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SEBO LITERÁRIO
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Isabel Cristina Silva Vargas |
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CONTOS
Pág. 4 de 7
Pág.
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Destino
Restaurante,
personagem
irreal,
rua,
chuva,
relâmpagos,
tormenta,
medo,
táxi,
hotel.
Descanso...
Beatriz
adormeceu.
Sonhos,
lugares
conhecidos,
verões
agradáveis
na
companhia
de
amigos.
Formaturas,
conquistas.
Viagem
à
Paris
ao
lado
de
Antenor.
Alegrias.
Tudo
se
misturava
com
brigas
diárias,
rotina,
desejo
de
fugir.
Não
sabia
onde
se
encontrava.
Uma
estrada
estreita,
de
barro
vermelho
surge
à
sua
frente.
Encontra-se
na
zona
rural.
Ouve
o
barulho
de
água
a
correr
entre
as
pedras.
Mata
verde.
Ar
puro.
Respira
profundamente.
Pássaros
cantam.
Lugar
calmo
e
convidativo.
Salta
entre
as
pedras.
Atravessa
o
arroio.
Arrisca-se.
Embrenha-se
na
mata.
Caminha
até
a
exaustão.
Surgem
caminhos
à
sua
frente.
Olha
para
trás.
Não
dá
para
retornar.
Tem
que
seguir
em
frente.
Que
caminho
tomar?
Fica
em
dúvida,
como
em
toda
sua
vida.
Sente
medo.
Este
sentimento
também
é
conhecido.
-
Droga!
Tudo
igual.
Realidade
e
Sonho.
Corre,
tropeça.
Cai.
ACORDA!
Respiração
ofegante,
suor,
novamente
o
medo.
Abandono.
Levanta-se.
Vai
à
janela.
A
chuva
cessou.
O
sol
retorna
tímido.
Sua
esperança
também
Isabel
Vargas
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Destinos
Kika sempre foi
uma pessoa
curiosa. Quem a
vê não imagina a
sua maneira de
pensar, nem suas
convicções das
quais não se
afasta por nada.
A aparência é
avançada. Fora
dos padrões
normais. Nos
conceitos de
família, vida
pessoal é mais
regrada. Apesar
de não ter
religião
respeita a
crença dos pais
e não deseja
criar maiores
conflitos além
das desavenças
habituais pela
sua aparência
física, para
eles muito
ousada. Decidiu,
então, morar
sozinha. Sua
situação
financeira é
estável. A banda
já lhe rendeu
algum dinheiro
que guardou para
realizar o sonho
de comprar um
apartamento.
Assim poderá
receber os
amigos sem
problemas. Seu
pai não os
tolera. Não pela
aparência um
tanto exótica,
mas pelo fato de
, eventualmente,
utilizarem
maconha. Fazem
isto em qualquer
lugar. Kika é
contrária a este
hábito. Não faz
uso disto.
Nunca. Não
conseguiu
dissuadi-los de
utilizarem.
Foi uma
terça-feira que
foi ao encontro
do corretor com
quem tratou por
telefone ao
ligar para uma
imobiliária para
se informar de
um imóvel que
vira em anúncio
no jornal.
Edmilson era seu
nome. Combinaram
encontrar-se na
imobiliária e de
lá seguirem
juntos para ver
o apartamento.
Lá chegando foi
direto na
recepcionista a
quem informou
que desejava
encontrar o
corretor
Edmilson.
Ele, que vinha
entrando na
recepção, mal
olhou no rosto
de Kika. A
aparência
"gótica" da moça
não o levou a
imaginar que
aquela era a
cliente. A voz
suave não
condizia com a
aparência.
A recepcionista
informou que a
moça desejava
falar-lhe.
Edmilson, sem
olhar para ela
informou que não
poderia atender
ninguém, pois
estava ocupado.
Sem dar atenção
à cliente entrou
na sua sala.
