Sebo - Joaquim_Marques

SEBO LITERÁRIO

autor

Joaquim Marques
 
 

 

 


LÁGRIMAS DE EMOÇÃO

Quando te olhei, vi lágrimas tuas
Rolarem em fio p'lo teu belo rosto.
Emotivas, caíram-te nas mãos, nuas...
Com um beijo, eu lhe tomei o gosto.

Esse beijo jamais será esquecido
Mesmo que envolvido em bruma
De mistério extático, adormecido...
Ele é como da onda, pura espuma.

Em meus lábios ficou o sabor do sal
Das lágrimas que banharam tua mão
E são agora mosto em meu coração.

Desse composto de fruto maduro
Bebo hoje o suco da fermentação
De tuas lágrimas, o néctar mais puro.

Joaquim_Marques

 

 

MODÉSTIA

Sem soberba, vivo a vida
De uma maneira singela;
Não quero a vida despida...
Mas cuido os atavios dela.

Nem plebeu nem soberano
Vivo em minha singeleza...
Não sendo nobre sou lhano;
Sou povo, sem ser nobreza.

Joaquim_Marques

 

 

NA LINHA DO TEMPO!...
(Sextilhas)

As nuvens vão-se tornando pardacentas
Vezes esbranquiçadas, vezes cinzentas…
A Portugal chega o Outono!
Das árvores – as folhas – num misto de cores
Dos jardins – as pétalas – que foram flores
Caem e rolam no chão ao abandono…

Num contraste gerado p’la Natureza
Desabrolham flores de rara beleza…
Numa Primavera que chega ao Brasil!
Aquecidas p’lo Sol que as afaga
Com raios de luz que a noite apaga
O céu as envolve num azul anil…

Mas, mesmo com todas as constatações
O tempo, não conseguirá contradições…
Para dividir dois países irmãos!
Seja Primavera, Verão, Outono, Inverno;
Portugal e Brasil num amor fraterno
Sempre estarão unidos, dando as mãos!

Joaquim_Marques

 

 

NOITES SILENCIOSAS

É nas noites silentes que revejo
Meus versos atados em profusão.
Por companhia, o silêncio desejo
Para fazer premente arrumação...

É ele que me traz a inspiração
A lua me alumia com seu luar
Para escrever versos de emoção
Na minha janela, virada pró mar.

Depois fico só, olhando as estrelas
Musas vaidosas, sempre a cintilar...
Das ondas escuto, o seu marulhar!

De vozes de sereias, vêem cânticos...
No silêncio da noite, as oiço cantar
Em uníssono, meus versos românticos.

Joaquim_Marques

 

 

NOVELO DA VIDA

A vida é mesmo um novelo
Deve ser desfiada com zelo.
Pois sem agravo nem apelo,
Muita vez, dá nó e laço...

Depois para desfazê-lo
Fica a textura sem pelo.
E, assim, o fio do novelo,
Da trama, perde um pedaço.

Com o máximo desvelo
Muitos tufam o novelo...
O se-lo, passa a parecê-lo...
E ninguém dá fé do inchaço...

Joaquim_Marques

 

 

O ANSEIO DA ESPERA

As ver passar as horas,
Cada uma delas me parece um dia,
Dos poucos que vou ter que esperar por ti.
No entanto eles parecem anos.
Por quê?
Apenas porque nos amamos...
E, a cada batida de nosso coração
Sentimos uma ansiedade
Que mais parece dor...
Em cada segundo que esperamos.
Num sonho imaginário
Eu te vejo, amor,
Sentada a olhar o mar,
Fixando a linha do horizonte
Onde o azul do céu parece tocar
O oceano imenso!
Então, eu penso...
Que teu pensamento
Trazido pelo vento,
Me procura, para me acenares
E me contares
As maravilhas da ilha paradisíaca
Onde te encontras...
Mas não te vejo deste lado, amor!
Porque nuvens cinzentas
Ameaçando tempestade
Não me deixam ver-te!
Então, te mando
Na espuma branca das ondas...
Beijos...
Que teus pés irão beijar
Quando corres a saltar
Do outro lado do mar!...

Joaquim_Marques

 

 

O CAMINHO CERTO

Como tantos, na vida andei perdido.
Tive anseios favores e desenganos…
Meus olhos só viam amores profanos
Meu coração não ficava convencido!...

Quis analisar o caminho percorrido
Ajoelhado num templo, orei. Orei…
Ao Bom Jesus pedi perdão, porque pequei
Graças a Ele, hoje sei o chão que piso!

É preciso ter fé! Ela nos redime!…
Deus habita em nós, nos alivia dores...
Assim como todo mal que nos oprime.

