Clamores Silentes
Ser
Da minha árvore
Não quero ser apenas
O ramo a balançar.
Eu quero ser a flor,
A flor que gera o fruto,
O fruto à alimentar
E dar nova semente
Que em outros frutos
Irão se transformar.
Continuidade....
Para a eternidade,
Espécie fundamental,
Transcendental,
Gente!
![]()
A busca da felicidade é uma constante na vida de cada ser humano. Andamos por vários caminhos nessa procura incessante. Vão se delineando ante nossos olhos muitas ofertas, por vezes enganosas, porque não raro optamos pelas aparências e perdemos o caminho que leva à felicidade em plenitude, onde Deus se faz presente sob aparências mais humildes.
![]()
Onde estás
Procuro-te um velho
De barba espessa
De olhos azuis,
De manto nos ombros,
Onde estarás?
Queria falar,
Dizer-te que O amo,
Que O admiro,
Que creio em Ti...
Porém não te encontro.
E Tu dizes que estás
Nomeio de nós,
Na mente do douto,
Na fome do pobre,
No corpo do andante,
No excepcional.
Procuro-Te um velho
De barba espessa,
De manto nos ombros,
De olhos azuis,
Onde estarás?
Tu dizes que estás
No meio de nós,
No riso da infância,
Na força do jovem,
No corpo vencido
Dos exilados,
Dos mutilados.
Queria fala-Te
Dizer que O amo
Que creio em Ti!
A busca de Deus, uma procura sob forma concreta, mas que se atém ao imaginário.
A grandeza de Deus presente na matéria do ser humano...vida... divino Criador, onipotente e universal, apenas imaginado e amado.
![]()
Te imagino
Apenas te imagino...
Pois és tão grande
Não posso sondar.
Tão forte, transcendental,
Tão claro e transparente
Que pelos olhos carnais
Não Te posso ver.
Imagino-Te
Como o astro rei
Surgindo no horizonte,
Um sol, centro de luz
De raios infinitos,
De força total
Que cria os átomos
E forma moléculas
Que gera os seres, universal.
Imagino-te regente,
Potente e Senhor.
Imagino-Te
Total e absoluto,
Senhor da vida,
Deus amor
![]()
Colibris
A cada um é ofertada a rosa
Para a partilha do precioso odor.
Colhe a parte que te é devida
Sem, no entanto lhe causar a dor.
Pois o colibri não pisa a flor
Ao sugar-lhe o néctar
Que no palato se transforma em vida
Assim também saibamos ser para o outro
Um vaso novo, cheio de perfumes
E que ao nos colherem a preciosa essência
Se abasteçam para o bem comum!
Pois perfumada é a mão feliz
Que oferta flores e abençoa
E um sabor existe inconfundível
Na boca silente que bem diz
Como revela beleza indescritível
Um coração ferido que perdoa!
E a mão, a boca, o coração
Nestes descritos sentimentos
Serão a corola, o cálice e as sépalas
Onde a ave maior, sem pisar nas pétalas
Sorverá o pólen da paz!
![]()
Nada é inútil
Por conferências próprias, pesquisas ou observações, sabemos que generalizadamente a vida humana é alternada de altos e baixos. Ninguém escapa disso. Estamos automaticamente numa gangorra. Então, ficamos a nos perguntar: Para que servem esses desníveis que são chamados de naturais, sabendo que nada escapa à permissão de Deus? Alguns mais otimistas dizem que são o “tempero da vida”. Nossos pensamentos estão sempre em busca de respostas as quais encontramos pelo conhecimento de que Deus não fala diretamente conosco, mas Ele fala através dos sinais, dos acontecimentos. É só ser um pouco observador e logo vamos encontrar respostas convincentes para os fatos. Nada acontece por acaso..... tudo tem sua explic ação. Não precisamos ser grandes exegetas para saber que o mundo seria melhor se as pessoas soubessem aproveitar todos os momentos, sejam quais forem, para tirar proveito próprio e comunitário na busca do crescimento comum. Aproveitar os momentos de glória, ajudando outros a conquistá-la sendo luz do mundo e sal da terra num conviver fraterno e harmonioso. Aproveitar todas as ascensões, mostrando ao outro o caminho para se chegar lá. Também os momentos de queda ou astral baixo, como comumente dizemos,são algo que se pode e se deve tirar proveito para o necessário crescimento pessoal. Têm sua lógica os adágios: “É errando que se aprende” ou “Cada passo errado é uma lição na vida”. Mas, nem sempre é assim! Disse certo escritor: “Para q ue a vida encontre seu sentido essencial na busca da felicidade para a qual fomos criados é preciso uma coisa muito simples e que está ao alcance de todos: ter o nariz voltado para baixo e os olhos voltados para o alto.” É evidente que a lógica disso está em sermos humildes e em permanente contato com o Criador, pois o inverso de tal atitude assinala a arrogância, a prepotência, característica de quem não constrói para o outro, mas destrói a si mesmo. A vida é uma gangorra onde devemos tirar proveito e ver o positivo, não importando a situação ou posição. Sabemos que a paz é a base para a felicidade, ela, no entanto, é fruto da justiça e a justiça é fruto do amor. O amor é a maior das virtudes, pois só através dele somos capaz de compreender e perdoar. A mensagem desta página é: Que nas minhas vitórias eu seja luz a mostrar caminhos para os que se acham confusos e desesperançados; e nos meus fracassos que eu seja um exemplo de fortaleza e perseverança em recomeçar de novo. Pois sempre é tempo e o tempo não tem limites!
