SEBO LITERÁRIO

   

Marcos Milhazes***
 

 
 
Poesias
 
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Desacato o Cantador

Marcos Milhazes***



Filho de baiano
Já disse. Vim de lá!
Com cara de nordestino
e jeito de reza
Acredite seu moço
Vim no bucho da Dona Elza

Nem sabia embolar no verso
Na pipa papagaio eu sabia
Daquela menina sempre que podia
Passava o cerol e a trazia na pendura

Ô menino, falo da minha linda candura.
Que veio lá da terra da seca,
Para morar em Cascadura
Minha morena passando de vez pra madura

Numa disputa de fala
Com outro escrevedor
Se a cabrita gosta e fala de valor
Que antes não dizia, fico aperreado.
Pode ser troca de amor!

Mas caboclo que se preza
Não aceita falação de figurante
E da fala dita, põe tudo como antes.
Nunca se perde uma mulher,
para um falso navegante que se perde no destino.
E vira boi de cerca para um simples nordestino.

É moço!
Tem moça que roda como piorra
Aquele brinquedo de moleque que zoa no chão
Levanta uma danada de poeira lá no cerrado
E vai perdendo a sua força
Tal qual à tardinha
Quando faz a cama do Sol do meu sertão
E vem parando sempre bem de mansinho
Dentro do meu coração

Marcos Milhazes***

 

A Parábola da Mulher

Marcos Milhazes***


Quando Deus fez a criação
Acho que deixou os homens em simples esboços
Gentilmente pediu a seus arquitetos e desenhistas
que dessem prioridade ao projeto da criação do feminino.
Queria dar equilíbrio e beleza ao universo.

E assim foi.

Fizeram toques mágicos, esbanjaram nos efeitos especiais.
Usaram e a abusaram de seus conhecimentos técnicos
Exageraram nos detalhes da tentação.
Cabelos, peles, pêlos e olhos mágicos.
Ah, quantas tonalidades.
Usaram toda a perspicácia no trato dessas cores

Os matizes se misturando e se confundiam
entre tantas diferenças delicadas e belas.
A doçura que convém ao tom e
o entre tom definitivo para cada uma delas.

Fizeram uma festa de traços e ângulos
que encerra uma doutrina moral da criação.
Enfim, foi criada uma fabulosa obra de arte do Mestre.

E um belíssimo presente para o mundo...

Marcos Milhazes***

 

No Cotoco Da Vela

Marcos Milhazes***


Na escuridão do negro
À claridade da branca luz
Tudo me seduz!
Ter sua silhueta da vela mesmo que mínima,
resistindo a escuridão e mostrando-se íntima
nas sombras dos desenhos contorcidos pintados
numa parede de amor...

Acústico, é o som da vida.
Dê-me o seu tom mágico em seguida
Traduza-me em música clássica.
Transmita-me o barulho desse tal universo.
Entenda-me e apenas dance comigo nos meus pobres versos
antes que a noite desapareça
Querida, apenas me adormeça...

O tempo passa apressado e insolente
E a coisa mais linda a ser feita,
É quando minha alma se enfeita,
para ter momentos de preguiça com você!

Responde-me agora minha amada!
Responda-me nessa madrugada amena.
Junto a essa luz pequena!
Viver em paz não vale a pena?

Talvez não reparastes com bondade
Sou uma criança amando. Verdade!
Esse sentimento estará eternamente a sua mercê
Querida!
Qualquer pedaço de luz que eu consiga dessa vida

Seria apenas uma pequena claridade vinda de você...

Marcos Milhazes***

 

Obsessão

Marcos Milhazes***


Ao acaso me ocorreu uma visão
carregada de encanto.
Suas formas salientes seguiram viagem.
Sua imagem gostosa se fez
morada em meus desejos.
Minha imaginação tornou-se
impertinente.

Naquele momento, minha
idéia fixou-se.
Queria te assediar, te cercar,
torna-te minha,
sem temer a vexação.

Queria importunar tua beleza,
que por ali transitava, sem
querer saber dos olhares
sofridos e desejosos por você.
Queria cercar-te.
Queria que me quisesse, me desejasse.

Enfim;

Queria ficar a sua volta,
olhando suas curvas de voltas e formas perfeitas.
Queria olhar nesses seus olhos de arco-íris.
Queria observá-la, importuná-la, molestá-la.
Queria apenas, por insistência,
o que o meu coração queria obsidiar.
Possuir você...

Marcos Milhazes***

 

As Princesas

Marcos Milhazes***


Noite alta,
inspiração a flor da pele.
A brisa era tão leve que poderia confundi-la com a seda e
vesti-la, tal que era seu toque.
Embaixo de um caramanchão de Buganvília,
a rede me levava, a natureza me olhava.
A Lua era tão forte, que entre as folhas da plantas,
espionava-me de vez em quando,
na medida do meu balanço.
Em dado momento a silhueta de uma pequena vida surge.
Um ninho de pássaros.
Como aplaudindo, a nova vida,
a lua bateu mais forte. Começou a vazar gotas de néon,
através das frestas dos galhos. Caiam em cima de mim,
encharcavam minha alma, deslizavam por toda a grama,
atiravam-se nas águas límpidas ali próximas, tornando-as num lago de
cristal.
Minhas princesas pareciam entender aquele momento mágico.
Isentas, silenciosas, discretas,
apenas atentas a mim e
seduzidas pelo encanto reinante.
Ora inquietas, ora cochilando em meus braços,
permaneciam, ali, fieis, sempre a meu lado.
Nos tempos bons, de tempestade ou como hoje,
uma noite de pura magia.
Ali, permanecia, negra majestosa e branca paz.

Lady Minie e Zizi.

Marcos Milhazes***

 

 

Livro de Visitas

        

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