SEBO LITERÁRIO

 

 

UMA SEMANA NO RIO DE JANEIRO

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Uma Semana no Rio de Janeiro -  de Carlos Leite Ribeiro

 

“UMA  SEMANA  NO  RIO  DE  JANEIRO 

 

(3º dia)

 

  

Ainda não eram 07 horas da manhã quando a Gladis acordou toda a gente – a bem ou a mal – a mal era passar uma esponja molhada pelo que custavam a acordar...
Imaginem só o caos que tal situação causou. Como não podia deixar de ser, o Carlos foi dos mais atingidos, alegando ela que ele tinha mais amigas que amigos? Embora ele argumentasse que era “macho-latino”. Quase na mesma altura tocou à campainha da porta o senhorio que queria receber a renda, mas, aquela hora, era impróprio dar dinheiro de renda a qualquer senhorio... Depois de tudo estar um pouco (?) mais sossegado, começaram a aparecer as cenas mais caricatas, próprias de um grupo de amigo do género “estudantes em férias...
Gladis: - Alguém, por acaso, sabe onde se encontra o meu creme de dia?
Logo a Teta deu uma grande gargalhada ao responder:
- Creme de dia? Com o Carlos a tomar banho, creme com Carlos!  
E, por acaso, não estava enganada! Quem não gostou nada foi a Gladis. –
- Alguém viu uns comprimidos pequenos? – Perguntou a Anna D´Castro.
O Carlos olhou para ela e para o Sérgio Robert e, em género de gozo disse:
 - Quem sabe se foi o Sérgio que os tomou! Ho, Sérgio, olha que eram comprimidos anticoncetivos. Olha que assim não engravidas!
Logo a Anna informou:
- Não, meu querido Carlos. Os comprimidos não eram “pílulas” mas sim comprimidos para emagrecer. 
O Sérgio deu uma enorme gargalhada ao dizer que tinha visto a gata da Sarita com uma embalagem de comprimidos nos dentes. O Carlos aproveitou logo para “atacar” a Sarita ao dizer-lhe:
- Sarita, vê se ensinas (e bem) a ranhosa da gata!
A Sarita parou, respirou fundo, agarrou num sapato, em atitude agressiva:
- Carlos, a minha gatinha tem nome, é a Sari! Não será bem uma minha reencarnação, mas é uma gata que foi imortalizada por Zeus por ter ajudado os gregos contra os persas na batalha de Penepoleso (creio que é esse o nome, já vão longe meus anos de ginásio!). Sari (a minha gatinha) de tempos em tempos desce à Terra para tomar pé, não ficar tão alienada: Ela tem uma secreta esperança de se tornar humana. Nesta era ela me adotou. Tem poderes, pode tornar-se invisível, ler o pensamento das pessoas, viajar desmaterializada, isto é: se ela se desmaterializa e viaja no corpo astral, quando chega ao destino volta a tomar corpo. Ela me protege. Nós nos comunicamos por telepatia. Todos pensam que é uma gata comum. Até os gatos. Ela é muito sexi (se é que animais podem ser sexi). Todos têm carinho por ela, quando ela não gosta de alguém, trata logo de me avisar (por exemplo: ao Carlos, ela adora-o!). Eu sigo seus conselhos porque sei que ela já vasculhou a mente do tal desafeto e encontrou coisa podre! Pode passar dias sem comer, se for necessário. Porém é muito gulosa e não resiste a uma sardinha ou arenque, mormente se for defumado. É dendosa e adora um colo. Procura não chamar a atenção. Mia, arranha portas (lá está ela a arranhar a porta), deita-se em almofadas, se comporta como um felino qualquer. Se ela simpatizar com os amigos, vai adotá-los. Todos que entretanto se tinham juntado em volta da Sarita, recuaram e em uníssono quase que gritara. “Recusamos ser adotados! A Sarita não se mostrou muito impressionada com a reação dos companheiros:
- Mas atenção amigos! Se precisarmos de dinheiro ela é capaz de manipular os números da Lotaria (pela invisibilidade  que possui) e nos tirar de aperturas, OK?
Todos se aproximaram novamente da Sarita gritando:
- Nós queremos se adotados pela gatinha Sari!
Isto de trabalhar em d grupo tem muito que se lhe diga...
Quem estava encarregue a fazer o pequeno-almoço (café matinal) era a Abigail, mas, como ela estava doentinha, o Carlos se encarregou de fazer as torradas. Pouco tempo depois de ter começado a sua tarefa, começou a notar-se um cheiro a pão queimado... Todos resolveram ir tomar o café num barzinho ali perto da casa, onde se discutiu o que s iam visitar nesse dia: Cristo Redentor, Pão de Açúcar e Niterói (a Fernanda Garcia fazia questão que fossemos lá ). Cada qual apresentou a sua sugestão, mas a melhor foi a do Sérgio Robert. Sempre simpática, a Maria Nascimento virou-se para o Carlos:
- Você percebe muito de terras portuguesas, mas aqui, no Rio de Janeiro, o Sérgio é o maioral!. Vamos ouvir a argumentação do Sérgio, o homem do Rio que mora em altas montanhas (Friburgo – Bom Jardim): Vamos sair de Copacabana indo para os Arcos da Lapa (vocês já estiveram no Centro do Rio de Janeiro (A Lapa e o Passeio Público fazem parte) e também passaram por Botafogo. Para chegar em Niterói (chamada pelos íntimos de Niquite City – por seu nome já foi grafado Nicteroy), forçosamente teremos que chegar ao Centro. Pega-se a uma das barcas na Praça XV de Novembro (onde podemos ter a oportunidade de conhecer o Paço Imperial – primeiro palácio habitado por D. João Vl, na sua permanência no Brasil, hoje em dia transformado em centro cultural, e que fica bem em frente às barcas) no cais Pharoux. À volta da Praça XV, podemos ver vários pontos importantes, como o Centro Cultural Banco do Brasil, antiga sede central do Banco do Brasil, transformada num espaço multicultural, onde se pode assistir a filmes, teatro, exposição; frequentar a biblioteca e até comer no restaurante, ou simplesmente tomar um café na cafeteria no átrio do CCBB; há ainda o Centro Cultural dos Correios, a casa França-Brasil; o Museu da Imagem e do Som; o Museu Histórico; a Igreja da Candelária (Imperdível!) – mas vamos guardar a visita para outro dia);  O Arco do Teles, que é um beco, cuja entrada se dá por um arco que é encimado por um prédio, e que conduz a uma série de ruelas ainda bastante preservadas em seu casario antigo. Tudo isto fica em volta da Praça XV de Novembro, onde, repito, se pode embarcar para Niterói.  Para o Corcovado, temos basicamente dois percursos: um pela Tijuca, subindo o Alto da Boa Vista (que aliás a conselho a visitar), e outro por Santa Teresa. O mais pitoresco é sem dúvida o de Santa Teresa, porque, além do podermos conhecer o bairro, ainda podemos de subir de bondinho (não o mesmo de Santa Teresa – este vai só das Palmeiras até o Corcovado), tendo ainda de quebra, uma belíssima vista dos morros locais. Já que vamos conhecer a Baía de Guanabara, aproveitamos para dar uma chegada até à Ilha de Paquetá, que é maravilhosa (Carlos, naqueles areias o “material exposto em biquíni” é..oba!.  Todos aplaudiram o projeto Sérgio Robert. A Gladis, depois de tossir (para clarear a voz), levantou-se e sem “ares teatrais”, disse:
- Pessoal, o jantar hoje é por minha conta! Escusam de aplaudir, pois, para mim, é uma honra pertencer a este maravilhoso grupo, e especialmente por o Carlos cá estar. Vamos jantar na Estrada da Barra de Guaratiba. É um restaurante onde, de vez em quando (poucas vezes) vou comer peixe. Podemos sair de Copacabana, subir a Estrada Niemeyer, passando pelo lindo Hotel Continental, por São Conrado onde fica o antigo Hotel Nacional, a Rocinha... É uma linda estrada linda tendo durante todo esse trajeto, à esquerda, o mar. Atravessamos a Barra da Tijuca pela Ayrton Senna onde podemos ver inúmeros Shoppings, belíssimas construções, subir a Estrada da Gruta Funda e seguimos rumo à Barra de Guaratiba, ao restaurante Poço das Pedras. É um restaurante muito simples mas com um peixe muito bem feito. Tem uns camarões fritos, tem mandioquinha frita com queijo ralado por cima, pasteis de queijo, carne. E uma cerveja Boemia geladíssima.  Mas passando adiante: também vos quero oferecer um passeio pela Baía de Guanabara. Para o efeito, já aluguei um pequeno barco, e podemos chegar ao Pão de Açúcar... 
Uma voz se elevou perguntando:
- Quem é o timoneiro?
Calmamente a Gladinha respondeu: -
Sou eu!
Notou-se um profundo silêncio…
Começámos por visitar o Cristo Redentor, que, de braços abertos sobre a Baía de Guanabara, parece que abraça o Rio de Janeiro. Fica situado no alto do morro do Corcovado e de lá é possível ver praticamente toda a cidade e entender porque ela ganhou o nome de Cidade Maravilhosa. A vista é realmente deslumbrante!  A imagem do Cristo tem 30 metros de altura, 28 metros de envergadura, pesa (imaginem) 1.145 toneladas! E está colocada sobre um pedestal de 8 metros de altura onde existe uma capela para 150 pessoas. A estátua foi inaugurada em 12-10-1931 e desde então é um dos mais significativos ex-libris da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Depois, bem depois... Aproveitando a oferta (simpática) da Gladis, todo o pessoal se meteu dentro do barquito alugado pela nossa amiga. O Carlos, embora filho da pátria de grandes navegadores, começou logo a protestar que o barco estava a baloiçar demais…e estava! 
A Gladis rumou para o lado direito o que fez certa desconfiança na Abigail.
- Então você ruma para o lado direito?
A “mulher do leme” respondeu:
- Antes de rumar para o Pão de Açúcar, vamos dar uma voltinha à Baia.
Mas, cada vez mais nos aproximávamos da Praia da Gávea, foi quando a Carmen aconselhou a voltar para trás senão íamos a caminho de “para a Portugal”!. 
– Não posso! Pois não consigo virar... A direção do leme está quebrada!
Todos nós éramos valentes, mas... Mas começámos a tremer e a temer pelas nossas vidinhas. O que fazer? Decidido como sempre, o Sérgio logo gritou:
- Pessoal, todos para a água e vamos virar o rumo do barco para o Pão de Açúcar!
E de facto deu resultado. Já no barco com rumo certo, o Carlos virou-se para a Anna D’Castro dizendo:
- Menina, como você é locutora de rádio, vá para a proa gritar :”Atenção a toda a navegação: navios desgovernados – afastem-se da sua rota!”. 
A Gladis sorriu como parecendo que gozava com a situação e logo se pôs a cantar logo acompanhadas por todos, aquela conhecida canção do malogrado artista brasileiro, Ataulpho Alves – “Pois É”:
 
