MITOLOGIA GREGA
(Deuses, Guerreiros e Lendas)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

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JÚPITER e IO

-Correggio-


Sacerdotisa de Hera, na mitologia grega. Era filha do deus-rio Ínaco, que por sua vez era filho de Oceanus e Tétis. Foi sacerdotisa da Hera argiva e pertenceu a raça real de Argos. Sua beleza despertou a paixão de Zeus, que a seduziu e a transformou em vitela para assim subtraí-la aos ciúmes de Hera. A estratégia falhou e a deusa, desconfiada, desceu do monte Olimpo para averiguar o que estava acontecendo. Numa vã tentativa de iludir sua esposa ciumenta, o deus transformou sua amante em uma belíssima novilha branca. Intrigada pelo interesse do marido no animal, e maravilhada com a beleza do mesmo, Hera exigiu a novilha para si e pô-la sob a guarda do gigante Argos Panoptes. Argos quando dormia mantinha abertos cinquenta dos seus cem olhos.
Zeus encarregou Hermes de libertar
a sua amada. Para tanto, o mensageiro dos deuses, usando a flauta de Pã, pôs para dormir os olhos despertos de Argos, enquanto os outros cinquenta dormiam um sono natural, e cortou sua cabeça. Hera recolheu os olhos de seu servo e  pô-los na cauda do pavão, animal consagrado a ela. Io estava livre do cativeiro, mas não dos tormentos de Hera. O fantasma de Argos continuava a persegui-la. Para piorar sua situação, a deusa enviou um moscardo para picar a novilha constantemente durante a sua fuga. sempre perseguida por um moscardo. Io perambulou de Micenas para Eubéia. Atravessou a Ilíria e subiu o monte Hemos, na Trácia. O mar cujas praias percorreu recebeu o nome de Mar Iônio. O Estreito de Bósforo, que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro, cujo significado é Passagem da Vaca, foi batizado assim após Io tê-lo cruzado a nado. Atravessou a Cítia e ao chegar ao monte Cáucaso, encontrou Prometeu acorrentado em uma rocha. O titã disse-lhe que, ao alcançar o Egipto, ela seria restaurada na sua forma humana por Zeus e teria um filho. A criança seria a primeira de uma linhagem que culminaria com Hércules, que acabaria por libertar o próprio Prometeu. Io fatalmente chegou às margens do Nilo. Cansada de tanto sofrimento, implorou a Zeus por um fim. O deus, comovido, foi falar com Hera e ambos restauram Io na sua forma humana. Ela teve um filho, Épafo, que foi roubado pelos Curetes sob ordens de Hera. Io recuperou o menino e reinou sobre o Egipto, sob nome de Ísis e casada com Telégono. Sua coroa tinha dois pequenos chifres de ouro, lembranças de sua transformação. O mito de Io pode ser interpretado como uma alegoria lunar, na qual a fuga da novilha representaria o movimento da Lua, e os olhos de Argos, o céu estrelado. Por vezes, o mito de Io se confunde com os da deusa Ísis, Hator e mesmo Ishtar.

 

 IO

 

