Clamores Silentes

VIII PARTE

 

Crença

Renasce na mente
Do bom pensador
Genial capitante
Do centro
Do todo
A fé.

Em nossa mente
Crença latente
No ser que é verbo
E o mundo gerou

Não se mostrou
Aos olhos carnais
Fez tudo perfeito
E inspirou-nos a fé!




Projetos alternativos

Após muitos encontros nos bairros e até mesmo no centro para reflexões, estudos e orações na busca de alternativas, de ações transformadoras, chegaram, como uma luz, a indicar novos horizontes os “Projetos Alternativos Comunitários” idealizados e elaborados por Dom José Ivo Lourscheiter, bispo Diocesano de Santa Maria que depois de ter lido o livro “Pobreza, a riqueza dos Pobres”, descobriu uma fonte muito rica que poderia ser aplicada na solução dos problemas das famílias de baixa renda. Começamos logo a estudar a sua aplicação em nossa comunidade. Nasceu, então, a idéia de criar uma fabriqueta de calçados por um grupo da Vila Nova, então distrito de São Sepé, com a participação de 10 famílias da comunidade. A idéia se concretizou e a pequena fábrica começou a funcionar, produzindo muitos pares de calçados. Logo em seguida, tive a idéia de fundar uma Panificadora no bairro Kurtz. Após dois anos de preparação, o sonho foi realizado e mais 10 famílias se beneficiaram do projeto como autônomas e com isso, todo o bairro e arredores pôde usufruir dos benefícios desta panificadora que teve como objetivo oferecer um alimento sadio, sem produtos químicos, e mais barato. O nome dado a obra foi escolhido por mim e aprovado pelas demais componentes dessa Associação Comunitária Panificadora Aliança. (ACOPA). E assim foram se sucedendo outros trabalhos dos quais participei como funcionária municipal e Coordenadora da Ação Social Paroquial. Sempre cultivei, a idéia, de que o trabalho constitui uma dimensão fundamental na existência humana.. E isso está confirmado nas pr imeiras páginas do livro do Gênesis. A análise desses textos torna-nos cônscios dessa verdade. Documentos pontifícios explicitam, com clareza, sobre a dimensão fundamental que o trabalho exerce sobre a vida humana, considerando todo o patrimônio das múltiplas ciências centralizadas nele: a antropologia, a paleontologia, a história, a sociologia, a psicologia e outras. Voltando ao que me propus nesta síntese sobre as tarefas que exerço, posso afirmar que sempre trabalhei com gosto e carinho, procurando, na medida do possível, manter um bom relacionamento não só com as colegas, mas com as pessoas em geral, especialmente com as que chegam até nós em busca de ajuda. Confesso que, por vezes, foi difícil manter a cordialidade especialmente quando alguém se mostra injusto ou com atitudes de desrespeito, o que raramente acontece. Sempre procurei fazer do meu trabalho uma oração de louvor e gratidão ao Senhor da vida s em procurar alhures uma razão de viver. Pois aprendera que mesmo no pequeno espaço em que vivemos, no cotidiano, nas nossas limitações, é sempre possível participar na construção de um mundo melhor para todos, a começar pelas pequenas coisas. Sem prerrogativas, ocupando uma pequena sala para encontros e diálogos com respeito a pastoral que coordeno, ali atendemos diversas pessoas diariamente e de todas as classes sociais. Adquiríamos, com isso, muitos conhecimentos. Falo aqui no plural porque sempre contei com companheiras voluntárias com as quais compartilhamos alegrias e tristezas e juntas encontrando forças para não desanimar.


Parusia

De que valem os elogios
Ou tantas medalhas
Se as batalhas
São por vãs cobiças
Ou poder qualquer.
Se só valem ações
Para o bem comum
Que se eternizam numa parusia?

E se descortina
As razões da vida
Só em ver que o sol
Aquece bons e maus
E a chuva cai
Sem discriminar...

As flores se abrem
Em salmos de alegria
Tecem os rochedos
As alegorias
Onde a visão humana
Nunca chegaria!

E mais ainda
Que lição nos dáOs lírios dos montes,
Um coral de anuros,
O Irapurú nas matas,
A pérola nas conchas,
A dança das cascatas?

É tudo um hino
De sabor eterno
Que nos convida
A estas liturgias
Num “Tantum Ergo”
De louvor e paz!



Chegar à plenitude, a partir da terra. Para tanto é preciso encontrar o sentido verdadeiro da vida, de tudo o que ela nos oferece e do que estamos aptos a fazer aqui neste plano para participar deste paraíso: Parusia.


