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Carmo: Dona Augusta,
Dona Augusta, o Sr.
Coronel e o seu
pelotão, estão a
regressar ao salão!
Augusta: Vamos a ver
quantos Fantasmas
conseguiram eles
caçar...
Coronel: E assim,
depois de uma grande
sortida contra o
inimigo, o nosso
glorioso pelotão
regressa à sua
unidade. Alferes, o
pelotão teve baixas?
Alferes: Saiba o meu
Coronel que o
pelotão não teve
nenhuma baixa mortal
nem sequer feridos.
Coronel: Soldados,
direita volver -
destroçar... Mas
agora reparo:
estamos às escuras,
porque será? Ó
Augusta, quem é que
teve a infeliz ideia
de tirar as lâmpadas
dos candeeiros do
salão?
Augusta: Não sei,
homem, pois estou
aqui no quarto, mas
vou já sair.
Coronel: Sai
depressa, e vem cá
dizer-me quem é que
se atreveu a tirar
as lâmpadas dos
candeeiros. Quando o
pelotão saiu em
missão, tive o
cuidado de deixar as
lâmpadas acesas para
o nosso regresso, e
agora está tudo às
escuras!
Augusta: Olá,
querido maridinho.
Então os candeeiros
não têm lâmpadas?
Não sei, nem calculo
quem as possa ter
tirado... Não
compreendo.
Coronel: Este
candeeiro aqui ainda
tem lâmpada. Também
é o único...
Alferes: O que quer
dizer que o inimigo
atacou pela
retaguarda.
Cobardes!
Capitão: Mas eu
quero as minhas
calças... As minhas
riquinhas calças
novas!... Isto é uma
indignidade... eu
sou um Capitão!
Sargento: Tenho a
sensação que falta
aqui qualquer
coisa... Já sei o
que falta: onde é
que está o baralho
de cartas, assim
como as nossas
carteiras e
porta-moedas? As
nossas canetas,
etc., que ficaram em
cima desta mesa?
Coronel: Tem toda a
razão, meu caro
Sargento: quem
roubou todas estas
coisas? Mistério...
Alferes: Isto é uma
prova evidente que,
enquanto andávamos
em missão, o
inimigo,
traiçoeiramente,
atacou e roubou os
nossos pertences!
Capitão: Eu só
gostava de saber
quem é que se
atreveu a roubar as
minhas calças... As
minhas queridinhas
calças novas...
Coronel: O Alferes
ainda tem dúvidas de
quem foi? Ainda não
compreendeu que
foram os Fantasmas?
Os malditos
Fantasmas!
Capitão: Isto é
inacreditável!...
Além das minhas
queridas calcinhas,
também me roubaram a
minha caneta de
ouro! Aonde é que
isto vai parar? E eu
que tinha tantas e
tão boas recordações
daquela caneta de
ouro…
Alferes: Lamento
muito, pois a caneta
devia ser muito
valiosa e, pelo que
me diz, também de
muita estimação.
Permite-me uma
pergunta indiscreta,
meu caro Capitão,
por acaso, a caneta
foi alguma oferta
especial que lhe
fizeram?
Capitão: Sim, uma
recordação da minha
querida sogra.
A criada entra
novamente de
rompante no salão…
Carmo: Senhor
Coronel!... Dona
Augusta!... Ai que
desgraça a minha...
Acudam-me,
acudam-me! Ai que
vou desmaiar…
Augusta: Mas o que é
que te aconteceu
desta vez, Carmo?
Carmo: Fui roubada,
minha senhora... Fui
roubada... Que
desgraça a minha!
Coronel: Mas...
Foste roubada, como?
Carmo: Depois dos
senhores terem
descido do sótão,
aproveitei e fui lá
acima ao meu quarto.
Qual o meu espanto
quando vi que a
minha mala tinha
sido arrombada, e
todos os valores que
eu tinha dentro,
roubados. Ai, ai que
desgraça a minha,
malditos Fantasmas!
Augusta: Carmo,
diz-nos o que te
roubaram.
Carmo: Ai, minha
senhora, tiraram-me
mais de setecentos
euros que eu tinha
no fundo da mala,
assim como um fio e
uma pulseira em
ouro.
Augusta: Pois é,
pois é... Então,
mais de setecentos
euros, mais o
ouro... tudo somado,
nem chega a metade
para os dez mil e
quinhentos euros…
Coronel: Olha lá,
mulher, que conversa
vem a ser essa de
faltar "mais que
metade"...
Augusta: Metade?! Eu
disse metade? Ah! Já
sei, mas não faças
caso. Como deves
calcular, ando muito
nervosa com este
caso dos Fantasmas
cá em casa. É da
minha cabeça!
Coronel: Mas tu
falaste em “menos de
metade”, e eu quero
saber o que é "menos
de metade" de quê.
Confesso que já
estou a achar isto
muito estranho.
Augusta: Talvez eu
quisesse referir-me
a menos de metade...
a cinquenta por
cento... Do, do
dinheiro e do ouro
que roubaram à
Carmo. Sei lá,
quando uma pessoa
está muito nervosa,
não sabe muito bem o
que faz e o que
diz... Por favor,
maridinho, tenta
compreender.
Capitão: Mas eu
quero as minhas
calças... As minhas
riquíssimas calças e
a minha caneta...
Isto é uma
indignidade e uma
desonra para quem se
preze de ser
Capitão.
Carmo: E eu quero de
volta os meus ricos
mais de setecentos
euros, mais o fio e
a pulseira em ouro!
Coronel: Camaradas
de armas, temos de
organizar outra
expedição contra os
Fantasmas. Pelotão,
vamos formar na
sala!
Alferes: Caros
companheiros de
armas, com certeza
que ouviram o nosso
comandante. Todos
aos vossos lugares,
todos em sentido,
barrigas para
dentro, peitos para
fora, as orelhas e
os olhos bem
atentos, pois vamos
partir novamente
para outra
importante missão de
emergência, de
capital importância
para a nossa grande
cruzada contra os
Fantasmas!
Coronel: Como todos
já verificámos, a
situação terá de ser
considerada de
catastrófica e
local. O inimigo não
está a aceitar uma
luta leal, uma luta
frontal... Por isso,
é um cobarde!
Sargento: O meu
aplauso. Muito bem,
muito bem! Queira
continuar, meu
Coronel.
Coronel: O nosso
inimigo prefere a
guerrilha, o que nos
obriga a uma guerra
total, sem quartel,
sem local
determinado e sem
hora certa de
atacar. O que deve
merecer o nosso mais
veemente repúdio.
Todos aplaudem e
assobiam ao mesmo
tempo ... |