SEBO LITERÁRIO

 

 

UMA SEMANA NO RIO DE JANEIRO

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Uma Semana no Rio de Janeiro -  de Carlos Leite Ribeiro

 

“UMA  SEMANA  NO  RIO  DE  JANEIRO 

 

(4º dia)

 

  

Como devem de calcular, o acordar é sempre um caso especial neste grupo, embora adulto e responsável, é sempre complicado. Uns gostam de sair quando os companheiros já estão a dormir, segundo dizem (ou alegam) precisam de tomar “ar na praia”, outros ainda dizem que vão passear a gatinha Sari, que, ultimamente está com certa apetência pelos telhados de zinco quente (a gata)... Enfim, comportam-se e até parecem um grupo de estudantes numa excursão de fim de curso. E imaginem que o senhorio, quando do arrendamento (?) dizer que não alugava o apartamento a estudantes, pois, estes raramente pagavam a renda...
Na manhã (ou madrugada – pois já eram 08 horas) do quarto dia, o Sérgio acordou todas “as boas almas” gritando:
- Hoje vamos visitar Petrópolis!
O Carlos abrindo só um olho, disparou:
- Vamos aonde ? Ho, menino, tu queres é ires ao Bom Jardim, veres o “aconchego” que lá tens!
Mais animada, a Fernandinha concordou e logo disse que era a primeira a tomar banho; depois todos marcaram a sua vez na fila de espera. A última foi a Sarita (e sua gatita), que logo perguntou (ou protestou): - Por acaso alguém sabe onde está o óleo de amaciamento e brilho do pelo da minha Sari (gata)? Ninguém respondeu – silêncio absoluto. Mais tarde e por acaso, começámos a notar que alguns dos colegas tinham o cabelo muito macio e brilhante; e também a título de curiosidade, a gatita não parava de cheirar quase todos os componentes do grupo. Coincidências...
Com a barafunda toda, ninguém de lembrou de fazer o “café da manhã – com ou sem creme”. A Teta é que estava encarregada nesse dia de fazer o pequeno-almoço, e, quando foi interpelada sobre o facto, logo se desculpou alegando que, em doses industriais, só sabia pôr o termómetro e dar injeções – é enfermeira. Mais um dia que tivemos de ir a um bar “tomar o café matinal. A Sarita não parava de protestar pela falta do tal óleo do pelo da Sarita, e, como quase uma vingança, disse em tom de gozo:
- Quem vai fazer o almoço é o Carlos: um cozido à portuguesa!
Este, matreiro e já com alguns anos de vida, só lhe disse:
- Estou completamente de acordo com a Sarita! Só que para o cozido, preciso de patas de gata.
Um sapato voou em sua direção...
 O Sérgio voltava a afirmar que, como guia proposto e oficial do grupo, tinha destinado o dia para nós ir-mos a Petropólis, que dizia que era uma zona montanhosa do Estado do Rio de Janeiro e que ficava a cerca de 60 Km da cidade:
- De Copa a Petrô, seguimos como se fossemos para o Centro, com a diferença de tomarmos o Aterro como via. Ao fim do Aterro, em frente ao aeroporto doméstico Santos Dumont, tomamos a avenida perimetral, que de fato e um viaduto que passa por cima da Praça XV, a avenida Presidente Vargas, Praça Mauá, e finalmente saímos na Avenida Brasil, por um curto trecho, tomamos a Linha Vermelha, passando pela Ilha do Fundão, onde se localiza boa parte da Universidade federal do Rio de Janeiro, e a seguir, pegamos a primeira saída de Linha Vermelha. Esta linha é um conjunto de vias cujo final é na Avenida Presidente Dutra, de onde, entre outras coisas, chegamos até São Paulo. Saímos da Linha Vermelha à altura da Avenida Washington Luís, de fato uma estrada com 4 pistas, duas de ida e duas de volta, uma das saídas do Rio. Na Washington Luís, passamos a maior parte do tempo pelo município de Duque de Caxias, até à entrada da Rio-Petrópolis, que é parte da estrada no que conduz também a Juiz de Fora, já em Minas Gerais. Duque de Caxias é um dos maiores municípios do Rio, e deste, situado a cerca de 20 Km da Cidade Maravilhosa, de onde sai a maior parte dos operários que trabalham no Rio de Janeiro. Apesar de ser uma das maiores arrecadações de impostos do Rio, é igualmente um dos municípios com maior faixa de pobreza do Estado. Nas bordas da avenida Washington Luís, dentro do perímetro de Duque de Caxias, passamos a maior parte do tempo por indústrias de todos os gêneros, além disto, há uma grande quantidade de agrupamento de residências pobres, em geral de trabalhadores que trabalham nas, ou para as industrias das cercanias. Finalizando Caxias, percorremos parte de Xerém, distrito ainda de Duque de Caxias, mas onde a atividade rural abranda a visão, e os aglomerados de casas e indústrias começam a ser substituídos por áreas mais bucólicas. E, finalmente tomamos, virando à direita, a rodovia Rio-Petrópolis!
Uma enorme salva de palmas premiou esta bela prosa (dissertação) do Sérgio, gritando em coro:
- Sérgio há só um o Robert e mais nenhum!.
E depois dos já habituais “toques e remoques” entre o pessoal do grupo “cá estamos nós”, finalmente seguimos a caminho de Petrópolis. O caminho é belíssimo: as residências escasseiam, e de lado a lado nos vemos cercados por uma floresta húmida que indica a subida da serra. O Carlos estava extasiado e disse:
- Em certos trechos parece-me a bela serra de Sintra, lá no meu Portugal.
Um pouco antes de chegarmos a Petrópolis, mais ou menos a meio caminho passamos pelo Museu de Armas, segundo nos diz o Sérgio a traça do edifício é um modelo de um castelo do século XV, e abriga uma coleção de armas que pertenceram ao seu antigo proprietário. Na entrada de Petrópolis, temos o famoso Hotel Quitandinha.
– Neste hotel – disse-nos o Sérgio – morei há alguns anos atrás. Já não era hotel, mas mantinha parte da sua prodigalidade.
O Carlos aproveitou logo para meter a colherada:
- Foi lá que pintaste os teus nus?
O Sérgio fechou os olhos, colocou ambas as mãos na cabeça e dando uma gargalhada, respondeu-lhe em tom de brincadeira:
- Carlos, não estamos em altura de falar em coisas eróticas!
Mas voltando atrás, o Quitandinha foi construído para ser Hotel-Casino, e abrigou alguns dos maiores artistas Hollywoodianos das décadas de 40 e 50. Durante seu esplendor, nestas décadas, era mantida uma frota de táxis, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, apenas conduzir turistas interessados em usufruir de suas acomodações. O material usado na construção foi basicamente todo importado. Quando o Sérgio Robert lá viveu, ainda existiam as cortinas importadas de França. O estilo de sua construção é normando, e à sua frente foi construído um lago como formato do mapa do Brasil.
 
