SEBO LITERÁRIO

   

Marcos Milhazes***
 

 
 
Poesias
 
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Carga Pesada

Marcos Milhazes***


Na estrada da vida que trafegamos.
As rotas que nos indicaram seguir.
As paradas e perdas que tivemos
Uma cidade chamada Esperança
Alagada pelas mãos do homem
Renegada pela força e perseverança

Cidade dos oprimidos e esquecidos
de percurso esburacado
E o povo como um caminhão velho
e cansado, ossos torcidos e mãos de calo

Sempre obedecendo às ordens do patrão
que nos faz tantas vezes usar a contra-mão
E quanto ao valor da vida
Para ele é somente uma frágil questão

E de tão velho e oprimido
Olhar atento sua estrutura fraca de carne e osso
Tenta não sucumbir em desgosto
Revoltado por respirar tanto pó da ganância
Solta do peito encarcerado um grito de revolta

E essa carga de vida tentamos levar
A miséria a falta de ensino, saúde e dignidade
Combustível do cidadão nordestino
Fica para o próximo destino e do trabalhador
que não tem escolha e nem profissão

O Gerente sorridente diz:
A carga pode ser pesada, eu sei!
Não te dou trabalho e tiro também sua dignidade
Mas em compensação não é nenhuma fortuna
Meu esquecido povo do sertão
e hoje falo com alegria
Criei sua bolsa cidadão

Marcos Milhazes***

 

Incenso

Marcos Milhazes***


Inata forma de vida
Como posso renegar-te?
Revisto-me de princípios e dou risadas
A beira de precipícios me atiro num vazio
E acordo na cama de um realismo.

Prosas de poetas em suas breves loucuras
Talvez até canduras
Apenas versando. Tão somente
Um escrevedor acha nos mares de fantasias,
estrelas, de algodão doce e delicatesse
Ah sim, as raras flores.
E seus perfumes da meia -noite

E tu fada azul julgando-me Atila
Pequei e salvaste-me pois da etílica
Como palito de cheiro sólido vindo da árvore
Aliás, torna-se arteiro e trás uma fragrância do cheiro,
perfumando o nosso amor
Cuja vida é miúda, enquanto a brasa durar

De vida breve desta haste de cinzas plácidas que se desfaz no ar
Enfim tudo no tempo pode demorar
Efeito de uma prece e o tempo de orar
Diga-me pois!
O que custava o amor me aguardar???

Marcos Milhazes***

 

Prima Vera

Marcos Milhazes***


Engraçado!
Nesses passados dias de ventanias onde vivo, pensei:
O mundo de Deus é exato na sua forma de se manifestar
Algumas horas após o açoite e o canto do ar, ontem fui passear no luar.
Eram duas da matina e ela acendeu o seu néon.
Será que foi para me animar? Sei lá!
Aqui na roça que vivo foi rica de magia e o som da natureza.
Devagarzinho percorri o quintal e para minha surpresa notei algo aqui
que sempre me passou despercebido.
A arvore da amora que ontem eram flores, ainda restavam frutos.
Pensei!
Que doideira, estamos na Primavera.
Parei e peguei alguns frutos e coloquei na boca. Mel puro!
E o gozado! Depois de tantos anos curtindo esse evento. Velhice ?
Talvez, mas cheio de interrogação, como numa pescaria.
Que será que vem agora?
A lua fazia quase dia a noite que acontecia.
Que faço agora? Estou na Primavera.
Já sei! Como não tenho a quem mandar aquele mecânico ramo de flores
e as ridículas rosas padrão de eventos em restaurantes, teatros,
cinemas, televisão e vendedores de rua, envio-as para mim então.
Sei! Sou um chato por natureza. Nunca tolerei hipocrisia e hoje
percebo que nem tenho Tia.
Daí, como posso ter em plena Primavera, uma prima Vera?

Marcos Milhazes***

 

Das Antigas

Marcos Milhazes***


Você foi minha bela fantasia
O meu gostoso jeito de dormir e sonhar
Minha forma de amar com gamação
E transformar-se de substantivo à interjeição

Naquela tarde de areias brancas
De biquíni surgiste ofegante
E Netuno se pois a olhar
E do mar o acalmou
Fazendo das nuvens marejar

Nas noites de luar foste minha estrela maior
Cujo brilho nunca ousou apagar
Com sua pureza d'alma, quando se elevava
Ratificando aos céus, ser minha estrela Dalva

No fim das noites do meu Rio
Onde meu lenço entretecido de algodão e linho que dizia:
-sou a simbologia de um amor briguento
"Um cravo depois de seco é um amor perecido
Mas também acho que sempre podemos mudar
o rumo desse sentido"

Porém, para o perfume que dela ainda emanava
Não se media o aroma nem a fragrância
Pois perderíamos a razão e o conteúdo de nossa fama
Então, deixaremos tudo como sempre aconteceu e acontecia
Eu num notório terno de LInho de Cambraia
E você, num vestido transparente de Bali
Num insinuante modelo, "Tomara que caia"

Marcos Milhazes***

 

O Amor Proibido

Marcos Milhazes***


O mais puro dos sentimentos
que por força das regras
não criadas pelos corações
vivem a sombra da escuridão.

Quase não recebe um raio de Sol.
Alimenta-se da luz da Lua.
É um amor tão forte que chega por vezes
a dor pelo reconhecimento.

Ter a serenidade de se ocultar com astúcia.
Se disfarçar quando o sangue esta fervendo.
E nunca revelar os desígnios de seus sentimentos.
Morrer de paixão...

Encobrir seu amor dito proibido.
Ter que se calar quando a voz do seu íntimo
implora uma declaração ao mundo.
Ter a reserva de integridade à pessoa amada.

Se contrapor a dor e se opor aos perigos
para proteger de seu secreto coração.
Viver essa paixão e ter que nega-la.
Viver por opção um irreal.
Ter que negar o real.

Dissimular esse amor secreto
fazendo-se exercer sua função
apenas na morada de sua mente.
Nunca ser intransigente...

Uma escolha dos verdadeiros amantes,
artistas na concepção da emoção
quando se apresentam no espetáculo solene da vida,
a sua parte e a mais preterida e doida.
Sem deixar que a platéia perceba
e com emoção na devida proporção apresentar:

A sua verdadeira arte de amar...

Marcos Milhazes***

 

...Atenciosamente, Sem Mais...

Marcos Milhazes***


Tantas vezes dito
Bendito o dia que te conheci
Um tênue sentimento
Como os astros
Perfeito no firmamento

Fazendo que eu te amasse
Não ligasse,
voasse com os ventos
Era sómente você
Herança nunca legada, diria
em minha ira de amor
Eu não queria fazer,
nem ter a tal dor

Dei,o que fazer!!!
Dizer,talvez até falar
Me faltou ar!!!

Me nego a amor imediato
pouco fato, fogueira de papel
Tolerância,
é a medida dos da arte de amar
Sentir são coisas dos autênticos

Se amar é veneno, deixa-o ameno
Me dê mesmo pequeno
Me entenda
Me dome
Dormi e vi só depois da igreja,
ora veja e agora!

Fim de festa?
música e orquestra, quiça.
Meus respeitos e sentimento à senhora.
Ter cuidado de fato,
falando apenas delicado ao que foi minha madame.
Meu costume e certame
Meu luxuoso tatame

Sem alaridos e consciente,
levantar discretamente,
tentar dissimular o vexame
Estancar as gotas em derrame.
Com dignidade,
retirar apenas meu sobrenome.

Marcos Milhazes***

 

 

Livro de Visitas

        

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