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Ligia Scholze Borges Tomarchio |
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RETENDO
IMAGENS
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Pág.
12 de 13 Pág. |
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MEMÓRIA
Ligi@Tomarchio®
Leve
chuva
salta
do
infinito
prateado
em
longos
sonoros
riscos
elevando
asfalto,
que
imanta.
Longos
sons
permutam
disputando
espaços
reluzentes
cristalinos
pássaros
etéreos
voam
asas
transparentes.
Sob
a
câmera
indiscreta
vejo-me
desnuda
ao
redor,
brincadeiras,
crianças...
No
coração,
a
dor
da
memória.
Ligi@Tomarchio® |
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FLAUTA
Ligi@Tomarchio®
Mágica,
solene
flauta
penetrante
ousa
lângüida
na
fundura
do
ser
realizar
sonhos
celestiais
transcende,
carregada
de
paz
saltitando
sons
universais
perenes,
imortal
deleite
dos
deuses
prazer
do
cosmo
que
a
sente.
Seu
brilho
reluz
anseios
requer
saber
ouvir
retém
o
fôlego
fugaz
do
ser
em
êxtase
refletindo
emoções
contidas
desnudando
egos
reprimidos.
Flauta
solene
e
mágica
traga
a
paz
devolva
esperança
conserve
sabedoria.
Mágica,
lângüida
e
fugaz
troveje
pela
última
vez
ilumine
com
relâmpagos
o
âmago
inocente
carente,
sedento
de
poesia.
Ligi@Tomarchio® |
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INDEGUSTÁVEL
Ligi@Tomarchio®
Vem
canoa
balançando
ondas sonoras
causadora
de
tantos
romances
dissabores
faz
do
mundo
o
universo
transcendente
da
náusea
homérica
corrupção
sem
fronteiras.
Degustei,
cheirei,
escutei,
olhei,
senti.
Nada
faz
sentido.
Recordação.
Transcendi,
morri.
Agora,
quero
silêncio.
Ligi@Tomarchio® |
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FLUIR
Ligi@Tomarchio®
Rodopiando
por
espaços
solenes
compassadas
cores
sem
tons,
dissonância
arrogante.
Rumos
ausentes
fluem
do
átomo
relato
incansável
repetitivo,
criador.
Amor
repentino
eloqüente
morno,
louco
perfumada
ousadia.
Florestas
deusas
trazem
ao
interior
de
si
para
si
plenitude
e
dor.
Ligi@Tomarchio® |
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FOME
DE
JUSTIÇA
Ligi@Tomarchio®
Depurador
de
ar
expurga
gordura
das
frituras.
Fritos
estão
os
brasileiros
acreditam
no
Primeiro
Mundo.
Colonizados,
massacrados,
massificados,
lutam
a
cada
dia
por
dinheiro
para
amainar
o
cheiro
da
gordura
dos
fartos
bolsos
dos
que
detém
o
poder.
Sem
terra,
em
greve
de
fome
presos,
cerceados
de
defesa
buscam
um
pequeno,
mas
seu
naco
de
terra,
onde
um
dia
o
depurador
de
ar
eliminará
a
gordura
das
cozinhas.
As
verduras
frescas,
os
galinheiros,
crianças
saudáveis
esperançosas
terão
escola,
brincarão
de
bola
bonecas
espalhadas,
seguras
por
cercas,
onde
o
gado
pastará,
as
plantações
brotarão
sem
greve
de
fome
sem
invasões
"marginais"
necessárias
como
cidadãos
que
sempre
foram
respeitados
serão
ao
menos,
até
a
próxima
eleição.
Ligi@Tomarchio® |
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CRIAÇÃO
Ligi@Tomarchio®
Esquiva-se
do
céu
mostra
o
corpo
denota
o
espectro
de
luz
e
dor.
Contém
o
sonho
dorme
com
gnomos
mostra
aos
deuses
parte
do
rito.
Zeus
o
espera
etéreo
pensar
de
pássaros
errantes
num
mar
derrotado.
Escombros
e
sombras
escombros?
Assombro
de
réus
tragando
peçonha
fé
fé?
Ligi@Tomarchio® |
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ÉBANO
LUNAR
Ligi@Tomarchio®
Ébano
lunar
cadente
estrela,
cadência
ausência
de
tons,
sons,
cristalizando
sonhos
tristonhos
lampêjos
poço,
fundo,
raso,
escasso,
insensato
meu
carrasco
minha
prisão
reprimida
frustração.
Cometas,
asteróides
vídeo
game
cego
surdo
criado,
mudo
maldição,
partida
sem
volta,
revolta
revolvendo
mares
moluscos,
algas
coloridos
peixes,
corais.
Coberta
estou.
Incrustada
de
pontiagudas,
severas
dilascerantes
idéias.
Corpo
inerte.
Caos.
Ligi@Tomarchio® |
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DOR
Ligi@Tomarchio®
E
ESSA
DOR
QUE
NÃO
PASSA...
Torrente
de
águas
a me
sufocar
sobre
mim,
o
oceano
a
desabar.
ESSA
DOR
QUE
NÃO
PASSA...
Amarga,
fria,
comprida!
É
fel
que
se
mistura
com
vida.
DOR
QUE
NÃO
PASSA...
É o
fim
da
alegria,
da
folia!
Nunca
mais
ouvirei
aquela
melodia.
QUE
NÃO
PASSA...
NÃO
PASSA...
PASSA...
Ligi@Tomarchio® |
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