Durante o percurso para a bela Petrópolis, o Sérgio Robert, puxando pela sua “costela” de algo de samba / carnavalesco, levantando-se começou a puxar por toda a turma “cá estamos nós”. “VAMOS PASSAR”:
 
“Vai passar, nesta avenida um samba popular. / Cada paralelepípedo da velha esta noite vai / se arrepiar / Ao lembrar, que aqui passaram sambas imortais, / que aqui sangraram pelos nossos pés, / que aqui sambaram nossos ancestrais. / Num tempo, página infeliz da nossa história, / Passagem desbotada na memória / das nossas novas gerações. / Dormia a nossa pátria mãe tão distraída, / sem saber que era subtraída / em tenebrosas transações. / Seus filhos andavam cegos pelo continente, / levando pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais. / E um dia afinal tinham direito a uma alegria fugaz / uma  ofegante epidemia, que se chamava carnaval, / o carnaval, o carnaval / Vai passar ... / Palmas pra ala dos barões famintos, / o bloco dos Napoleões retintos, / e os pigmeus do boulevard. / Meu Deus vem olhar, / vem ver de perto uma cidade e cantar / a evolução da liberdade / até o dia clarear.
Ah, que vida boa – olarê / Ah que vida boa – olará / O estandarte do sanatório geral / vai passar !.”
 
