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Na
manhã
seguinte,
logo
pelas
nove
horas,
retiniu
a
campainha
do
portão.
Sandra
Cristina,
atarantada,
nem
conseguiu
esperar
que a
criadita
fosse
abrir o
portão,
e correu
logo a
abri-lo.
Ofegante,
o seu
adorável
rosto
empalideceu
de
emoção
ao
encontrar-se
em
frente
do
médico
que lhe
sorria
calmamente
segurando
nas mãos
uma
pasta e
um
magnífico
ramo de
rosas
que lhe
estendeu,
enquanto
lhe
dizia:
Dr.
Roger -
Bom dia,
Sandra
Cristina.
Minha
mulher
manda-me
pedir
desculpa
de não
poder
vir, mas
tinha
umas
voltas a
dar na
Marinha
Grande.
Então,
como
passou a
menina a
sua
noite?
Sandra -
Oh, Sr.
Doutor,
que
gentileza
a sua!
Muito
obrigada.
Mamã,
olhe o
que o
Sr.
Doutor
me
trouxe!
Emília -
Bom dia,
Sr.
Doutor.
Que
belas
flores.
Agradeço-lhe
muito a
sua
gentileza!
Dr.
Roger -
Bem,
agora
que
tanto a
filha
como os
pais, já
estão
mais
serenos,
vamos lá
fazer o
exame.
Antes de
tudo,
deixe-me
vê-la
andar.
Ora faça
favor de
ir até
àquela
porta e
voltar.
Devagarzinho
e bem
direita;
vamos,
mais uma
voltinha...
A
mocinha
obedeceu,
enquanto
o
cirurgião
se
transformava
de homem
da
Sociedade
em homem
de
Ciência.
Os olhos
fixos
como se
a
tivesse
a
fuzilar,
não
querendo
perder o
mais
insignificante
pormenor
que lhe
fosse
fornecido
pelos
movimentos
da
rapariga,
e foi
com voz
algo
rude que
lhe
disse:
Dr.
Roger -
Basta!...
Fractura
da bacia
na
região
exterior
e
fractura
da tíbia
e do
perónio,
com
encurtamento
por
solidificação
errada;
além de
esmagamento
de
alguns
ossos: o
tarso e
o
metatarso,
não foi
isso?
Sandra -
Exatamente,
Sr.
Doutor!
Dr.
Roger -
Bem,
passemos
a um
quarto,
onde eu
possa
examinar
directamente
os
locais
das
fracturas,
e mais
exactamente,
os
locais
das
solidificações.
Emília -
Então,
por
aqui,
Sr.
Doutor,
se faz
favor...
Dr.
Roger -
A sua
filha
coxeia
pela
forma
como
deixaram
solidificar
as
fracturas
que
apresenta.
Hoje,
não têm
qualquer
importância,
quando
tratadas
convenientemente.
Foi uma
pena,
direi
mesmo
que foi
um
crime!
Bem,
preciso
da
senhora
junto de
mim...
O exame
foi
demorado.
Quando
terminou,
o médico
voltou à
saleta,
sentou-se
e pediu:
Dr.
Roger -
Senhor
André
Mendes,
por
acaso
não tem
aqui em
casa uma
garrafa
de vinho
do
Porto? É
que
gostaria
muito
que
bebessemos,
ao êxito
da
operação
que vou
fazer à
sua
filha!
Emília -
Oh, Sr.
Doutor,
nem pode
calcular
o bem
que me
fazem as
suas
palavras!
André -
Senhor
Doutor,
eu, como
a mãe da
Sandra
Cristina...
Nem sei
como
hei-de
agradecer-lhe.
Atarantados
e
chorosos,
o pai e
a mãe de
Sandra
abriram
uma
garrafa
do
precioso
vinho do
Porto,
que
estava
guardado
para uma
qualquer
ocasião
especial.
Os
cristais,
os belos
cristais
da
Marinha
Grande
tocaram-se,
e o Dr.
Roger
Richter
esclareceu:
Dr.
Roger -
Ao
contrário
do que
possam
pensar,
isto não
quer
dizer
que eu
esteja
seguro
da minha
intervenção.
Compreendam,
por
favor.
André -
Mas só a
sua boa
vontade,
nem
sabemos
como
havemos
de lhe
agradecer!
Dr.
Roger -
Prevejo
que a
idade da
nossa
doentinha,
me
ajudará
decisivamente.
Se fosse
mais
velha,
já nada
havia a
tentar,
mas
assim e
com a
ajuda de
Deus,
vamos a
ver o
que
podemos
fazer.
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