SEBO LITERÁRIO

 

 

 A Deusa e o Mar

de Carlos Leite Ribeiro

PÁG.12 DE 13 PÁG.

 

 

 

Dias depois, Sandra Cristina, acompanhada pelo casal Richter, partia de avião rumo a Nova Iorque.
Quando o carro particular do casal parou, defronte a um enorme arranha-céus onde moravam, o Dr. ajudou Sandra a descer do automóvel, e a rapariga, também amparada a sua mulher, caminhou devagarzinho até ao ascensor.
Estava radiante de felicidade. Chegados ao último andar, o ascensor parou. Um mordomo veio-os receber e cumprimentou-os respeitosamente. A senhora Jodie Richter, perguntou-lhe então:
Jodie - Antony, anteontem recebeu um telegrama meu?
Mordomo - Recebi sim, minha senhora!
Jodie - Então, está tudo conforme as indicações que lhe dei?
Mordomo - Segui todas as suas indicações, minha senhora.
Jodie - Muito bem... Sandra Cristina, venha agora ver a cidade de Nova Iorque, do alto de um centésimo quinto andar.
Devagarzinho, com mil precauções e carinhosamente, a mulher do Dr. Roger Richter levou Sandra até a uma grande janela que se abria sobre o coração da cidade. O espectáculo que daí se avistava, era simplesmente maravilhoso!
O Dr. Roger Richter, veio reunir-se a ela e a sua mulher.
Dr. Roger - O que se avista daqui é de facto esmagador! Mas vim aqui convidá-las a passarem à biblioteca. Venha, Sandra Cristina, que nós a ajudaremos.
Jodie - Eu vou à frente abrir a porta, e a Sandra vai entrar sozinha, sem estar amparada a nós. Serão os primeiros passos que dará, sem coxear, valeu?
Sandra - Vamos lá a ver se conseguirei…
A porta abriu-se e a rapariga viu-se num dos topos de uma grande sala, confortável e forrada com estantes cheias de livros. Não estava ninguém na biblioteca, apenas, na grande parede do fundo, estava uma tela...
Ao ver a tela, Sandra Cristina caminhou sozinha para a frente, com o corpo direito e sem coxear, com o olhar brilhante e fixo naquele quadro, como se estivesse sonhando.
Era ela a retratada, era ela que estava ali, numa técnica de pintura como nunca vira, e em que cada traço lhe falava de um amor que ela não soubera compreender a tempo...
Sim, ela tinha razão quando argumentou com os pais, que o quadro recebido do Luís Carlos não poderia ser o original. O seu coração não a enganara!
E foram os seus olhos brilhantes que fizeram a pergunta que os seus lábios não se atreveram a formular.
Então, conscientemente, e pela primeira vez na sua vida, o Dr. Roger Richter faltou à sua palavra, e explicou a Sandra como é que aquele precioso quadro, que o autor nunca quisera vender por preço algum, se encontrava ali em sua casa, na sua biblioteca.
Sandra Cristina teve uma inevitável crise de choro e logo quis saber onde se encontrava Luís Carlos.
Jodie: - Isso também nós queríamos saber, Sandra. Até porque o meu marido tem de fazer contas com ele, pois todas as despesas extras da operação deviam ser pagas por ele. Ora, para isso mandou-nos um cheque com uma importância muito superior àquela que despendemos, mesmo contando com esta sua viagem a Nova Iorque. E o meu marido, quer-lhe devolver-lhe o excedente.
Sandra: - Mas então têm o endereço dele de Paris?
Jodie: - Também não temos esse endereço, e só sabemos que ele partiu da capital francesa, sem deixar rasto.
Sandra Cristina ficou pensativa, mordendo os lábios. Foi o Dr. Roger Richter quem lhe indicou o que ela devia de fazer:
Dr. Roger - Para mim, não pode haver quaisquer dúvidas sobre o que vai acontecer. Mais dia, menos dia, Luís Carlos vai querer saber o resultado da operação, e então terá de comunicar comigo para poder saber o que aconteceu, ou, então, vai aparecer em São Pedro de Moel, visto que daqui a dois meses, fará dois anos que vocês ali se conheceram, não é verdade?
Sandra - É verdade. Estou a ver que o Sr. Doutor sabe tudo a nosso respeito. Mas que posso eu fazer?
Dr. Roger - Por enquanto, minha boa amiga, ainda está sob a alçada do clínico que está a vigiar a sua convalescença.
Sandra - E ainda terei que ficar por cá muito tempo?
Jodie - Daqui a dois meses e meio ou três, regressará a Portugal e a São Pedro de Moel, novinha em folha e capaz de amar sem qualquer complexo o mais generoso e bondoso coração de homem que palpita sobre a terra, ou seja, o Luís Carlos! E vai ver que ele aparecer-lhe-á, disso não tenha a menor dúvida, minha amiga!
Sandra - Se me pudesse garantir isso...
Dr. Roger - O que minha mulher lhe disse é rigorosamente verdade, pois nada sabemos de Luís Carlos. Mas quase podemos garantir-lhe o seguinte: cuide de si, pois com certeza que ele a procurará... e a encontrará!
Sandra - Se eu tivesse a certeza...
Jodie - Quase lhe posso dar a minha palavra de honra que ele a procurará!
Sandra - A sua palavra de honra?! ... Então, deve saber mais algumas coisas, além do que me disse...
Dr. Roger - Pode crer que nem eu nem minha mulher sabemos mais nada, a não ser que o amor dos homens honrados, é a maior força que os impele neste mundo!
 

 

LIVRO DE VISITAS