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A
força
das
gerações
Nativa
de
encantos
resolutos,
De
etnia
que
faz
marca
no
destino,
Significantes
de
colheita,
ainda
ocultos,
Albergam
um
sonho
ainda
menino.
Solitária,
buscaste
companhia
Dos
pássaros
e
lobos
ancestrais.
No
vigor
do
sangue
que
vigia,
Os
feitos
que
ressoam
nos
anais.
A
história
faz
a
justiça
nobre!
Folhas
prateadas
embranquecem.
Lendas
em
molduras,
à
própria
sorte,
Que,
ao
longe,
no
semblante,
reconhecem.
Há
um
duplo
à
sombra
de
um
cultivo,
Nos
picos
frios
de
terras
em
cascatas:
Força
das
gerações
que,
em
relativo,
Modelam-se
nas
encostas,
rios
e
matas.
Confusos
céus
e
terra,
em
tua
beleza
Guardada
por
segredos
em
que
te
banhas,
Nas
cíclicas
estações
da
natureza,
Contemplam
o
mistério
que
acompanhas.
Eliane Triska |
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A terceira margem
Na terceira margem ao pé do rio,
Ambíguo sentimento contrastava:
Um, a pedra que o ombro carregava;
Curvado a um outro, pobre senhorio.
Como pude sonhar tantos momentos,
Como vítima que os crentes são da fé,
A ilusão de que existisse um só José,
As Marias afogadas de tormentos?
Pudessem descansar da sua lida,
Pudessem blasfemar: Fecha ferida!
Turvando de orações as águas claras,
No esvaziar das lágrimas, na vazante,
Da terceira margem - a retirante,
Vão as enchentes de dor secando as falas. Eliane Triska
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A voz do tempo
Assim, marco o meu tempo,
Sem lhe dar um lado certo;
O lado em que me invento.
Deixo o outro a descoberto.
Do vestido do meu medo,
Guardo, para a vida, um retalho,
Na história de um segredo,
Da rainha e seu borralho.
Foi... e não se revela
Caminha sem voz, a passar...
Calada, me vejo. É ela
Que não me pode falar.
De mim, sou a estrangeira,
Meu eu, no tempo puído,
Feita, dele, prisioneira,
À procura de sentido...
E lá se foi uma aurora,
Da que me esqueço tão pouco,
Menos do amor de outrora
A me chamar como um louco!
Eliane Triska
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Agenda & Perdida
Lá, segues, à parte,
Nas mãos de um estranho.
Confesso o maltrato
Que agora no prato,
Servido à la carte,
É o gole que arranho.
Partiste com restos
Fugidos do dia,
De horas pacientes,
Tão benevolentes,
Mimando com versos
Minha analgesia.
Indomados escritos
Das tantas folias
Que no pensar trago,
A dança, o bailado
Libertos dos ritos
Das longas homilias.
Contigo o encontro:
Me via... Me sou...
Perdi a agenda,
O espelho e a venda,
No riso que é o outro
Que a raiva quebrou.
Eliane Triska
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Alta a um louco
Poema, nos versos em que te agrado,
De um saber que a mim, a sós, consiste,
Serei, em ti, a que não mais existe,
Ou a outra, a que te escreve ao lado?
Quantas posso, em ti, e me dizer
Da liberdade de ser e ser, em ti, apenas
Um verso dentre tantos e, às centenas,
Do poema, sendo apenas nenhum ser.
Poema, me deixaste atrapalhada,
Se poeta te quis, foi sem querer,
No ruído, ao acordar a passarada.
Liberta-me! Dá-me a alta de um louco,
E, num súbito, o fim - poder morrer
Desse amor como se fosse pouco. Eliane Triska
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Amo-te...
Com a força das correntezas no cio,
Em ritos que ovulam a madrugada,
Orgasmos que espumam no bravio
De ventos serpenteando a cavalgada.
Estrelas de olhares imprecisos,
Longínquo balouçar da noite em vagas,
Altares constelados são sorrisos
Das eras de esperanças tão sonhadas.
Meu peito, que te alberga, ora incerto,
Intenta ver a teia do destino
No tempo que caminha a céu aberto.
Se és meu? Não sei. Sei que sou tua!
E Deus, se exclamar: Que desatino!
Dir-lhe-ei que a culpada foi a Lua. Eliane Triska
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Livro de Visitas

Para
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