SEBO LITERÁRIO

autor

 
 

HUMBERTO VERÍSSIMO SOARES SANTA

 

 

ESTRELAS CADENTES
Humberto Soares Santa


Há estrelas a cair no meu quintal,
Riscos de luz divina... são pedradas
De fogo que do céu são atiradas
E queimam... quando sinto o seu sinal.

Na solidão da noite... é fatal !...
Sinto a angústia e a dor dessas picadas,
Brasas prò coração arremessadas,
Sinais de correcção do que fiz mal.

Esta hora... é a hora das estrelas.
Caem para queimar o que é ruim.
Olha bem para o céu !... Estás a vê-las ?!

São milhares !... Parecem não ter fim !....
Luminosas !... fugazes !... muitas delas...
São os olhos de Deus postos em mim !...

Cotovia-Portugal

 

 

 

EU VI UM HOMEM CHORAR
Humberto Soares Santa


Quis parar por um momento
Numa pausa reflectida
Pra afastar o sofrimento
Que me torturou a vida.

Já voguei por muitos mares,
Já contei muitas estrelas,
Já respirei puros ares,
Já vivi coisas mui belas.

Quando me pus a pensar
Que ontem era um fedelho,
Só vi o tempo a passar :

- Serei louco ?... Estarei velho ?...
Eu vi um homem chorar,
Quando me olhei ao espelho.

Cotovia-Portugal

 

 

 

EVA
Humberto Soares santa


Ó dona do meu ser !... ó Eva pura !...
Perdida entre a maçã e a serpente,
De ti nasci e só por ti fui gente,
Sopro de Deus lançado à desventura.

Donde provim ?... Ó mãe !... ando à procura
Desse lugar tão perto e tão ausente,
Perdido no gemido de quem sente
Poder viver após a sepultura.

Que é de mim ?!... O que de mim sobrou
No Jardim de que foste escorraçada ?!
Diz-me mulher : - O que de mim ficou

Nessa hora nefasta e desgraçada
Em que Deus p’la primeira vez chorou
E na dor, te sentiste abandonada ?!...

Cotovia-Portugal

 

 

 

FELICIDADE
Humberto Soares Santa


Antes era o silêncio e mais nada !...
O nada foi faísca e deu-se o caos !...
O ruído fez-se fogo nos calhaus
E começou a longa caminhada.

A existência ficou aprisionada
Entre os silêncios de antes e depois.
Quando ADONAY juntar num só os dois,
Será num só silêncio libertada.

Então ela será eternidade !....
Findará a sofrida penitência,
Tudo será silêncio e a existência
Ali se chamará... FELICIDADE !

Cotovia-Portugal

 

 

 

ILUSÃO
Humberto Soares Santa


Como sopro de vento sibilino,
Hoje fugi!... De mim fiquei ausente!...
No espaço virtual da minha mente
Corri, saltei, brinquei e fui menino.

Na tela do meu espanto em desatino
O passado voltou e foi presente
No colorido ímpar, remanente,
Da gente que formou o meu destino.

Quando voltei a mim senti na mão
A água que os meus olhos e a saudade
Sugavam do meu velho coração.

Ausente da razão e da idade,
Envolto nesse halo de ilusão
Em êxtase, eu fui felicidade.

Cotovia-Portugal

 

 

 

LÂNGUIDA PAIXÃO
Humberto Soares Santa


Ó dona da paixão cândida e pura!
Ó linda anfitriã dos meus abraços !
Transporta-me contigo aos amplos espaços
Aonde mora o amor e a paz perdura !...

Ó bela!... Ó divina formosura !...
Ó lânguida paixão dos embaraços
Criados p’las carícias desses braços
Que inebriam e levam à loucura !

Que me importa mulher, se eu morrer
E o teu regaço for minha mortalha
Onde sucumbirei feito prazer

No calor desse corpo que agasalha.
Ó divina !... Assim quero morrer!...
Vencido p’lo amor, nessa batalha!

Cotovia-Portugal

 

 

 

 
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