MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

SEBO LITERÁRIO

 ARTE E POESIA

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O Filho Do Homem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PLANTANDO LUAS

Maria João Brito de Sousa

 

Trago luas nos bolsos, nas bainhas,
Nas fímbrias mais recônditas do ser
E tantas mais que ainda irão crescer
Pr`a compensar mil outras penas minhas…
 
Irão brotar-me luas, quais grainhas,
Por todo e qualquer canto onde eu estiver
E a cada lua-nova que nascer,
Brilharão luas-cheias, redondinhas...
 
Hoje eu amo o luar como quem ama
O Mar, a Terra, a Vida, o Fogo, o Céu,
Além, mas muito além do que é visível!
 
Hoje um quarto-crescente acende a chama
Que uma mais jovem lua em si escondeu
Enquanto a escuridão lhe foi possível...

Maria João Brito de Sousa – Outubro 2009

 

 

 

 

 

POETA – Vida e Obra

Maria João Brito de Sousa

 

Não separes a vida de um poeta
Do poeta que vive a sua vida
Pois todo o seu percurso se completa
Em sequência causal, sempre incontida
 
Se julgas que é inútil, incorrecta,
O erro será teu. Ela é cumprida
Até ao fim da página secreta
Do livro dessa sua intensa lida
 
Não separes os dois. Não os separes!
Se acaso te passar pela cabeça
Vir a julgar o quanto sente e exprime
 
Poeta, Vida e Obra… se o julgares,
Repara que ele, sem medos, se confessa
Enquanto insana culpa, a ti, te oprime…

Maria João Brito de Sousa – Abril 2010

 

 

 

 

 

 

 

POR MAIS QUE…

Maria João Brito de Sousa

 

Por mais que o sol se ponha, devagar,
Por mais que a estrela-d’alva me sorria,
Por mais que a lua venha iluminar
Aquilo que sobrou de mais um dia,
 
Por mais noite que sobre e o inundar
Da conturbada luz que me alumia
Me inspire ou mesmo tente interpelar…
Por mais que isso aconteça, eu quereria
 
A mesma rapidez do dedilhar
Que a mão, descontrolada, me assumia
E aquele embriagante não parar,
 
Para nem duvidar do que sentia,
Na galvânica pressa de acabar
O que nem começado `inda estaria…
 
Maria João Brito de Sousa – Junho 2011

 

 

 

 

 

QUAIS BANAIS, QUAIS INTANGÍVEIS…

Maria João Brito de Sousa

 

Quando o sol vem mostrar que bem-me-quer,
Tal como quer aos melros e pardais,
Respondo-lhe que o quero ainda mais,
Que, às vezes, sou mais ave que mulher…
 
Mas, se uma lua cheia acontecer,
Redonda em seus abraços vesperais,
Aceno-lhe a sorrir, faço sinais
Para que ela, ao espreitar, me possa ver…
 
Tão ave quanto as aves, mas sem asas,
Fico a vê-las voar por sobre as casas
Enquanto estes dois astros, impassíveis,
 
Iluminando todos por igual,
Não diferenciam homem de animal,
Nem cuidam quais banais, quais intangíveis…
 
Maria João Brito de Sousa – 19.05.2011 – 10.05h

 

 

 

 

 

 

REMATANDO COM NÓ(S)

Maria João Brito de Sousa

 

Baixa a maré que, aos poucos, se despede
Dos versos do tecido inacabado
E já sente a poeta o véu pesado
Do estranhíssimo espólio em que se mede
 
Vê tanto, tanto mar, que nem percebe
Se atingiu essa praia onde o legado
Virá, ou não, a ser quantificado
Na produção poética da “rede”…
 
Baixa naturalmente e vai parando
Até que um dia, não se sabe quando,
Não mais possa nascer um verso seu
 
Depois… depois, os versos feitos voz,
Que aceitem que um remate é dado em nós,
Talvez possam lembrar quem os teceu…
 
Maria João Brito de Sousa – 29.06.2012 – 17.23h

 

 

 

 

 

RESSURREIÇÃO

Maria João Brito de Sousa

 

Verdade! O que vos digo é só verdade!
Por não saber mentir, sou talvez louca...
Embarga-se-me a voz e fico rouca
De tanto vos falar da liberdade...
 
Às vezes sinto dor! Uma ansiedade
Vem do fundo de mim, tapa-me a boca,
Faz-me sentir que a minha  voz é pouca
Pr`a vos tentar  cantar tanta saudade...
 
Depois vem uma Luz que me deslumbra,
Arrebata-me inteira; corpo e alma
E de novo me torna a voz urgente!
 
Assim vivo, entre a Luz e a penumbra...
E nasce outro poema e fico calma
E ressuscito a cada sol nascente!
  
Maria João Brito de Sousa – Fevereiro 2008

 

 

 

 

 

 

SÓ PARA NÃO FICAR A “GANHAR PÓ”

Maria João Brito de Sousa

 

Dizia dar – promessas são de mel…-
A lua, o sol… inteira, a claridade
Arrancada ao silêncio dum pincel
Em dias de inspirada ubiquidade…

Todo se dava, em juras de cordel,
Julgando conquistar corpo e vontade,
Mas nada o impediu de, na verdade,
Ir resguardando a sua própria pele…

Assim morreu esquecido, esse perjuro
Duma promessa insólita, intangível,
Sem assumir um erro, um erro só,

Onde nunca o encontro, nem procuro,
Elevando uma mão imprevisível
Na qual nada apanhara… a não ser pó.

 

 

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