Sebo - LUIZ POETA

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SEBO LITERÁRIO

autor


 
 
 
POET...ÂNSIAS
Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros

 

 
 


 
1
LAPI...DAR-SE
25 de agosto de 2005
 
Se a dor da perda é pior que a dor da mágoa,
A dor da chaga não dói mais que a dor da ausência;
Se o fogo queima, o seu ardor dilui-se em água,
Quando se chora a dor do amor sem consistência.
 
A dor do amor é independente da ciência
Que analisa sem pudor os batimentos
Do coração, quando o amor, com insistência,
Dilui-se em cada um dos nossos sentimentos.
 
A dor do amor só se transforma em tristeza
Quando a vontade de amar se fragiliza,
Quando o desejo se desfaz na incerteza,
Quando a ilusão torna a paixão mais imprecisa.
 
Quando o amor sublima a dor de um coração,
A solidão sempre tem onde se abrigar:
É na mudez sutil que brota da emoção,
No gesto simples de sorrir... ou de chorar.
 
Quando uma lágrima desliza no instante
Em que o sorriso se projeta num olhar,
A luz do olhar transforma a dor em diamante
Que só o amor tem o poder de lapidar.
 


2
ALM...AMOR
Às 13 h e 56 min do dia 20 de novembro de 2005 ( aniversário da minha filha Michelle )  do Rio de Janeiro
 
Sempre me inspira o poema que me mostra
Que poesia é muito mais que um conjunto
De intenções... a minha alma só se prostra
À emoção que sempre leva o amor junto.
 
E quando alguém fala de alguém pela poesia,
A alegria que o amor experimenta
Faz toda alma diluir-se em fantasia;
A poesia é o amor que se alimenta.
 
Para que alguém se torne alguém completamente,
É necessário, que aliado ao amor,
Todo o respeito manifeste o que se sente
Orientado pelo amor do Criador.
 
Tudo é tão simples, mas a ânsia das pessoas
De ser alguém que alguém respeite, as modifica
E elas tornam suas almas, que são boas,
Em solidões que a ansiedade intensifica.
 
Se todo o ser que há em nós evoluísse
E entendesse a dimensão maior do amor,
Talvez a alma infeliz reconstruísse
Um novo tempo que iludisse a sua dor.
 
Sempre me inspira uma palavra que, de fato,
Só me transmita a intenção sutil de amar,
Como se a vida existente num retrato
Tomasse forma através do meu olhar.
 


3
PETALARSE
Luiz Poeta ( sbacem – rj ) – Luiz Gilberto de Barros

Às 17 h e 31 min do dia 27 de dezembro de 2005, especialmente para mi hermana y poeta Rosenna, de Argentina.

 
Non llores, hermana...
porque en el calor de tus delicadas manos,
sin las pétalos de tus flores mas hermosas,
estan las fragancias mas sutiles
y los polens mas sublimes
de tus mas perennes rosas
venidas del jardin de  tua alma...
 
y si ahora  derramas tu pranto
en la tierra triste de tu corazón,
hay de renacir de tus entrañas,
la mas afectuosa intención
de amar, de soñar,
de eternizar
todos los libres momentos
de tu mayor y mas honda emoción...
 
Non te tortures, hermana…
pues tu soledad solo dura el tiempo
de la dollor de la pérdida
de tu sueño mas frágil...
 
Hace de tu sonrisa la sublimación de tu lágrima...
 
Asi, cuando la primavera volver,
los pajaros y  mariposas
ya teran esparcido el polen de tuyas recordaciónes
por las plantas nuevas y blandas
y  colores de las mas delicadas flores
han de engalanar tu vida, tu tiempo...
tu eterno amor.

4
CELEBRIDADE
Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros
Às 9 h do dia 18 de novembro de 2004.
 
A manchete do jornal traz a notícia:
“ O Amor, um indigente tão sem dono,
Jaz num canto da saudade “ -  a perícia
Constatou uma overdose de abandono.
 
Fico triste, risco um verso, telefono;
Não há linha, corro para a internet;
A conexão se foi, foge-me o sono,
A notícia arbitrária se repete:
 
“ O Amor foi recolhido por um carro
Da polícia,  nos últimos estertores,
Dispnéico, taquicárdico, os doutores
Constataram, nos seus líricos catarros,
 
A presença pneumônica de mágoas
Muito antigas, viscerais e contundentes” .
Derrotado, tenho os olhos cheios d’água
E reflito: - Se o amor está doente,
 
Com certeza, sua amante, a alegria
Deve estar contaminada, enfraquecida,
Solitária, num canto da alma vazia,
Silenciosa, rancorosa, entristecida.
 
