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SEBO LITERÁRIO
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21
ILUMINOITE
Às 15 h e 29 min do dia 30 de abril de 2005 do Rio de Janeiro
( tempo chuvoso, nublado e estranhamente alpino )
Tu anoiteces em mim quando me evitas,
Mas te iluminas em mim quando me abraças...
Se te aproximas de mim, tu me palpitas,
E se te afastas de mim, tu só me matas.
Tu ensombreces o amor, quando te negas
A iluminar meu olhar com teu olhar
E se eu me entrego inteirinho e não te entregas,
Sou como luz sem brilho... onda sem mar.
Se a solidão me envolve inteira, eu anoiteço
E há nos meus olhos vazios, escuridão
Mas quando penso em teus olhos e adormeço
Volta, espontânea, a luzir minha paixão.
Se o meu amor apagar-se... apaga tudo:
O teu olhar, tua luz, teu corpo ausente,
E se eu olhar teu olhar e ficar mudo,
Minha emoção fica fria... e não mais te sente.
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22
CARINHOSAMENTE
Toma minha chave, abre esse cadeado
Sem pressa, sem alarde, vagarosamente...
Contempla tuas asas, tens um sonho alado,
Dá um passo, salta ! E voa... carinhosamente.
Afaga o azul do céu aberto e... chora !
Deixa tuas lágrimas voarem no infinito;
Não és mais sozinha, agradece a Deus... Ora !
E vê que o teu amor é algo bom... e é tão bonito...
Voa além do céu, além do azul, por sobre o mar,
Vê como teu ser é generosamente grandioso
Tens o dom sutil, puro de crer, doce de amar
Liberta esse amor, eterno amor... maravilhoso.
Solta-te de ti, escolhe o chão, pisa o caminho
Que tua paixão, tua emoção mais desejar;
Teu amor precisa de atenção e de carinho,
Solta esse amor feito de dor do teu olhar.
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23
QUANDO ME CHAMAS
Às 8 h e 19 min do dia 27 de outubro de 2005 de uma manhã
estranhamente chuvosa do Rio de Janeiro
Quando me chamas com teus olhos únicos,
tuas palavras são absolutamente desnecessárias...
só preciso te ver, buscando a tua essência amorosa e terna,
silenciosamente musical.
só preciso te olhar afetuosamente
com meu riso solto da minha boca timidamente solitária
e repousá-lo, num delicado beijo, no sedoso leito tua boca
meigamente sensual...
Quando me chamas... meu amor...
ah, quando me chamas... apenas com o brilho lânguido
dos teus olhos leves...
uma lágrima sorrateira mescla-se,
discreta, no brilho do meu mais profundo amor...
e voa límpida numa ínfima gota lírica,
orvalhando a tímida pétala dos teus sentimentos infinitamente
breves... livres...indeléveis...
Ah... quando me chamas...
num sussurro audível apenas pela intenção sutil dos batimentos
do meu coração...
essa gota simples, desmaia numa plácida paixão e mergulha,
sublime
no doce mistério nebulosamente sedutor
do teu olhar...
eternamente luz...
e
flor.
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24
TEMPO DE NEBLINA
Às 11 h e 31 min do dia 8 de abril de 2005 do Rio de Janeiro -
Brasil .
No denso nevoeiro, o teu navio
Ressurge após um tempo de neblina,
Meus olhos , sobre a pedra do cais frio
Vislumbram tua imagem repentina.
Minha alma se tornou tão pequenina,
Que já nem sei dos sonhos solitários
Que te sonhei... e eras tão menina
Porém traçavas teus itinerários.
Nos cofres da saudade te guardei
E quando os abri, tinhas sumido
Junto com todos sonhos que sonhei,
Havias, linda... desaparecido.
Agora, quando o mar te anuncia,
Sou eu que me preparo pra zarpar;
Quem sabe uma onda arredia
Me afogue na ilusão do teu olhar.
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25
DEVAGARZINHO
Às 20 h e 8 min do dia 3 de Janeiro de 2006
Tu me olhas tão... fragilizada...
Quem te maltratou ? Conta pra mim;
Eu não te prometo quase nada,
Só o meu amor... que é tão sem fim.
Teu olhar me diz que estás magoada;
Quem roubou a tua alegria ?
Quem te abandonou assim calada
Com a tua alma tão... vazia ?
Olha nos meus olhos sem ter medo,
Chora... essa luz do teu olhar
Quer me revelar algum segredo;
Conta... eu só quero te escutar.
Não fiques assim, vem, me abraça;
Tua dor requer só proteção
Vem que essa tristeza logo passa
Solta essa dor do coração.
Assim... bem pertinho... devagar...
Queres que eu te ame ? Que eu te beije ?
