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Coronel: Mas, mas o
que é que aconteceu
ao Capitão? Capitão,
responda...
O Capitão entra no
salão, a cambalear,
agarrado à cabeça e
todo sujo...
Capitão: Ai, ai a
minha rica
cabecinha... Ai...
Vejam só o que
aconteceu à minha
cabecinha!
Augusta: Coitadinho
do Sr. Capitão!
Olhem que grande
"galo" tem na
cabeça!... Diga-nos
lá o que é que lhe
aconteceu... Vá lá,
diga-nos...
Capitão: Ai, ai a
minha riquinha
cabecinha!... Ai,
que me dói tanto,
tanto. E também
estou todo sujo...
Veja: todo sujo...
Ai, que me dói tanto
a minha cabecinha!
Coronel: Não me
diga, meu caro
Capitão, que foi um
Fantasma que lhe deu
uma "toutiçada"
(pancada) na cabeça
e lhe fez esse
"galo", além de o
sujar com farinha e
ovo!... ah, ah, ah,
que divertido eu
estou!
A criada entra no
salão com ar de
pessoa comprometida
...
Carmo: Meus
senhores, peço-vos
perdão a todos, em
especial ao Sr.
Capitão. Pois, a
culpada do que
aconteceu, sou
eu!... É que o Sr.
Capitão apareceu na
cozinha e, como ia
para destapar o
tacho onde está a
cozer uma galinha...
Espero que
compreendam... como
a luz está muito
fraca, pensei que
fosse um Fantasma -
e zá catrapus,
dei-lhe com a colher
de pau na cabeça e
depois atirei-lhe
com um ovo e
farinha. Desculpem,
mas como
devem calcular,
estou muito
desorientada com
estas coisas que
estão acontecendo...
Coronel: Estão a ver
o que é que o nosso
Capitão arranjou com
esta brincadeira de
Fantasmas? "Os
Fantasmas Bateram na
Cabeça do Capitão"
ah, ah, ah, até dava
um bom título para
um romance
policial... ah, ah,
ah !
Augusta: O Sr.
Capitão não faça
caso do que o meu
marido diz, pois já
sabe como é que ele
é. Vamos já
arranjar-lhe um
banhinho e bem
quentinho!
Capitão: Muito
obrigado, Dona
Augusta. Bem preciso
de um banho. Este
estúpido acidente...
Olhem, que ainda me
dói a cabeça, e
tenho o fato todo
sujo...
Augusta: Carmo,
prepara já um banho
para o Sr. Capitão.
E com a água bem
quentinha – ouviste?
Carmo: É para já,
minha senhora. Um
banho bem quentinho,
e em especial para o
Sr. Capitão!
A campainha da porta
volta a tocar…
Augusta: Desta vez
sou eu que vou abrir
a porta, enquanto a
Carmo prepara o
banho para o Sr.
Capitão... Olhem
quem é que chegou, o
Sr. Alferes Marques!
Boa-noite, entre,
entre...
Marques: Com sua
licença, Dona
Augusta. Boa-noite a
todos. Mas, olha que
engraçado, o senhor
Capitão Ribeiro com
o rosto e o fato
cheio de farinha e
ovo! Não me diga que
virou pasteleiro?
Coronel: Meu caro
Alferes, o nosso
comum e querido
amigo Capitão, quis
ir caçar Fantasmas,
e, imagine que lhe
atiraram com farinha
e um ovo! Eheheheh!
E não apanhou nenhum
dito cujo Fantasma!
Que divertido que eu
estou, ah, ah, ah!
Capitão: Deixe-se de
brincadeiras, pois,
quem me atirou com
isto, não foi nenhum
Fantasma, mas sim a
Carmo, a criada!
Este nosso amigo
Coronel muito gosta
de gozar comigo.
Augusta: Vocês por
favor não me falem
mais em Fantasmas...
Ai que eu até me
arrepio toda,
todinhaaaa...
Alferes: Ó Dona
Augusta, não me diga
que a senhora ainda
acredita em
Fantasmas?! Já a
minha avó contava o
que lhe contou a avó
dela...
Augusta: Por favor,
Sr. Alferes, em
Fantasmas, não
acredito... Mas lá
que eles existem...
Existem!
Entretanto, a Dona
Augusta dirige-se ao
seu quarto, e…
Augusta: Olha...! Ó
seus bandidos, o que
é que vocês fazem
aqui no meu quarto?
Bandidos!
1º Encapuzado - Cala
já o bico, mulher...
Olha
que será muito
melhor para ti...
Caladinha, disse
eu... E juizinho
nessa cabeça, e não
te esqueças...
Juizinho e muita
calma, senão,
pescoço cortado...
2º Encapuzado - Se
tu não te calas,
ainda te corto o
pescoço – assimmmm!
Augusta: Credo,
homem, por favor
chegue para lá essa
faca... Que
nervos!...
1º Encapuzado - Pois
é como o meu amigo
diz. Muito juizinho,
senão... Pescoço
fora! Vamos lá ao
que mais interessa:
quando é que nos dás
a massinha, ou seja,
o dinheiro que
combinámos ?
Augusta: Não sei,
não sei. Mas por
favor não me façam
mal, pois eu não
tenho culpa do meu
marido, o Sr.
Coronel Ramalho,
ter-se esquecido das
chaves no
escritório. Assim,
não poderei tirar o
dinheiro do cofre,
como vocês querem.
Mas essas
fotografias não são
minhas...
2º Encapuzado -
Cala-te mulher, pois
senão já sabes o que
te pode acontecer:
pescocinho cortado!
E tu até tens um
pescocinho bem
feitinho...
Augusta: Não sei
como fazer ou que
fazer! Como já vos
disse... Olhem,
escutem, tive uma
ideia: podiam vir cá
amanhã, ou mesmo
noutro dia, mais ou
menos a esta hora,
buscarem o dinheiro
que me querem
extorquir?
Compreendem e estão
de acordo?
1º Encapuzado -
Compreendemos até
muito bem! És muito
espertinha, mas nós
não nos vamos embora
sem a massinha
(dinheiro)! Que
espertinha me
saíste!
2º Encapuzado - Com
esta brincadeira
toda (que não é
nenhuma brincadeira,
antes pelo
contrário), até
rasguei as minhas
calças. Foi na
cozinha ao fugir da
maldita da criada...
Augusta: Então...
Então foram vocês
que comeram os
pastéis de bacalhau
e o bolo de
laranja?!
1º Encapuzado - Pois
claro que fomos!
Olha lá, não
podíamos matar a
fome? E estavam
deliciosos! Bem
podia ter sido
mais...
2º Encapuzado - Pois
ainda ficámos com
fome...
Augusta: Pois,
pois... Agora é que
estou a compreender:
Vocês é que são os
Fantasmas que a
criada Carminho
julga que são!
Fora do quarto,
ouve-se a voz do
marido:
Coronel: Augusta, ó
mulher, nunca mais
sais daí do quarto?
Olha que o Sr.
Sargento Neto,
acabou mesmo agora
de chegar. Vem
servir-nos o Whisky,
pois vamos começar o
nosso habitual
joguinho de cartas.
Augusta: Marido, eu
vou já. Só estou a
acabar de me
arranjar...
1º Encapuzado - Vai
lá, mas toma muita
atenção, pois nós,
os Fantasmas, (como
tu dizes), só vamos
embora depois de
recebermos o
dinheirinho todo.
Repito: o dinheiro
todoooo!
2º Encapuzado - Não
te esqueças que são
só dez mil e
quinhentos reais!
Dona Augusta,
abanando a cabeça e
encolhendo os
ombros, sai do
quarto e entra no
salão… |