Kika já estava
acostumada a ser
alvo de
discriminação em
virtude da
aparência nada
convencional.
Pediu licença e
foi entrando
escritório
adentro sem
bater. Soltou de
um fôlego só uma
enxurrada de
palavras.
- Olha aqui, seu
tratante. Não me
desloquei de
ônibus, sem café
para cumprir o
compromisso
agendado e
chegar aqui na
hora marcada,
para encontrar
um corretor
irresponsável,
bobalhão que nem
na minha cara
olhou e que por
certo deve achar
que não tenho
condição de
comprar nenhum
apartamento.
Agora quem não
quer sou eu. Vou
procurar outro
corretor. Deve
haver
profissional
mais educado e
competente.
Virou-se e saiu
com o mesmo
ímpeto que
entrou na sala,
sem dar tempo
para que ele
esboçasse
qualquer reação.
...
Passaram-se dois
dias.
Edmilson achou
que deveria
ligar para Kika
e desfazer o mal
entendido. Não
tivera a
intenção de agir
de forma
preconceituosa.
Afinal, ele
próprio não era
nenhum "Gianechinni
da Globo" e
sabia que era
não se enquadrar
no estereótipo
de beleza. O
mercado de
trabalho se abre
para jovens,
belos, altos,
sarados, bem
falantes e que
vendem uma bela
imagem. Aos
demais resta um
corpo a corpo
diário para
comprovar
competência,
embora esta nada
tenha a ver com
aparência
física.
Mesmo sem
intenção pisou
na bola, como se
diz na linguagem
de futebol.
A moça não
parecia muito
convencida, mas
aceitou as
desculpas e
marcaram uma
nova data para
examinarem o
apartamento.
Desta vez se
encontrariam na
porta do
edifício. Ele já
estaria à sua
espera.
Assim foi feito.
Fazia questão de
olhá-la bem nos
olhos ao lhe
falar assim
tentaria
desfazer a
primeira
impressão.
Saudou-a com um
sorriso
estampado no
rosto.
Ainda
desconfiada,
Kika respondeu
ao cumprimento
com um meio
sorriso.
Subiram.
Ele falava o
tempo todo sobre
as vantagens da
localização do
apartamento, do
tipo de
construção, suas
características,
o tipo de
morador dali, as
conveniências do
entorno.
Até parecia bem
simpático,
alegre, olho
brilhante. Isto
chamou sua
atenção. Gostou
daquele brilho
no olhar.
Prendia a
atenção das
pessoas. Era
como um ímã. Não
conseguimos nos
desgrudar. É
típico de quem
tem luz interior
e de quem faz o
que gosta.
O brilho se
expande pelo
rosto e nos
atinge. Atrai.
As mãos, que não
paravam de
gesticular
mostrando a
grande janela
com uma linda
vista para um
pequeno parque,
eram bem
cuidadas, de
unhas bem limpas
e, apesar dele
ter uns
quilinhos a
mais, eram
longas e
bonitas. Deviam
ser macias
também.
Quando percebeu,
ao invés de
olhar cada
cômodo, olhava
para cada parte
do rapaz que lhe
chamava a
atenção: os
olhos e as mãos.
Ela a tratava
com gentileza e
atenção, bem
diferente da
outra vez.
Estava gostando.
Tanto que ao
saírem do
apartamento ,
quando ele
perguntou se
poderiam se
encontrar
novamente para
conversarem
melhor ela logo
assentiu. Desta
vez com
simpatia, um
aperto de mão,
que ele
retribuiu com um
longo sorriso,
um olhar mais
brilhante ainda
e um longo e
suave beijo no
rosto.
Ela gostou.
Fechou os olhos.
Será que estava
apaixonada ?
Não podia
acreditar.
Isabel
Vargas
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Dúvida
Linda conhecera
Olavo aos treze
anos. Ele tinha
vinte e um.
Homem alto,
forte, origem
européia. Pessoa
de gênio forte,
disciplinado,
exigente.