“Pois é / Falaram tanto / Que desta vez a morena foi embora / Disseram que ela era a maioral / E eu é que não soube aproveitar , la ra ra / Endeusaram a morena tanto tanto / Que ela resolveu me abandonar / A maldade nessa gente é uma arte / Tanto fizeram que houve a separação , la ra ra / Mulher que a gente encontra em toda a parte / Mas não se encontra a mulher que a gente tem no coração, la ra ra”


Mas por fim chegámos a bom porto, neste caso, ao Pão de Açúcar (Urca). Quando estávamos a alguns, metros do local da amaragem “A gata da Sarita” não sabemos bem porquê, decidiu atirar-se à água e nadar para a marinha. Seria para se exibição? Seria por medo e pouca confiança nos humanos?
O certo é quando chegámos à marinha, a felino já nos esperava e logo a dona, tirando sua saia, embrulhou a gata para a enxugar. Coisas de felinas...
O Pão de Açúcar (antes temos de subir à Urca) é um morro lindíssimo e outro dos ex-libris do Rio de Janeiro. Foi avistada no dia 1º de Janeiro de 1502, pela expedição do navegador português André Gonçalves, que fazia reconhecimento da costa brasileira. Entrando na Baía de Guanabara (o nome de Guanabara vem do idioma indígena e representa “seio de mar muito fértil, cheio de vida”) os expedicionários pensaram estar em um rio, denominado a região de Rio de Janeiro.   Entre os diversos acontecimentos ocorridos ao largo do Pão de Açúcar, podemos destacar, entre outros: Em 1504, o português Gonçalo Coelho, que constrói uma casa de pedra na foz do Rio Carioca (em idioma indígena “acari-oca”, ou seja, “casa do homem branco”, onde “acari” denominava o homem branco com suas vestes militares lembrando um tipo de peixe encouraçado que vivia na foz daquele rio, e “oca” representava casa, moradia. Mais tarde, em 1519, chega ao Pão de açúcar, o português (ao serviço de Castela) Fernão de Magalhães, em sua viagem para as Índias (ainda hoje não sabemos bem se “Índias” ocidentais ou orientais. Em 1531, também passou pelo Pão de Açúcar, o navegador português, Martin Afonso de Souza, e, em 1532, vindo de São Vicente (Cabo Verde), chega Pero Lopes de Souza. Em 1555, a expedição colonizadora francesa, comandada pelo almirante Nicolau de Villegagnon, também aportou este morro. O Brasil era, nesta ocasião, governado por D. Duarte da Costa, que não obteve apoio da coroa portuguesa para expulsar os invasores (Portugal estava “preso” pelo Tratado de Tordesilhas, mas, os espanhóis não se interessaram do Brasil  pois não viram riquezas visíveis – para as encontrar, tinham que as escavar). Em 1560, chega ao Rio de Janeiro o Governador Geral, Mem de Sá (avô de Salvador Mendes de Sá) para combater os franceses que haviam se instalados no interior da Baía de Guanabara, onde fundaram a França Antártica.  Após sua vitória, retorna a Salvador (da Bahia – Pernambuco). Devido os novos ataques franceses, em 1565, Estácio de Sá aporta com sua esquadra entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão, para ajudar Mem de Sá, seu tio. No dia 1º de Março, Estácio de Sá funda aí a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. E, logo a 6 de Março, os portugueses sofrem o primeiro ataque dos índios Tamoios, aliados dos franceses. Em 1567, Estácio de Sá recebe o reforço da esquadra de Mem de Sá mas, durante um ataque às paliçadas de Uruçu-Mirim e Paranapucu, defendidas por tamoios e franceses, Estácio de Sá é ferido no rosto por uma flecha envenenada e morre um mês depois. Após consolidada a retomada das terras cariocas, no dia 1º de Março, Mem de Sá transfere a sede da cidade do local da fundação para o Morro do Descanso, mais tarde chamado Alto da Sé, depois Alto de São Sebastião, Morro de São Januário, e finalmente nomeado Morro do Castelo, como foi conhecido até sua demolição no início do século XX.  