Viro a página, a informação continua:
“ O Amor só se mantém por aparelhos “
Minha alma está vazia... seminua
Enlouqueço, peço a Deus, dobro os joelhos:
 
Oh, Meu Deus, onde tu estás ? Tu o criaste !
Não o deixes sucumbir à hipocrisia !
...tantas dores através dele levaste...
E ele é filho da paixão com a fantasia !
 
Ligo o rádio e a TV, ouço a mensagem:
“ Renovado,  Amor deixa a  UTI “
Choro, rio, fico com a nova imagem
Meu amigo... o Amor está em ti !
 
 
5
LUZ ANGELICAL
Às 20 h e 27 min do dia 11 de outubro de 2005 do Rio de Janeiro
O anjo que é de Deus sempre é bem-vindo;
Infindo é o poder do Criador
Que pode transformar um sonho lindo
Num sonho vindo pela voz do amor.
 
A voz de Deus é luz... se manifesta
De formas coloridas e provoca
Na vida, outra luz refeita em festa
No instante em que essa luz de Deus nos toca.
 
Um anjo há de vir quando o tormento
Fizer da nossa vida, escuridão,
Um anjo repleto de sentimento,
De amor, de luz,  calor, de proteção.
 
Um anjo que nos torne mais irmãos,
Mais gente, mais amigos, mais amados,
Um anjo que nos torne cidadãos,
Nos torne, como ele... abençoados.
 
Jesus, com sua luz maior só cega
Aquele que enxerga o desamor
E o anjo de Jesus jamais nos nega
A paz que lhe entrega o Criador.
 
No fundo, somos anjos quando amamos
Profundamente nosso semelhante
E quando ao céu em sonhos levitamos,
Tornamo-nos os anjos mais gigantes.
 
O nosso Deus de amor, onipotente,
Nos fala através da sua luz
Só ele é o poder onisciente
Que cura pelos anjos de Jesus.
 
 
6
NA COR DE CADA OLHAR
Às 10 h e 39 min do dia 26 de  julho de 2005 do Rio de Janeiro-Brasil
 
Quando a troca de olhares eterniza
O instante em que o amor, profundamente,
Se dilui na intenção e imortaliza
O afeto espontâneo que se sente...
 
Esse ato repentino não precisa
De contatos epidérmicos, de beijos
Porque esta ação,   por si,  sensualiza
O amor... no mais sublime dos desejos.
 
A amizade mais profunda é aquela
Produzida pela vivência do amor
Como a tinta diluída na aquarela
Que transforma todo sentimento em cor.
 
Assim como em uma tela feita a óleo
Se percebe o retrato mais real,
O amor repousa no brilho dos olhos
Que revelam sua cor mais sensual.
 
A saudade... quando chega, pisa os passos
Do amor, solto na dor da  solidão;
Quando os risos se tornaram mais escassos
E os olhos são o próprio coração...
 
Um olhar só se completa em outro olhar,
Quando nesse gesto há mais que sentimento
E o amor é doce  pétala no ar
Espalhando seu perfume... pelo vento.
 
Não importa o tempo de uma amizade,
Que um dia pode se  fragilizar,
Importante é o brilho da saudade
Que o amor deixou na cor de cada olhar.
 
Direitos autorais reservados ao autor
Biblioteca Nacional - RJ
Nunca envie textos sem autoria
Texto sem autor é texto sem alma.
 
 
7
CATIVANTE
Às 6 h e 55 min do dia 13 de outubro de 2005 do Rio de Janeiro,
 
Meu coração não demora
Em te lembrar no instante
Em que o amor revigora
Tua lembrança constante.
 
O amor não escolhe hora
- Ele é tão cativante -
Que quando se vai embora,
Deixa a saudade constante.
 
Tu és puro diamante...
Para que mais lapidá-lo ?
Tens um amor tão brilhante
Que eu me contento em olhá-lo...
 
Um diamante tão raro,
Que até na escuridão,
Ele se chega tão claro
E acende meu coração.
 
 
8
QUANDO LEMBRARES DE MIM
Às 18 h e 26 min do dia 4 de dezembro de 2005 do Rio de Janeiro
 
Quando lembrares de mim,
Lembra de mim com saudade...
Se me lembrares assim,
Me lembrarás de verdade.
 