Ela era a mais
velha de quatro
irmãs, talvez
por isso
aparentasse mais
idade, pela
responsabilidade
de ajudar a mãe
a cuidar das
menores.
Naquela época, o
namoro era um
compromisso
sério e tinha
que ter o aval
dos pais.
Existiam regras
rígidas para
namorar. Só em
finais de
semana, hora
marcada, família
na volta. Deixar
a menina sozinha
com o
pretendente era
fora de
cogitação.
Como ele já
tinha emprego,
era mais velho,
demonstrava
responsabilidade,
não demorou
muito para
casarem.
Cumpriram os
rituais de
praxe, isto é,
pedido de
casamento,
noivado. Ela com
16 anos.
Ao homem cabia
sempre a última
palavra, além, é
claro, de ditar
todas as normas
da casa, como se
fosse o
comandante de um
quartel.
A despeito da
rigidez dele, da
falta de
demonstração
pública de
afeto, procurava
proporcionar
conforto e
diversão para a
família.
Na realidade,
para ser
imparcial, ela,
a esposa
demonstrava
temor frente a
ele e por isso
zelava para o
fiel cumprimento
dos desejos
dele. Tinha medo
dele se
aborrecer.
Quando isso
acontecia ele se
tornava
grosseiro na
frente de
qualquer pessoa.
Sequer pensava
em questionar as
ordens.
Tornou-se um
fiel capataz do
lar, ou ajudante
de ordens, se um
quartel fosse.
Hora de
levantar, de
almoçar,
estudar, tomar
banho, deitar
eram cumpridas à
risca para
aborrecimento
dos filhos.
Barulho em hora
de ele dormir a
sesta era
sacrilégio. Isso
se ela fosse
católica. Como
não era,
tornou-se regra
a ser cumprida
sem
questionamento.
Regras que
serviam para
reafirmar a
autoridade de
alguém que tinha
um papel árduo
para
desempenhar,
considerando a
educação que
recebera dos
pais, vindos de
uma região da
Europa,
castigados pelas
agruras
passadas.
O amor não
aparecia. Ficava
sufocado pela
autoridade.
Por muito tempo
a vida familiar
seguiu assim.
Ela zelando pelo
cumprimento do
ordenamento
ditado por ele,
referentes a
casa, os filhos,
ao cachorro e
aos desejos dele
próprio. E do
que ela
denominava
deveres
conjugais.
Como ela fora
alfabetizada
pela mãe, não
estudara em
escola regular,
trabalhar fora
não era cogitado
por nenhum dos
dois, mas em um
período de
maiores
dificuldades ela
começou a
trabalhar em
casa, cortando
cabelo de
mulheres. Ainda
economizava
cortando o
cabelo do marido
e dos filhos.
Aprendera o
ofício com uma
amiga que morava
próximo.
A vida seguia em
um ritmo
cadenciado, sem
imprevistos,
desvios ou
contra-ordens
até que ele de
dispôs,
gentilmente,
abnegadamente a
ensinar a prima
de Linda a
dirigir. Uma
jovem bonita,
solteira,
alegre, bem
educada,
professora e que
queria dirigir
para ter seu
próprio carro.
No início ela
até saía junto.
Mas com o tempo
as aulas
passaram a ser
mais freqüentes.
E ela não podia
deixar as
clientes, a lida
da casa, o
cuidado com os
meninos que já
estavam ficando
mocinhos.
Então, os dois,
Olavo e a prima
Vanda passaram a
sair sozinhos
para as aulas.
Intermináveis
aulas. Até que o
vulcão que vivia
apagado, ou
contido pelas
regras emanadas
do ditador e que
ela com o tempo,
sem se dar
conta, assumira
como suas
também, em nome
da convivência
aparentemente
harmoniosa,
explodiu. E, de
uma forma tão
intensa que não
houve palavra
dele que a
convencesse de
sua inocência e,
sobretudo, da
inocência da
prima a quem
considerava uma
irmã.
