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Inflames
Da gavela o pão
Se faz presente
Quando a mão transforma
A semente.
E pela instância
As alforrias
Em liberdade
Pois a maldade
É irreversível
E o coração sensível
Busca a verdade
Contesta a realidade
Na revassa insana
E a afluir na paz
Que irmana,
Implode:
A morte da ganância,
Os muros de Berlim
Os guetos, os tronos,
O capitalismo...
Transformação,
Liberdade enfim!
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Perseguidos
Olhem esses olhos marejados
Dos caluniados e entristecidos
São corações feridos...amordaçados...
Como descrever ou entender
O autor dessa dor?
O mentor que consolida e extrapola
Seu poder.
São muitos...inumeráveis...
Erguendo seus tronos sobre cabeças,
Em nome da moral.
E toda a sombra que ameaça
Seu imaginado brilho
É rejeitada, afugentada...
Mas os perseguidos
Serão baluartes na graça do Pai.
Não dobraram os joelhos...
Para os maus conselhos,
E se vão sem morrer...
Porque Deus preencheu seus espaços,
E no seu regaço, no seu abraço
Tiveram maior brilho
E se eternizarão.
E na parusia as alegrias renasceram
E nela eternamente viverão!
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Nosso município fica numa região agropecuária muito rica, composta por campos férteis, com um solo com ouro, carvão e outros minérios. Nem por isso deixa de haver um certo desnível acentuado entre as camadas sociais. A cidade é pequena, mas já está rodeada por um cinturão de pobreza. Nosso trabalho no setor de Ação Social precisava se ampliar, porém, acabava se restringindo a pequenos atendimentos, ora por falta de material humano, ora por falta de apoio e incentivo por parte das autoridades competentes.. Estava tudo quase no anonimato. “Por volta dos anos oitenta, aconteceu uma grande enchente que levou o município a estado de calamidade pública”. As cas as que beiravam o arroio do Engenho foram arrastadas pelas águas e as famílias foram recolhidas aos salões de festas da Capela São Francisco e da Igreja Matriz até que se reconstruíssem suas casas. Com isso, criou-se a Vila do Matadouro (hoje Cristo Rei) a leste da cidade. Formou-se, então, uma vila de barracos improvisados. Muitos destes em precária situação. A coordenação da Ação Social voltou, então, as suas atenções para esta população e, com poucos recursos , iniciou um trabalho de Evangelização e de auxílios paliativos. Fomos observando a vida daquela gente, e entre elas a de uma senhora que estava na trina marginalização por ser pobre, idosa e negra. Ela tem por apelido “Tida”. Observando-a, inspirei-me para a poesia que segue:
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Lágrimas de Tidas
E num barraco à beira da estrada
Uma coruja canta toda a madrugada
E quando a aurora borda o horizonte
Se espelha na fonte a estrela boreal!
E a negra Tida, pobre, velha e preta
Na trina margem cala o ideal.
As mãos maltratadas por tantas geadas
São como a patena a ofertar o pão!
E a natureza nos seus alvores
Se fere em dores, sem a solução
No corpo cansado traz a alma leve
De quem certo escreve
As lições da vida
E a noite desce
Nas famintas bocas
Despejando em gota Lágrimas de Tidas!