Procura entender que ausência
Nem sempre é separação;
O amor traz na própria essência
As marcas da solidão.
 
Procura me recordar
Rememorando uma história
Que já temos pra contar;
Consulta tua memória...
 
Relembra os sentimentos,
As emoções cristalinas
Que nasciam nos momentos
De emoções tão repentinas...
 
E logo se misturavam
Nas palavras tão sentidas
Que os sonhos eternizavam
Num tempo de nossas vidas.
 
Não cobres minha presença
Com tolos ressentimentos...
Quando a intolerância pensa,
A mágoa chega no vento.
 
Se queres me recordar,
Constrói da tua emoção,
Um riso no teu olhar,
Me guarda em teu coração.
 
E espera... se eu demorar,
Quando eu voltar, certamente,
O sonho que eu te sonhar
Te habitará... novamente.
 
 
9
PARA TE SENTIR, BASTA PENSAR...
Às 22 h e 1 min do dia 18 de junho de 2005 do Rio de janeiro - Brasil
 
Hoje eu quero namorar o teu olhar
E ficar eternamente te mirando
Mansamente, sem nem mesmo te falar
E nem mesmo te dizer que estou te amando.

Hoje eu quero simplesmente te sonhar
E acordar vendo teus olhos me esperando
Como um barco bem prontinho para zarpar...
Eu que vivo nos teus sonhos viajando.

Ah... eu quero  te beijar sem te tocar,
Mas sentindo esses teus lábios me beijando,
Porque para te sentir, basta pensar
Nos teus beijos  como agora estou pensando.

Mas pensando bem... que tal realizar
Esses sonhos... vem... eu sei que estás gostando
Como eu, ninguém consegue segurar
A ilusão,  se a gente acaba se tocando.
 
 
10
ECOS LUMINOSOS
19 de fevereiro de 2005 deo Rio de Janeiro – Brasil
 
Quando tu quiseres que eu te escute,
Quando tu quiseres me escutar,
Quando tu quiseres que eu desfrute
Desse amor que existe em teu olhar...
 
Basta me olhar profundamente,
Basta nos meus olhos se prender,
Porque se diz mais o que se sente,
Quando o que se fala é sem dizer.
 
Quando precisares de um espelho
Que reflita instantes do teu ser;
Quando precisares de um conselho,
Basta meu espelho Te envolver.
 
Quando nos meus olhos te mirares,
Tu só ouvirás, serenamente,
O eco do amor que me gritares
Solto nos meus olhos reluzentes.
 
 
11
VÔO SOLO
Às  12h e 10 min do  dia 20 de julho de 2005
 
  Um dia, quando os pássaros percebem
Que o ninho já não serve para dois,
O vôo é iminente, e eles seguem
Sozinhos - cada qual - rumo ao depois.
 
E experimentam novas sensações,
Prazeres disponíveis, fantasias;
Mas quando findam tantas emoções,
Descobrem faltar algo... a alma é vazia
 
Então, uma saudade previsível
Os joga em abismos solitários
Mostrando uma lembrança  tão visível,
Na solidão dos seus itinerários...
 
Seus vôos sutis de pássaros carentes
De amor, de compreensão, de companhia
Os faz sobrevoar um tempo ausente
Repleto de instantes de alegria...
 
E esse sonho doce, repentino
Remete-os ao vôo compartilhado
Que fez da trajetória do destino,
Um rastro solitário... no passado.
Nunca repasse texto sem autoria.
Texto sem autor é texto sem alma.

 
12
GESTOS SOLITÁRIOS
Às 11 h e 36 min do dia 14 de dezembro do Rio de Janeiro.
 
Tantos olhos, tantos gestos, tantas faces
Nos espelhos dessa minha solidão...
Diluída no vazio... ah... se eu voasse
Rumo ao tempo de cada recordação...
 
Solidão... tu és tão minha... a saudade
Sempre chega quando invades meus instantes
Carregados de abandonos... ansiedades
E desejos solitários e inconstantes...
 
Tanto sonho, tanta luz, tanta verdade
No sorriso que me dou, quando recordo
Todo um tempo solto na suavidade
Da saudade... Que saudade... eu acordo
 
Mas as formas de antigas fotografias
Só refazem os olhos de um sonhador
Absortos em desejos... fantasias
Que parecem duvidar do meu amor.
 
