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SEBO LITERÁRIO
autor

HUMBERTO VERÍSSIMO SOARES SANTA
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A ÁRVORE
Humberto Soares Santa
O vento assobiou soprando forte.
A árvore foi bailando, sacudida,
Enfrentando as rajadas, destemida,
Pra não vergar seu tronco, ao vento
norte.
Desconhecia a triste, a triste sorte,
Teimando em defender a própria vida!...
Sem força, sem poder e sem saída,
Enfraquecida, foi perdendo o porte.
Exausta, a gigante soçobrou!...
Eu vi, quando a senti perder a fé
E a última rajada a empurrou.
O colosso vergou, caiu e até
Foi num choro de folhas, que tombou!...
…Há árvores que não morrem de pé!
Cotovia-Portugal |
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A CARTA
Humberto Soares santa
Na carta, assinaste : Coração.
Em vermelho batom, colaste um beijo.
Ouço sons de violino... são o arpejo
Do suave dedilhar da tua mão !
No ar, sobem mil bolas de sabão
Levando para o espaço o meu desejo.
Procuro ao meu redor mas se te vejo,
Essa imagem não passa de ilusão.
Distante, viajante e perdulária
De gestos, de surpresas... nostalgia !
Sonho-te Vénus da antiga estatuária
Que ao espírito, em luz, dá alegria.
Dorme hoje no meu sono, ó solitária !...
Ah !...Veste-me de ti.... ó simpatia
!!!...
Cotovia-Portugal
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DÁLIA NEGRA
Humberto soares santa
Ó africana semente !...
...Quem te trouxe de além-mar
Rumo a outro continente,
Para terra tão diferente
Da terra do teu lugar ?
Rainha de mil amores !
Cor de ébano, menina,
No jardim, entre outras flores,
Cor perdida entre outras cores,
Negra flor que nos fascina !
Dália negra !... Qual o fim ? !...
Linda flor !... Que é da ventura ?
Que é de ti nesse jardim,
Sonhando com o jasmim
Que te roubou a frescura ?
Cotovia-Portugal
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A NUVEM
Humberto soares santa
Sei não ter energia pra ser estrela
Mas tenho o meu lugar no infinito
Qual branca nuvem no azul bonito,
Alvo espelho de luz, que o Sol revela.
Essa nuvem, no céu vós ireis vê-la
De contorno indefinido, meio esquisito,
A parte do meu ser em que acredito,
Volátil, orgulhosa, informe e bela !
A nuvem... alma minha, ilusão !
Verá que o ser humano não melhora :
Só os poetas e os loucos sonharão.
A nuvem, correrá p’lo mundo fora
E as lágrimas que em chuva cairão
Serão da alma-nuvem que em mim chora !
Cotovia-Portugal
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A SOMBRA
Humberto Soares Santa
A Sombra deslizou pelo salão
E parou frente ao trono do Poder :
- Tudo o que podes, não te vai valer
Porque o Poder não passa de ilusão.
Levantou-se o Poder com decisão :
- O que dizes...ó sombra deprimente
?!...
Como te atreves tu, que nem és gente,
A sentir o poder da minha mão ?!
- Não há força que valha, quando passo,
Sou eu, a Sombra, quem te dita a sorte.
Não há Poder que fuja ao meu abraço
Quando eu, a Sombra, o aperto forte.
Todo o Poder, aonde vou, desfaço !
Se tu néscio, és Poder, eu sou a Morte !
Cotovia-Portugal
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A TÚNICA
Humberto Soares Santa
Levei o meu silêncio à catedral.
Ajoelhei entre os bancos alinhados
Sentindo em mim, o peso dos pecados,
Quedei-me ali, na nave principal.
O Sol abria cor num só vitral
Com Cristo e dois ladrões dependurados.
Guardas romanos que jogavam dados
Davam a cor do sangue àquele local.
Era jogado o espólio do inocente,
A túnica do próprio Redentor.
Senti-me a testemunha ali presente
E olhei a opulência ao meu redor.
Se nada fiz, nem quis mudar tal gente,
Fui eu que te matei... ó meu Senhor !
Cotovia-Portugal |
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