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Destino
Oh! Inquietação! Será o vento norte
Que balança como saia e desalinha,
Ou surpresa, que oferece à ciganinha
Que pede a minha mão e lê a sorte?
"Linhas são lições sem que tu peças,
Vontades da senhora dos destinos
Que trouxe, ao teu ventre, dois meninos
E o amor que, nu, é sem promessas”
Protesto! (Sou o meu querer, meu bem maior!)
Interpores no meu verso, no que for,
Teu jugo, que não sei, mas que presumo,
Tua a mentira, quando dizes ou te intentas,
Nas linhas rasuradas, onde inventas
Seres tudo. Mas não passas de um resumo! Eliane Triska
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Dois
tempos
O
tempo
é do
pensar...
Que
calmaria!
Seguir
à
frente...
Sensação
ao
lado,
No
espaço
que
o
tempo
se
anuncia,
Ver
a
alma
nos
dois
tempos,
em
separado!
Leva-me
a
correnteza,
e eu
me
deixo
Ancorar
nesse
meio
de
alma
bruta.
E me
deito
ali,
no
cais
ou
seixo
Da
terra,
ar e
sol,
de
um
céu
sem
luta.
Ó
alma
fraca
de
feição
imberbe!
Vagar
tão
longe,
sonolenta
e
breve,
Se
na
ilusão
não
me
achei
sentido?
Hoje,
fui
fantasma
de
uma
moça
Livre,
a
caminhar
com
a
velha
coxa,
No
passo
de
dois
tempos
redimido!
Eliane Triska |
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Dor
Curvo-me tal um ser que, moribundo,
No açoite que a vida tece a lã,
Da dor, cria da dor, filha do mundo,
Sou pai e, como mãe, também irmã.
Repara, visitante da masmorra,
Quão triste essa figura sem anseio.
À sombra, renegada, sem que morra,
Vagueia, presa a mim, partida ao meio.
Que sina esse encontro pressentido!
Ó tu, sedenta dor, sem ter remido,
Fizeste o cantil se esvaziasse.
Pois, sim! Cobra o imposto merecido!
E a cela que é a dor em recolhido,
Encontre a solidão como resgate. Eliane Triska
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Dores do amanhã
Não desprezo despedidas
Das dores que à garganta escorrem;
Mais tristes e consumidas
São aquelas que não morrem.
Dor! Lembrei-me de ti um bocado.
Serão, tuas sobras, amanhã,
Café, num verso trocado;
Na janta, a palavra vã.
É o tempo... Sou quem me arrisco,
Perverso ser! Que me apontem!
Rirão de mim, como um cisco!
A amedrontarem outros eus...
Pois partam! Partam e encontrem
Aquela que disse adeus! Eliane Triska
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Dupla
Medonho, esse ser que me habita,
Que em mim procria e se aliança,
Serve-se do meu prato e dormita,
Com as mãos no cálice que balança.
Idólatra, como a um deus em crise,
De espada na mão, em luta nossa,
Fecha-me a sós, a que me acossa,
E foge pelo fecho da valise.
Viver contigo é de tal maneira
Suportar-te, como o galho da videira
Suporta, das uvas, a multiplicação.
Não! Não meu eu, que queres seja tu,
No ramo da videira, embora nu,
Um súbito bater de coração. Eliane Triska
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E a Lua
virando-se do avesso
quis ser começo
onde a rua terminava... Eliane Triska
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Livro de Visitas

Para
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