Solta essa dor do teu olhar
Deixa que eu te sonhe e te deseje.
Se a solidâo te visitar
E essa dor doer devagarzinho,
Quando a tua dor te maltratar,
Deixa que eu te cuido com carinho.
Isso... mostra esse rosto lindo
Livre, descobrindo o paraíso
Quero o teu olhar feliz... sorrindo,
Solto no aconchego do meu riso.
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TIJOLOS DE VIDRO
Luiz Gilberto de Barros
Às 21 h e 57 min do dia 15 de julho de 2009
Atravessando os tijolos transparentes
Que nos revelam a olhares indiscretos,
Raios de luzes solidárias e envolventes
Tornam carentes nossos corpos inquietos.
Sensoriais, as nossas peles confortáveis
São responsáveis pela reciprocidade
Que se dilui em nossos sonhos vulneráveis
Às inefáveis sensações de liberdade.
A mesma luz que nos aquece, denuncia
A poesia de sublimes movimentos
E em cada toque sedutor em sintonia,
A fantasia se refaz nos sentimentos.
O nosso amor se reproduz em dimensões
Emocionais de sentimentos envolventes,
Deixando antigas e eternas solidões
Do outro lado dos tijolos transparentes.
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BUQUÊ DE UTOPIAS
Às 22 h e 39 min do dia 15 de juho de 2009 do Rio de Janeiro
O teu buquê lançado a esmo, dissolveu-se
Em mãos aflitas, desvairadas e carentes
De um novo amor, mas cada flor que desprendeu-se,
Do teu amor... levou teus sonhos inocentes.
Agora estás sem teu amado e sem as flores
Que arremessaste... lindas... sem imaginar
Que na eterna solidão das tua dores,
Nem teu buquê te poderia consolar.
Um gesto paira em teu silêncio e se forma
No abandono do teu ser e te transforma
Em outra flor de tantas outras que jogaste,
Sem perceber que cada pétala macia
Seria apenas um resquício de utopia
De ser feliz com a solidão... que desposaste.
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28
TEU DIA DOS PAIS
Rio de Janeiro, 02 de agosto de 2003
Quando teu filho te chamar de pai,
Guarda esse momento no teu coração;
Teu tempo é curto e se esse amor se esvai,
Deixa cicatrizes, culpa, solidão.
O teu presente no dia dos pais
Não são canetas, meias ou camisas;
É um silêncio simples, não é mais
Que uma ternura que te suaviza.
Pois na mudez dos teus olhos abertos,
Há tua imagem noutra dimensão:
São os teus filhos, que tão longe ou perto,
São complementos do teu coração.
Deus te deu o dom do amor, procura despertá-lo,
Sempre que teu filho dele precisar;
Há tantas maneiras simples de amá-lo
Basta compreendê-lo e tê-lo em teu olhar.
E quando um dia, enfim te ausentares
Desse teu tempo na terra e na vida,
Cada detalhe do que ensinares
Renascerá após tua partida.
Logo que um filho teu for pai de um novo filho,
Ou tua doce filha, mãe de um novo herdeiro,
O teu olhar feliz há de pairar no brilho
Do olhar de um novo pai... sensível, verdadeiro.
Por isso, pai, celebra esse teu dia,
Agradecendo ao Pai por todo o teu destino,
Pois cada riso teu ou lágrima que cai,
Há de lembrar teu pai, teus tempos de menino.
Chora em silêncio, ri, , deixa fluir
Tua alegria de acreditar
Que tua história nunca acaba aqui
Em cada filho teu, ela renascerá.
Agradece a deus e celebra teu dia
Deixaste uma história... o que queres mais ?
Curte o teu momento com muita alegria
Porque tu mereces teu dia dos pais !
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29
OÁSIS SUBURBANO
Às 20 h e 50 min do dia 8 de maio de 2009 do Rio de Janeiro
A vida te convida, cada passo
Encurta a extensão da avenida,
Tu pisas tua dor, o tempo escasso
Maltrata muito mais cada ferida.
Precisas caminhar, pisar, sentir
O chão da tua vida amargurada,
Pois quando a liberdade te sorrir,
Terás a tua meta desejada.
Metrópoles são templos fictícios
Onde cada letreiro luminoso
Exibe o prazer e esconde os vícios
Que nascem de um contato auspicioso.
Parece que estás em um deserto
De piche, desespero e desengano,
Porém teu coração diz que estás perto
Das sombras de um oásis suburbano.
Não tens outra opção, o teu olhar
Prefere a agitação que te convida,
A ter a solidão que te restar,
Quando cada paixão for esquecida.