 
13
ASAS DE PASSARINHOS
Exatamente ao meio-dia do dia 19 de julho de 2005 do Rio de Janeiro
 
É tão fácil, minha amiga, me abrigares
Onde queiras, basta só buscar um sonho
Solitário... basta só tu me sonhares...
Quando eu quero te sonhar, te recomponho
 
Nos abismos do meu ser... qual passarinho,
Livre, solta, sublimando a imensidão,
Onde possas me voar, fazer teu ninho
Nas escarpas do meu velho coração.
 
Se quiseres conhecer meus labirintos,
Meus mistérios, meus mais líricos  momentos,
Basta só sobrevoares o que eu sinto,
Basta só mostrares os teus sentimentos...
 
Pois, no fundo, tu verás quão parecidos
São os sonhos que sonhamos, quão meninos
São os versos que tornamos coloridos
Pelas ruas solitárias do destino.
 
Tu me voas, eu te vôo...habitamos
Universos onde os versos são caminhos
E assim, em céus azuis nos libertamos:
Sonhos livres em asas de passarinhos.
 
 
14
TERAPIA INTENSIVA
Às 14 h e 36 min do dia 21 de dezembro de 2005
 
Eu passo mal só de olhar-te
Poderosamente viva...
Tu me pões após o enfarte...
Na terapia intensiva !
 
Me agito, mas sou sedado,
E após a tomografia,
Me dizes: - Vais ser operado !
- Meu Deus... vou pra cirurgia !?
 
Conte até três: - Um, dois... zero
Apago, estou sonhando;
Por favor, doutora... eu quero
Morrer... mas... sabe... te olhando...
 
Teu bisturi me retalha,
Me lanha,me eviscera,
Parece que uma navalha
Está nas mãos de uma fera...
 
Meu coração acelera,
Morfina ! Anestesista !
- Ai, meu Deus... Ah, quem me dera
O amor da cardiologista...
 
Acordo... fui transplantado ?
Enfim...o que sucedeu ?
Descubro... amargurado...
Que o teu coração... não é meu.
 
 
15
LACRIMAGINANDO-TE
Às 21 h e 37 min do dia 25 de dezembro de 2005 do Rio de Janeiro
 
Sinto tua falta.... há um vazio
No meu coração... tento sonhar
Com teu coração... mas silencio
Quando sei que nunca vais... voltar.
 
Lágrimas de amor são como rios
Soltos... solidão é como o mar,
Onde nossos sonhos são navios
Tristes, que não têm onde ancorar...
 
Olho minhas mãos longe das tuas,
Finjo em tuas mãos me completar,
Mas as minhas mãos estão tão... nuas...
Tu não vens me acariciar.
 
Para que meu sonho restitua
Teu amor...  não quero despertar,
Mas se tua imagem se insinua,
Ela se dilui no meu olhar
 
E brota num pranto ... cristalino
Solto na escuridão da sala...
Num soluço,  um eco repentino
Mostra ao meu amor... que a dor me fala.
 
Para esquecer que tu partiste,
Reinstalo no meu coração
Teu sorriso no meu riso triste
E durmo... no aconchego... da ilusão.
 
 
16
PARADA OBRIGATÓRIA
Às 20 h e 28 min do dia 21 de dezembro de 2005 do Rio de Janeiro.
 
Pára de me olhar com essa cara
Porque eu aceito o desafio !
Quando a gente acende esse pavio,
A paixão explode, o amor dispara.
 
Pára de me olhar, querida, pára !
Eu posso mudar o itinerário,
O relógio avisa, eu tenho horário !
Eta doencinha que não sara !
 
Quer saber ? Vou desligar o som,
Vou sair assim...bem de fininho
Pára de fazer esse carinho !
Ai, meu Deus do céu... isto é tão bom !
 
Pára de beijar a minha boca !
Tchau ! Já esgotou a paciência !
Por que essa tola  insistência ?
Acho que você está é louca !
 
Pára, meu amor, por que essa tara ?
Onde está o psicanalista ?
Quem ensinou essa ? O massagista ?
Pára, meu amor...não ! Não... não pára.
 
 
17
FLOR E FERA
Às 19 h e 41 min do dia 18 de agosto de 2005
do Rio de Janeiro
Mais do que o pólen na pétala, o amor mais sincero é perfume,
Mais do que o barco e o mar, o amor é o vento na vela...
Mais que o escuro do céu, o amor é a certeza do lume.
Mais do que a escolha da tinta , o amor é a pintura na tela.
 
