SEBO LITERÁRIO

 

 

Raymundo Salles Brasil

 

 
 
Poesias
DÉCIMAS

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XXI

Quando acabo de escrever
Um verso, uma trova, um poema,
Sinto que acabo de erguer
Uma casa de fonema,
O som, a matéria prima,
A alma, a palavra, a rima,
O amor como argamassa,
Mas nunca que acho perfeita
A obra depois de feita,
Por melhor mesmo que a faça.

Raymundo Salles Brasil

 
 

XXII

Meu verso fica pequeno
Toda vez que perco a calma,
Mas quando fico sereno
Ele cresce na minh’alma;
Meu verso gosta de paz,
E sempre me satisfaz
Quando o tema lembra a cruz,
É a deixa predileta
Para este pequeno poeta
Que foi salvo por Jesus.

Raymundo Salles Brasil

 
 

XXIII

Uma ideia, ninguém sabe
Donde é mesmo que ela vem,
Descobrir a mim não cabe,
Duvido que caiba a alguém.
Coisa de Deus esse invento,
Pois surge no pensamento
Essa dádiva suprema,
Que o poeta de plantão
A planta no coração
E faz nascer um poema.

Raymundo Salles Brasil

 

 

XXIV

Espairecendo eu passava
À noite por uma rua,
Olhando o labor da lua,
Que mil sombras desenhava.
Fazia muitas figuras.
Bico de pena, gravuras,
Estendiam-se no chão,
E eu vendo o que Deus fazia
A minha fé mais crescia,
Crescia a minha emoção.

Raymundo Salles Brasil

 

XXV

Muitos poetas eu vi
Tinham muita erudição,
Uns tinham mais, outros não,
Muitos poemas eu li,
Que tinham todos, no entanto,
Aquele toque de santo
Quando faz uma oração,
E todos eram bonitos,
Os simples, os eruditos
Pois vinham do coração.

Raymundo Salles Brasil