LENDA DE ODISSEIA

ULISSES NA CORTE DE ALCINCO


Além de constituir, ao lado da Ilíada, obra iniciadora da literatura grega escrita, a Odisseia, de Homero, expressa com força e beleza a grandiosidade da remota civilização grega. A Odisseia data provavelmente do século VIII a.C., quando os gregos, depois de um longo período sem disporem de um sistema de escrita, adoptaram o alfabeto fenício. Na Odisseia ressoa ainda o eco da guerra de Tróia, narrada parcialmente na Ilíada. O título do poema provém do nome do protagonista, o grego Ulisses (Odisseu). Filho e sucessor de Laerte, rei de Ítaca e marido de Penélope, Ulisses é um dos heróis favoritos de Homero e já aparece na Ilíada como um homem perspicaz, bom conselheiro e bravo guerreiro. A Odisseia narra as viagens e aventuras de Ulisses em duas etapas: a primeira, compreende os acontecimentos que, em nove episódios sucessivos, afastam o herói de casa, forçado pelas dificuldades criadas pelo deus Posídon. A segunda, consta de mais nove episódios, que descrevem a sua volta ao lar sob a proteção da deusa Atena. É também desenvolvido um tema secundário, o da vida na casa de Ulisses durante a sua ausência, e o esforço da família para trazê-lo de volta a Ítaca. A Odisseia compõe-se de 24 cantos em verso hexâmetro (seis sílabas), e a ação inicia-se dez anos depois da guerra de Tróia, em que Ulisses lutara ao lado dos gregos. A ordem da narrativa é inversa: tem início pelo desfecho, a assembleia dos deuses, em que Zeus decide a volta de Ulisses ao lar. O relato é feito, de forma indireta e em retrospetiva, pelo próprio herói aos feaces - povo mítico grego que habitava a ilha de Esquéria. Hábeis marinheiros, são eles que conduzem Ulisses a Ítaca. O poema estrutura-se em quatro partes: na primeira (cantos I a IV), intitulada "Assembleia dos deuses", Atena vai a Ítaca animar Telémaco, filho de Ulisses, na luta contra os pretendentes à mão de Penélope, sua mãe, que decide enviá-lo a Pilos e a Esparta em busca do pai. O herói, porém, encontra-se na ilha de Ogígia, prisioneiro da deusa Calipso. Na segunda parte, "Nova assembleia dos deuses", Calipso liberta Ulisses, por ordem de Zeus, que atendeu aos pedidos de Atena e enviou Hermes com a missão de comunicar a ordem. Livre do jugo de Calipso, que durou sete anos, Ulisses constrói uma jangada e parte, mas uma tempestade desencadeada por Posídon lança-o na ilha dos feaces (canto V), onde é descoberto por Nausícaa, filha do rei Alcínoo. Bem recebido pelo rei (cantos VI a VIII), Ulisses mostra sua força e destreza em competições desportivas que se seguem a um banquete. Na terceira parte, "Narração de Ulisses" (cantos IX a XII), o herói passa a contar a Alcínoo as aventuras que viveu desde a saída de Tróia: sua estada no país dos Cícones, dos Lotófagos e dos Ciclopes; a luta com o ciclope Polifemo; o episódio na ilha de Éolo, rei dos ventos, onde seus companheiros provocam uma violenta tempestade, que os arroja ao país dos canibais, ao abrirem os odres em que estão presos todos os ventos; o encontro com a feiticeira Circe, que transforma os companheiros em porcos; sua passagem pelo país dos mortos, onde reencontra a mãe e personagens da guerra de Tróia. Na quarta parte, "Viagem de retorno", o herói volta a Ítaca, reconduzido pelos feaces (canto XIII). Apesar do disfarce de mendigo, dado por Atena, Ulisses é reconhecido pelo filho, Telémaco e por sua fiel ama Euricléia, que, ao lavar-lhe os pés, o identifica por uma cicatriz. Assediada por inúmeros pretendentes, Penélope promete desposar aquele que conseguir retesar o arco de Ulisses, de maneira que a flecha atravesse 12 machados. Só Ulisses o consegue. O herói despoja-se em seguida dos andrajos e faz-se reconhecer por Penélope e Laerte. Segue-se a vingança de Ulisses (cantos XIV a XXIV): as almas dos pretendentes são arrastadas aos infernos por Hermes e a história termina quando Atena impõe uma plena reconciliação durante o combate entre Ulisses e os familiares dos mortos. A concepção do poema é predominantemente dramática e o carácter de Ulisses, marcado por obstinação, lealdade e perseverança em seus propósitos, funciona como elemento de unificação que permeia toda a obra. Aí aparecem fundidas ou combinadas uma série de lendas pertencentes a uma antiquíssima tradição oral com fundo histórico. Há forte crença de que a Odisseia reúna temas oriundos da época em que os gregos exploravam e colonizavam o Mediterrâneo ocidental, daí a presença de mitos com seres monstruosos no Ocidente, para eles ainda misterioso. Pela extrema perfeição do seu todo, esse poema tem encantado o homem de todas as épocas e lugares. É consenso na era moderna que a Odisseia completa a Ilíada como retrato da civilização grega, e as duas juntas testemunham o génio de Homero e estão entre os pontos mais altos atingidos pela poesia universal.
 

Homero recitando seus poemas

-Sir Thomas Lawrence-

 