Mas voltando um pouco atrás, em 1582, regista-se a entrada da grande esquadra espanhola comandada por Diogo Flores Valdez, destinando-se ao estreito de Magalhães. Em 1599, o navio holandês “Eendracht” aproxima-se da entrada da Baía de Guanabara para dar cobertura a um desembarque de invasores aos pés do Pão de Açúcar. Estes são repelidos e voltam aos barcos, abandonando os feridos na praia hoje conhecida como Praia de Fora. O Forte Nossa Senhora da Guia, hoje conhecido como Fortaleza de Santa Cruz, abriu fogo sobre o “Eendracht”, obrigando-o a bater em retirada (os feridos foram mais tarde integrados na colónia (então chamada de “portuguesa”). Em 1710 chega à barra a esquadra do capitão-de-fragata, o francês Jean François Duclerc (herói da luta contra os corsários ingleses, no Mar das Caraíbas). Depois de trocar tiros com a Fortaleza de Santa Cruz, a esquadra de Duclerc desiste e ruma para a Ilha Grande. Desembarcando com 1.050 homens (na época, os portugueses não chegavam os 5 mil em todo o território brasileiro), Toma o caminho de cidade, cruzando o que hoje são os bairros da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, através de montanhas e florestas, por sete dias. Rendendo-se, Duclerc é mantido como prisioneiro de guerra na cidade. Em 1711, devido ao assassinato do capitão Duclerc (em seu cárcere em uma confortável casa na actual Rua da Quitanda), a França envia, sob o comando do almirante René Duguay Trouin, uma esquadra com 17 navios e 5.400 homens, que chega ao Rio de Janeiro e, favorecida por forte nevoeiro, penetra na cidade sem ser vista. Depois de longo tempo de luta, o Governador Francisco de castro Morais abandona a cidade e a guarnição da Fortaleza de Santa Cruz, e rende-se às forças francesas. Em 10 de Outubro ocorre a assinatura da convenção para pagamento de grande soma em dinheiro, pelo resgate da cidade; acordam o acto o almirante Duguay Trouin e o Mestre de Campo, João de Paiva Souto Maior, representando o governador Francisco de Castro Morais. Mas foi um precipitação, pois, no dia seguinte, chega à cidade uma grupo de militares (muitos naturais do Brasil) de 6.000 homens chefiados por António Albuquerque Coelho de Carvalho, governador da capitania de São Paulo e Minas, que nada pode fazer em função do acordo assinado entre o Governador Castro Morais e os invasores. Após receber a última parcela do valor acordado, Duguay Trouin evacua a cidade, deixando-a totalmente devastada...
Em 1768 chega (pacificamente) o célebre navegador inglês James Cook, em viagem para o Pacífico. Em 1851, entra na Baía de Guanabara o “Theviot”, o primeiro vapor transatlântico, saído de Southampton (Inglaterra), inaugurando a primeira linha entre a Europa e o Brasil. A vista de cima do Pão de Açúcar, e deslumbrante. Pode-se avistar o “Morro Cara de Cão”, a que abriga a Fortaleza de São João, e a pequena ilha acima dele que é a Ilha da Lage, que também alberga um forte. Estas duas fortificações em conjunto com a Fortaleza de Santa cruz, formavam o principal complexo de defesa da cidade do Rio de Janeiro. Mais além, podemos ver a cidade de Niterói, e à direita, um pouco mais abaixo, uma parte da mata do Pão de Açúcar. E ainda podemos ver o Morro da Babilónia, com os prédios da Escola Naval e do IME (Instituto Militar de Engenharia), e a Praia Vermelha. Também podemos avistar a Ponta do Leme, e a Ilha de Cotunduba, já nas águas do Oceano Atlântico.
A hora do jantar estava chegando a  Gladis começou a protestar que tinha marcado hora para o grupo e não queria lá chegar atrasada. Só para não a ouvir-mos resolvemos cancelar por esse dia a visita que já estava programada a Niterói. Com tristeza da Fernanda Garcia. Numa próxima oportunidade vamos lá, mas, atravessado a longa ponte que liga Ilha do Fundão a esta cidade que já foi capital.
Pelo cansaço e pelas emoções do dia, o pessoal chegou ao restaurante Poço das Pedras, na Barra de Guaratiba, esfomeado. Todos se atiraram valentemente aos camarões fritos, à mandioquinha frita com queijo ralado por cima, aos pasteis de queijo, ao peixe, à carne... A certa altura e por graça, o Carlos quebrou o silêncio dizendo:
- Só se ouvem as mandíbulas a bater!
Já com os estômagos quase conchegados as piadas visando especialmente o barco que a Gladis tinha alugado, e, também a grande habilidade para governar o leme. A Gladis justificou-se que tinha tirado um curso de “jangada num lago”, há muitos anos em Belo Horizonte. A risota foi geral. Voltando à comida, de facto é excelente. Parabéns Gladinha! Já no final, a Anna d’ Castro levantou-se e solenemente disse:
- A Gladis está de parabéns ! Merece bem “Aquele Abraço”  (Gilberto Gil):