Como os primeiros cristãos
Hoje, depois de uma pausa de mais de dois anos sem escrever nada para este documentário, retorno a fazê-lo. É precisamente 10h45, do dia 3 de setembro de 1990. Encontro-me junto ao birô na sala da primeira dama do município, Sra. Tânia de Davi Leão. É uma manhã fria, o céu acinzentado, o sol aparece por alguns segundos e logo é encoberto por intensa nublação. No período em que parei de escrever para este documentário, houve mudanças relevantes na comunidade e no meu trabalho. Alguns sofrimentos, contradições, indecisões e angústias vieram abalar o meu entusiasmo pela causa dos mais pobres sem, no entanto, faze-me retroceder na maneira de pensar e questionar as realidades. Por muitas vezes, senti-me uma pessoa feliz e muito sonhadora. Minha família também era feliz. Por isso, talvez, sempre quis retribuir a Deus esta graça tão grande. Logo pensei ser uma das melhores formas de gratidão levar o evangelho a toda a criatura e servir no que puder a Igreja, a toda a criatura especialmente os empobrecidos. Meu trabalho na Ação Social sofreu mudanças, conseqüência da troca de Párocos com linhas de ação um tanto diferentes. Em um determinado momento, o então novo pároco Pe. Joselino Serafini e vigário Pe. Enio José Rigo pediram-me a sala, junto à Paróquia onde funcionava a sede da Ação Social, alegando a falta de rendimento monetário para a paróquia a qual, segundo eles, encontrava-se em crise. Reformamos a antiga salinha desconfortável, ao lado da Igreja, e ali realizamos um trabalho centralizado para facilitar o acesso das pessoas de todos os bairros e vilas. Junto, funcionava e continua até hoje um balcão de empregos e ponto de recepção e distribuição dos donativos feitos através da entidade. Ali, por vários momentos, tivemos que fazer as vezes de médicos, psicólogos e até mesmo de padres, ouvindo as queixas, conciliando brigas familiares, receitando remédios caseiros, pois fazíamos um atendimento à saúde com os conhecimentos adquiridos através de cursinhos de saúde comunitária, pois estávamos capacitadas, pelo conhecimento, para o uso das ervas medicinais, ensinando a aproveitarem folhas, frutas, talos, sementes e cascas, sobras que comumente jogamos fora. Também ensinávamos os primeiros socorros nos casos de acidentes ou problemas urgentes de saúde, encaminhamentos e outros. Aos poucos, fomos incentivando o atendimento diretamente nas vilas e bairros. Começamos reunindo as famílias primeiramente para rezar o terço, depois para encontros periódicos para refletir sobre nossa realidade e a leitura da bíblia. Formamos novos grupos de mães que semanalmente se reuniam para rezar, ler a bíblia e fazer trabalhos manuais, tais como acolchoados de panos, colchas de retalhos, tapetes de tiras, guardanapos, almofadas, roupas de criança, sabão, pão e outros. Todo o lucro adquirido era repartido entre as componentes de cada grupo. E com isso aprender que é possível, com a venda, viver em fraternidade, partilhando o que se tem, como faziam os primeiros cristãos.
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Quisera ser a larva no casulo.
Entre fios de seda adormecer
Ou poder meditar tão meramente:
A vida...o ser...o não ser...
Uma vez sendo
De onde vim? quem sou? para onde vou?
E então assim crisálida intocável...
Poder sentir de forma inusitada,
A força trina, anseio metamórfico
No amor profético,
Crismada regalia, impulsionando
As fibras do casulo,
Até romper-se e libélula
Ocupar um novo espaço,
Todo liberdade!
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Utopias do Pampa
Como uma promessa
Como um vago alento
Novos sentimentos
Podem renascer,
Das raízes índias
Vindas de outros tempos
Que brotam em eventos
Para um florescer...
Como a chuva fresca
Faz viver a planta
Toda a crença adianta
Um raiar de sol.
E sobre a terra seca
Dos abandonados
Vem soprar alado
Um vento de paz...
Então teremos
Sem os preconceitos
Muitos eleitos
Para um mutirão.
Pois tantos valores
Que foram perdidos
Serão ressarcidos
Se nos irmanar.
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VISÃO DE POETA
Desde criança ouvi atenta as homilias
O padre dizia: “foi assim naquele tempo”
Pensei que o tempo de então tivesse fim
Mas a história se repete a cada dia
Muitos espinhos entre as flores do jardim.
A vida é sempre um eterno encantamento
Bastam os campos em floridas primaveras
Com seus odores para todos deleitar...
Vede a rolinha, mesmo só num matagal
Sem um coral nunca deixa de cantar.
Como as estrelas se espelham num riacho
Para o encanto de um simples pescador
Os coachos dos anuros nos banhados
Faz um agrado ao poeta e pensador,
Que vê riqueza no seu pobre coachar.
Se este tempo é semelhante aos tempos idos,
Haverá sempre um poeta sofredor
Esperando, talvez, um vento alado
Que o reponte para um campo mais florido
Que é devido,por justiça a um sonhador!
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Quero
Quero a imensa recompensa
Do teu amor,
Pela dor sofrida.
Pois minha vida
Em tua vida
Se traduz,
Meu Deus e Senhor
Eu quero amor,
Quero a luz,
Quero esperança.
Pois sou fé,
Sou vida eternecida
E em Ti tenho confiança!
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