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30
ESPIRAIS
Às 21 horas ( em ponto ) do dia 6 de março de 2007 do Rio de
Eu bebo a tua ausência, a tua meiga face
Me chega em espirais... sutis...entorpecentes
É como se o amor... talvez... me convidasse
A refazer meus sonhos .... doces... envolventes...
Em doses terapêuticas de amor e fantasia,
Eu bebo a agonia eterna de buscar
Na luz do teu olhar a paz mais arredia
O copo se esvazia...eu vou me embebedar.
A minha solidão gelada e invasiva...
Penetra em cada poro, instala a nostalgia;
A lágrima fatal, nervosa e compulsiva
Desliza solitária...dissolve a alegria.
Eu ergo mais um brinde... a minha dor não mente
Teu rosto se dissolve no brilho de uma taça...
Eu brindo ao teu amor... mas ele é tão ausente
Que o sonho, de repente... em luzes... se estilhaça.
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O BEM-ME-QUER QUE TU DESFOLHAS
Às 20 h e 58 min do dia 19 de fevereiro de 2007
Tu disfarças, mas eu sei que tu me olhas,
Escondida nos teus sonhos mais escassos...
Eu percebo o bem-me-quer que tu desfolhas,
Esperando que eu me perca nos teus braços.
Nos meus olhos, tu procuras teu semblante;
Num instante tu te vês quando me buscas;
Se percebes que eu não sou o teu amante,
É na luz do próprio olhar que tu te ofuscas.
Meu olhar tem muitos rumos, não te iludas,
Mas eu gosto de te ver no meu caminho
Se estou triste, quero mais é que me acudas
Só assim eu não me sinto tão sozinho.
Somos dois olhares soltos no vazio,
Procurando completar o nosso amor
Se há um barco ancorado no cais frio...
Ele pede um passageiro... sedutor.
Tu és minha passageira, vem, navega
No veleiro solitário que eu guardei
Para tua solidão... ele se entrega
À rainha que tu és... e eu nem sou rei.
32
AN...CORAGEM
Às 12 h e 24 min do dia 11 de fevereiro de 2007 do Rio de
Janeiro
Tu temes que o cais dos teus desejos
Não traga o teu navio sedutor
Sereias atraentes pedem beijos
Mas querem devorar o teu amor.
Tu soltas as amarras e levantas
As âncoras, é hora de partir,
Quem sabe nessas ondas... que são tantas
Tu hás de ver um novo amor sorrir...
Teu barco sai do porto lentamente;
Um vento sudoeste vai chegar
E pode te arrastar tão de repente
Que tu nem terás tempo de voltar.
As ondas podem ser mais violentas;
O amor é barco frágil... Sedução
É mergulhar no mar que tu inventas,
No porto azul desse teu coração.
A tua solidão é um oceano;
Teu sonho é um navio sedutor
Que traça, no vazio, o próprio plano
Que a vida pode dar ao teu amor.
Planejas tua rota... não há portos
Apenas uma ilha tão distante
Dos teus anseios vãos, dos sonhos mortos
Desse teu coração tão... navegante.
Navegas... o vento fala nas velas
E é como se com ele conversasses;
A dor, no teu amor, deixou seqüelas
Por mais que ao teu amor te dedicasses.
Tu partes, cada onda que te molha
Parece despertar teu abandono
E cada estrela vã que em vão te olha,
Mistura um sonho vão nesse teu sono.
Enfim, quando te miras no espelho
Da velha solidão fria do mar,
Percebes um azul no mar vermelho
Desse desejo... vão... do teu olhar.
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LACRILUMINANDO
Meus olhos lacrimejam palavras que brilham,
Soltas de um silêncio inefável...
E os caminhos que as palavras trilham,
Mostram uma dor... insustentável.
E, neste instante memorávell,
Em que minha angústia se revela,
Mostro que o amor mais improvável
Surge onde a dor deixa seqüela.
Assim é o instante de um poeta
Que faz ressurgir da própria dor
Sua emoção mais predileta
Só para falar do seu amor
Como uma flor inesperada
Que, entre outras flores do jardim,
Mostra, em cada cor inusitada,
O amor que há dentro de mim.
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CORRENTEZA
A vida passa por teus olhos como um rio
Em cujas águas mal consegues navegar
A solidão é como a pedra do cais frio
Onde tu paras para rir ou então chorar.
A tua vida é como o fogo num pavio
Que o vento forte não consegue apagar
O teu desejo é a correnteza do rio
Levando o sonho que existe em teu olhar.
O teu amor às vezes é tão arredio
Que a tua dor nem sempre toma o teu lugar
Ele se esconde no silêncio ou no vazio
Que há no teu jeito de esconder o teu olhar.
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PASSARINHA
Às 23 h e 50 min do dia 31 de janeiro de 2007 do Rio de Janeiro
Tu vives, menininha... tão alheia
Ao mundo que te cerca... e , pequenina,
Te tornas o que queres, te rodeia
Um céu de sonhos doces...de menina...
