Clamores Silentes

IXª PARTE

 

Ser

 

Da minha árvore

Não quero ser apenas

O ramo a balançar.

Eu quero ser a flor,

A flor que gera o fruto,

O fruto à alimentar

E dar nova semente

Que em outros frutos

Irão se transformar.

Continuidade....

Para a eternidade,

Espécie fundamental,

Transcendental,

Gente!

A busca da felicidade é uma constante na vida de cada ser humano. Andamos por vários caminhos nessa procura incessante.  Vão se delineando ante nossos olhos muitas ofertas, por vezes enganosas, porque não raro optamos pelas aparências e perdemos o caminho que leva à felicidade em plenitude, onde Deus se faz presente sob aparências mais humildes.

Onde estás

 

Procuro-te um velho

De barba espessa

De olhos azuis,

De manto nos ombros,

Onde estarás?

Queria falar,

Dizer-te que O amo,

Que O admiro,

Que creio em Ti...

Porém não te encontro.

E Tu dizes que estás

Nomeio de nós,

Na mente do douto,

Na fome do pobre,

No corpo do andante,

No excepcional.

Procuro-Te um velho

De barba espessa,

De manto nos ombros,

De olhos azuis,

Onde estarás?

Tu dizes que estás

No meio de nós,

No riso da infância,

Na força do jovem,

No corpo vencido

Dos exilados,

Dos mutilados.

Queria fala-Te

Dizer que O amo

Que creio em Ti!

 

 

A busca de Deus, uma procura sob forma concreta, mas que se atém ao imaginário.

A grandeza de Deus presente na matéria do ser humano...vida... divino Criador, onipotente e universal, apenas imaginado e amado.

 

Te imagino

 

Apenas te imagino...

Pois és tão grande

Não posso sondar.

Tão forte, transcendental,

Tão claro e transparente

Que pelos olhos carnais

Não Te posso ver.

Imagino-Te

Como o astro rei

Surgindo no horizonte,

Um sol, centro de luz

De raios infinitos,

De força total

Que cria os átomos

E forma moléculas

Que gera os seres, universal.

Imagino-te regente,

Potente e Senhor.

Imagino-Te

Total e absoluto,

Senhor da vida,

Deus amor

 

Colibris

 

A cada um é ofertada a rosa

Para a partilha do precioso odor.

Colhe a parte que te é devida

Sem, no entanto lhe causar a dor.

Pois o colibri não pisa a flor

Ao sugar-lhe o néctar

Que no palato se transforma em vida

Assim também saibamos ser para o outro

Um vaso novo, cheio de perfumes

E que ao nos colherem a preciosa essência

Se abasteçam para o bem comum!

Pois perfumada é a mão feliz

Que oferta flores e abençoa

E um sabor existe inconfundível

Na boca silente que bem diz

Como revela beleza indescritível

Um coração ferido que perdoa!

 

E a mão, a boca, o coração

Nestes descritos sentimentos

Serão a corola, o cálice e as sépalas

Onde a ave maior, sem pisar nas pétalas

Sorverá o pólen da paz!

Nada é inútil

 

Por conferências próprias, pesquisas ou observações, sabemos que generalizadamente a vida humana é alternada de altos e baixos. Ninguém escapa disso. Estamos automaticamente numa gangorra.   Então, ficamos a nos perguntar: Para que servem esses desníveis que são chamados de naturais, sabendo que nada escapa à permissão de Deus? Alguns mais otimistas dizem que são o “tempero da vida”. Nossos pensamentos estão sempre em busca de respostas as quais encontramos pelo conhecimento de que Deus não fala  diretamente conosco, mas Ele fala através dos sinais, dos acontecimentos. É só ser um pouco observador e logo vamos encontrar respostas convincentes para os fatos.   Nada acontece por acaso..... tudo tem sua explic ação.  Não precisamos ser grandes exegetas para saber que o mundo seria melhor se as pessoas soubessem aproveitar todos os momentos, sejam quais forem, para tirar proveito próprio e comunitário na busca do crescimento comum. Aproveitar os momentos de glória,  ajudando outros a conquistá-la sendo luz do mundo e sal da terra num conviver fraterno e harmonioso. Aproveitar todas as ascensões, mostrando ao outro o caminho para se chegar lá. Também os momentos de queda ou astral baixo, como comumente dizemos,são  algo que se pode e se deve tirar proveito para o necessário crescimento pessoal.     Têm sua lógica os adágios: “É errando que se aprende” ou “Cada passo errado é uma lição na vida”. Mas, nem sempre é assim!  Disse certo escritor: “Para q ue a vida encontre seu sentido essencial na busca da felicidade para a qual fomos criados é preciso uma coisa muito simples e que está ao alcance de todos: ter o nariz voltado para baixo e os olhos voltados para o alto.” É evidente que a lógica disso está em sermos humildes e em permanente contato com o Criador, pois o inverso de tal atitude assinala a arrogância, a prepotência, característica de quem não constrói para o outro, mas destrói a si mesmo.  A vida é uma gangorra onde devemos tirar proveito e ver o positivo, não importando a situação ou posição. Sabemos que a paz é a base para a felicidade, ela, no entanto, é fruto da justiça e a justiça é fruto do amor. O amor é a maior das virtudes, pois só através dele somos capaz de compreender e perdoar.  A mensagem desta página é: Que nas minhas vitórias eu seja luz a mostrar caminhos para os que se acham confusos e desesperançados; e nos meus fracassos que eu seja um exemplo de fortaleza e perseverança em recomeçar de novo. Pois sempre é tempo e o tempo não tem limites!