“O Rio de Janeiro continua lindo, / O Rio de Janeiro continua sendo, / O Rio de Janeiro fevereiro e março, / alô, alô Realengo, aquele abraço / alô torcida do Flamengo, aquele abraço / alô, alô Realengo, aquele abraço, / alô torcida do Flamengo, aquele abraço...
Chacrinha continua balançando a pança, / e buzinando a moça e comandando a massa / e continua dando ordens do terreiro. / alô, alô seu Chacrinha, velho guerreiro, / alô, alô Therezinha, Rio de Janeiro; / alô, alô seu Chacrinha, velho palhaço, / alô, alô Therezinha, aquele abraço.
Alô moça da favela, aquele abraço, / todo o mundo da Portela, aquele abraço, / todo o mês de fevereiro, aquele passo, Alô Banda de Ipanema, aquele abraço.
Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço, / A Bahia já me deu régua e compasso, / quem sabe de mim sou eu, aquele abraço, pra você que me esqueceu, aquele abraço...
Alô Rio de Janeiro, aquele abraço, / todo o povo brasileiro, aquele abraço, / todo mês de fevereiro, aquele abraço, alô moça da favela, aquele abraço, / todo mundo da Portela, aquele abraço / e todo mundo do Salgueiro, aquele abraço”
 
Quando regressámos ao apartamento, já quase o sol raiva. Tínhamos que nos preparar para dentro de horas irmos conhecer mais um pouco do Rio de Janeiro. Não tínhamos combinado os locais a visitar, mas como tínhamos um especialista carioca, o Sérgio Robert, estávamos descansados. Mas onde nos levaria o nosso amigo...
O telefone tocou. Era do Rio Total a Irene Serra a perguntar se já tínhamos pronto o 3º episódio de “UMA  SEMANA  NO  RIO”...
 
CARLOS  LEITE  RIBEIRO   «««»»»     Marinha  Grande   «««»»»    PORTUGAL
 
Trabalho de ficção, qualquer figura ou situação é pura coincidência.
A seguir o 4º Dia
 


 

A seguir 4º dia de “UMA  SEMANA  NO  RIO”

 

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