Tu voas e o céu que te seduz
Transforma o teu amor num passarinho;
Que invade a solidão da própria luz
Reprojetando sonhos... no caminho.
O teu olhar sublime e tão brilhante
Se fecha para o mundo...entretanto
Vislumbra, quando sonhas... num instante.
O vôo do teu amor em cada encanto
Não cresças, menininha... adultecendo,
Quando criares tuas utopias,
Perceberás teu vôo se desfazendo
No céu da mais cruel melancolia.
Repousa no silêncio dos poetas,
Assim, eterna e doce... voarás
No espaço das ausências mais completas
Que o coração requer.... quando quer paz.
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DORMINDO NO TEU LEITO DE UTOPIAS
Às 24 h e 15 min do dia 1°de fevereiro de 2007 do Rio de Janeiro
Não adianta me propores que eu não faça
Poesias com o veludo dos teus sonos,
Pois não é o meu amor que te abraça,
É o meu sonho livre nos teus abandonos.
Se te falo com meu ritmo ou rima,
Na cadência de um verso compassado,
Uso toda emoção que te exprima
Através do meu amor mais ritimado.
Se tu danças, vou contigo no teu sonho,
Alço vôo em cada verso que componho,
Levitando no bailado que tu dás...
E se dormes no teu leito de utopias,
Vou contigo e recomponho as fantasias
Coloridas do teu mar... longe do cais.
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VOÂNSIAS
Às 13 h e 55 min do dia 30 de janeiro de 2007 do Rio de Janeiro
Tu voas, mas precisas de alimento;
O vento te convida à liberdade
À cada vôo que dás, teu pensamento
Te leva para longe da cidade.
Retornas quando o sonho que sonharas
Se finda na manhã que te desperta,
A dor da ansiedade nunca sara
E as ruas são estranhas e desertas.
Tu choras... se teu pranto fosse um rio
Macio a conduzir os teus anseios
Serias o dono desse navio
Que habita a imensidão dos devaneios.
As aves sobrevoam a cidade,
Reais, pintando o céu de utopias...
Se fosses ave... que felicidade...
Voar solto no ar... sem fantasia.
Retornas ao teu sono, o sonho volta
E solta as aves do teu coração
Tu voas novamente... sem escolta
Tenho sonho não requer mais proteção.
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INCISÃO
Às 13 h e 30 min do dia 30 de janeiro de 2007 do Rio de Janeiro
Tu recortas teu amor em duas faces...
Se ficasses, tua dor te anularia;
Tu te vais, mas se um dia tu voltasses,
Qual das faces certamente encontrarias ?
Tu te cortas... porém se te suturasses...
Como sabes que tu cicatrizarias
Essa dor triste de amor... Ah... se te amasses...
Solitária... como te possuirias ?
Tu procuras o teu rosto em outro rosto;
Não encontras... o espelho alternativo
Só te mostra um sorriso decomposto,
Nesse rosto que ainda permanece vivo.
Tu transplantas a mulher que a dor forjara
Noutra cara, perdes tua identidade,
Mas percebes que o olhar que te repara
É a cara... rara... da felicidade.
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39
LÁGRIMAS SEM LENÇO
Às 19 h e 14 min do dia 30 de dezembro de 2006
Seres como tu guardam silêncios
Plenos de afeto e emoção;
Choras tuas lágrimas sem lenço
Dentro do teu próprio coração.
Teu amor tem o poder... imenso
De afastar as sombras de uma dor,
Mas o teu desejo mais intenso
Dorme em teu silêncio... sedutor.
Tentam decifrar os teus mistérios,
Teu olhar sorri e, de soslaio,
Fita a solidão dos hemisférios,
E te leva em teu cavalo... baio...
Sonhas... fantasias, mas... no sonho
O teu vôo sutil te leva apenas
Para um outro olhar também tristonho
Que olha a placidez de águas... serenas.
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40
VÔO SUTIL
Às 19 h e 14 min do dia 30 de dezembro de 2006
Seres como tu guardam silêncios
Plenos de afeto e emoção;
Choras tuas lágrimas sem lenço
Dentro do teu próprio coração.
Teu amor tem o poder... imenso
De afastar as sombras de uma dor,
Mas o teu desejo mais intenso
Dorme em teu silêncio... sedutor.
Tentam decifrar os teus mistérios,
Teu olhar sorri e, de soslaio,
Fita a solidão dos hemisférios,
E te leva em teu cavalo... baio...
Sonhas... fantasias, mas... no sonho
O teu vôo sutil te leva apenas
Para um outro olhar também tristonho
Que olha a placidez de águas... serenas.
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