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Ouve-se um barulho
de queda de um corpo
e o Capitão reentra
no salão…
Capitão: Pouca
sorte... Pouca sorte
a minha... Não
encontrei as calças
e...
Sargento: Não me
diga que o Capitão
não encontrou nenhum
Fantasma!
Capitão:
Infelizmente
acertou. Não
encontrei nenhum
Fantasma, nem sequer
o espectro dele.
Coronel: Se não
encontrou nenhum
Fantasma, então o
que é que fez ao
martelo de orelhas?
Sim, porque eu não o
estou a ver...
Capitão: Pois claro
que não o está
ver... Nem o poderá
ver... Pois os
Fantasmas
roubaram-mo!
Alferes: A situação
cada vez está a
tornar-se mais
complicada e mais
perigosa. Os
Fantasmas já não se
limitam a atacar a
cozinha, como também
já roubam martelos
de orelhas, isto,
acreditando naquilo
que o Capitão nos
conta e que eu,
pessoalmente,
acredito.
Capitão: Mas eu
quero as minhas
calças, as minhas
riquinhas calças
novas! Não quero, e
não posso, nem devo,
passar a noite em
cuecas. Ai, a minha
reputação!
Coronel: Estou
plenamente de acordo
com aquilo que o
Capitão diz, o que
nem sempre acontece.
Por isso, digamos
que estou de acordo
com ele, pelo menos,
momentaneamente.
Sargento: Caro
Capitão, conte-nos
cá como é que os
Fantasmas lhe
tiraram o martelo de
orelhas... Eles
devem ser muito
atrevidos, não são?
Para lhe fazerem uma
patifaria dessas.
Capitão: É simples.
Subi as escadas que
vão dar ao sótão e,
quando já me
encontrava lá em
cima, empurraram-me
e tiraram-me o
martelo. Eu ainda
resisti, e olhem,
tenho esta mão toda
esfolada...
Alferes: E com isto
tudo, não conseguiu
encontrar as suas
riquinhas calças
novas, como você
diz!
Capitão: Pois é como
diz, não as
encontrei, não...
Mas eu quero as
minhas calças, as
minhas riquinhas
calças!... As minhas
calcinhas!
Coronel: Meus caros
amigos e convivas,
escutem com muita
atenção: esta
estranha situação
exige da nossa
parte, uma acção
activa e decidida,
pois nesta casa, que
por sinal é minha,
estão a acontecer
coisas muito
estranhas. Assim,
proponho que todos
nós, homens valentes
e destemidos,
vamo-nos armar com
unhas e dentes, para
que possamos
combater o nosso
perigosíssimo e
comum inimigo: os
Fantasmas!
Augusta: Que horror,
homem! Tu és um
grande exagerado.
Por favor, nem
tentes matar nenhum
Fantasma. Olha que
eles são muito
perigosos...
Coronel: Mulher!
Lamento muito, mas o
teu pedido não
poderá ser aceite,
pois, a partir deste
momento, decreto
aqui em casa, a Lei
Marcial!
Capitão: Meu caro
Coronel, decrete o
que entender, mas
por favor, não se
esqueça que eu quero
as minhas calças...
As minhas riquinhas
calças. Isto que
fizeram comigo é uma
grande indignidade!
Coronel: Meu caro
Capitão, o
desaparecimento das
suas calças,
pertencem já a um
conjunto de
circunstâncias. Não
vamos, nem podemos,
individualizar a
questão!
Alferes: Muito bem,
muito bem...
Apoiado, apoiado...
Uma grande salva de
palmas ao nosso caro
Coronel!
Sargento: Assim é
que eu gosto de
ouvir. Vamos já
planear uma forte
acção militar,
contra todos os
Fantasmas,
Fantasmazinhos e
seus similares!
Coronel: E assim,
chegou a hora da
ação, neste glorioso
dia em que vamos
libertar o Mundo de
Fantasmas. Este
bacamarte, do
glorioso tempo das
Invasões Francesas,
carrega-se pela
boca. E oxalá que o
tiro não saia pela
culatra... É para
si, Alferes. Utilize
bem esta nobre arma,
nesta guerra sem
quartel, contra
todos os Fantasmas
de todo o Mundo, e
sobretudo, os cá de
casa!
Alferes:
Comovidamente,
aceito esta nobre
arma e quero
agradecer a honra
que me deu. Contra
os Fantasmas, lutar,
lutar até à morte!
Coronel: Esta
pistola, das
Campanhas Africanas
do tempo de D.
Carlos Iº, é aqui
para o caro amigo e
senhor Sargento.
Para disparar, basta
premir o gatilho.
Não se esqueça de
matar todos os
Fantasmas possíveis
e até os
impossíveis!
Sargento: Caro
Coronel, uma pistola
nesta guerra
implacável contra um
inimigo tão perigoso
e tão poderoso, como
são os Fantasmas,
será uma arma, quase
insignificante.
Praticamente
obsoleta!
Coronel: Meu caro
Sargento, faço-lhe
notar que em tempo
de guerra, não se
olha a armas. Um bom
soldado, quando é
mesmo bom, nem
precisa de armas,
pois só a sua figura
consegue atemorizar
o inimigo! Esta
nobre espada, ou
melhor, esta
gloriosa espada,
será usada pelo
comandante do
pelotão, que neste
caso serei eu. Se
por acaso eu morrer
nesta gloriosa
missão, quero que
esta espada me
acompanhe na
mortalha, bem junto
ao meu frio e
mutilado corpo!
Alferes: O que quer
dizer que o Coronel,
mesmo depois de
morto, pensa
continuar a combater
os Fantasmas! É, e
não me envergonho de
o dizer, um
verdadeiro herói do
nosso tempo!
Coronel: Assim será,
meu caro Alferes. Um
soldado, mesmo
depois de morto,
deverá ainda valer
por quatro... Vivos!
Capitão: E mais uma
vez, os meus amigos
estão a esquecer-se
de mim. Eu quero as
minhas calças - as
minhas riquinhas
calças... Isto é uma
indignidade!
Coronel: Vamos já
tratar de si, ou
melhor, vamos
dar-lhe uma arma.
Caro Capitão, tome
lá esta catana
(grande facalhão) da
Guerra Colonial. Mas
tome bem atenção ao
que vai fazer com
ela: procure matar
só Fantasmas.
Alferes: Sr.
Coronel, o pelotão
já está formado.
Queira fazer o favor
de passar revista às
tropas.
Coronel: Agradeço,
mas recuso tal
honra, pois, em
tempo de guerra, não
se deve passar
revista às tropas!
Soldados, não se
esqueçam que nós
fazemos parte dos
melhores soldados do
Mundo. Por isso, a
nossa missão terá de
ser um enorme êxito.
Soldados! Vamos a
eles, aos Fantasmas,
como "tarzões",
perdão, como
comilões. Pelotão,
em frente, marche...
esquerdo...direito...opp...esquerdo...direito...opp...opp...
E o pelotão sai do
salão a marchar.
Passados poucos
minutos… |