 
Todo o pessoal se levantou aplaudindo o Sérgio, que, além de outras coisas, é muito bom nestas matérias. O Carlos, que tem um certo interesse pela História do Brasil, pois, em Portugal é praticamente inexistente. Aproveitou para pedir ao Sérgio que contasse a origem da canção “Vamos Passar” – o que foi logo atendido:
- Carlos – começou o Sérgio – Esta música foi composta por volta do final da ditadura militar no Brasil . Chico Buarque da Hollanda foi um dos baluartes da resistência, com suas músicas e letras, tendo sido, inclusive, exilado até no teu Portugal que, na altura também era uma ditadura. Representava as esperanças de liberdade – numa nota à margem, talvez... infelizmente, frustrada ...
Colegas, camaradas e amigos, agora vamos cantar “FEIJOADA COMPLETA” :
O Carlos que parece que tem “bicho carpinteiro” pois nunca consegue estar quieto nem a falar, levantou-se mais uma (das numerosas vezes) para pedir ao Sérgio:
- Olha lá amigo, o que vem a ser uma “Feijoada Completa?
O Sérgio com a sua paciência e bondade tão comuns nele, explicou-lhe:
- Pelo que sei, era a comida que se servia aos escravos na senzala. É feijão cozido com as partes, na época desconsideradas, de porco: pé (ou mocotó), orelha, rabo, faceira, etc. Atualmente recebeu uma certa sofisticação, sendo servido mesmo em grandes restaurantes, e se faz acompanhar de arroz branco, couve cortada bem fininha (ou à mineira), laranja, etc. Parece traduzir muito bem o espírito brasileiro, e especialmente o carioca. Bom, posto isto, vamos à canção e chamo a vossa atenção pra letra”:
 
“Mulher, você vai gostar: / Tô levando uns amigos pra conversar. / Eles vão com uma sêde, que nem me contem ! / Eles vão com uma fome de anteontem ! / Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão, / E vamos botar água no feijão.
Mulher, não vá se afobar, / nem tente por a mesa: / nem dá lugar. / Ponha os pratos no chão, / e o prato tá posto, / e prepare as linguiças pro tira-gosto. / Uca, açúcar, cumbuca de gêlo, limão. / E vamos botar água no feijão.
Mulher, você vai fritar / um montão de torrêsmo pra acompanhar. / Arroz branco, farofa e a malagueta, / a laranja bahia ou da seleta. / Joga o paio, carne-sêca, toucinho no caldeirão, / e vamos botar água no feijão.
Mulher, depois de salgar / faça um bom refogado que é pra engrossar, / aproveite a gordura da frigideira / pra melhor temperar a couve mineira / Diz que tá dura / e pendura a fatura no nosso irmão, / e vamos botar água no feijão”.
 