![]()
Recado
Bendizes o tempo que morreu
Pra renascer nos frutos que semeastes
Bendizes o olhar e o sorriso que se foi
Deixando-te, feliz, este recado:
Acolhe o novo tempo vem chegando
Abrindo flores e caminhos novos
Acolhe a criança que vem vindo
E os conselhos que te deram como herança!
Ouve a prece pura, a natureza canta
E o pisar do tempo lento e manso
A te espreitar nos Salmos que ofereces
No riso, na dor... na mística prece...
Vens de mansinho, entras no futuro
Pelas mãos límpidas dos benditos
Que acolhestes nus e os vestistes
E o vazio das entranhas saciastes!
Vens de mansinho... também és bendito
Pois h´a um lugar de antes preparado
Quando a mão ao Lázaro estendias
Sem saber que servias à Deus transfigurado!
![]()
Testemunhas da luz
Analisando o contexto mundial da sociedade , desde os primórdios da civilização, retratado nas comunidades, constatamos que de fato há “Clamores Silentes” por toda a parte, perceptíveis apenas aos olhares atentos e sensíveis daqueles que sabem ou souberam colocar a vida humana como prioridade sobre tudo o que existe na face da terra. São clamores que não saem pela boca, mas que são expressos pelos olhos dos que não têm voz e nem vez num mundo globalizado e obcecado, na corrida por conquistas cada vez maiores no campo tecnológico. É o próprio homem, um ser prioridade para Deus, que coloca prioridades em outros campos, não respeitando o dom maior que é a vida e se vê impotente diante dos desafios que o mundo lhe apresenta, fruto de seu próprio pensar e agir. As guerras n unca cessam, ora através das armas e outros mecanismos, ora implícitas nos sonhos de uma humanidade dividida entre dominadores e dominados, privilegiados e marginalizados. E nesse contexto, uns ficam com o melhor pedaço e consolidam leis que os protegem e solidificam projetos que não visam à defesa da vida em plenitude de cada ser que vem compor a história no planeta terra. E aí se pode concluir que, se o mundo não está pior, é porque sempre contou com vultos valorosos que a exemplo do próprio Cristo doaram suas vidas, contribuindo para que a imparcialidade aconteça quanto aos direitos e deveres de cada cidadão ou cidadã. Porém, há sempre um grito de Paz ecoando pelos ares. Há um desejo universal de Paz e por vezes não sabemos por onde começar. Que paz é esta? Jesus disse: “Não vim trazer a Paz, mas sim a espada....” (Mat 10:34) Entendemos o que Cristo quer dizer quando constatamos que a Paz é fruto da justiça e é por ela que devemos desembainhar a espada. Precisamos descobrir o paradigma. Muitos escritores famosos, no decorrer dos tempos, apontaram caminhos através de testemunhas concretas, escritos valiosos, pesquisas ou relatos que vêm contribuindo para o despertar das consciências ante a inversão de valores e a incoerência aos apelos por um mundo mais humano. Entre esses, podemos salientar o grande líder pacifista Mahathma Ghandi, o Pastor Martin Luter Kin, o Teólogo Leonardo Boff, o Bispo Pedro Casaldáglia, Oscar Romero, Madre Tereza de Calcutá e tantos outros o que seria impossível citar todos nesta página. Todos se fizeram luz do mundo pelo seu testemunho.
Lógica de Deus
Somos todos humanos e limitados. Temos amigos e inimigos, graças a Deus, pois se alguém disser que só tem amigos e dele ninguém fala mal, acredito que é hora de desconfiar... Ser verdadeiramente cristão é assumir desafios que, com certeza, vão mexer com alguém para o qual é melhor ficar como está! Todavia, o Evangelho é aberto a toda a criatura de boa vontade, e a Parábola do Bom Samaritano (Lc 10:33) nos dá uma lição sobre valores e conduta dos seres incluídos e excluídos. Nossa reação diante dos que não simpatizam conosco é deixá-los na estrada... mas não foi isso que aprendemos. A ordem é “amai os inimigos” (sem concordar com mal que nos fazem). Fazei o bem a quem vos odeia, sede misericordioso como o Pai é misericordioso (Lc 6:27-36). Triunfar do mal sobre o bem. Denunciar, não compactuar com o mal é fazer o bem e isso parece fora de lógica, mas é a lógica de Deus. Essa é a prática libertadora, que nos conduzirá a um mundo de paz, ou seja, o Reino de Deus que já deverá começar aqui neste mundo e se perpetuar na parusia Celeste. Conforme afirma o teólogo Leonardo Boff e outros estudiosos da Palavra, o Reino de Deus não é algo espiritual ou algo que vem de fora, e não é tampouco algo que se deva esperar somente fora deste mundo, ou seja, depois da morte. Está provado que o Reino de Deus constitui uma realidade ominienglobante, abarcando toda a realidade humana e cósmica que deve ser libertada de todo o pecado já neste mundo: pecado da pobreza, da fome e da desumanização, pecado do espírito de vingança e da recusa de Deus. No entanto, devemos entender que toda essa realidade deve levar a plenitude do insondável reino definitivo do qual falou Jesus: “Meu reino ao é deste mundo”. (Jo18:36)