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MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA |
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SEBO LITERÁRIO
ARTE E POESIA
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7 páginas

A Lágrima

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DÚVIDA
EXISTENCIAL
Maria João
Brito de
Sousa
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Das
palavras
fazemos
caravelas,
Navegamos no
espaço das
ideias,
Somos o
germinar de
panaceias,
Pedras
filosofais,
chamas de
velas...
Cruzamo-nos
em vidas
paralelas,
Inventamos,
no mar, mito
e sereias,
Acendemos o
sol em
mil candeias,
Pintamos
novas cores
nas nossas
telas...
Se trazemos
em nós tanto
futuro,
Se abrimos
uma porta ao
amanhã
E se nada
nos trava
nem nos
prende,
Por que
razão será
qu `inda
murmuro
E novamente
mordo esta
maçã
Que uma
serpente
mágica me
estende?
Maria João
Brito de
Sousa -
Fevereiro
2008 |
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E SOLTA-SE O
SONETO!
Maria João
Brito de
Sousa
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… e
solta-se um
soneto
alvoroçado
Da estranha
compulsão do
gesto breve
Que cresce
de um anseio
exacerbado
Nos
insensatos
dedos de
quem escreve
Traduz um
sonho só,
deixa de
lado
O jugo do
silêncio em
que
prescreve
E ao ver-se
desse jugo
libertado
Diz, por
vezes, bem
mais do que
o que deve
Tem pouco
espaço pr`a
dizer-se
inteiro
Mas,
habilmente,
custe o que
custar,
Num nada se
constrói
teimosamente…
Pode ser
temerário,
aventureiro,
Ou simples,
incorpóreo,
eco lunar...
Mas jamais
coisa feita
inutilmente!
Maria João
Brito de
Sousa –
31.05.2012
-16.51h |
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MEU RIO… MEU
IMENSO,
INSUSTENTÁVEL
RIO…
Maria João
Brito de
Sousa
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Minha
canção das
margens
inconstantes
Rasgando a
pradaria dos
sentidos,
Meu rio de
águas
revoltas,
mas
brilhantes,
A começar do
nada, em
tempos idos
Minha
ribeira
brava dos
instantes
Que
acrescentaste
aos dias já
vividos,
Das
lonjuras,
dos sonhos
mais
distantes
Que, à
partida, me
foram
prometidos
Meu leito,
derramando
em terra
ardente
O abraço da
vontade que
não morre
Do riso que
descrê, mas
não desiste,
Meu líquido
poema
omnipresente
Nas águas de
um futuro
que dele
escorre
E ao qual,
embora
querendo,
não resiste…
Maria João
Brito de
Sousa –
24.05.2011 –
15.17h |
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NEM SÓ DE
MIM…
Maria João
Brito de
Sousa
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Porque
nem só de
mim te irei
falar…
Nem só do
que senti,
do que
pensei,
Te apontarei
os rumos de
luar
Das rimas
dos poemas
que farei
Porque
talvez –
quem sabe? –
eu vá rimar
Sobre mil e
uma coisas
que nem sei
E chegue
até, um dia,
a dissertar
Sobre ecos
filosóficos
que herdei…
Não leves
muito “à
letra” o que
te diga!
Há dias em
que acordo e
só me
intriga
A génese da
Vida, nas
razões
Que levam,
um qualquer,
a nascer
gato…
[nesses
dias, sem
medo nem
recato,
perco-me
inteira em
vãs
divagações…]
Maria João
Brito de
Sousa –
Dezembro
2010 |
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O DESPONTAR
DO SONO ou
Um Castelo
de Nadas
Maria João
Brito de
Sousa
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Um
castelo de
nadas, feito
á pressa,
Um bocejo a
calar o que
se diz
E, no
esfregar da
ponta do
nariz,
Eis a noite
do sono que
começa…
Uma breve
oração, uma
promessa
De tentar ir
além, ser
mais feliz,
Um não-ligar
ao quanto
contradiz
Aquilo que
juntámos,
peça a peça…
Um sonho, um
nada em
forma de
castelo
A pairar
sobre mim
que estou a
vê-lo
Como se
construído
além-vontade
No sono,
aonde um
nada se faz
tudo,
Aonde morro
e lúcida me
iludo
Numa
aproximação
de
eternidade…
Maria João
Brito de
Sousa –
Novembro
2009 |
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O ELOGIO DO
MÉTODO
Maria João
Brito de
Sousa
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Minh`alma é
toda feita
da inocência
De eternas e
selvagens
rebeldias
Nos pontuais
arbustos de
impaciência
Que
florescem
nas margens
dos meus
dias
Cultivo, sem
cessar,
inteligência,
Privilegio
sempre as
harmonias
E procuro
entender –
venero a
ciência –
Os frutos
que colher
por estas
vias
Quando algo
me
transcende,
eu não
desisto
E guardo
pr`a mais
tarde o
nunca visto
No baú dos
meus sonhos
de menina
Mais tarde,
posso, ou
não, achar
respostas
[se as
coisas forem
sendo assim
dispostas
no tempo a
que esta
vida nos
confina…]
Maria João
Brito de
Sousa –
21.08.2011 –
15.18h |
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O ESTUÁRIO
Maria João
Brito de
Sousa
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Ao largo
de um luar
de
madrugadas,
Ecos de
caravelas,
galeões,
Vislumbram-se
sereias e
tritões
A cavalgar
as ondas
prateadas...
Na
orla, sobre
arribas
recortadas,
Erguem-se,
entre
muralhas,
torreões,
Marinas e
mil novas
construções
No contexto
das eras
combinadas...
Surgindo de
repente, eis
o Bugio
Como ilha
onde se
encontram
Tejo e mar!
Nas revisões
do meu
imaginário,
Aí, aonde o
mar enfrenta
o rio,
Ergue-se a
fortaleza
circular
Que reina
sobre todo
este
estuário...
Maria João
Brito de
Sousa
In POETA
PORQUE DEUS
QUER
Autores
Editora -
2008 |
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