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Medusa
Silêncio! Fechaduras gritam, insolentes:
Que os loucos não se pensem em liberdade!
Deuses são, ou Figuras Sóis dos ventres,
Para a história lhes render a majestade?
Portas, que se lacrem às indagações!
Proíbam perguntas! Silenciem a degolada!
Amordaçadas as cartas de intenções,
É a ópera dos fantasmas orquestrada.
Óleo em telas, guarnecidas de loucura,
Que a noite, em delírio revanchista,
Redesenha um coliseu em miniatura.
Perpetrada a moldura do museu,
A Medusa, na estátua animista,
Era um quadro revelado do meu eu! Eliane Triska
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Meu
carnaval
Prossegue
o
tempo
no
espessar
da
vida.
Das
avenidas,
vêm
dois
calados:
O
antes
e o
depois
-
brincam
de
dados,
Nas
mãos
do
agora,
sempre
de
partida.
Fogo
sem
artifício,
faze
a
massa
Da
vida
luzir
o
riso
à
metade,
Que
o
tempo
quer
a
dor
em
igualdade,
E a
paz
é só
cortina
de
fumaça.
Minha
alma
chora
um
corpo
sem
folia,
Na
fome
da
mais
pobre
fantasia,
Cativa
dos
cordões
de
isolamento...
Meu
bloco
–
ah,
enredos
de
improviso!
Desfila,
no
arremedo
de
um
sorriso,
Os
pés
pisando
o
chão
do
firmamento.
Eliane Triska |
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Meu coração
Quem quer esse pulsar tão descontente,
Alheio, desalmado, inerte à vida,
Marchando qual soldado desistente,
Que, ferido de amor, não cicatriza?
Quem quer pequeno trapo encardido,
Figura desbotada de um baralho?
Dormido, as ilusões em ti, maldigo,
Nas palhas ressecadas do borralho.
Quem traz o beijo ao leito da promessa
De cura, desse enfermo apaixonado,
E à vida, pausa e morte que não cessa?
Quem cura sabe a vida em desconsolo.
É a sina que te fez tão desgraçado,
Ó tu, meu coração, um pobre tolo! Eliane Triska
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Meu impreciso
Choro o tempo amassado nos rochedos,
Com lágrimas - excrementos da beleza,
A suportar, no disfarce da tristeza,
O peso impreciso dos meus dedos.
Escrevo... Obrigo-me a pensar na vida
Que me foi dada. Se caminhei,
Se só... É um prato de comida,
Um cárcere no qual me banqueteei.
Pensar o quê? No quê? Sou o impreciso!
Se há vidência na terra-sepultura,
Há febre no mundo que diviso
Reservado à semente-criatura.
Morrerei enobrecida, sem glória.
Triste, talvez, fosse vê-la inteira,
Vencida como letra sem memória! Eliane Triska
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Meu sorriso!
Onde o perdeste, descuidado?
Que desfilo, com a máscara aderida
Ao semblante esculpido e mascarado,
Um sorriso, (des)sorrindo a própria vida.
Julgas e te apossas do direito
De interpor-te nesse espaço prometido,
Da face que tomaste, em incesto,
De público, o fazendo privativo.
Valha-me, Deus, por esse amor culpado!
Valha-me, sem direito ao seu perdão!
Oráculo preditivo, ó triste fado
De um querer, sem querer ouvir um não!
Devolve-me, imploro-te! É o meu sorriso
Que, no enredo dessa história, se perdeu.
Zombando, me ofereces o teu viço,
Pois, agora, quem o teu rouba sou eu.
Eliane Triska
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Minha alma
Minha alma, o que fizeste
Das soltas linhas à deriva?
Um ser da lua em preces,
Face da noite cativa?
Sussurros, ao céu, dos montes
Que semeiam cordilheiras,
Deitam suspiros às fontes,
Polinizam as corredeiras.
Impede, por piedade,
Louco intento da aprendiz:
Ser tudo! Verso ou metade?
Aquela, a que nunca fui.
Melhor seria o avesso
Nas sobras onde tudo rui! Eliane Triska
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Livro de Visitas

Para
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