Aí foi a vez de
ele calar-se.
As ordens
partiam dela. A
prima, ela nunca
mais visitou,
nem permitiu a
entrada dela na
sua casa.
Comunicou às
irmãs que teriam
que escolher: ou
ela, ou a prima.
Não haveria
lugar para as
duas na
convivência
familiar.
Linda e Vanda
jamais se
falaram.
Em casa, o
assunto morreu
ali.
Isabel
Vargas |
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Elos
Juvenal
tem
muitas
lembranças
da
infância.
Família
grande,
pai,
mãe
e
quatro
irmãos.
A
mãe
não
trabalhava
fora.
Era
analfabeta,
cuidava
dos
filhos
e em
épocas
que
a
situação
apertava
ela
trabalhava
fazendo
faxinas
em
casa
de
família.
De
trabalho
regular,
só o
pai
que
era
vigia
de
uma
grande
empresa.
Trabalhava
12
horas,
usava
um
bastão,
revólver
e um
relógio
que
ele
utilizava
para
marcar
as
voltas
que
dava
em
todo
quarteirão
da
empresa.
No
verão
o
trabalho
não
era
de
todo
ruim,
principalmente
quando
fazia
o
turno
do
dia.
Havia
movimento.
Podia
prosear
com
um
ou
outro
e o
tempo
passava
mais
rápido.
O
problema
era
à
noite.
Aí o
trabalho
se
tornava
muito
solitário,
além
de
perigoso.
Tinha
que
fazer
a
ronda
de
rua
e
dentro
das
salas
da
empresa.
Nestas
ocasiões
carregava
um
chaveiro
com
dezenas
de
chaves.
Tinha
que
entrar,
revisar,
fechar
portas.
Naquela
época
não
havia
alarmes
eletrônicos,
cercas
elétricas.
Cada
vez
que
o
pai,
Romeu,
chegava
a
casa
sentiam
um
alívio.
Isso
na
ronda
noturna,
que
era
sempre
alternada.
No
inverno
era
um
trabalho
difícil,
não
dava
nem
para
tentar
ficar
mais
tempo
dentro
do
local,
porque
tinha
que
marcar
as
voltas
realizadas.
Depois
o
chefe
conferia
se
ele
tinha
feito
tudo
nos
conformes.
Era
muito
cuidadoso
com
tudo,
inclusive
o
uniforme.
Acho
que
ele
se
sentia
como
um
policial,
alguém
com
algum
poder,
pois
zelava
pelo
patrimônio
da
empresa,
carregava
arma,
tinha
chaves
e
cadeados
de
lugares
que
precisavam
ser
muito
bem
cuidados,
entre
eles
o
cofre
onde
depositavam
todo
o
dinheiro
do
dia.
Não
havia
carro
forte
como
agora,
assim
não
era
possível
depositar
o
dinheiro
ao
final
do
expediente.
Isso
era
feito
pelo
contador
na
manhã
seguinte.
O
pior
era
em
final
de
semana
que
acumulava
o
dinheiro
de
sexta
e
sábado
pela
manhã.
Nestas
ocasiões
ele
chegava
a
sentir
calafrios
na
barriga
só
de
pensar
o
dinheirão
que
ficava
lá
guardado.
Com
todo
aquele
dinheiro
lá
não
era
de
duvidar
que
alguém
tentasse
assaltar.
Juvenal
recorda
as
conversas
que
mantinha
com
o
pai
quando
ele
contava
que
apesar
de
não
ter
estudo
não
se
sentia
rebaixado
perante
as
outras
pessoas,
pois
era
uma
pessoa
de
confiança,
gozava
de
uma
boa
reputação
na
empresa,
e
zelava
pelo
patrimônio
alheio.
Só
que
Romeu
não
sabia
que
uma
turma
das
imediações
cuidava
toda
a
sua
rotina.