Mais do que um simples poema gerado espontaneamente,
Mais do que um beijo roubado da musa  inatingível,
Mais que um eco perdido gritando a dor que se sente,
Mais que a força da mente, o amor é imprevisível.
 
Mais que encontro dos corpos e o toque na pele lisa,
Mais que o suor , mais que o frio, mais que a taquicardia,
Mais que os gemidos, sussurros e o grito que não avisa,
Mais que palavras e olhares, mais do que se pronuncia
 
No instante em que a fantasia se solta livre no ar...
Mais que uma onda de mar beijando a pele da areia,
Mais que a lua mais cheia brilhando no próprio olhar,
Ah... mais que o canto sublime, envolvente da sereia...
 
O amor... estranhamente, se transforma em sedução
E o risco do diamante fere a pele e eviscera
O coração de quem ama, no instante em que a solidão
Abre as portas da paixão, libertando a flor... e a fera.
 
 
18
VIAJANDO EM TEU SONETO
Às 22 h e 24 min do Rio de Janeiro do dia 4 de janeiro de 2005
 
Quando viajo, meu irmão,  a carruagem,
É conduzida pelo texto que produzes;
Saio de mim, numa explosão rica de luzes
E então passeio em tua lírica viagem.
 
Se me perguntas o que levo na bagagem,
Mostro-te versos como os teus, tão repentinos
Que se diluem no sorriso de um menino
Tão distraído, que olha apenas a paisagem.
 
No teu soneto, irmão, sou quase um passarinho
Que sobrevoa os mistérios do teu ser
Não te chateies, eu até faço de ninho
 
Teu coração,  que abriga generosamente,
Mais um irmão que passa a te
E  habita livre, teu silêncio mais latente.
 
 
19
INEVITÁVEL
Às 10 h e 57 min do dia 23 de junho de 2005
 
Tu podes me beijar se tu quiseres
Porque, quando eu mais quero te beijar,
Apenas busco um jeito de sonhar
Teus lábios e achar que tu me queres.
 
Me beija, então, do jeito que puderes
O sonho só se abre à emoção;
Estou distante, amor... não me esperes...
Se queres... vai... me beija com paixão !
 
Porém... é  inevitável... ao  acordares,
Verás, no abandono dos lençóis
A solidão do amor  que tu sonhares
A dor do nosso amor pertence a nós.
 
Eu beijo a  ilusão da tua imagem
No espelho de um tempo de poesia;
Se acordo o teu corpo é só miragem
Se sonho, teu amor é fantasia.
 
Esquece a tua dor, volta ao passado
E tu terás o vulto de um menino
Que brinca com teus sonhos mais calados
Seguro pelos braços... do destino.
 


20
LUZ QUE TE ILUMINA
Às 22 h e 29 min do dia 28 de dezembro de 2005 do Rio de Janeiro
 
É hora de olhar a transparência
Do espelho que jamais te fantasia,
E rebuscar na própria consciência,
A essência da vivência de outro dia.
 
É hora do resgate da alegria
Que ainda existe no teu coração
E celebrar na tua alma vazia
A alegria em forma de oração.
 
É hora de notar no teu irmão
Que ele é feito à tua semelhança...
Que chora, ri, que sente emoção,
Que pode se sentir como criança.
 
É hora de traçar o itinerário
Feliz que há de mudar a tua vida
E desprezar o medo arbitrário
Que faz a dor lembrar cada ferida.
 
É hora de elevar teu pensamento
A quem é bem maior que toda dor:
O Deus que existe em cada movimento
Da vida... o nosso Deus... teu Criador !
 
É hora, meu irmão,  de levantares
Teu canto ao novo ano e declarar
Que tudo aquilo que tu desejares
Na certa haverás de realizar...
 
Teu Deus te deu a graça e o poder
De aprimorar teus dons com teu talento
E o tempo há de mostrar que hás de fazer
Do amor teu poderoso sentimento.
 
Levanta, agiganta tua fé,
Confia nessa luz que vem de cima...
Se a dor está na planta do teu pé
O amor está na força que te anima.
 
Confia em cada dom que recebeste,
Confia em cada sonho, em cada plano
Se a dor está no amor que tu perdeste,
Há mais que um novo amor no novo ano.
 
Tu és uma pessoa abençoada !
Confia na vitória ! Determina !
Se a vida até aqui não te deu nada,
Jesus te dá a luz  que te ilumina !

 

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