SEBO LITERÁRIO

 

 

Ligia Scholze Borges Tomarchio

 

 
 
Poesias de Ligia Scholze Borges Tomarchio
 

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MORTE

Ligi@Tomarchio®


É esse gosto amargo que sinto
de sangue que vomito
de prazeres que reprimo
de rumores que não minto!

É esse gosto amargo de vida
de sofrida e perdida
de maldita e traiçoeira
de ditos por não ditos!

É esse gosto de amor na boca
de tanto querer e não sentir
de tanto amar e não deglutir
de tanto roer e não conseguir!

É esse gosto de solidão
de tanto procurar o que perdi
de tanto rezar para não mentir
de tanto dormir para esquecer
de tanto morrer ao amanhecer...!

Ligi@Tomarchio®

 
 

MEMÓRIA

Ligi@Tomarchio®


Leve chuva salta
do infinito prateado
em longos sonoros riscos
elevando asfalto, que imanta.

Longos sons permutam
disputando espaços reluzentes
cristalinos pássaros etéreos
voam asas transparentes.

Sob a câmera indiscreta
vejo-me desnuda
ao redor, brincadeiras, crianças...
No coração, a dor da memória.

Ligi@Tomarchio®

 
 

FLAUTA

Ligi@Tomarchio®


Mágica, solene
flauta penetrante
ousa lângüida
na fundura do ser
realizar sonhos celestiais
transcende, carregada de paz
saltitando sons universais
perenes, imortal
deleite dos deuses
prazer do cosmo que a sente.

Seu brilho reluz anseios
requer saber ouvir
retém o fôlego fugaz
do ser em êxtase
refletindo emoções contidas
desnudando egos reprimidos.

Flauta solene e mágica
traga a paz
devolva esperança
conserve sabedoria.

Mágica, lângüida e fugaz
troveje pela última vez
ilumine com relâmpagos
o âmago inocente
carente, sedento de poesia.

Ligi@Tomarchio®

 
 

INDEGUSTÁVEL

Ligi@Tomarchio®


Vem canoa balançando
          ondas sonoras
causadora de tantos romances
          dissabores
faz do mundo o universo
          transcendente
da náusea homérica
          corrupção
sem fronteiras.

Degustei,
cheirei,
escutei,
olhei,
senti.
Nada faz sentido.
Recordação.
Transcendi,
morri.
Agora, quero silêncio.

Ligi@Tomarchio®

 
 

FLUIR

Ligi@Tomarchio®


Rodopiando por espaços
solenes compassadas cores
sem tons,
dissonância arrogante.

Rumos ausentes
fluem do átomo
relato incansável
repetitivo, criador.

Amor repentino
eloqüente
morno, louco
perfumada ousadia.

Florestas deusas
trazem ao interior
de si para si
plenitude e dor.

Ligi@Tomarchio®

 
 

FOME DE JUSTIÇA

Ligi@Tomarchio®


Depurador de ar
expurga
gordura das frituras.
Fritos estão os brasileiros
acreditam no Primeiro Mundo.
Colonizados, massacrados, massificados,
lutam a cada dia por dinheiro
para amainar o cheiro
da gordura dos fartos bolsos
dos que detém o poder.
Sem terra, em greve de fome
presos, cerceados de defesa
buscam um pequeno, mas seu
naco de terra, onde um dia
o depurador de ar
eliminará a gordura das cozinhas.
As verduras frescas, os galinheiros,
crianças saudáveis esperançosas
terão escola, brincarão de bola
bonecas espalhadas, seguras
por cercas, onde o gado pastará,
as plantações brotarão
sem greve de fome
sem invasões "marginais" necessárias
como cidadãos que sempre foram
respeitados serão
ao menos, até a próxima eleição.

Ligi@Tomarchio®