Outro grande êxito do nosso amigo Sérgio Robert! Este, como bom carioca que se preza, logo meteu a “colherada”:
- Já sei que o amigo Carlos me vai fazer umas perguntas. Mas desta vez vou-me antecipar. Toma lá nota: uca é outro nome para a cachaça; cumbuca é vaso, ou vasilha; torresmo é pele de porco frita em pedaços pequenos (como em Portugal); farofa é feita com farinha de mandioca frita com o que quer que se queira: linguiça (sei que em Portugal quer dizer sexo masculino fininho), ovos, etc. Malagueta é um tipo de pimenta (em Portugal chamam de piri-piri). O estar “duro” (eu sei que em Portugal é estar excitado), é estar sem dinheiro, portanto, no final se aconselha a mulher a pedir “fiado” (no nosso compadre lusitano, criado por Bordalo Pinheiro, faz-lhe um “toma”, braços cruzados com os ante-braços), na venda, no armazém, no bar do nosso “irmão” – um trato pra lá de coloquial: A cena toda é bem popular, e acontece corriqueiramente nas casas de subúrbio do Rio: aquela coisa de se receber uma turma de amigos pra “bater papo”, “jogar conversa fora”, coisa em geral regada com bastante cerveja, cachaça e samba. Tudo isto é feito com uma absoluta falta de formalidade. Esta letra traduz muito bem o modo de ser do carioca. Não raramente acabam se juntando vizinhos, e entrar noite adentro!
Todos tinham escutado o Sérgio com muita atenção. O nosso amigo Carlos não podia deixar de explodir:
- Ho, rapaz, a pessoas como tu, em Portugal dizemos que é “mal empregada andar à semana, pois, só devia de andar só aos domingos, feriados e dias de festa!.
Entretanto tínhamos chegado à espantosa cidade de Petrópolis, cujo início data do início do século XVlll. Esta cidade encontra-se na borda oriental do planalto brasileiro (serra do Mar) junto à sua escarpa, a cerca de vinte quilómetros ao Norte da Baía de Guanabara, portanto, no reverso da serra do Mar. A área é montanhosa ao logo de vales escavados, especialmente os dos rios Quintandinha e Piabanda. Voltando um pouco à história, remontamos a 1830, quando o Imperador D. Pedro l, comprou a fazenda de Córrego Seco. Mas foi D. Pedro ll, que iniciou a prática de veraneio em Petrópolis, sendo seguida imitado pelos membros da Corte Imperial e demais famílias abastadas do Rio de Janeiro. Em meados do século XlX foi ali instalada uma colónia de imigrantes alemães (incluindo austríacos e suíços).
Em Petrópolis mesmo, é possível conhecer muitas coisas, sendo o MUSEU  IMPERIAL, apenas a mais óbvia. Construído em 1845. Este antigo palácio de Verão do Imperador D. Pedro ll, segue o estilo neoclássico e abriga hoje um acervo que reúne não apenas as peças que pertenciam ao palácio de Verão, como vários objetos concernentes ao Império, vindos de várias partes do Brasil. Entre elas, o manto imperial, o chapéu armado que pertenceu a D. João Vl, confecionado em feltro, o cofre de sévres da Princesa de Joinville e a peça que mais chama a atenção, a Coroa Imperial de D. Pedro ll, em ouro cinzelado, ornada com 640 brilhantes de Minas Gerais e 100 pérolas, peça única nas Américas, confecionada por Carlos Marin & Cia., do Rio de Janeiro. Decorando o palácio, uma valiosa pinacoteca, com obras de artistas nacionais e estrangeiros. Num pavilhão à parte, liteiras e carruagens que transportavam a Família Imperial, e, no prédio anexo funciona o Arquivo Histórico do Museu Imperial, onde se encontram preservados documentos que contam a história da monarquia no Brasil desde a chegada de D. João Vl até à proclamação da república, uma biblioteca iniciada a partir do acervo de D. Pedro ll e D. Teresa Cristina, além da coleção de cartas da Condessa de Barral (D. Luísa Margarida de Portugal de Barros, aia e perceptora das princesas imperiais, por quem D. Pedro ll teve forte afeição, manifestada através de 256 cartas). Os jardins do palácio também merecem uma visita. Projetado pelo paisagista francês Jean Baptiste Binot, sob a orientação direta do Imperador, o jardim guarda 99 espécies botânicas diferentes, numa mistura harmoniosa de plantas exóticas com árvores da flora nacional. Espalhadas pelo parque, diversas estatuetas de inspiração clássica e fontes, como a Fonte do Sapo, que era procurada pelos moradores de Petrópolis durante o reinado de D. Pedro ll. O Imperador permitia que os petropolitanos apanhassem água da fonte e muitos dispunham a faze-lo porque acreditavam ser aquela a melhor água da cidade, já que era a água do Imperador.
