|
Augusta: Mas...mas
quem são os
senhores, o que me
querem? Por favor
não me empurrem,
estou em minha casa.
Não me empurrem...!
1º Encapuzado -
Mulher, está
caladinha, senão...
olha esta faca.
Deixa-nos passar e
senta-te aí nessa
cadeira,
sossegadinha...
2º Encapuzado - Raio
da mulher não está
quieta. Rápido,
amigo, amarra
depressa esta "fera"
aí a essa cadeira...
Augusta: Ah, mas
quem são os
senhores?!...
2º Encapuzado - Está
quieta e cala-te!
Tem muita calma,
pois só queremos
falar um pouco
contigo. Está
sossegada, mulher...
Tem juizinho nessa
cabeça, senão...
1º Encapuzado - Já
te dissemos para
estares quieta e
deixares de chorar!
Nós só queremos
falar contigo...
Olha que é um
assunto que te
interessa muito...
Augusta: Eu vou
estar quietinha, mas
por favor não me
empurrem, nem me
agarrem... Por
favor...
2º Encapuzado - E
ela não se cala nem
está sossegada,
hei... Ó mulher,
ainda te mato.
Ouviste bem? Ainda
te mato!
Augusta: - Mas quem
são vocês? Por
favor, digam-me... O
que é vocês querem
de mim?!...
1º Encapuzado -
Assim está bem.
Continua calminha,
pois, só queremos
mostrar-te umas
fotografiazinhas que
temos aqui...
2º Encapuzado - E
são fotografias de
uma pessoa que tu
deves conhecer muito
bem... Vá lá, não
vires a cara para o
lado... Não te armes
em pudica! Olha!
Olha!...
1º Encapuzado -
Abre, abre, não
feches os
olhinhos... Vê,
vê... Por acaso, não
conheces esta mulher
que está toda nua...
Deitada na cama com
este homem?!... Não
me digas que a não
conheces? Vá lá, faz
um esforçozinho de
memória!...
Augusta: Mas... Mas
eu não conheço essa
mulher... juro por
tudo que não a
conheço ! Juro que a
não conheço, mas
larguem-me,
larguem-me...
2º Encapuzado - Não
nos tentes enganar,
pois esta mulher é
mesmo tu - tu,
ouviste bem? Ou será
que não te conheces
a ti própria?!...
1º Encapuzado - Não
te faças de tolinha,
pois connosco, isso
não pega -
espertinha!
2º Encapuzado - Ó
mulher, deixa-te de
tretas, pois é
melhor entrares em
acordo connosco.
Pensa bem e
rapidamente, e não
queiras fazer
nenhuma asneira...
Augusta: Mas eu já
vos disse que esta
mulher que está
nesta fotografia
toda nua, não sou
eu!... Volto a jurar
por tudo, que não
sou eu que, está aí
toda nua!
2º Encapuzado - Ah,
ah... És tu, és, não
me consegues
enganar, e por favor
não me faças perder
a paciência. Senão,
daqui a pouco
corto-te o
pescoço...
Assim...!!!
1º Encapuzado - Tem
calma, amigo, pois
deves ter uma certa
paciência com esta
mulher... E tu aí,
mulher, para não
ficares com o teu
pescocinho cortado,
é melhor resolveres
entrares em acordo
connosco. Senão,
como deves calcular,
o teu maridinho, o
Sr. Coronel, vai
saber tudo, tim-tim
por tim-tim!!!...
2º Encapuzado - Como
já deves calcular, a
nós, não nos custa
nada... Mas mesmo
nada, fazer isso!
Amigo, talvez seja
melhor mostrar-lhe
novamente as
fotografias...
Augusta: Eu não sei
como é que vos
hei-de fazer crer
que esta mulher que
está aqui, nesta
fotografia, não sou
eu!!! Juro que não
sou eu! Só se for...
Só se for... A minha
irmã - gémea, que se
chama Liza. Já há
muitos anos que a
não vejo. Só se for
ela.
2º Encapuzado - Já
te disse que não
venhas com essa
mentira! És tu, tu,
e só tu - e está
tudo dito !!!
Percebeste?
Augusta: Ai que vida
a minha! Já vi que
não adianta discutir
com vocês... Mas,
finalmente, o que é
que vocês querem de
mim? Mais uma vez
vos digo que não sou
eu...
1º Encapuzado - Já
te disse para
estares quieta e
cala-te... Como já
vimos que és boa
mulher, vamos fazer
umas continhas, e
assim, por estas
fotografias... sim,
por estas
fotografias só te
vamos levar...
2º Encapuzado -
Digamos... Dez mil e
quinhentos euros!
1º Encapuzado - Como
vês, é uma
verdadeira
pechincha: só dez
mil e quinhentos
euros. Até devia ser
mais qualquer
coisinha…
Augusta: Mas o que é
que vocês estão p'ra
aí a dizer? Dez mil
e quinhentos euros,
é pouco dinheiro?
Olhem que eu nunca
tive tanto dinheiro
junto e em meu
poder! Vocês são uns
escroques, uns
chantagistas...
2º Encapuzado - Toma
mas é cuidadinho com
essa língua, pois
senão já sabes que
te corto o teu lindo
pescoço.
Augusta: Ai credo,
homem!... Que
aflição... Tire-me
essa faca daqui do
meu pescoço!... Ai o
meu coração...
1º Encapuzado - Não
te enerves, mulher,
olha o teu
coração... Nós não
desejamos que você
morra, antes de nos
dar o dinheiro...
Augusta: Ai, o meu
pobre coração até
parece que vai
rebentar!... Ai...
1º Encapuzado -
Deixa lá o coração e
vamos lá ao que mais
interessa: tens ou
não os dez mil e
quinhentos euros? Se
não tens, vai ao
cofre do teu marido,
o Sr. Coronel, pois
ele deve ter lá
muito dinheiro...
Augusta: Mas não é
possível, pois eu
nunca roubei nada a
ninguém, e muito
menos ao meu marido.
Vocês estão
doidos...
2º Encapuzado - Não
me venhas cá com
esses argumentos,
pois para nós não
pega. Vai depressa
ao cofre e traz
rapidamente o
dinheiro. Vá lá,
rápido!...
1º Encapuzado - E
para tua orientação,
enquanto não nos
entregares o
dinheiro, ficaremos
cá em casa a fazer
distúrbios. E tu nem
calculas os
distúrbios que somos
capazes de fazer...
Augusta: O que vocês
estão p'ra aí a
dizer? Que ficam cá
em casa? Mas
onde?...
1º Encapuzado - Onde
não interessa. Mas
podes ter a certeza
que ficaremos cá até
recebermos a
massinha toda. Não
faças essa cara de
espantada e nem
tentes brincar
connosco...
2º Encapuzado - E
toma bem atenção: se
por acaso tentares
denunciar-nos, já
sabes o que te vai
acontecer: pescoço
fora!
Neste momento toca
novamente a
campainha da porta
... |