Preparavam
um
golpe,
que
ao
ser
aplicado
funcionou
como
planejaram.
Assaltaram
o
local,
levaram
uma
razoável
quantia
de
dinheiro
e
por
ser
gente
habilidosa
no
trato
da
safadeza,
apesar
de
pegos,
envolveram
o
pobre
que
para
sua
defesa
só
tinha
a
sua
palavra
e o
histórico
de
vida,
que
não
serve
de
muito
quando
a
malandragem
é
grande.
Os
ladrões
afirmavam
que
eles
agiram
de
acordo
com
o
vigia,
que
facilitou
a
entrada
deles
.
Apelos
alegando
a
vida
pregressa,
as
condições
de
pobreza,
a
falta
de
condições
de
pagar
advogado
não
valeram
de
nada.
Romeu
ficou
preso
para
investigação
por
algum
tempo.
Os
demais
saíram
rápido,
pois
não
precisavam
de
assistência
gratuita.
Romeu
perdeu
o
emprego
e a
sanidade.
Vivia
fechado
no
quarto
(depois
de
sair
da
triagem
onde
ficou
preso
algum
tempo).
Examinava
cadeados
que
ele
pedia
para
Juvenal
trazer,
pensando,
arquitetando
saídas
para
tentar
descobrir
como
eles
tinham
roubado,
sem
violarem
portas,
cadeados,
cercas
e
não
achava
solução.
Acabou
sendo
internado
pela
família
em
um
hospital
psiquiátrico,
de
onde
fugiu
e
passou
a
viver
nas
ruas.
Não
conseguiram
mais
encontrá-lo.
A
mãe
–Filomena
-
teve
de
trabalhar
de
doméstica
deixando
os
filhos
na
creche.
Juvenal
que
era
o
mais
velho,
não
pode
deixar
de
lembrar
do
pai,
todas
as
vezes
que
fecha
os
cadeados
das
portas
do
sanatório,
onde
hoje
trabalha.
Os
cadeados
que
se
abriram
para
seu
pai,
o
mantêm
prisioneiro
das
lembranças.
Isabel
Vargas
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Encantamento
Leninha
sempre
fora
muito
medrosa.
Não
gostava
de
escuro,
de
histórias
de
assombração,
de
bruxas,
nada
que
de
uma
forma
lhe
transmitisse
insegurança.
Talvez
o
medo
a
instigasse
a
ponto
de
ficar
a
pensar
constantemente
no
assunto
e,
segundo
dizem,
atrair
para
si o
que,
na
realidade,
não
queria.
Certa
noite,
antes
de
dormir,
deu
uma
volta
no
pequeno
jardim
de
sua
casa.
Nele
havia
um
pinheiro
plantado
por
seu
pai,
logo
que
compraram
a
casa.
Ele
quando
comprado,
segundo
seu
pai
dizia
devia
ter
um
metro
de
comprimento;
Na
realidade,
embora
o
tamanho,
ele
era
novo
como
ela.
Uns
dez
anos.
Só
não
cresciam
na
mesma
proporção.
Sempre
que
o
tempo
estava
muito
úmido,
na
volta
do
pinheiro
cresciam
muitos
cogumelos.
A
região,
por
natureza
é
úmida.
Azálea,
amor
perfeito,
brincos
de
princesa,
hibisco
e
hera
eram
as
outras
espécies
de
plantas
que
existiam
ali.
Seu
pai
quando
via
os
cogumelos
desejava
arrancá-los.
Não
sabia
se
tinham
algum
veneno
ou
não,
o
que
poderia
prejudicar
os
cães,
pequenos
e
delicados.
Ela
sempre
dava
um
jeito
de
impedir
que
ele
fizesse
isso.
Achava
os
cogumelos
tão
bonitinhos.
Pareciam
de
histórias
infantis.
Quando
sentava
embaixo
do
pinheiro
conversava
com
eles.