Recado

 

Bendizes o tempo que morreu

Pra renascer nos frutos que semeastes

Bendizes o olhar e o sorriso que se foi

Deixando-te, feliz, este recado:

 

Acolhe o novo tempo vem chegando

Abrindo flores e caminhos novos

Acolhe a criança que vem vindo

E os conselhos que te deram como herança!

 

Ouve a prece pura, a natureza canta

E o pisar do tempo lento e manso

A te espreitar nos Salmos que ofereces

No riso, na dor... na mística prece...

 

Vens de mansinho, entras no futuro

Pelas mãos límpidas dos benditos

Que acolhestes nus e os vestistes

E o vazio das entranhas saciastes!

 

Vens de mansinho... também és bendito

Pois h´a um lugar de antes preparado

Quando a mão ao Lázaro estendias

Sem saber que servias à Deus transfigurado!

 Testemunhas da luz

 

Analisando o contexto mundial da sociedade , desde os primórdios da civilização, retratado nas comunidades, constatamos que de fato há “Clamores Silentes” por toda a parte, perceptíveis apenas aos olhares atentos e sensíveis daqueles que sabem ou souberam colocar a vida humana como prioridade sobre tudo o que existe na face da terra.  São clamores que não saem pela boca, mas que são expressos pelos olhos dos que não têm voz e nem vez num mundo globalizado e obcecado, na corrida por conquistas cada vez maiores no campo tecnológico. É o próprio homem, um ser prioridade para Deus, que coloca prioridades em outros campos, não respeitando o dom maior que é a vida e se vê impotente diante dos desafios que o mundo lhe apresenta, fruto de seu próprio pensar e agir. As guerras n unca cessam, ora através das armas e outros mecanismos, ora implícitas nos sonhos de uma humanidade dividida entre dominadores e dominados, privilegiados e marginalizados. E nesse contexto, uns ficam com o melhor pedaço e consolidam leis que os protegem e solidificam projetos que não visam à defesa da vida em plenitude de cada ser que vem compor a história  no planeta terra.  E aí se pode concluir que, se o mundo não está pior, é porque sempre contou com vultos valorosos que a exemplo do próprio Cristo doaram suas vidas, contribuindo para que a imparcialidade aconteça quanto aos direitos e deveres de cada cidadão ou cidadã.  Porém, há sempre um grito de Paz ecoando pelos ares.  Há um desejo universal de Paz e por vezes não sabemos por onde começar. Que paz é esta?  Jesus disse: “Não vim trazer a Paz, mas sim a espada....”  (Mat 10:34)  Entendemos o que Cristo quer dizer quando constatamos que a Paz é fruto da justiça e é por ela que devemos desembainhar a espada.  Precisamos descobrir o paradigma. Muitos escritores famosos, no decorrer dos tempos, apontaram caminhos através de testemunhas concretas, escritos valiosos, pesquisas ou relatos que vêm contribuindo para o despertar das consciências ante a inversão de valores e a incoerência aos apelos por um mundo mais humano. Entre esses, podemos salientar o grande líder pacifista Mahathma Ghandi, o Pastor Martin Luter Kin, o Teólogo Leonardo Boff, o Bispo Pedro Casaldáglia, Oscar Romero, Madre Tereza de Calcutá e tantos outros o que seria impossível citar todos nesta página. Todos se fizeram luz do mundo pelo seu testemunho.

Lógica de Deus

 

Somos todos humanos e limitados. Temos amigos e inimigos, graças a Deus, pois se alguém disser que só tem amigos e dele ninguém fala mal, acredito que é hora de desconfiar... Ser verdadeiramente cristão é assumir desafios que, com certeza, vão mexer com alguém para o qual é melhor ficar como está! Todavia, o Evangelho é aberto a toda a criatura de boa vontade, e a Parábola do Bom Samaritano (Lc 10:33) nos dá uma lição sobre valores e conduta dos seres incluídos e excluídos. Nossa reação diante dos que não simpatizam conosco é deixá-los na estrada... mas não foi isso que aprendemos. A ordem é “amai os inimigos” (sem concordar com mal que nos fazem). Fazei o bem a quem vos odeia, sede misericordioso como o Pai é misericordioso (Lc 6:27-36). Triunfar do mal sobre o bem. Denunciar, não compactuar com o mal é fazer o bem e isso parece fora de lógica, mas é a lógica de  Deus. Essa é a prática libertadora, que nos conduzirá a um mundo de paz, ou seja, o Reino de Deus que já deverá começar aqui neste mundo e se perpetuar na parusia Celeste.    Conforme afirma o teólogo Leonardo Boff e outros estudiosos da Palavra, o Reino de Deus não é algo espiritual ou algo que vem de fora, e não é  tampouco algo que se deva esperar somente fora deste  mundo, ou seja, depois da morte. Está provado que o Reino de Deus constitui uma realidade ominienglobante,  abarcando toda a realidade humana e cósmica que deve ser libertada de todo o pecado já neste mundo: pecado da pobreza, da fome e da desumanização, pecado do espírito de vingança e da recusa de Deus.  No entanto, devemos entender que toda essa realidade deve levar a plenitude do insondável reino definitivo do qual falou Jesus: “Meu reino ao é deste mundo”. (Jo18:36)