Coronel: Eu, como
vosso Comandante,
estou disposto a
aceitar todas as
vossas sugestões.
Quem quer começar?
Mas, claro, só boas
sugestões...
Carmo: Eu, por mim,
vou para a cozinha
fazer um delicioso
bolo...
Alferes: E neste
momento tão grave
para a Humanidade,
com ataques
sucessivos, cruéis e
cobardes dos
Fantasmas, meus
caros companheiros
de armas, a Carmo, a
criada, só pensa em
ir para a cozinha
fazer ou cozinhar,
um delicioso bolo.
Só por esta atitude,
podemos imaginar o
que são as mulheres!
Coronel: A sorte
delas (mulheres) é a
nossa Lei Marcial as
poupar, senão...
Alferes: Depois
deste gravíssimo
incidente, vamos
então ao que nos
interessa mais. A
minha sugestão é
esta: dinamitar toda
esta casa, para
assim podermos
acabar com estes
Fantasmas!
Coronel: Alto lá,
alto lá! O meu caro
companheiro de armas
quer dinamitar a
minha casa?! Você
não deve estar é bom
da cabecinha!
Sargento: Eu também
estou de acordo com
o nosso caro
Coronel. Devem
existir outros
processos, por
ventura mais
eficientes e menos
violentos, como por
exemplo:
insecticidas em
spray...
Coronel:
Insecticidas?! Só se
os Fantasmas fossem
insectos, o que não
acredito,
sinceramente. Mas,
em todo o caso, será
um caso a
considerar. Mas tudo
será preferível ao
dinamitar a minha
casa. E você, meu
caro Capitão,
diga-nos também a
sua opinião.
Capitão: Como sabem,
eu sou uma pessoa
muito ponderada, e
como não tenho aqui
o meu staff... Mas
sou uma pessoa muito
ponderada.
Sargento: Sim, muito
ponderado e muito
apreciador de
whisky!
Capitão: Meu caro
Sargento,
aconselho-o que
tenha boa educação e
que se deixe de
insinuações,
impróprias de uma
pessoa da sua
categoria. Mas,
voltando aos
Fantasmas, em minha
opinião, nem oito
nem oitenta... O que
quer dizer que não
estou de acordo em
dinamitar esta casa
e, muito menos em
utilizar insecticida,
pois considero-o uma
arma perigosíssima,
pela sua química, e
proibida pela
Convenção de
Genebra, pois,
eventualmente,
poderia causar
efeitos devastadores
nos próprios
Fantasmas. Para mim,
a situação mais
viável ainda seria a
de demolir este
andar! Mas acima de
tudo, o que mais me
interessa são as
minhas calças... As
minhas riquíssimas
calças. O que eu
estou a passar, é
uma situação
indigna.
Coronel: Com todo o
respeito, você deve
de estar é maluco! O
quê? Demolir o meu
andar? Nem pensar!
Alferes: Pois é, se
o Sr. Capitão não
aceita as nossas
sugestões, diga-nos
então como é que
podemos resolver
este problema dos
Fantasmas. Criticar
é sempre mais fácil
do que fazer.
Capitão: E, com isto
tudo, estou a ver
que ninguém pensa no
meu problema, e eu
não posso ficar toda
a noite p'ra aqui em
cuecas. Eu quero as
minhas calças
novas... As minhas
riquíssimas calças,
mais a minha caneta.
Isto que me está a
acontecer, é uma
desonra para
qualquer Capitão que
se preze.
Carmo: E não se
esqueçam que eu
também quero o meu
rico dinheiro e o
ouro. A propósito,
quando os senhores
foram lá acima ao
sótão, por acaso,
não notaram nada de
estranho no meu
quarto? Como se
devem recordar,
vocês foram os
últimos a entrar no
meu quarto…
Coronel: Mulher!
Cala-te, não estejas
p'ra aí a insinuar
nada - ouviste?
Pelotão, vamos
reunir mais uma vez.
Formar...
Alferes:
Companheiros de
armas, mais uma vez,
sentido...
Barriguinhas p’ra
dentro, assim estão
bem... Agora,
prestem muita
atenção ao que o
nosso comandante nos
vai dizer.
Comandante, assim
que o entender, pode
começar.
Coronel: A acusação
que a criada, a
Carmo, nos fez, é
muito grave, pois o
nosso glorioso
pelotão, passou
durante a sua última
missão, por um local
onde foi praticado
um furto. A nossa
honra exige um
reparo!
Alferes: Agora,
confesso que não
compreendi nada do
que foi aqui dito.
Caro comandante, que
conversa vem a ser
essa?
Sargento: Eu também
não estou a gostar
nada disto, pois,
segundo me lembro,
nunca roubei nada a
ninguém, ou, pelo
menos, ainda ninguém
se queixou.
Capitão: Eu, pelo
menos
descaradamente,
também nunca roubei
nada a ninguém. Ai a
minha vida... Eu só
quero as minhas
calças e a caneta de
ouro. Que
indignidade eu estar
p'ra aqui nesta
lamentável figura. E
eu, um Capitão!
Coronel: Silêncio!
Vamos fazer uma
revista ao nosso
equipamento, para
ver se encontramos
do que a Carmo nos
pretende acusar.
Armas no chão...
Camisas de fora...
Bolsos para fora...
Calças para baixo...
Capitão: Mas, caro
Coronel, como é que
eu posso tirar as
calças? Está bem, só
se for as cuecas...
Coronel: Se não tem
calças, como é
óbvio, não as pode
deitar a baixo. Alto
lá, alto lá, já lhe
disse que não era
preciso tirar as
cuecas, para mais,
hoje já vimos muita
miséria!
Carmo: Senhor
Coronel, que fique
muito bem claro que
eu não desconfio de
ninguém em
particular, nem
sequer do seu
pelotão.
Coronel: Sendo
assim, dou o
inquérito por
concluído. A honra
do nosso glorioso
pelotão, mais uma
vez, ficou
imaculada! Pelotão,
calças p'ra cima...
bolsos para
dentro... vestir
camisas... apertar
cintos... agarrar
nas armas...
descansar...
Destroçar!
Alferes: Então,
agora vamos
trabalhar num plano
de ataque aos
famigerados
Fantasmas?
Coronel: Pois vamos.
Como já verificámos,
precisamos de
reforços, pois,
embora a nossa acção
até a este momento
possa ser
considerada de muito
positiva, e até
heróica, temos de
admitir que não
temos efectivos para
controlar todas as
zonas infestadas
pelo nosso perigoso
e traiçoeiro
inimigo: os
Fantasmas!
Sargento: Estou
plenamente de
acordo. Por mim, até
pedia auxílio aos
pára-quedistas...
Coronel:
Pára-quedistas? Para
quê?
Sargento: Então os
Fantasmas não andam
por cima de nós, no
sótão?
Alferes: Eu antes
pedia auxílio à
aviação, mas
pensando melhor,
talvez optasse em
pedir auxílio a uma
escola de Karaté.
Como eles treinam
"sombra", bem podiam
acertar nos
Fantasmas. Assim:
zás... catrapás...
zás...
Sargento: Olhe lá,
cuidadinho com esses
calcanhares no ar,
meu caro Alferes!
Alferes: Sim, talvez
o Karaté desse
resultado...
A criada entra no
salão toda eufórica
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