Perguntava-lhes
se
eles
eram
moradias
de
seres
pequeninos,
elfos
ou
duendes
não
sabia
precisar.
Nesta
noite
fez
isso
mais
uma
vez.
Tinha
muita
curiosidade.
Lia
muito
sobre
seres
encantados,
mas
nunca
vira
algum.
Andou
pelo
jardim,
olhou
as
estrelas,
conversou
com
cada
pequena
planta
e só
então
foi
deitar-se.
Queria
deixar
a
janela
aberta,
mas
a
aragem
fria
da
noite
não
lhe
permitiu.
Achava
que
a
janela
aberta
facilitaria
a
entrada
de
algum
ser.
Na
verdade,
seu
pequeno
jardim
era
sua
floresta
encantada.
Para
seus
pais,
pessoas
naturalmente
distante
das
coisas
mágicas,
pois
tinham
que
se
preocupar
com
coisas
mais
sérias,
inclusive
zelar
pela
segurança
diziam
que
o
máximo
que
aconteceria
seria
um
ladrão
entrar
pela
janela
aberta.
Conformou-se
e
foi
dormir.
Muito
aborrecida.
Apagou
a
luz,
puxou
as
cobertas
da
cama.
Só
um
facho
de
luz
entrava
pelas
venezianas
da
janela
do
quarto.
Adormeceu.
Um
tempo
depois
sentiu
como
se a
chamassem.
Ficou
em
um
misto
de
sonho
e
realidade.
Virou-se
para
o
outro
lado.
Seus
olhos
bateram
na
ponta
da
cômoda,
exatamente
onde
o
raio
de
luz
batia.
Assustou-se.
Sentado
displicentemente
na
beira
do
móvel,
um
ser
inimaginável.
Ou
melhor,
imaginado
sim,
mas
só
no
mundo
da
fantasia.
E
ali
era
real.
Seu
quarto,
suas
coisas
e
ele
ali.
Então,
era
real.
Ele
sorria
para
ela.
Sorriso
brincalhão.
Parecia
que
já a
conhecia
e a
seus
pensamentos
também.
Não
sabia
definir
se
era
um
duende,
um
elfo.
Nem
sabia
muito
bem
a
diferença
entre
eles.
Só
sabia
que
eram
protetores
da
natureza.
Tinha
um
sapato
igual
àqueles
que
via
nas
histórias,
bem
comprido
com
a
ponta
virada
para
cima.
Era
marrom.
A
calça
cinza
e o
casaco
verde.
Na
cabeça
um
gorro
com
a
ponta
caída.
Quando
ele
se
mexia,
parecia
que
mudava
de
cor.
Parecia
um
arco-íris
em
sua
cabeça.
Em
outros
momentos
parece
que
se
transformava
em
uma
estrela.
O
que
lhe
chamou
a
atenção
é
que
ele
sorria
muito.
Sorria
e
falava
que
sabia
quem
ela
era
e de
como
gostava
das
coisas
da
natureza.
Pediu-lhe
que
continuasse
assim.
Seus
cuidados
tinham
muito
valor
porque
só
com
o
cuidado
de
todos
haveria
vida
no
futuro.
Que
cabia
às
pessoas
como
ela,
de
coração
puro
e
comprometidas
com
o
bem,
espalhar
esse
sentimento
de
cuidado
e
proteção
para
um
número
sempre
crescente
de
pessoas.
Leninha
comprometeu-se
com
ele.
Mas
desejava
que
ele
aparecesse
mais
vezes.
Ele
despediu-se
e
ela
seguiu
dormindo.
Ao
amanhecer,
abriu
os
olhos,
sem
se
recordar
de
nada.
Quando
se
levantou
viu
um
pequeno
buquê
de
flores
do
campo
sobre
a
cômoda.
Lembrou-se
do
ocorrido.
Não
fora
um
sonho.
Isabel
Vargas
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Livro de Visitas

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