A união faz a força

O trabalho da Ação Social que, desde 1980, está sob minha coordenação, não pára de buscar meios, por mais simples que sejam, de libertação do povo oprimido. Criada a Vila do Matadouro, conforme citamos em página anterior, procuramos formar um grupinho de oração e de trabalhos comunitários naquela vila. O objetivo era evangelização através do estudo da Bíblia, rezar unidas, fazer trabalhos artesanais que seriam vendidos e o lucro partilhado com as componentes do referido grupo. Para os artesanatos, utilizávamos o pouco material disponível. Com ele, se faziam tapetes, colchas de retalhos, almofadas, flores de papel, sabão caseiro e outros. Este grupo se reunia uma vez por semana numa salinha da escolinha junto à vila. Por algum tempo, aí trabalhamos, rezamos e fizemos a celebração da partilha. Um belo dia, dentro das reflexões que fazíamos, surgiu o comentário de que as pessoas se sentiam humilhadas quando tinham que dar o seu endereço e dizer que moravam na Vila do Matadouro (Este nome foi dado porque ali existia um abatedouro de gado). Então, sugeri ao grupo que mudasse o nome da vila. Diante de algum cepticismo por parte de quase todos, atrevi-me a garantir-lhes que isso era possível e que o povo tinha forças suficientes para isso. Era só querer e ir em frente! Na ocasião, foram sugeridos vários nomes e entre estes o sugerido por mim foi o escolhido por unanimidade: Cristo Rei. Porém, muitos não acreditavam que pegasse esse nome. Lembro-me de que os aconselhei a dizer a cada um que lhes perg untasse onde morava, responder-lhes: na Vila Cristo Rei. E muitas vezes fiz-lhes refletir sobre uma lógica muito adequada: “Uma varinha só podemos quebrar. Duas varinhas também se quebram com facilidade, porém um feixe de varas ninguém pode quebrar !” E assim foi feito e, dentro de três meses mais ou menos, quando estávamos em trabalhos na dita salinha com o radinho ligado, ouvimos que o então Prefeito de São Sepé, Sr. João Luiz Vargas, falou na Vila Cristo Rei . Aplaudimos com unanimidade, tínhamos a vitória! E assim ficou provado que o povo unido, na verdade, tem forças e a fé remove montanhas! Pouco tempo depois, a Escolinha foi desativada e com isso perdemos a sala onde costumávamos nos reunir. Foi então que me surgiu a idéia de solicitar do Sr. Prefeito a construção de uma peça que serviria de espaço para nossos enco ntros e que esta poderia ser de pau-a-pique e coberta de palhas. Fiz o pedido, mas antes que isso fosse realizado tive outra idéia que foi a de solicitar a ajuda da Igreja através da Cáritas Regional Sul 3 e do Banco da Esperança, para criarmos uma casa maior que servisse para diversos trabalhos, inclusive cozinha alternativa e lavanderia. Foi um desafio que deu certo! Elaborei o projeto do pedido, apesar de todo o cepticismo do então pároco Pe. Hernesto Bottom, o qual achava impossível tal ajuda, uma vez que o plano da Cáritas e do Banco da Esperança era para reformas e não construção. Mesmo com algumas contestações, elaborei projeto, solicitei e ganhei a planta do Eng. Sepé Pacheco. Recebemos, então a verba da Cáritas e parte dela através da Ação Social Diocesana Banco da Esperança. Outras ajudas vieram da nossa comunidade. A Casa Comunitária, como a chamamos, foi inaugurada pelo bispo D.José Ivo Louscheite r acompanhado do então pároco Pe. Erasmo Dall’Asta e hoje funciona nela uma creche e um grupo da Ação Social Paroquial. (Cf doc. Filme).

VIVIR LA VIDA

L a vida tiene sus encantos
Y sus agruras...
Es un mixto de riso y pranto,
Son los desafíos
Que nos hacen balanzar,
Y a pisar entre miedos y coraje...
Es un viaje...
Sin saber el destino.
Por veces lloramos...
En otras sonrimos.
En ella, sin embargo,es preciso
Seguir adelante
Y tragar sus licores,
Suportar los dolores
Que ella nos regala
¡ Sin discriminar!

Esta poesia eu dedico à professora e aos colegas de espanhol: Bárbara,Luciane,Alan,Terezinha,Geovana, Gessi e Gilberto.


Razões

Pra que serviu, meu Deus,
Me haverdes dado olhos,
Senão percebo as coisas que criastes:
A beleza do mar,
O raio do luar
O sol intenso,
O pobre que passa,
Senão o ajudar
Com amor imenso?

Pra que serviu ,meu Deus,
Me haverdes dado mãos,
Mãos para louvar
As coisas que criastes.
Mãos para acenar
À aqueles que partem
E semear na terra vazia
A doce alegria
Dos pobres irmãos
A fome saciar?


Pensamentos diferentes

Talvez por não serem os pensamentos de Deus iguais aos pensamentos dos homens, o Mestre Jesus ensinava através de parábolas, para melhor se fazer compreender. A parábola do “joio e do trigo” nasceu num momento de contraposição entre Jesus, os Fariseus e os Doutores da Lei. Conforme o pensamento farisaico, os pecadores, as prostitutas e o povo mais humilde não haveria de subsistir perante Deus. (Jo 7:49). Mas os pensamentos de Deus não são como os pensamentos dos homens. Muito menos como são os pensamentos dos fariseus. A resposta de Jesus está na parábola do “joio e do trigo”. Quando a plantação começou a crescer, o joio crescia junto. Os empregados alertaram o d ono e queriam arrancar o joio. O patrão, porém, não permite. Prefere esperar até a colheita. Então sim, os ceifadores poderão separar o joio e jogá-lo ao fogo enquanto o trigo será recolhido ao celeiro. A colheita aqui representa o “final dos tempos”, o juízo final, quando haverá separação entre bons e maus. No entanto,enquanto não chega o dia do juízo, Deus quer ter toda a paciência e tolerância. Primeiro para dar oportunidade para os maus se converterem; segundo para que não aconteça que se arrancando o joio se arranque também o trigo, isto é: Deus sabe que os homens não têm condições de julgar com justiça. A conclusão que podemos tirar dessa parábola é que aproveitemos o tempo que a bondade de Deus nos concede neste plano, procurando ser melhores cada dia, sem jamais julgar quem é joio e quem é trigo, pois isso pertence somente a Deus.