PERSEU E MEDUSA


Herói da mitologia grega, filho de Zeus e de Danae. Perseu e sua mãe foram banidos pelo avô, Acrísio, que temia a profecia de que seria assassinado pelo neto, atirando-os numa urna para que levasse os dois para bem longe. Protegida por Zeus a embarcação chegou à ilha de Serifo, onde foi encontrada por um pescador, Díctis, irmão do rei de Serifo. Perseu e sua mãe viveram na casa de Díctis e sua esposa, por anos, até que um dia, o rei, Polidectes, quando passava pela casa de seu irmão resolveu visitá-lo. Ao ver Danae, se apaixonou e quis se casar com ela. Perseu se tornou um grande homem, forte, ambicioso, corajoso, aventureiro e protetor da mãe. Polidectes, com medo da ambição de Perseu levá-lo a lhe tirar o trono, propôs um torneio no qual o vencedor seria quem trouxesse a cabeça da Medusa, e o instinto aventureiro de Perseu não o deixou recusar. Ele, conhecendo a sua mãe, disse que iria participar do torneio, mas não disse que iria enfrentar a Medusa, com receio de ela o impedir. E foi vitorioso graças à ajuda de Atena e Hermes. Atena deu a ele um escudo tão bem polido, que podia se ver o reflexo ao olhar para ele, e Hermes deu a ele suas sandálias aladas, dois objetos que foram definitivos para a vitória de Perseu. Então, Perseu, guiado pelo reflexo do escudo, mas sem olhar diretamente para a Medusa, derrotou-a cortando-lhe a cabeça, que ofereceu à deusa Atena. Diz a lenda que, quando Medusa foi morta, o cavalo alado Pégaso e Crisaor surgiram de seu ventre. Na volta para casa, matou um terrível monstro marinho e libertou a linda Andrómeda, com quem se casou. Conforme a profecia, Perseu acabou assassinando o avô durante uma competição desportiva, em que participava da prova de arremesso de discos. Fazendo um lançamento desastroso, acertou acidentalmente no seu avô sem saber que ele estava ali. Assim, cumpriu-se a profecia que Acrísio mais temia. Apesar disso, Perseu recusou-se a governar Argos - trocando de reinos com Megapente, filho de Preto - e governou Tirinto e Micenas (cidade que fundou), estabelecendo uma família cujos descendentes incluíam Hércules.
 

PERSEU

 

POSÍDON


Deus dos Mares, na mitologia grega. Filho de Cronos e de Reia, coube-lhe em partilha o Mar, enquanto  seu irmão Zeus herdou o Céu e Hades os Infernos. Esposo de Anfitrite, armado com um tridente, tinha a sua morada na profundezas do mar, donde fazia tremer a terra. Era venerado em numerosos lugares de culto, principalmente em Delfos, Atenas, Corinto, nos cabos Súnio, Ténaro, e em todas as costas marítimas. Primordialmente, Zeus terá obrigado seu pai, Cronos, a regurgitar e restabelecer a vida aos filhos que este sistematicamente engolia, e entre os salvos está Posídon, explicando assim Zeus como o irmão mais novo. Posídon fora criado entre os Telquines, os demónios de Rodes. Quando atingiu a maturidade, ter-se-á apaixonado por Hália, uma das irmãs dos Telquines, e desse romance nascem seis filhos e uma filha, de nome Rodo, daí o nome da ilha de Rodes. Em uma famosa disputa entre Posídon e Atena para decidir qual dos dois seria o padroeiro de Atenas, ele atirou uma lança ao chão para criar a fonte da Acrópole. Entretanto, Atena conseguiu superá-lo criando a oliveira. Na Ilíada, Posídon aparece-nos como o deus supremo dos mares, comandando não apenas as ondas, correntes e marés, mas também as tempestades marinhas e costeiras, provocando nascentes e desmoronamentos costeiros com o seu tridente. Embora seu poder pareça ter se estendido às nascentes e lagos, os rios, por sua vez, têm as suas próprias deidades, não obstante o facto de que Posídon fosse dono da magnífica ilha de Atlântida. Geralmente, Posídon usava a água e os terramotos para exercer vingança, mas também podia apresentar um carácter cooperativo. Ele auxiliou bastante os gregos na Guerra de Tróia, mas levou anos se vingando de Odisseu, que havia ferido a cria de um de seus ciclopes. Os navegantes oravam a ele por ventos favoráveis e viagens seguras, mas seu humor era imprevisível. Apesar dos sacrifícios, que incluíam o afogamento de cavalos, ele podia provocar tempestades, maus ventos e terramotos por capricho. Como Zeus, projetava seu poder e sua masculinidade sobre as mulheres, tendo muitos filhos homens, pois não podia ter filhas mulheres. Considerando que as inúmeras aventuras amorosas de Posídon foram todas frutíferas em descendentes, é de notar que, ao contrário dos descendentes de seu irmão Zeus, os filhos do deus dos mares, tal como os de seu irmão Hades, são todos maléficos e de temperamentos violentos. Alguns exemplos: de Teosa nasce o ciclope Polifemo; de Medusa nasce o gigante Crisaor e o cavalo alado, Pégaso; de Amimone nasce Náuplio; com Ifimedia, nascem os irmãos gigantes, Oto e Efialtes (os Aloídas), que chegaram mesmo a declarar guerra aos deuses. Por sua vez, os filhos que teve com Halia cometeram tantas atrocidades que o pai teve de os enterrar para evitar-lhes maior castigo. Casou ainda com Anfitrite, de quem nasceu o seu filho Tritão, o deus dos abismos oceânicos, que ajudou Jasão e os seus argonautas a recuperar o Velo de ouro.
 

 A IRA DE POSÍDON

-GBrush-

 

 
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