento, as musas cantaram durante os festejos, e a noiva recebeu dois presentes fabulosos: um maravilhoso vestido, tecido pelas Cárites, e um belíssimo colar de ouro, feito por Hefesto. Cadmo tornou-se rei de Tebas e seu reinado foi longo, tranquilo e próspero; consta que ele civilizou a Beócia e ensinou aos gregos o uso da escrita. Teve vários filhos: Autónoe, Ino, Agave, Sêmele e Polidoro. Já idoso, Cadmo entregou o trono de Tebas a Penteu, filho de Agave e Équion (um dos espartos), e retirou-se com Harmonia para a Ilíria, onde se tornou rei e teve outro filho, Ilírio. Viveu ainda algum tempo e, no final da vida, foi transformado pelos deuses em serpente, juntamente com Harmonia.
 

CADMO

Dois seguidores de Cadmo devorados pelo dragão na fonte de Ares

 -1588-

Cornelis Cornelisz van Haarlem

 

CRONOS

Reia entregando seus filhos a Cronos


Deus da primeira geração do panteão helénico, a dos Titãs. Filho de Urano e de Geia, castrou o seu próprio pai e tomou o poder no lugar dele. Da sua união com Reia, teve numerosos filhos, que ele devorava. Só um escapou a esta sorte, Zeus, que destronou Cronos e o lançou para o Tártaro, obrigando-o a devolver à luz os deuses que tinha devorado: Héstia, Deméter, Hera, Hades e Posídon. Quando a mãe de todos finalmente se cansou de Urano, urdiu um plano para libertar os filhos e, ao mesmo tempo, se livrar do incómodo vigor do marido. Criou em suas entranhas o ferro mais resistente, fez com ele uma afiada foice e pediu ajuda aos filhos. Somente Crono, o mais novo, de "pensamentos tortuosos", que odiava o pai e não o temia, concordou em ajudá-la. Armado da foice, Crono se escondeu e à noite, quando Urano recobriu Gaia, decepou com um só golpe os genitais do pai e lançou-os no mar. Libertou, a seguir, todos os irmãos presos no interior da terra. Urano continuou a cobrir Gaia diariamente, mas sem tocá-la: privado da capacidade geradora, "aposentou-se" e não procriou novamente. O esperma que caiu dos genitais cortados produziu, ao atingir o mar, a espuma de onde saiu a deusa Afrodite. Já o sangue de sua ferida, ao cair sobre a terra, gerou as ninfas melíades, as Erínias e, posteriormente, os gigantes.
Após a destituição e "aposentadoria" de Urano, Cronos passou a residir no céu e tornou-se o novo "rei" dos deuses. Conforme as versões mais tardias da lenda, seu reinado foi uma verdadeira Idade de Ouro.
 

 Cronos cortando os testiculos a Urano.. caidos no mar, nasceu Afrodite

 

DEMÉTER


Deusa grega da terra cultivada - ao contrário de Geia, divindade da Terra concebida como entidade cosmogónica. Quando Hades raptou a sua filha Perséfone (Coré), Deméter, lavada em lágrimas, percorreu o mundo à sua procura, até que Zeus ordenou ao deus dos Infernos que restituísse a filha a sua mãe durante seis meses por ano. Deméter, constantemente assediada por Posídon que a desejava, disfarçou-se em égua, a fim de iludir o seu pretendente. Foi inútil tentativa, pois, Posídon, descobrindo tudo, disfarçou-se em cavalo, logrando assim o seu intento de unir-se a Deméter. Dessa indesejável união nasceu Aríon, cavalo com a capacidade da fala e da predição do futuro, e uma filha cujo nome poucos conheceram. Indignada com a atitude de Posídon, Deméter retirou-se do Olimpo. A terra tornou-se a partir daí estéril e estabeleceu-se um período de fome absoluta. Por causa desse incidente recebeu muitos cognomes, entre eles a de “Negra” por haver se vestido de luto e de “Erínia” por causa da ira que se abateu sobre ela. Foi somente após banhar-se no rio Ládon, cuja característica era a de fazer apagar mágoas e ressentimentos, que Deméter, purificada, voltou ao Olimpo. Do seu romance de trágico desfecho com Iásion, Deméter teve um filho chamado Pluto, que, posteriormente, tornou-se a personificação da riqueza e da abundância. Iásion morreu atingido por um raio fulminante enviado pelo enciumado Zeus ao surpreender juntos os dois amantes. Da sua união com Zeus nasceu Core que, estando certo dia a colher flores no campo, foi subitamente raptada por Hades e levada às profundezas. Amargurada com o desaparecimento da filha, Deméter vagou pelo mundo inteiro à sua procura. Hélio, o deus Sol que  tudo vê, foi quem lhe revelou o seu paradeiro. Revoltada com Hades e também com Zeus que permitira o sequestro, retirou-se do Olimpo e metamorfoseada em velha, dirigiu-se a Eléusis, cidade da Ática. Lá chegando, interpelada pelas filhas do rei Céleo a respeito de sua identidade, mentiu, dizendo ser Doso, vítima de piratas que a haviam sequestrado de Creta, cidade onde residia. Convidada a cuidar do recém-nascido Demofonte, filho de Metanira, a esposa do rei, aceitou a incumbência. Deméter decidiu tornar o rebento imortal, e, para tanto, alimentava-o com ambrosia e com o néctar dos deuses, esfregando-o todas as noites com o fogo da imortalidade. Aconteceu, porém, que certa feita, Deméter foi surpreendida pela rainha em seus rituais mágicos. Esta, ao se deparar com a imagem de seu filho exposto às chamas, lançou um grito desesperado. Irada com tamanha ignorância e incompreensão, a deusa interrompeu o ritual, condenando Demofonte a prosseguir como simples mortal, e surgiu em todo seu esplendor, denunciando a sua verdadeira origem. Ordenou que se erguesse um templo em sua homenagem no qual ela pudesse ensinar aos homens seus ritos secretos. Uma vez construído seu santuário, retirou-se do Olimpo, e ali se refugiou para chorar a saudade que sentia de sua amada filha. Amaldiçoou a terra lançando sobre ela uma implacável seca e impedindo que ali nascesse qualquer tipo de vegetação. Inutilmente, tentando convencê-la a mudar de atitude, Zeus viu-se forçado a interceder junto a Hades para que devolvesse Coré a sua mãe. O soberano dos infernos consentiu, mas, antes de deixar partir a sua amada, fez com que ela comesse um bago de romã. Prendeu-a com isso, para sempre, aos Infernos, uma vez que, quem ali se alimentasse, ficaria eternamente condenado a retornar. Quando mãe e filha se reencontraram, a terra novamente se cobriu de verde e a abundância voltou a reinar.
 

 Deméter

 

 
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