Depois fomos visitar a Casa de Petrópolis, a mansão da família Tavares Guerra. Data de 1884, a casa preserva o fascínio da época da construção, com seus lustres e apliques forjados na França na famosa Fundição Barbedienne, espelhos belgas, lareiras em mármore de Carrara (Itália), paredes forradas em brocados, trabalhos em madeira brasileira entalhada na Europa e pinturas murais de Karl Schaefer nos principais cômodos da casa. A mansão está rodeada por jardim projetado pelo botânico francês Auguste Glaziou, o mesmo que projetou os jardins da Quinta da Boa Vista e do Passeio Público, no Rio de Janeiro. O jardim da casa é o único dentre eles que mantém seu traçado original e Glaziou o primeiro a fazer uso da flora tropical brasileira em projeto de paisagismo. A Casa de Petrópolis mantém intensa programação de artes plásticas, apresentações de teatro, dança e música. É lá que está instalada o Instituto de Cultura.
A Avenida Koeller, que é onde moravam a maior parte da nobreza, mantém seu casario todo preservado; em sua esquina está a casa da própria Princesa Isabel, que, por incrível que pareça, consideradas as outras construções da nobreza, é singela e muito simples. 
A bela catedral Dom Pedro de Alcântara, de estilo gótico, contendo no seu interior os restos mortais de D. Pedro e sua esposa, encimados por belíssimas esculturas de ambos. 
O Palácio de Cristal, originalmente um orquidário, presente do Conde D’Eu à princesa D. Isabel. É uma belíssima armação de metal, com paredes de vidro, onde, hoje em dia se realizam alguns eventos culturais.
A casa de Santos Dumont, é um primor de simplicidade e inventividade do famoso inventor brasileiro. A Praça da Liberdade, ponto final da Avenida Koeller, bem próxima da Casa Santos Dumont, é um primor, com seu coreto preservado, e os palacetes que se situam na sua cercania.
Atrás do Museu Imperial, residem os descendentes da Família Imperial (da Casa de Bragança em linha direta). Ainda é possível encontrar o herdeiro petropolitano, D. João, andando a cavalo pelo centro da cidade, acenando simpaticamente para os conhecidos.
No Centro da Cidade, fomos fazer um passeio de teleférico de onde se avista uma maravilhosa panorâmica de Cidade Imperial. Esta é uma região de emigração e ainda podemos encontrar sinais dos emigrantes em vários pontos. Continuando no Centro, fomos à Rua Tereza, e não resistimos à tentação de comprar roupas de malha, escolhidas de uma variedade inigualável, e a bons preços. Foi uma tentação que nos custou não podermos pernoitar no Hotel D. Pedro, situado na Avenida D. Pedro, bem no Centro de Cidade...
Depois, bem depois fomos ao distrito de Nogueira visitar o seu belíssimo castelo (de Nogueira), e na beira do rio do mesmo nome, fomos visitar um velho amigo do Sérgio, o Chico Veríssimo, proprietário de um restaurante onde preparam uma saborosa carpa, com receitas que só o Chico Veríssimo consegue.
Descendo de Nogueira, passando por Vieiras, chegamos a Itaipava, que é um verdadeiro centro comercial à parte de Petropólis, entre outros, com uma variedade de restaurantes que torna difícil a escolha. Fomos até à “Taberna do Frade” beber uma taça de suave e aromático vinho da região.
 Quando acabámos a visita já era tarde para regressar ao Rio de Janeiro. Todos se interrogavam aonde íamos passar aquela noite, pois a compra de malhas tinha –nos deixado algo descapitalizados, e ainda tínhamos mais 3 dias para percorrer o Rio de Janeiro ...  O Sérgio como pessoa atual, atuante e atualizante, logo alvitrou ficarmos todos em redor de  uma enorme árvore em pleno jardim do Palácio Imperial. A Sarita protestou logo alegando que não ia arriscar a saúde da gatita Sari, pois ela poderia apanhar uma pneumonia se dormisse ao relento. A Gladis quase não falava desde a chegada, pois, aqueles sítios lhe são muito queridos. O Carlos chegou-lhe a perguntar se ela se tinha esgotado na viagem em que cantou, pulou, dançou e até disse umas poesias. Ela só teve tempo de sorrir pois o seu celular começou a tocar. Era a Irene Serra a convidar a turma para passar a noite em Sítio Serra! Providencial. Mas onde ficava Sítio Serra? Logo o Sérgio nos tranquilizou ao dizer alegremente:
