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Entretanto,
na sala
de
operações
do
melhor e
mais bem
apetrechado
hospital
de
Lisboa,
o Dr.
Roger
Richter
terminara
a
segunda
operação
a Sandra
Cristina.
Na
antessala,
esperavam-no
o pai e
a mãe da
paciente.
O médico
saiu da
sala das
operações
com o
sobrecenho
carregado.
Os
Mendes
encararam-se,
preocupados.
Encarando
com
eles, o
Dr.
Roger
Richter
disse,
com
aquela
rudeza
quase
agressiva
que o
caracterizava
quando
estava
enfronhado
nos seus
trabalhos
profissionais:
Dr.
Roger -
A vossa
filha
vai
ficar
curada.
Cheguei
a recear
que
apenas
pudesse
fazê-la
coxear
um pouco
menos.
Mas a
verdade
é que
Deus me
ajudou,
e agora,
posso
garantir-lhes
que
dentro
de três
a seis
meses, a
nossa
gentil
Sandra
Cristina
correrá
e
dançará,
como
qualquer
rapariga
que
nunca
tenha
sofrido
qualquer
acidente!
Emília -
Oh, Sr.
Doutor!
A mãe da
rapariga
rompeu
num
pranto
silencioso
e feliz,
enquanto
o marido
caminhava
para o
Dr.
Roger
Richter,
estendendo-lhe
a mão,
com os
olhos
marejados
de
lágrimas.
O médico
apertou-a
com um
sorriso.
Já
perdera
aquele
ar
carrancudo
que
tinha
quando
prestava
a sua
atenção
profissional,
e
disse-lhe:
Dr.
Roger -
Não tem
nada que
me
agradecer,
Sr.
André
Mendes.
Fiz o
que
pude.
Mas olhe
que a
sua
mulher
precisa
de si…
Efectivamente,
Emília
Mendes
tacteava
o ar,
procurando
onde se
pudesse
apoiar.
Na sua
perturbação,
aquela
mãe
ainda
duvidava
das
palavras
claríssimas
que
acabara
de
ouvir!
Depois
do
marido a
ter
amparado
e levado
até uma
cadeira,
a pobre
senhora
levantou
os olhos
para o
médico,
e nesse
olhar
endereçou-lhe
o mais
eloquente
agradecimento
que ele
poderia
ter
recebido.
Sensibilizado,
o Dr.
Roger
Richter
disse-lhe
então:
Dr.
Roger -
Dentro
de uma
hora,
podem
fazer
companhia
à vossa
menina,
mas por
poucos
minutos,
dez o
máximo.
E não se
esqueçam
de que
ficam
completamente
proibidos
de lhes
dizer o
que eu
lhes
contei
do êxito
da
intervenção
cirúrgica.
Emília -
Assim
faremos,
Sr.
Doutor.
Até
parece
um
sonho, o
melhor
sonho da
minha
vida!
Dr.
Roger -
Se lhe
dissessem
isso,
provocar-lhe-iam
um
choque
nervoso,
que
poderia
ser-lhe
prejudicial
na
evolução
do
processo
de
recuperação,
que
agora
deve ser
rápido.
Emília -
Faremos
tudo o
que o
Sr.
Doutor
nos
mandar...
Dr.
Roger -
Digam-lhe
que não
estiveram
comigo
depois
da
operação.
Emília -
Pode
estar
descansado,
Sr.
Doutor.
Dr.
Roger -
E para
terminar,
também
vos
quero
dizer
que os
convido
para
jantarem
comigo e
com a
minha
mulher,
esta
noite.
Eles
sorriram
envergonhados,
mas o
médico
receou
que não
tivessem
compreendido
que lhes
estava a
fazer um
convite
formal,
pelo
que, se
apressou
a
acrescentar:
Dr.
Roger -
Esta
será a
última
parte da
mentira,
que peço
que não
digam à
Sandra...
Bem, não
é
rigorosamente
uma
mentira,
pois,
minha
mulher e
eu,
esperamos
que nos
dêem o
prazer
da vossa
companhia,
hoje, ao
jantar -
está bem
?!
Emília -
Temos
todo o
prazer
em
aceitar
o seu
amável
convite!
Dr.
Roger -
Então,
até
logo, às
oito
horas no
hotel.
No final
do
jantar,
o Dr.
Roger
Richter
esclareceu
o casal
Mendes:
Dr.
Roger -
Convidei-os
com um
determinado
fim, ou
seja, o
caso de
Sandra
Cristina.
Em
princípio,
ela
deveria
de
precisar
de outra
intervenção
cirúrgica,
mas que
talvez
seja
desnecessária,
se
durante
estes
meses
mais
próximos,
for
vigiada
com toda
a
atenção
e
competência.
Nós
temos de
partir
de avião
para
Nova
Iorque
na
próxima
semana,
pois não
posso de
modo
algum
protelar
a data
da minha
partida,
por
compromissos
anteriormente
assumidos.
André -
E o que
nós
podemos
fazer
para
ajudar a
nossa
querida
filha?
Dr.
Roger -
Tenham
calma e
escutem
o que a
minha
mulher
tem para
vos
dizer.
Jodie -
Pensei,
ou
melhor,
pensámos,
eu e meu
marido,
em pedir
emprestada
a vossa
filha
por uns
meses.
Autorizem
que a
Sandra
venha
connosco,
pois lhe
faria
muito
bem
mudar de
ambiente.
Em Nova
Iorque
temos
muitos
amigos,
e ela
recompor-se-á
noutro
meio
ambiente,
de modo
que,
quando
regressar,
será
outra
rapariga,
tendo
inclusive
já
perdido
todos os
seus
complexos,
que
sempre a
têm
atormentado.
Que me
dizem?
Emília -
Nós
gostaríamos
que ela
fosse,
mas
compreendem,
as
saudades...
E, além
disso,
financeiramente
não
podemos
suportar
tanta
despesa.
Jodie -
Mas
atenção,
pois
trata-se
de um
pedido
nosso
sem
qualquer
encargo
financeiro
para
vós.
Dr.
Roger -
Reforçando
a ideia
da minha
mulher,
lhes
direi
que não
vos fiz
qualquer
pedido
em
proveito
próprio,
a não
ser
aquele
de
cederem
parte da
vossa
mesa, na
esplanada,
no
primeiro
dia que
nos
conhecemos!
Jodie -
É um
convite
que
fazemos
com todo
o
prazer,
e que
não
representa
para
vocês,
repito,
qualquer
despesa
financeira.
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