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MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA |
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SEBO LITERÁRIO
ARTE E POESIA
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7 páginas

The Suicide of de Pink
Whale and The Dove I Borrowed From Magrite

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A AMIZADE
Maria João
Brito de
Sousa
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A
amizade não
morre
facilmente!
Talvez não
morra nunca
e permaneça
Num canteiro
qualquer
escavado à
pressa
Pelas mãos
incansáveis
da semente…
Talvez o
vento passe
e não
lamente,
Talvez a
terra
inteira até
a esqueça…
Mas, dela,
sobrará uma
promessa
Que a torna
intemporal e
transcendente
Se ela
existiu,
então não
terá fim
Pois ficará
latente no
jardim
Onde alguém
a plantou em
tempos idos
E se alguém
duvidar que
seja assim,
Responderei:
- Não falo
só por mim…
Falo por
quantos não
serão
esquecidos!
Maria João
Brito de
Sousa –
13.09.2011 –
16.00h |
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AMORES QUE
NUNCA MUDAM
Maria João
Brito de
Sousa
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Serei
sempre
obstinada em
meus afectos!
Aquilo em
que
acredito,
nunca muda
E não há
teoria que
me iluda
No tocante
aos amores
que são
concretos
Eu amo esta
família
construída
Sobre
alicerces de
aço bem
temperado
Pois se
algum deles
partir será
chorado
E eu… cada
vez mais
pobre nesta
vida
São animais,
bem sei… são
cães, são
gatos,
São pombos
que deixaram
de voar,
São pedaços
de mim que a
mim
voltaram,
Mas nunca
foram meros
artefactos
Ou “peças”
que eu
pudesse
descartar
Quando as
conveniências
mo ditaram…
Maria João
Brito de
Sousa –
Fevereiro
2010 |
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AO LONGO DE
MIM
Maria João
Brito de
Sousa
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Nesse
“ao longo de
mim” que te
ofereci
No
breve-imenso
instante em
que fui tua,
Eu, mulher
de ninguém,
irmã da lua,
Despojei-me
de mim p`ra
estar em ti.
Foi ao longo
de mim que
recebi
O que de ti
nasceu em
mim que,
nua,
Calava a
solidão
absurda e
crua
Das horas de
encantar que
então perdi
Tu, que ao
longo de mim
nunca
encontraste
Aquilo que
era meu
pr`além de
mim
E que assim
te perdeste
do meu eu,
Vê que ao
longo de mim
também
mudaste
E se não me
encontraste
até ao fim
Foi decerto
por quereres
um fim só
teu…
Maria João
Brito de
Sousa –
Outubro 2009 |
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AS
PEQUENINAS
CAUSAS
Maria João
Brito de
Sousa
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Sou
guardiã das
causas
pequeninas…
Um ninho,
uma
erva-moira,
um cão
doente,
Tornam-se-me
sagrados, de
repente,
E passam
logo a ser
coisas
divinas…
Um pássaro a
voar, essas
meninas
Que brincam
na calçada,
este
inocente
Que me olha
tão serena e
docemente
Como se eu
florescesse
entre
boninas,
O sol que
vem
espreitar
estas
palmeiras,
Um gato que
miou, essas
floreiras
Onde crescem
as flores
que daqui
vejo,
O verde dos
canteiros,
pintalgado
Pelo
vermelho-inverno
antecipado…
Tudo o que
mexa ou
viva, aqui
protejo!
Maria João
Brito de
Sousa –
Novembro
2009 |
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CHEGAR TARDE
DEMAIS À
ÍTACA DO
COSTUME…
Maria João
Brito de
Sousa
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Por
Ítaca me fui
desencontrando
Da sagrada
missão da
Poesia...
Se acaso a
encontrei,
nem nela
havia
Tradução
pr`á
linguagem do
meu pranto
Mal Ítaca
pisei, logo
encalhando
Naquele
praia
urgente e já
vazia
Que quanto
mais negada,
mais crescia
Enredando-me
toda no seu
manto…
Se algum
farol em
Ítaca se
erguia,
Se, à porta,
me pediram
senha ou
santo
Pr`á
singular
passagem que
antevia,
Não o posso
afirmar e,
no entanto,
Era ali que,
chorando, eu
redimia,
Verso a
verso, esta
ode ao
desencanto…
Maria João
Brito de
Sousa -
23.09.2011 -
17.40h |
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DISSECAÇÃO
Maria João
Brito de
Sousa
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Enquanto,
por aqui,
for
poetando,
Disseco,
isto que
sou, em mil
pedaços
E, assim,
serei feliz
pois,
dissecando,
Terei sempre
ocupados os
meus braços…
Disseco um
pouco mais -
reinventando,
Por
redefinição,
estes meus
traços -
E só muito
mais tarde –
eu sei lá
quando!
Partirei à
conquista
dos espaços…
Por agora,
ocupada como
estou,
Sei lá se
sei, sequer,
dizer quem
sou,
Antes de
dissecar
mais um
pouquinho…
Depois
descobrirei
por onde
vou!
Esta
dissecação
mal começou
E, em cada
descoberta…
outro
caminho!
Maria João
Brito de
Sousa |
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DOS HOMENS
QUE PESCAVAM
A MEMÓRIA DE
UM RIO
Maria João
Brito de
Sousa
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Os
homens que
no rio iam
pescar,
Antevendo as
memórias,
tinham frio;
Varando
corpo e
alma, um
arrepio
Quase os
impediria de
avançar…
Mas nenhum
deles
pensava em
recuar;
Ansiavam
pelos
“peixes”
desse rio
E os
rápidos,
rolando ao
desafio,
Eram fracos
demais pr`a
derrubar
Essa vontade
férrea,
irredutível,
Que os
levava a
tentar esse
impossível
No oculto
rio da
vida-indispensável
Pois nunca
medo algum
lhes
roubaria
O prémio que
esse rio
concederia
A quem dele
conseguisse
esse
improvável…
Maria João
Brito de
Sousa –
23.10.2010 –
14.00h |
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