- Cá o rapaz sabe muito bem onde fica e por onde ir! Vamos apanhar a estrada Teresópolis / Friburgo!
Mas as boas surpresas do dia ainda não tinham terminado, a Carmen tinha uma grande e maravilhosa surpresa para todos: “Queridos amigos, como vamos para aqueles lados, tenho o prazer de vos convidar (e pagar!) o jantar no restaurante Braun & Braun . O Carlos que gosta sempre de meter a colherada, perguntou à nossa amiga se o seu “refúgio de montanha” era para aqueles sítios. A Carmen atirou uma gargalhada ao dizer:
- Carlos, é segredo de estado, ou melhor, segredo da Carmen Sirotaki!
Mas as agradáveis surpresas ainda não tinham acabado. Quando todo o grupo questionava que transporte íamos apanhar para Sítio Serra, apareceu a nossa nova amiga Arlete Moreira dos Reis, com uma carrinha de 12 lugares.
Apanhámos a estrada Petrópolis / Teresópolis e antes do trevo, entrámos na estrada secundária para o Albuquerque e pouco tempo depois chegámos. A estrada, atualmente, corta o Sítio. No Verão pode-se ver uma cerca viva enorme, buganvílias em profusão dos dois lados da estrada, hortências, lírios, buquês de noiva, espatódias, etc. As flores são perenes, a cada época há várias espécies desabrochando. À esquerda vê-se um portão (tipo cancela de fazenda), donde se avista um campo de vólei, antecedido por um caramanchão de roseiras, com um eucaliptal ao fundo. Logo à direita está o portão de entrada do Sítio, com uma placa de sinalização. Um pouco mais alto podemos ver a casa, ligando dois morros bem pequenos que parecem duas meias-laranjas (O Sérgio disse que pareciam dois seios de mulher). Por distração, passamos esta entrada e tivemos que fazer o contorno (inversão de marcha) mais adiante numa ponte. Quase ao mesmo tempo chegaram os nossos simpáticos anfitriões, a Irene Serra e o Luiz Carlos, que se tinham atrasado no caminho devido ao trânsito intenso que apanharam.
O serão em Sítio Serra foi maravilhoso, toda a gente cantou, pulou, dançou e as nossas poetisas deram aso aos seus “musus” e musas.
Logo pela manhã, a Arlete que gosta da Natureza, resolveu fazer uma excursão pelas redondezas e encontrou logo adiante, um sítio, resolvendo dar uma espiada por lá. Encontrou árvores com mais de dez metros de altura, muitas bromélias floridas e pássaros em profusão. Era uma melodiosa orquestra o canto de todos eles. Arlete, extasiada, foi entrando pelo sítio vizinho e quando deu conta, estava bem longe. Nos fundos do sítio encontrou tombada uma centenária árvore com seu tronco cortado à motosserra. Ficou muito tristinha, arrasada. Quase chorou. Veio contar-nos angustiada o que tinha visto e nos persuadiu a ir com ela fazer uma excursão neste sítio que encontrou. Lá chegando, Arlete falou-nos porque os homens sofrem desabamentos, enchentes, etc.,  e ficam apavorados, não sabendo a razão. É que eles desrespeitam a Natureza, ela sofre toda sorte de violência e, um dia cobra de seus agressores, causando-lhes também muita dor. Para alegrar um pouquito a Arlete, Carlos convidou a turma para ir a um rio que tinha descoberto. Percorreram várias trilhas, e, quando chegaram ficaram admirados. Que beleza! O rio com suas águas murmurantes parecia dizer-nos: “Sejam Bem – Vindos!”
A Arlete (a nossa querida ecologista) não poupava elogios à mãe Natureza. A sua boa disposição tinha voltado. Também quem apareceu aos pulinhos foi a gatita Sari, que, por incumbência da sua dona Sarita, o Carlos tinha ficado responsável por ela.
O Sérgio, “amigo da onça” como sempre, chegou junto do Carlos dizendo:
- Meu amigo, você tomou a responsabilidade de tomar conta da Sari, não tomou a devida atenção. Nem sabe por onde ela andou. Olha, lá Carlos, já pensou se a gata ficou de “barriga” você até pode ser considerado o pai dos gatinhos? Em que problema você se meteu, Amigo!
O Carlos atirou uma sonora gargalhada, perguntando-lhe:
- Amigo Sérgio, quanto tempo demora a gestão de uma gata?
– Cerca de 63 dias – respondeu-lhe o Sérgio.
- Meu amigo, não se preocupe pois nessa altura já estarei em Portugal!
 
Fim do 4º dia de “UMA  SEMANA  NO  RIO”
Trabalho de ficção, qualquer figura ou situação é pura coincidência. 
A seguir: 5º dia de “Uma Semana no Rio”
 

 

 

A seguir 5º dia de “UMA  SEMANA  NO  RIO”

 

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