Hoje, mesmo que caminhe num deserto
Olho e vejo pegadas nas areias...
Que me indicam sempre o caminho certo!

Joaquim_Marques

 

 

O CORAÇÃO ESTÁ EM TI

As dores vão mas voltam a fio,
juntas com as ondas do mar, sem dó...
Para quê, então, sentir tanto arrepio
das frias águas... E, em seguida, ficar só?

Da chegada, que sabes, esquece a hora!
Afasta a angústia que tens dentro do peito!
Deixa que teu coração aflore... Agora...
E... Aguarda a ternura com muito jeito.

Nunca te compares a essas conchas perdidas;
jamais, deixes afogar no mar, teu coração...
Para as gaivotas que estão de asas feridas...
Sempre se encontra adequada solução!...

Depois de curadas tuas asas... ilusórias...
Se vires aproximar do porto, alguns veleiros,
Toma cuidado com fantasiadas histórias...
Que costumam contar os marinheiros!...

Vê lá!... Teu coração, no mar, não deixes!
Não almejes ficar por lá, perdidos tempos...
Para que ao despertares não te queixes,
De nunca terem chegado a ti, os novos ventos!...

Sê uma gaivota perseverante e cuidadosa
Deixa que os outros pássaros possam voar...
Aguarda! Pois a nova hora, espera ansiosa,
O momento... De, gloriosamente, te encontrar!

Ao fim da tarde, poderás fazer teu rodopio...
Sem precisares de qualquer treino ensaiar;
Voarás normalmente, sem qualquer calafrio...
Porque teu coração está em ti... e não no mar!

Joaquim_Marques

 

 

OUTONO DA VIDA
(Sextilhas)

No alvorecer das manhãs sem Sol
Dias em tom cinzento e sem arrebol
Olho p'las vidraças das minhas janelas
E, o verde esp'rança que meus olhos viram,
Nas árvores q' entretanto se despiram,
Agora, só vêem folhas amarelas...

Que formam belos tapetes p'lo chão...
Que, são pra pintores, bela inspiração.
Quis escrever versos e, de pena em riste
Esbocei na mente, uma lind' aguarela...
Tentei em poesia passá-la pra tela
Mas, apenas consegui um poema triste...

Poeticamente esbocei novo quadro!...
Caminhando agora na orla dum lago,
vi nas suas águas imagens invertidas
De hastes esguias de choupos gigantes
Que, em suas tremuras ondulantes...
Fizeram-me lembrar, outonos de vidas...

Que d'igual modo, tremem ao constatar...
De q' o Inverno está prestes a chegar
E, de que um dia, jamais voltará Primavera.
Porque ao envelhecer, sua roupagem...
Tal como as hastes que vi na miragem,
A vida deixa de ser tudo... que era...

Pro poema que tentei passar à tela
Através dos vidros da minha janela
Não encontrei as cores que queria...
Olhei a paisagem mais uma vez...
E, ouvindo a inspiração com sensatez,
Deixei na tela uma monocromia...

Joaquim_Marques

 

 

PAZ

 

Num golpe de autêntica magia
Se eu pudesse, daria,
a paz que desejava para mim!....
No Mundo
Eu semearia amor
Fecundo
Para que sua força
Pudesse fertilizar em toda
A Terra
Acabando com a desumanidade
Com a fome a desigualdade...
Com a guerra
Para que tudo se transformasse num
Paraíso terreal...
Onde a beleza principal...
A Natureza
Seria a estrela
De maior grandeza!
Dos jardins floridos desse éden
Brotariam as mais belas flores
Em variegadas cores...
Para serem colhidas por mãos suaves
Somente de amores!...
Seus campos nos dariam em profusão
O pão
De que precisamos pra viver.
Era esta a paz que, se pudesse,
Gostaria de dar
Ao Mundo!
Mas, para que isso acontecesse
Seria preciso exterminar
Tudo que é imundo...
E apenas ficar
O amor
A perpetuar!
 
Joaquim_Marques

 

 

PERFUME DA TUA RUA

Rosas lindas na janela
Perfumam a tua rua...
Feliz de quem por lá passa
Pois levam o cheiro, a graça,
Da graça... Que é só tua...

Quando desço a calçada
Levo nos olhos a cor...
Do matizado das rosas,
Que orvalhadas viçosas
Me dizem, olá amor!...
Olho-as, vezes sem fim
E através da vidraça...
Se arredas a cortina
Eu levo em minha retina
Da tua imagem, a graça...

Ao descer a tua rua
Sempre sinto emoção...
Viro a olhar tua janela
E o roseiral que há nela...
Até dobrar o quarteirão.

Joaquim_Marques

 

 

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