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A
casa
ficava
um pouco
distante
do
portão
de
entrada,
e até
havia um
caminho
sombreado
de
pequenos
pinheiros
bravos,
acácias
e
medronheiros,
com
pequenos
mirantes
de pedra
que se
abriam
sobre o
mar. As
apresentações
foram
simples
e
despidas
de
qualquer
cerimonial,
e Luís
Carlos
ficou
encantado
com os
pais de
Sandra
Cristina,
que eram
pessoas
educadas
e
simples.
Ela
esteve
sempre
presente,
mas como
que a
marcar
uma
ostensiva
distância
do
pintor.
Foi a
única
pessoa
que
destoou
do
ambiente
de
simpatia
que o
acolheu.
Luís -
Escute,
Sandra
Cristina,
eu vim
pedir
autorização
a seus
pais,
para
pintar o
seu
retrato,
pois sem
essa
autorização,
não me
atreveria
a
pintá-la.
Mas, se
não
quiser...
Sandra -
Bem sei,
se eu
não
quiser
deixar-me
retratar,
você
ficaria
muito
satisfeito,
porque
se
livraria
de
cumprir
a sua
promessa
- não é
assim?!
Luís -
Não é
verdade,
Sandra
Cristina,
se você
não
quiser,
perco a
grande
oportunidade
da minha
vida de
poder
fazer
uma obra
de
grande
arte!
No tom
de voz
em que
falara,
transparecia
sinceridade,
o que
impressionou
todos os
presentes.
A mãe da
pequena
e o
António
das
Ondas
encararam-se
num
olhar de
compreensão.
O pai
tossiu
sobre o
seu
cachimbo,
e Sandra
Cristina
pareceu
sacudida
pela
veemência
com que
o rapaz
falara...
Sandra -
Se é
assim...
Se
verdadeiramente
me quer
pintar,
mesmo
depois
de saber
que eu
não
passo de
uma
coxa,
agradeço-lhe
que me
tenha
escolhido
para o
seu
quadro,
pois sei
que já
tentou
com
algumas
das mais
bonitas
raparigas
de São
Pedro de
Moel.
Luís -
Muito
obrigado.
Você não
tem nada
que me
agradecer,
antes
pelo
contrário!
André,
pai de
Sandra
Cristina,
interveio…
André -
Vamos
então
festejar
o acordo
entre o
pintor e
o
modelo,
bebendo
um copo
do bom
vinho da
região
de
Leiria.
António
- Que
por
sinal é
um
excelente
vinho!
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