SEBO LITERÁRIO

autor

 
 

HUMBERTO VERÍSSIMO SOARES SANTA

 

 

LEMBRANÇAS
Humberto Soares Santa


Vejo os moinhos da aldeia
Do meu tempo de criança.
Percorro os campos floridos,
Ouço no mar os gemidos
Do vento que ali vagueia...
...Tudo me vem à lembrança !...

Relembro a menina linda
(Era neta da Ti Esperança)
Ouço o piar dos pardais
A brincar entre os trigais
Num saltitar que não finda...
... Tudo me vem à lembrança !...

Recordo o tempo das segas...
O vai de roda e a dança,
Com os rostos das moçoilas
Vermelhos como papoilas
E a água a correr pràs regas...
... Tudo me vem à lembrança !...

Ai, que milagre, meu Deus !...
Voltei hoje a ser criança
Num assomo da saudade
Que me renovou a idade.
Dos anos que foram meus...
... Tudo me veio à lembrança !

Cotovia-Portugal

 

 

 

LIBERDADE
Humberto Soares Santa


Leio em ti as palavras escondidas
Nas bocas que se fecham aos algozes.
Mensagens que nos chamam, meio perdidas,
Nas palavras contidas noutras vozes.

Vejo-te presa aos olhos dos ferozes
Déspotas, ditadores e homicidas,
Senhores dos discursos e das poses,
Cinzentos nos percursos e nas vidas.

És dona da razão e da verdade,
Símbolo da amizade e da união,.
Ergue bem alto o facho, ó Liberdade !

Nunca o deixes cair em suja mão.
Que nele se ateie o fogo da igualdade,
Que dele só brote a chama da razão !...

Cotovia-Portugal

 

 

 

LOUCOS
Humberto Soares santa


Os loucos deambulam p’la cidade
E clamam : - É agora !... é agora !...
Venham, juntem-se a nós !... Chegou a hora
De respirar ar puro e liberdade !

Os velhos riem. Ri-se a mocidade.
- São tolos !.... Não nos macem !... Vão-se embora !...
A cidade traída já não chora,
Só ri, quando lhe falam da VERDADE.

A rejeição é feita contra os loucos
E eu também me perco na aventura
Mas os loucos ainda são tão poucos

Que andam, de outros loucos, à procura
E vão gritando até ficarem roucos :
-Ser louco por amor não é loucura!

Cotovia-Portugal

 

 

 

MAGNA MATER
Humberto Soares santa


Gaia, a magna mater angustiada,
Deusa, mãe de Cronos, mulher de Uranos,
Sofrida com a dor dos desenganos,
Adormeceu no céu, triste e cansada.

No Hades sulfuroso, à gargalhada,
Demónios revoltados, traçam planos
Pra que a Terra estoure em poucos anos
E seja por humanos, mal amada.

Gaia, adormecida, em pesadelo,
Abraça o mundo e freme de vergonha
Por plantar em si, joio e bacelo

Da vinha da mentira e da peçonha !....
Daí nasceu a guerra e o atropelo
E Gaia, já não dorme... já não sonha !

****
GAIA, GE, GEA ou GEIA
Deusa greco-romana que personificava a Terra.
Mãe Universal da vida.


Cotovia-Portugal

 

 

 

MARIA
Humberto Soares Santa
Para a minha mãe, neste dia das mulheres


Maria é minha mãe.
Maria me deu à luz,
Sendo Maria também
A doce mãe de Jesus !...

Avé, mãe!... entre as Marias
Tu és todas as mulheres.
Oh!..., senhora dos meus dias,
Tem calma !... Não desesperes
Porque há-de chegar o dia
(Podes sorrir, se quiseres)
Pois verás com alegria,
Que sempre, em todos os dias,
Sem temores, sem agonias,
Serão dias das mulheres !...

Cotovia-Portugal

 

 

 

NAVE TERRA
Humberto Soares Santa


Ó nave interstelar onde navego
Com rumo a um lugar que desconheço,
Já que aqui vou, a ti me vergo e peço :
Leva-me ao Capitão, porque estou cego !...

Nauta errante que sou, nem sei se nego
O que antes vi !... Aquilo em que tropeço
Não é viver!... é a pena que mereço
Por não pesar a infâmia que carrego !

Na nave peregrina da lonjura,
Berço da vida humana, que o Divino
Criou com a razão de quem procura

Perfeição na criação e no destino.
Perdi-me por cegar nesta aventura !...
Morri !... quando deixei de ser menino !..

Cotovia-Portugal

 

 

 

 
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