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MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA |
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SEBO LITERÁRIO
ARTE E POESIA
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7 páginas

O Filho Do Homem

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PLANTANDO
LUAS
Maria João
Brito de
Sousa
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Trago
luas nos
bolsos, nas
bainhas,
Nas fímbrias
mais
recônditas
do ser
E tantas
mais que
ainda irão
crescer
Pr`a
compensar
mil outras
penas
minhas…
Irão
brotar-me
luas, quais
grainhas,
Por todo e
qualquer
canto onde
eu estiver
E a cada
lua-nova que
nascer,
Brilharão
luas-cheias,
redondinhas...
Hoje eu amo
o luar como
quem ama
O Mar, a
Terra, a
Vida, o
Fogo, o Céu,
Além, mas
muito além
do que é
visível!
Hoje um
quarto-crescente
acende a
chama
Que uma mais
jovem lua em
si escondeu
Enquanto a
escuridão
lhe foi
possível...
Maria João
Brito de
Sousa –
Outubro 2009 |
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POETA – Vida
e Obra
Maria João
Brito de
Sousa
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Não
separes a
vida de um
poeta
Do poeta que
vive a sua
vida
Pois todo o
seu percurso
se completa
Em sequência
causal,
sempre
incontida
Se julgas
que é
inútil,
incorrecta,
O erro será
teu. Ela é
cumprida
Até ao fim
da página
secreta
Do livro
dessa sua
intensa lida
Não separes
os dois. Não
os separes!
Se acaso te
passar pela
cabeça
Vir a julgar
o quanto
sente e
exprime
Poeta, Vida
e Obra… se o
julgares,
Repara que
ele, sem
medos, se
confessa
Enquanto
insana
culpa, a ti,
te oprime…
Maria João
Brito de
Sousa –
Abril 2010 |
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POR MAIS
QUE…
Maria João
Brito de
Sousa
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Por mais
que o sol se
ponha,
devagar,
Por mais que
a
estrela-d’alva
me sorria,
Por mais que
a lua venha
iluminar
Aquilo que
sobrou de
mais um dia,
Por mais
noite que
sobre e o
inundar
Da
conturbada
luz que me
alumia
Me inspire
ou mesmo
tente
interpelar…
Por mais que
isso
aconteça, eu
quereria
A mesma
rapidez do
dedilhar
Que a mão,
descontrolada,
me assumia
E aquele
embriagante
não parar,
Para nem
duvidar do
que sentia,
Na galvânica
pressa de
acabar
O que nem
começado
`inda
estaria…
Maria João
Brito de
Sousa –
Junho 2011 |
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QUAIS
BANAIS,
QUAIS
INTANGÍVEIS…
Maria João
Brito de
Sousa
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Quando o
sol vem
mostrar que
bem-me-quer,
Tal como
quer aos
melros e
pardais,
Respondo-lhe
que o quero
ainda mais,
Que, às
vezes, sou
mais ave que
mulher…
Mas, se uma
lua cheia
acontecer,
Redonda em
seus abraços
vesperais,
Aceno-lhe a
sorrir, faço
sinais
Para que
ela, ao
espreitar,
me possa
ver…
Tão ave
quanto as
aves, mas
sem asas,
Fico a
vê-las voar
por sobre as
casas
Enquanto
estes dois
astros,
impassíveis,
Iluminando
todos por
igual,
Não
diferenciam
homem de
animal,
Nem cuidam
quais
banais,
quais
intangíveis…
Maria João
Brito de
Sousa –
19.05.2011 –
10.05h |
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REMATANDO
COM NÓ(S)
Maria João
Brito de
Sousa
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Baixa a
maré que,
aos poucos,
se despede
Dos versos
do tecido
inacabado
E já sente a
poeta o véu
pesado
Do
estranhíssimo
espólio em
que se mede
Vê tanto,
tanto mar,
que nem
percebe
Se atingiu
essa praia
onde o
legado
Virá, ou
não, a ser
quantificado
Na produção
poética da
“rede”…
Baixa
naturalmente
e vai
parando
Até que um
dia, não se
sabe quando,
Não mais
possa nascer
um verso seu
Depois…
depois, os
versos
feitos voz,
Que aceitem
que um
remate é
dado em nós,
Talvez
possam
lembrar quem
os teceu…
Maria João
Brito de
Sousa –
29.06.2012 –
17.23h |
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RESSURREIÇÃO
Maria João
Brito de
Sousa
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Verdade!
O que vos
digo é só
verdade!
Por não
saber
mentir, sou
talvez
louca...
Embarga-se-me
a voz e fico
rouca
De tanto vos
falar da
liberdade...
Às vezes
sinto dor!
Uma
ansiedade
Vem do fundo
de mim,
tapa-me a
boca,
Faz-me
sentir que a
minha voz é
pouca
Pr`a vos
tentar
cantar tanta
saudade...
Depois vem
uma Luz que
me deslumbra,
Arrebata-me
inteira;
corpo e alma
E de novo me
torna a voz
urgente!
Assim vivo,
entre a Luz
e a
penumbra...
E nasce
outro poema
e fico calma
E ressuscito
a cada sol
nascente!
Maria João
Brito de
Sousa –
Fevereiro
2008 |
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SÓ PARA NÃO
FICAR A
“GANHAR PÓ”
Maria João
Brito de
Sousa
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Dizia
dar –
promessas
são de mel…-
A lua, o
sol…
inteira, a
claridade
Arrancada ao
silêncio dum
pincel
Em dias de
inspirada
ubiquidade…
Todo se
dava, em
juras de
cordel,
Julgando
conquistar
corpo e
vontade,
Mas nada o
impediu de,
na verdade,
Ir
resguardando
a sua
própria
pele…
Assim morreu
esquecido,
esse perjuro
Duma
promessa
insólita,
intangível,
Sem assumir
um erro, um
erro só,
Onde nunca o
encontro,
nem procuro,
Elevando uma
mão
imprevisível
Na qual nada
apanhara… a
não ser pó. |
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