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Em demasia...
Sossega, ó vida... Em demasia,
Amante, sou teu caso, sem que queira
Ser segunda, a outra, ou a primeira
Das letras, ser mais uma companhia.
Estrofes são perversas... Almas frias!
Solitárias raparigas, sem enredo,
Condenam-me, na sentença, ao degredo!
Amordaçam-me a viver de fantasias!
Nem sabe a vida... Nem sabes, ó vida!
Se sou água, o ar, ou sou comida,
Se do vinho o calor, do que tu bebes!
Farta-te, pois! Sou como um banquete!
Usa o que em mim, sobras, ao ter-te,
E morre, no gole que te despedes... Eliane Triska
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Encontro
Abafo
no
meu
peito
esta
emoção:
Encontro
do
Pai
Nosso
e
Ave
Maria.
Escrevo
de
joelhos
–
sim,
e o
não
Nos
passos
regredidos
à
romaria.
Enquanto
tu,
ao
longe,
eu
suportava,
Nos
versos,
rezas,
lívida
fraqueza.
Agora
que
tu
voltas,
a
dor
negava
A
dor
que
te
esperava
sobre
a
mesa.
Me
nega!
Dize:
Dor,
tu
és
passado,
Queimado,
escurecido,
no
carvão
Do
tronco
que
levou
o
supliciado!
Denega,
réu,
confesso
à
bulimia,
Que
engoles
esse
amor
como
um
ladrão
E
vomitas
a
dor
que
ele
sentia!
Eliane Triska |
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Escrevendo um coração
Coração maltratado, sem saliva,
A uma pena, curvado, envolvente,
Fibrila em desespero e doente
No palco da minha boca apreensiva,
Dize dos mistérios...Onde habitam
A intuírem a semente à primavera?
E, dos meus tolos lábios que hesitam,
Florescem (de)lírios como espera.
Se recusas o lugar do anonimato,
Na trama que te acusa do boato
De negares o amor – o verdadeiro,
Sê a substância da sedenta
Pena que, da tinta, se alimenta
E torna-te, dela, um prisioneiro. Eliane Triska
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Floração
Há um temor de prosseguir inerte
E de cansar no meu sentir aflito,
De ver tombar o que a palavra verte
E acumpliciar-me em igual delito.
Irrompo a vida... Isso acaso eu quis?
Buscar o verbo, e que ele não desabe
Se o mundo bruto, a me exigir feliz,
Faz perigar no riso o que me cabe.
Ao solo, deito um delicado trevo,
Quase maduro, para as mãos de espera,
As verdes sombras cheias de enlevo,
E nele, o amor, em forma de semente,
Na permissão floral da primavera
Ungido a tempo, seja um novo ente! Eliane Triska
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Fogo sagrado do amor
Ó meu senhor de todos os saberes,
Pude beber da vossa santa chama
E, no fogo, arder, posto quem ama
Ser escravo fiel dos seus quereres.
Flor ígnea ter-vos-á. Ainda eu possa
Viver no credo e, ao me sentir inteira,
A vós submetida - amante vossa,
Negar-vos quantas vezes eu me queira.
Se não vos posso ver como presença,
Tão pouco do saber ainda me resta,
Às cegas, a apalpar vossa essência.
De mim, jamais direi o amor que tive,
Nem do fogo a arder o esquecimento,
Nas dores do morrer que o amor vive. Eliane Triska
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Força oculta
Se há o tempo, também há sujeição
E o silêncio, a palpitar impune,
Num outro verbo, o que se inaugure,
Como matriz de um novo coração.
Cada suspiro, arrastando um deus,
Arrasta vida, a paixão, a sede,
Essa verdade que jamais me teve,
Fluido estranho que me envelheceu.
Incendeias e foges na fumaça.
Deixada à dor, tão só que só não passa
Estranha sensação de um sol noturno.
Curvada, sob o exílio dos meus passos
Que carregam o peso dos espaços
Dos anéis prateados de Saturno. Eliane Triska
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Livro de Visitas

Para
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