SEBO LITERÁRIO

     

 

Naida Terra

 

 
 

Agostino Carracci 

 

 
POESIA
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VEM MEU POETA...
Naidaterra


Vem meu poeta me aquecer,
sinto frio e nada me acalenta...
Há fogo na lareira e bebo o nosso
vinho de amoras, saboreio
as pétalas das rosas brancas
com mel das laranjeiras e mesmo
assim, ainda sinto frio...
Vem meu poeta me aquecer com
teus versos que falam dos meus
olhos, do cheiro da minha pele e
declama com tua voz cristalina
feito tinidos das taças de cristais,
o nosso mais lindo poema...
Ele fala de uma brisa quente que nos
impele para o além das fantasias...
As velas vermelhas já estão acesas e
exalam o suave perfume do sândalo
que tanto nos fascina e embriaga...
Só falta você meu poeta,
Vem me aquecer...

Naidaterra
11/2006

UM MOMENTO SÓ PARA VOCÊ
Naidaterra


Reservar alguns momentos só para você é tão
necessário quanto é o sono profundo,
aquele que repousa o corpo...
Comungar com a natureza em silêncio,
assistir ao pôr-do-sol, ouvir o ruído do oceano,
o som da folha que baila no ar antes de tocar o chão,
água que bate nos cristais e o real
perfume das flores...
No êxtase do silêncio procurar desfrutar
a verdadeira pulsação da vida, o sol que brilha,
as estrelas que piscam, a chuva que cai e a neve
que está sempre presente no seu tempo...
É a natureza agindo...
Estar em contato com ela nos proporciona felicidade,
e o que é bom brota dentro de você, a alegria
se expande e você se torna uma pessoa doadora
do amor puro, sem o mínimo esforço você vai
contagiando todos ao seu redor...

Naidaterra
Nov/2006

 
 

NÃO ESTRANHE...
Naidaterra


Não estranhe se um dia de repente
não ler mais meus versos ou se ler,
neles não mais se achar...
Se o mel da minha voz não te
enebriar e não lhe parecer mais doce...
Se minhas mãos recolhidas
e fechadas não mais te tocarem...
Não estranhe se meu olhar deixar
de ser teu luzeiro e meu corpo teu oásis...
Não estranhe se não conseguir
encontrar-me nos mesmos lugares e sentir
uma desdenhosa frieza, tristeza...
Se não ver-me abrindo
a janela e dela, eufórica abrir a porta...
Se deparar com pérolas rubras
rolarem pelo meu rosto...
Não estranhe!
É só o fim de uma história,
lei inexorável da utopia...
Melancolia...

Naidaterra
nov/2006

 
 

OUVIR A TUA VOZ...
Naidaterra


Ouvir a tua voz novamente só me convenceu
da existência das minhas vozes, dos meus eus
através de incalculáveis miríades de milênios...
Minha alma despertou, reconheceu os ecos e
me fez sentir nua e você, todinho em mim...
Não consegui evitar a emoção e deixei-me levar
por uma sensação que aqueceu meu corpo, e num
instante embalada na melodia da tua voz,
desejei transcender, estar com você, estar em você,
sentir o cheiro lascivo do teu tesão e me entregar...
Esquecer e tão só viver com intensidade
este desejo louco de amar você.
Mais que tua voz invadindo todo meu ser,
quero mergulhar no teu olhar, sentir teu corpo
laçar o meu e me fazer tua...
Quero meu mundo delimitado nos teus
braços, me perder em você
e permanecer até que o tempo decida
o que fazer...

Naidaterra
Nov/2006

 
 

ESSA DOR TEM QUE MORRER
Naidaterra



Olho-te e vejo uma árvore frágil que o
sol abandonou, fugiu a chuva...
Tuas folhas estão secando e os
pássaros abandonaram teus galhos,
não fazem ninhos, não cantam mais...
Dor que te domina, uma sentinela
que te perfura noite e dia...
Entre tremores e gemidos ainda
me olhas com ternura tentando
disfarçar a tua dor querendo acalmar
a minha por vê-la sofrer...
As noites e os dias são longos
e não há pausas, triste esse viver...
Essa dor tem que morrer,
dor que não mata só maltrata matando
as ilusões, minando forças...
Não há mais o que sonhar se a dor
não passar... não morrer...

Naidaterra
Nov/2006

 

 

VENHA AO MEU ENCONTRO
Naidaterra


Venha ao meu encontro antes que
a natureza leve a primavera...
Com ela partirei e não mais terei
teus beijos ardentes nem a luz dos
olhos teus envolvendo os meus...
Traga a nossa melhor poesia e a
sussurre dentro da minha boca,
quero sentir teus versos encantando
a minh’ alma para recordar depois...
Venha e me laça nos teus braços, vamos
dar vida as nossas fantasias, esquecer
a realidade e ir ao imponderável...
Depois das juras de amor eterno,
vou-me embora com a primavera em
passos lentos em tapete de pétalas
carregando as recordações de um
grande amor...

Naidaterra
Nov/2006

 

 

 

MEU AMOR
Naidaterra


Choram os meus olhos por não tê-lo ao meu lado...
A distância entre nós é um tormento que me açoita
e a lua não repousa dos meus constante ais...
Venceu o destino, um pêndulo sem tréguas
que a cada segundo insiste em dizer-me, não!
Não posso beijar-te a boca meu amor,
beijo-te a alma com todo meu ardor...
Obriga-me ao silêncio o destino calando-me
a boca, mas não pode calar meu coração ou
impedir que eu seja a sua eterna musa inspiradora...
Não poderá alterar o meu sentir e nem apagar
o brilho do meu olhar, teu facho de sol...
Um desatino o destino, fez de mim um ser e não ser,
estou aqui agora, dupla e sozinha
de estar longe e tão perto de você
meu amor...

Naidaterra
dez/2006

TOCA-ME
Naidaterra


Serei tua lira...
Toca-me com teus dedos
e os sons dos meus gemidos
serão ouvidos muito além...
O universo se curvará em silêncio
para dançar no compasso dos meus ais...
Além de tudo quanto houver tempo,
o meu prazer será ouvido
e eternizado na memória do infinito.
Tuas mãos explorando meu corpo
e teu olhar observando meu semblante
vislumbrando, saboreando o amor acontecer...
Fico suspensa no ar envolvida pelo teu calor...
Meu corpo é tua lira, tira-me sons
e farei chorar os violinos de tanta emoção...

Naidaterra
dez/2006

 

Livro de Visitas

    

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