|
SEBO LITERÁRIO

Poesias
Pág. 12 de
13Pág.
 
|
Desacato
o
Cantador
Marcos
Milhazes***
Filho
de
baiano
Já
disse.
Vim
de
lá!
Com
cara
de
nordestino
e
jeito
de
reza
Acredite
seu
moço
Vim
no
bucho
da
Dona
Elza
Nem
sabia
embolar
no
verso
Na
pipa
papagaio
eu
sabia
Daquela
menina
sempre
que
podia
Passava
o
cerol
e a
trazia
na
pendura
Ô
menino,
falo
da
minha
linda
candura.
Que
veio
lá
da
terra
da
seca,
Para
morar
em
Cascadura
Minha
morena
passando
de
vez
pra
madura
Numa
disputa
de
fala
Com
outro
escrevedor
Se a
cabrita
gosta
e
fala
de
valor
Que
antes
não
dizia,
fico
aperreado.
Pode
ser
troca
de
amor!
Mas
caboclo
que
se
preza
Não
aceita
falação
de
figurante
E da
fala
dita,
põe
tudo
como
antes.
Nunca
se
perde
uma
mulher,
para
um
falso
navegante
que
se
perde
no
destino.
E
vira
boi
de
cerca
para
um
simples
nordestino.
É
moço!
Tem
moça
que
roda
como
piorra
Aquele
brinquedo
de
moleque
que
zoa
no
chão
Levanta
uma
danada
de
poeira
lá
no
cerrado
E
vai
perdendo
a
sua
força
Tal
qual
à
tardinha
Quando
faz
a
cama
do
Sol
do
meu
sertão
E
vem
parando
sempre
bem
de
mansinho
Dentro
do
meu
coração
Marcos
Milhazes*** |
|
|
 
|
A
Parábola
da
Mulher
Marcos
Milhazes***
Quando
Deus
fez
a
criação
Acho
que
deixou
os
homens
em
simples
esboços
Gentilmente
pediu
a
seus
arquitetos
e
desenhistas
que
dessem
prioridade
ao
projeto
da
criação
do
feminino.
Queria
dar
equilíbrio
e
beleza
ao
universo.
E
assim
foi.
Fizeram
toques
mágicos,
esbanjaram
nos
efeitos
especiais.
Usaram
e a
abusaram
de
seus
conhecimentos
técnicos
Exageraram
nos
detalhes
da
tentação.
Cabelos,
peles,
pêlos
e
olhos
mágicos.
Ah,
quantas
tonalidades.
Usaram
toda
a
perspicácia
no
trato
dessas
cores
Os
matizes
se
misturando
e se
confundiam
entre
tantas
diferenças
delicadas
e
belas.
A
doçura
que
convém
ao
tom
e
o
entre
tom
definitivo
para
cada
uma
delas.
Fizeram
uma
festa
de
traços
e
ângulos
que
encerra
uma
doutrina
moral
da
criação.
Enfim,
foi
criada
uma
fabulosa
obra
de
arte
do
Mestre.
E um
belíssimo
presente
para
o
mundo...
Marcos
Milhazes***
|
|
|
 
|
No
Cotoco
Da
Vela
Marcos
Milhazes***
Na
escuridão
do
negro
À
claridade
da
branca
luz
Tudo
me
seduz!
Ter
sua
silhueta
da
vela
mesmo
que
mínima,
resistindo
a
escuridão
e
mostrando-se
íntima
nas
sombras
dos
desenhos
contorcidos
pintados
numa
parede
de
amor...
Acústico,
é o
som
da
vida.
Dê-me
o
seu
tom
mágico
em
seguida
Traduza-me
em
música
clássica.
Transmita-me
o
barulho
desse
tal
universo.
Entenda-me
e
apenas
dance
comigo
nos
meus
pobres
versos
antes
que
a
noite
desapareça
Querida,
apenas
me
adormeça...
O
tempo
passa
apressado
e
insolente
E a
coisa
mais
linda
a
ser
feita,
É
quando
minha
alma
se
enfeita,
para
ter
momentos
de
preguiça
com
você!
Responde-me
agora
minha
amada!
Responda-me
nessa
madrugada
amena.
Junto
a
essa
luz
pequena!
Viver
em
paz
não
vale
a
pena?
Talvez
não
reparastes
com
bondade
Sou
uma
criança
amando.
Verdade!
Esse
sentimento
estará
eternamente
a
sua
mercê
Querida!
Qualquer
pedaço
de
luz
que
eu
consiga
dessa
vida
Seria
apenas
uma
pequena
claridade
vinda
de
você...
Marcos
Milhazes*** |
|
|
 
|
Obsessão
Marcos
Milhazes***
Ao
acaso
me
ocorreu
uma
visão
carregada
de
encanto.
Suas
formas
salientes
seguiram
viagem.
Sua
imagem
gostosa
se
fez
morada
em
meus
desejos.
Minha
imaginação
tornou-se
impertinente.
Naquele
momento,
minha
idéia
fixou-se.
Queria
te
assediar,
te
cercar,
torna-te
minha,
sem
temer
a
vexação.
Queria
importunar
tua
beleza,
que
por
ali
transitava,
sem
querer
saber
dos
olhares
sofridos
e
desejosos
por
você.
Queria
cercar-te.
Queria
que
me
quisesse,
me
desejasse.
Enfim;
Queria
ficar
a
sua
volta,
olhando
suas
curvas
de
voltas
e
formas
perfeitas.
Queria
olhar
nesses
seus
olhos
de
arco-íris.
Queria
observá-la,
importuná-la,
molestá-la.
Queria
apenas,
por
insistência,
o
que
o
meu
coração
queria
obsidiar.
Possuir
você...
Marcos
Milhazes*** |
|
|
 
|
As
Princesas
Marcos
Milhazes***
Noite
alta,
inspiração
a
flor
da
pele.
A
brisa
era
tão
leve
que
poderia
confundi-la
com
a
seda
e
vesti-la,
tal
que
era
seu
toque.
Embaixo
de
um
caramanchão
de
Buganvília,
a
rede
me
levava,
a
natureza
me
olhava.
A
Lua
era
tão
forte,
que
entre
as
folhas
da
plantas,
espionava-me
de
vez
em
quando,
na
medida
do
meu
balanço.
Em
dado
momento
a
silhueta
de
uma
pequena
vida
surge.
Um
ninho
de
pássaros.
Como
aplaudindo,
a
nova
vida,
a
lua
bateu
mais
forte.
Começou
a
vazar
gotas
de
néon,
através
das
frestas
dos
galhos.
Caiam
em
cima
de
mim,
encharcavam
minha
alma,
deslizavam
por
toda
a
grama,
atiravam-se
nas
águas
límpidas
ali
próximas,
tornando-as
num
lago
de
cristal.
Minhas
princesas
pareciam
entender
aquele
momento
mágico.
Isentas,
silenciosas,
discretas,
apenas
atentas
a
mim
e
seduzidas
pelo
encanto
reinante.
Ora
inquietas,
ora
cochilando
em
meus
braços,
permaneciam,
ali,
fieis,
sempre
a
meu
lado.
Nos
tempos
bons,
de
tempestade
ou
como
hoje,
uma
noite
de
pura
magia.
Ali,
permanecia,
negra
majestosa
e
branca
paz.
Lady
Minie
e
Zizi.
Marcos
Milhazes***
|
|
|
Para
pág. 13 |
|
|